Capricorn | Romance Mafioso

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Resumo

Na primeira vez que aconteceu, Capri pensou que fosse apenas má sorte. Na segunda vez que tentaram sequestrá-la, ela achou que fosse mera coincidência. Mas, quando aconteceu de novo, ela teve certeza de que alguém estava tentando pegá-la. Sem saber em quem confiar, ela busca refúgio com a família mafiosa Moretti. Capri fez seu nome como uma hacker muito requisitada. Agora, no entanto, alguém está atrás dela e ela precisa de um lugar seguro para se esconder enquanto descobre a identidade de seu mais novo adversário. Mas uma coisa com a qual ela não contava era o quanto este novo capítulo de sua vida a mudaria para sempre. Lorenzo é o próximo na linha de sucessão para ser o Don Moretti. Sua vida está praticamente definida. Ele é jovem, bonito, tem garotas se jogando aos seus pés e todo o dinheiro do mundo para fazer o que bem entender. Mas, pela primeira vez, uma certa loira chamou sua atenção e, desta vez, não é ele quem dita as regras, é ela. • TEMAS ADULTOS 18+ • Início: 28.08.2021 Capítulo novo toda sexta-feira (mais ou menos)

Status
Completo
Capítulos
41
Classificação
4.9 28 avaliações
Classificação Etária
18+

1 - First Contact

Lorenzo Moretti

Bati no volante, impaciente. A longa fila de carros de luxo à minha frente serpenteia pela estrada e desaparece na curva, a uns oitocentos metros. Pelo menos, é o que parece. O céu está sem lua e escuro como breu. Apenas os faróis dos carros na estrada dão uma ideia de onde ela segue.

Nunca estive aqui, mas me disseram que o terreno era cercado por uma floresta densa e que o único acesso era esta estrada escura, sem um único poste de luz. Como um bilionário não instala iluminação na estrada que leva à própria casa? É ridículo. Mas, de certo modo, suponho que seja eficaz. Se você preza pela sua privacidade, a última coisa que vai querer é sinalizar o caminho da sua casa.

Tinham se passado apenas dez minutos, mas não sou do tipo que costuma esperar por nada. Meu destino, uma festa organizada por um magnata super-rico em sua mansão luxuosa e supersecreta, é apenas um ponto de encontro. Não tenho interesse em participar da festa. Estou aqui por um motivo, e apenas um. Uma reunião com Capricorn, o mestre hacker indescritível.

*

Dois dias atrás

Tinha começado como qualquer manhã normal. Bem, normal para mim, pelo menos.

Era um belo dia de sol. O céu estava azul com um toque de ultramar. Pássaros voando ao longe. E eu estava em um quarto de hotel com um homem amarrado a uma cadeira.

Suas mãos e pés estavam presos com retalhos dos lençóis do hotel. Sangue escorria de sua têmpora. Sua boca estava cheia de sangue. Suas roupas grudavam no corpo devido ao suor profuso, apesar do ar fresco que entrava pela janela aberta.

Circulei por ele como uma hiena examinando sua presa. Fiquei feliz por ter tirado minha jaqueta preta antes, já que minha camisa social, antes branca, agora estava respingada com o fluido corporal vermelho dele. Arregacei as mangas e comecei a desferir uma série de socos em seu rosto. Pausei para admirar meu trabalho. Meus lábios se curvaram, satisfeitos com o resultado.

Puxei uma faca. Meus olhos brilhavam de empolgação com o que eu planejava fazer com ela. O pobre coitado só conseguiu soltar um pequeno ganido. Ele andou roubando da família, e é isso que fazemos com ladrões.

Meu celular tocou. Era Tony, meu primo. Tony voltou das férias de verão da faculdade e tem ajudado nos negócios. Ele é, provavelmente... não, definitivamente, o meu favorito entre os outros membros da família.

Esfiei a faca na coxa do sujeito, deixei-a lá e fui atender à ligação.

“Bom dia, Tony...” meu espírito alegre ficou claro na minha voz. Ouvi enquanto ele interrompia meu cumprimento. Com cada palavra dita ao telefone, meu bom humor começou a desaparecer.

A porta se abriu de repente e uma mulher entrou. Por volta dos trinta anos, vestida com um terno preto elegante, mas simples.

“Que porra... Quem diabos é você?”, perguntei. Ao mesmo tempo, me perguntei o que aconteceu com meus homens que deveriam vigiar a porta. Saquei minha arma e apontei para a cabeça dela, mas ela apenas examinou o quarto, franziu a testa e reposicionou uma cadeira para sentar de frente para mim.

“Signore Moretti? Meu nome é Lauren Potter. E você acabou de perder 10 milhões de euros.” Sua voz era calma. Como se a notícia não fosse nada de mais. Como se ela estivesse me dizendo que perdi alguns trocados em vez de 10 milhões.

“Quem diabos...”

“Eu represento Capricorn. Você conhece o trabalho dele?”

Senti minha garganta apertar. Estamos sob ataque de Capricorn? Se sim, por quê? Ouvi falar de Capricorn. Um mestre hacker. Ninguém sabe quem ele é ou de onde vem. Mas Capricorn é um mercenário. Ele não instiga guerras. Sempre trabalha para um cliente, nunca para si mesmo. Apesar de suas habilidades, ele nunca tomou lados e sempre evitou clientes que pudessem levar a confrontos indesejados.

“Quem te contratou?”

“Ninguém. Nós apenas queremos uma reunião.”

Eu zombei. “Então por que roubaram de nós?”

“Para mostrar que somos legítimos. Temos uma... oportunidade de negócio para discutir.”

Ela enfiou a mão na bolsa e tirou um envelope com detalhes em ouro. Dentro, havia um convite para uma festa.

“A reunião acontecerá neste evento. Capricorn estará esperando por você. 21h. Na biblioteca. Senha: Salmon. Devolveremos seu dinheiro após a reunião. Independentemente do resultado. Você tem a minha palavra.” Ela se levantou, sinalizando o fim da nossa reunião.

“Ah, e Signore Moretti. Por favor, mantenha esta reunião apenas entre você e o Don. Não precisamos que espalhe que Capricorn fará uma aparição ao vivo. Espero que entenda.”

Dito isso, ela assentiu e saiu da sala imediatamente. Corri para fora e encontrei meus dois homens desmaiados, inconscientes, mas vivos.

*

Olhei para o relógio no painel e vi que cheguei cedo. Eram pouco mais de oito e meia. Tempo de sobra para passar pela segurança. Passei os dedos pelo meu cabelo preto. Um hábito nervoso que não consigo largar.

Bati no volante novamente. Desta vez, em um ritmo mais rápido. Meu smoking preto parece sufocante. Eu gostaria de ter trazido Tony para me fazer companhia. Esse jogo de espera está começando a me deixar nervoso. Sei que Tony provavelmente não conseguiria passar da porta. Mas, pelo menos, seria uma boa companhia nesta situação.

Lembrei-me da conversa que tive com meu pai, Don Giovanni Moretti, após a visita misteriosa da Sra. Potter. Ele estava apreensivo com a reunião. Especialmente porque não poderíamos ter homens extras por perto. O local já estava fortemente vigiado, mas não pelos meus próprios homens, em quem confio.

A ideia de que tudo isso poderia ser um truque de Capricorn me ocorreu. Talvez uma declaração de guerra. Mas não conseguimos entender o motivo. E um encontro cara a cara? Duvido que alguém já tenha tido essa honra. Capricorn nunca mostra o rosto. Ele sempre faz seus negócios através de alguém como a Sra. Potter.

Eu até tentei rastrear a invasão, mas nossa equipe de segurança não foi páreo para Capricorn. Era como se ele estivesse rindo do nosso esforço inútil de tentar superá-lo antes da reunião.

O anfitrião desta festa é um empresário conhecido. Encontrei-o algumas vezes e percebi instantaneamente os vários esquemas em que ele estava metido. Sabendo disso, tinha certeza de que seus convidados provavelmente seriam da mesma laia.

Quinze minutos depois, finalmente cheguei à frente da fila. Entreguei as chaves ao manobrista e entrei.

Vários homens de preto circulavam pela porta principal e pelo saguão. Passei por um detector de metais, grato por ter decidido vir sem nenhuma arma de fogo. Não preciso de mais atrasos hoje à noite.

Assim que passei por toda a burocracia, abordei um garçom e perguntei sobre a localização da biblioteca.

Meus passos eram longos e rápidos. Decididos. Olhei para o relógio e vi que estava dois minutos adiantado para o meu horário.

Respirei fundo para me acalmar e girei a maçaneta. A pesada porta de madeira se abriu sem esforço, revelando um cômodo repleto de estantes de madeira transbordando livros. Do chão ao teto, em todas as quatro paredes. Alguns sofás de couro espalhados no meio. Uma escrivaninha ornamentada em uma ponta. Um grande lustre pendia no centro.

E então eu a vi. Sentada, empoleirada em uma daquelas escadas presas às estantes. Um anjo enrolado em uma bola de chiffon.

Seus traços eram delicados e refinados, como uma boneca de porcelana. Ainda assim, havia um ar de realeza. Ela emanava uma aura de confiança com um toque de autoridade. Como se tivesse nascido para estar acima de todos. Cabelos loiros ondulados emolduravam seu rosto oval pequeno. Estudei-a em silêncio por alguns instantes. Seria ela Capricorn? Não, duvido. Não consigo imaginar seus dedinhos delicados batendo em algum teclado preto. Uma associada, talvez. Alguém parecida com a Sra. Potter. Mais uma das pessoas de Capricorn. Ou... talvez apenas uma espectadora inocente.

“Sabe, algumas pessoas podem achar que você está sendo rude.”

Olhei para ela confuso. Ela nem se deu ao trabalho de me olhar. Seus olhos estavam fixos no livro que ela achou tão interessante.

“Você está encarando”, disse ela, objetiva. Sua voz era mais alta do que eu havia imaginado.

Limpei a garganta. “Leitura interessante?”

Ela suspira. “Só se você gosta de filósofos mortos há muito tempo.” Ela começou a descer a escada. Seus saltos delicados escorregaram e ela tombou para trás. Dei um passo rápido e a segurei em toda a sua glória de chiffon. Olhei para baixo e vi um par de olhos verde-esmeralda olhando de volta para mim. E por meio segundo, seu rosto bonito parecia confuso com o deslize inesperado.

Ela rapidamente se colocou de pé e ajeitou o vestido, recuperando a compostura. Agora que estávamos na mesma altura, notei o quão pequena ela realmente é. Ela deve achar os outros gigantes sempre que está em uma sala cheia. O topo de sua cabeça mal passava do meu ombro.

De repente, pude ouvir uma comoção alta vindo de fora da sala. Um barulho e talvez também várias batidas. Não consegui distinguir se era apenas um garçom que derrubou sua bandeja ou se algo mais estava acontecendo lá fora.

Antes que eu pudesse me perguntar um pouco mais, a porta se abriu com força. Dois homens com metralhadoras entraram. Eles imediatamente nos arrastaram para fora para nos juntar ao resto dos convidados no salão principal.

Que diabos está acontecendo?, me perguntei. Era para ser um lugar seguro. Havia literalmente mais guardas do que convidados no local. Esses homens armados estão aqui por mim? Ou estão aqui por Capricorn? Mas olhando para a lista de convidados, eles poderiam estar ali por praticamente qualquer um dos presentes.

Uma mão puxou minha manga. Era meu anjo de chiffon. O medo era evidente em seus olhos. Senti instantaneamente uma vontade incontrolável de querer confortá-la e mantê-la perto. De protegê-la desses homens maus com armas que decidiram arruinar nosso primeiro encontro. Com uma voz que mal era um sussurro, ela disse uma palavra.

“Salmon.”

Olhei para ela tentando decifrar suas intenções. Então ela é Capricorn. Será? Eu não conseguia entender a ideia de que essa coisinha frágil pudesse ser o hacker indescritível. Talvez ela não seja. Talvez ela seja apenas uma de seus subordinados. Talvez uma batedora enviada para dar o sinal verde antes de sua grande entrada.

“Precisamos sair. Esteja pronto”, desta vez sua voz soou mais firme.

Ela tira o celular de um bolso escondido em algum lugar entre as dobras de sua saia de chiffon. Seus dedos batem na tela, movendo-se mais rápido do que meus olhos conseguem acompanhar.

Olhei para os homens armados, a uns três metros de nós. Um deles olhava para o celular enquanto examinava cada convidado. Eles estão procurando por alguém. Mas quem? Precisamos agir logo antes que...

O cômodo ficou subitamente escuro. Uma a uma, as luzes se apagaram até que tudo ficasse em um breu total. Então vieram os sprinklers. Gotas de água respingando de algum lugar acima. Os convidados começaram a gritar. Corpos empurrados uns contra os outros em desespero. Caos total. Eu não conseguia distinguir quem era convidado e quem era o invasor.

Senti uma mão firme no meu braço, guiando-me através da confusão. Foquei meus olhos e vi a silhueta do meu anjo de chiffon, puxando meu braço para segui-la. “Precisamos chegar ao terraço”, ela gritou, tentando ser ouvida acima dos gritos da multidão em pânico.

Corremos escada acima. Ela parecia estar familiarizada com a planta da mansão. Conduziu-nos sem hesitação até chegarmos a um lance estreito de escadas que parecia levar à porta final que nos levaria à liberdade.

Ela fez um gesto para que eu fosse primeiro. Talvez ela mesma não tivesse certeza do que havia atrás daquela porta. Abri-a cuidadosamente uma fresta e vi um heliponto. Dois helicópteros. Um deles, ocupado por vários homens da milícia. O hélice ainda girando com força total.

Havia muitos deles. E sem minha arma, não havia como passarmos despercebidos e escaparmos para o outro helicóptero.

“Não consigo dar conta de todos”, eu disse a ela. Ela mordeu o lábio inferior. Pensando. “Existe outra rota de saída?”

De debaixo da saia, ela produziu uma arma e me entregou.

“Mirar na cauda”, disse ela, apontando para a aeronave que girava.

Sou um excelente atirador, mas o vento forte do hélice não vai facilitar o acerto do alvo. Não tenho ideia de qual é o plano dela, mas considerando que ela é a única que tem um, não vejo razão para discutir.

Foram necessários três disparos até que eu conseguisse. Virei-me para ela querendo perguntar qual era o próximo passo e a vi absorta com o telefone. Seus dedos ocupados batendo na tela. Eu não conseguia dizer o que ela estava tramando. Parecia tudo grego para mim.

Ela deve ter notado que eu parei de atirar, pois então ela se virou para ver a situação lá fora. Havia fumaça saindo da cauda e os homens lá fora estavam em modo de combate. Todos tentando encontrar a origem do tiro.

“Quase pronto”, ela murmurou para si mesma.

Então, um barulho alto de confusão pôde ser ouvido lá fora. Os homens começaram a gritar alarmados, com raiva e pânico. Eu não conseguia dizer o que estava acontecendo a princípio, mas então percebi o que ela tinha feito com seu celular inteligente.

Meu anjo de chiffon tinha acabado de hackear o outro helicóptero e tentado girar a máquina para voar de lado, derrubando esses homens e fazendo-os cair de quatro andares de altura. Não tenho ideia de como ela conseguiu assumir o controle daquela máquina, mas agora sei com certeza que estou na presença de Capricorn.

Capricorn forçou o helicóptero a girar e varrer os homens maus. Alguns caíram do telhado, outros foram cortados pela hélice. Ela manteve o controle até que restassem menos da metade do número original de inimigos.

“Você ainda sabe pilotar essa coisa, né?”, perguntou ela.

“Sim, por que a pergunta?” Eu certamente sei pilotar essa coisa. Na verdade, sei pilotar praticamente qualquer coisa. Tenho licença de piloto há cinco anos.

“Me dê a arma. Precisamos correr. Pronto?” Devolvi a arma e assenti.

Não sei se este sempre foi o plano de fuga de emergência dela. Mas, depois de ver o que acabou de acontecer, tenho a impressão de que era.

Capricorn pousou o helicóptero o mais perto possível da nossa localização e então corremos. Assim que entrei, prendi o cinto e subi imediatamente, tentando nos tirar do chão o mais rápido que pude.

Ela começou a atirar, tentando nos dar algum tipo de cobertura enquanto eu me afastava o máximo possível da mansão. Os homens atiravam de volta, gritando palavrões para nós, mas não demorou muito para que seus gritos se tornassem apenas um som distante e esquecido.

Foi alguns segundos depois que percebi que não tinha ideia de para onde estava indo. Tudo o que vejo são árvores escuras. Olhei para ela. Ela tinha puxado um mapa aéreo de onde estamos em seu celular.

“Mi amore, para onde estamos indo?”