Capítulo 1
Thea
Guardei as últimas coisas no meu velho Honda Accord, entreguei a chave para o corretor e saí da garagem pela última vez. Não havia mais nada para mim ali. Repeti para mim mesma que estava fazendo a coisa certa ao deixar tudo para trás. Sabia que, se olhasse para trás, mudaria de ideia. Atravessei a divisa do estado, da Geórgia para o Tennessee, com o rádio alto e as janelas abertas, deixando o vento bagunçar meu cabelo e levar minhas preocupações embora.
Meus pais eram tudo o que eu tinha, e agora que eles se foram, eu queria recomeçar. Sempre foi só eu e eles, não tinha mais ninguém da família, ou pelo menos ninguém de quem eles tivessem falado. A pessoa mais próxima que minha mãe tinha era sua melhor amiga, Elaine Thompson. A família dela morou ao nosso lado por anos, até que ela e o marido receberam uma proposta de emprego da Northwestern University, em Illinois. Era uma oportunidade incrível, que eles não podiam recusar, então deixaram nossa cidadezinha no Condado de Franklin, na Geórgia, e se mudaram para Evanston, em Illinois. Eles vieram para o funeral dos meus pais, e foi quando Elaine me convidou para morar com eles. Disse que havia muito mais oportunidades lá e que não queria que eu ficasse sozinha. No começo, não gostei muito da ideia, mas depois de pensar alguns dias, decidi que era exatamente o que eu precisava. Já tinha me formado no ensino médio e estava fazendo algumas matérias na faculdade comunitária, mas nada que não pudesse fazer em outro lugar. O único problema era a construtora do meu pai, que agora era minha. Desde que me entendo por gente, trabalhei com ele — primeiro varrendo o chão, depois passando a cuidar dos livros, organizar reuniões e marcar compromissos. Era praticamente sua assistente pessoal. Com a ajuda de Elaine, contratei alguém para ficar no meu lugar. Coloquei o braço direito do meu pai no comando, com um bom aumento, claro. Decidimos que eu me reuniria com eles uma vez por mês por videoconferência para saber como as coisas estavam indo. Meus amigos já tinham ido para a faculdade, e meu namorado… bem, descobri na semana anterior à morte dos meus pais que ele estava me traindo com minha melhor amiga. Então, por que eu ficaria? Precisava recomeçar, do zero, em um lugar onde ninguém me conhecesse.
A viagem de Geórgia até Evanston durava doze horas, e eu planejava fazer tudo de uma vez, para não ter que dormir em hotel. Tracei a rota, parando só para ir ao banheiro, abastecer e comer, o que me faria chegar na casa de Elaine por volta da meia-noite. Pretendia mantê-la atualizada sobre meu progresso e localização durante o caminho. Cheguei lá às 11h45, e ela estava esperando na porta. As saudações foram rápidas, já que era tarde e eu estava exausta. Só queria tomar um banho quente e cair na cama.
Eram quase onze da manhã quando finalmente consegui sair da cama. Enquanto andava pela casa, percebi que não tinha ninguém. Encontrei um prato de comida com um bilhete na bancada da cozinha. Parece que Elaine e Michael vão passar o dia fora. O bilhete também dizia que alguém passaria para deixar uma coisa para Michael. Bom, depois de comer, vou me arrumar um pouco, já que estou esperando visita.
Levantei para colocar o prato na pia quando a campainha tocou. Pronto, lá se foi a ideia de ficar apresentável. Tirei o elástico do pulso e prendi o cabelo num coque bagunçado enquanto abria a porta. Meu Deus, eu definitivamente não esperava o que estava do outro lado. Alto, musculoso, tatuado e sexy pra caramba. Meus olhos subiram pelas pernas fortes, passaram pela virilha avantajada, pelos abdomens definidos e braços musculosos e tatuados, até os lábios beijáveis e os olhos azuis lindos. Fiquei completamente sem palavras. Foi a voz grave e sexy dele que me tirou do transe: “Aproveitando a vista, querida?”
Como se eu já não estivesse envergonhada o suficiente, comecei a gaguejar. “Eu, eu, eu não sei do que você está falando.”
Ele soltou uma risada profunda. “Sério? Então por que tem baba escorrendo pelo seu queixo?”
Levei a mão à boca e limpei. “Não estou babando!”
Ele riu de novo, dessa vez me irritando um pouco. “Quem é você e o que quer?”
“Desculpa. Desculpa. Vou parar. Sou Ben Williams. Vim deixar uma coisa para o Michael. Ele está?”
“Ah. Não, ele não está, mas me avisaram que você passaria aqui.”
“Ah, tá. E você é quem?”
“Sou a Thea. Acabei de me mudar da Geórgia e vou ficar com a Elaine e o Michael por um tempo, até arrumar um emprego e me estabelecer.”
Ele estendeu a mão. “Prazer em conhecer, Thea. Preciso ir, mas se você vai ficar com o Michael, tenho certeza de que vamos nos ver de novo.”
“Ah, tá. Bom, prazer em conhecer você também, Ben. Sim, espero que sim.”
Ele me olhou de cima a baixo mais uma vez e se virou para ir embora. Fiquei sem palavras. Era o homem mais lindo que já tinha visto. Dava para perceber que era mais velho, pela barba e cabelo grisalhos, mas nossa, ele era tão sexy. Entrou na sua caminhonete preta enorme e me lançou um piscadela antes de ir embora. Quando fechei a porta, caiu a ficha de que eu tinha atendido de pijama. Minha shortinho de dormir e a blusinha fina de alcinha. E o pior: sem sutiã, e ele com certeza viu meus mamilos duros. Nem quero imaginar como meu cabelo estava. “Meu Deus, o que eu estava pensando?” Coloquei o pacote em cima da mesa e fui para o banheiro. Quando me olhei no espelho, levei um susto. Por que eu tinha que atender a porta desse jeito? Estava um caco. “Bom, agora não tem mais o que fazer.”
Resolvi me vestir e sair para correr pelo bairro. Depois, passei o resto do dia desempacotando e organizando minhas roupas e as outras coisas que trouxe. Isso me manteve ocupada boa parte da tarde.
“Thea, chegamos.”
“Já vou.” Desci correndo as escadas e entrei na cozinha.
“Então, ouvi dizer que você conheceu o Ben.”
“Ben? Quem é Ben?” Tentei fazer cara de desentendida, mas acho que não colou.
“É, você sabe, alto, musculoso, bonitão. Ele passou aqui para deixar um pacote para o Michael.”
“Sério, querida, estou bem aqui?”
“Eu sei, e você sabe que te amo.” Ela se inclinou e deu um beijinho nos lábios de Michael.
“Ah, sim, aquele cara. Ele passou e deixou uma coisa. Coloquei ali na mesa. Parece um babaca arrogante.”
“Ah, é? Então por que você ficou vermelha quando falei o nome dele?”
“Eu não fiquei!”
“Tá bom. Só estou dizendo que ele é um colírio para os olhos.”
“É, e tem o dobro da minha idade.”
“Então você acha ele bonito, né?”
“Não disse isso.”
“Tá bom, querida. Agora vai se arrumar para o jantar. Temos reserva no Izzo’s às sete.”
Voltei correndo para me arrumar. Enquanto a água quente do chuveiro escorria pelo meu corpo, imaginei que eram as mãos do Ben deslizando pelos meus seios fartos, apertando meus mamilos duros, descendo pela barriga e chegando ao meu ponto quente. Ele sabia exatamente onde me tocar para me fazer gritar e gozar tão forte que minhas pernas ficavam bambas. Precisei me segurar na barra do chuveiro para não cair. “Meu Deus!” Tomara que ninguém tenha ouvido.
“Thea, você está bem?” Bom, foi por água abaixo.
“Tô, tô, tudo certo. Só escorreguei, foi só isso.”
“Tá bom, querida. Vamos estar lá embaixo te esperando.”
“Que diabos está acontecendo comigo?” Reuni meus pensamentos e terminei o banho rapidinho, me xingando o tempo todo por ter deixado aquilo acontecer. O cara tem idade para ser meu pai, é sexy pra cacete, mas é velho, e eu nem o conheço direito — nos vimos hoje pela primeira vez, e ainda por cima me envergonhei na frente dele. Então, com certeza não vamos ser nada além de conhecidos. Não, isso não vai rolar.
Entramos no restaurante italiano, e a hostess cumprimentou Michael e Elaine, depois se virou para mim. Me apresentei enquanto Elaine explicava que eu ficaria com eles por um tempo. Ele nos levou até a mesa, e adivinha quem estava nos esperando? O Ben! Que merda é essa? Agarrei o braço de Elaine e puxei ela para perto. “O que ele está fazendo aqui, Elaine?”
“O Michael convidou ele, já que não conseguiu vê-lo hoje quando ele passou lá em casa. Desculpa, esqueci de te avisar.” Ela me olhou com um sorrisinho.
“Sério, Elaine! Puta que pariu!” Ela caiu na gargalhada com meu desespero. Fomos até a mesa, onde Michael e Ben já estavam nos esperando. Ben se levantou, abraçou Elaine e me cumprimentou beijando o dorso da minha mão, deixando a situação ainda mais constrangedora.
“Thea, que bom te ver de novo.”
“É, você também.” Forcei um sorriso, tentando não piorar ainda mais as coisas.