Prólogo
“Dante, você pode cuidar do meu filho por duas semanas? Surgiu um pequeno problema na Itália e preciso resolver sozinho. Não quero levar o Dario comigo. Ele é muito novo para isso.” Olhei para o menino de três anos e sorri.
“Nem precisa pedir, Paolo. Deixa o seu filho comigo; minha filha vai transformá-lo no melhor cavaleiro de cachorro que existe.” Brinquei enquanto olhava para Jolene, que montava no nosso Dogue Alemão e ria à toa. Para uma menina de dois anos, ela sabe como controlar os outros e tê-los na palma da mão.
Jolene era o meu mundo. Eu era a única âncora que ela tinha para que sua vida não desmoronasse. Dediquei todo o meu tempo à minha filha, e me sentia desolado por saber que a Joe nunca conheceria a mãe, já que ela morreu no parto. Eu não queria me casar novamente, então precisei assumir o papel de pai e mãe. Vou apoiar a Jolene em cada passo de sua vida. Até que ela seja independente, nunca vou baixar a guarda. Na verdade, duvido que eu consiga relaxar um dia. Sabia que meu trabalho exigia minha atenção total, então a levava para todos os lugares, até para a empresa, para mantê-la segura, amada e sem se sentir deixada de lado. Eu morreria por ela.
Dario viu a Jolene se divertindo e quis montar no Titan também, então eu o segurei e o sentei atrás da minha filha. “Estou em dívida com você, Dante. Obrigado. Nos vemos daqui a umas duas semanas.” Quando Dario viu o pai caminhar em direção à porta, ele desceu do Titan e correu até ele.
“Papai, fica com o Dario.”
O olhar nos olhos de Paolo me fez lacrimejar porque me fez pensar em deixar minha própria filha ir. “Dario, você precisa ficar com o tio Dante e a Jolene por um tempo. Eu preciso trabalhar, amigão. Eu vou voltar, não se preocupe, tá bom? Vou trazer algo doce para você quando a gente se ver de novo. Fechado?”
Dario deu um sorriso e abraçou o pai para se despedir. “Não esquece do doce. Tchau, papai!” e ele foi embora. Olhei para as crianças e as vi se abraçando. Surpreendentemente, sempre que a Joe percebia que alguém estava triste, ela tentava consolar. Seria engraçado se eles crescessem como melhores amigos; honestamente, eu não me importaria, mas nada além disso.
“Quem quer sorvete?”, perguntei.
A cabeça da Jolene virou na minha direção e ela brilhou. “Sorvete! Joe quer.”
“Eu quero um pouco, por favor”, disse Dario educadamente, e eu não conseguia acreditar que ele era filho do chefe da máfia italiana. De onde vinha aquela educação toda? Não era algo ruim, claro, apenas inesperado. No mundo do Paolo, não existia por favor, apenas ordens. “Jolene, você quer dividir?”, Dario perguntou à minha filha. Dividindo também?
“Dario, você tem certeza de que é filho do Paolo?”, perguntei rindo, e ele ficou confuso. Claro que ele ficou confuso; ele só tinha três anos. “Deixa pra lá, garoto. Vem, vamos sentar na cozinha e aproveitar o sorvete que fiz hoje de manhã.”
A vida é imprevisível. Em um momento você está brincando com anjos, e no minuto seguinte os anjos brincam com você no além. No início da segunda semana cuidando do Dario, recebi uma ligação do pai do Paolo, Basilio. Senti o sangue gelar quando ouvi a palavra morte pelo telefone. Olhei para o Dario e chorei. Ele não sabia, na época, que nunca receberia os doces prometidos.
Paolo morreu em um tiroteio, e o pai dele não me deu mais detalhes. Eu queria pelo menos ir ao funeral, mas Basilio não permitiu. Ele não queria colocar minha filha ou a mim em perigo. Eu estava furioso com ele, mas quando Basilio disse que viria buscar o Dario para criá-lo no mesmo ambiente que colocaria minha família em risco, eu perdi o controle. Xinguei muito ao telefone, dizendo o quão irresponsável ele seria se levasse o menino, mas Basilio não reclamou. Ele ouviu em silêncio até que eu me acalmasse. Ele só disse uma frase que me fez desistir e rezar a Deus para que o Dario não se envolvesse com a máfia.
Vinte e cinco anos se passaram, e eu ainda penso no que o Basilio disse.
“A vida é um tornado, e você não pode pará-lo. Você espera ele passar.”