CAPÍTULO 1
Ingenuidade e bondade combinadas na mesma pessoa é algo perigoso, especialmente se essa pessoa for um rei.
Valdor Valarck não era um mau rei, muito pelo contrário, ele não via maldade nas pessoas, durante os julgamentos dizia se que tentava sempre entender os motivos por trás de cada crime e buscava sempre saber a verdade por mais difícil que fosse, doava toneladas de comida e sustento a abrigos e orfanatos mas infelizmente não enxergava as cobras de várias cores e feitios rastejando por baixo do seu nariz aos poucos subindo e influenciando suas ações, ele não era capaz de entender o mal que causava quando deixava os lords do conselho tomar decisões as quais por vezes ele nem consentia e embora fosse bom os enormes erros estavam lá e a queda dos Valarck foi inevitável,
Na fatídica noite do ano 136 dc dragões rugiram, homens lutaram contra homens, espada contra espada, cada um deles lutou e morreu defendendo o que mais acreditavam, mas para os Valarck acreditar não foi o suficiente.
Toda a dinastia poderosa de puro sangue morreu assassinada naquela fatídica noite quando de surpresa foram atacados, foi na presença da lua que sangue mágico foi derramado tanto de dragões como de homens , crianças e mulheres da família que foram brutalmente e covardemente mortos com lâminas perfurado sua carne abrindo vários cortes profundos, obrigando assim o sangue a sair dos corpos mutilados alguns chegando mesmo a ter indícios de estupro.
Pensava-se que naquela noite todos tinham morrido, que não tinha sobrado ninguém da poderosa família para contar a história, mas isso não passava de um mero pensamento, porque naquela mesma noite duas crianças Valarck conseguiram sair vivas do inferno que se instalou no castelo esgueirando-se pelas enumeras passagens existentes, e com essas mesmas crianças dois ovos de dragão acompanhavam, os dois ovos que lhes tinham sido oferecidos pelos pais agora mutilados pelos usurpadores e que eles se recusaram a deixar para trás já que era a única coisa que lhes tinha sobrado e que os faria relembrar da família e poder que já tiveram.
Quando depois de 100 anos desde a fatídica noite, em 236 dc já não quase não havia uma alma que se lembrasse de facto da verdadeira essência de um Valarck.
As novas gerações consideravam a lendária família e seus dragões nada mais que um grande mito usado para entreter os mais jovens e inspira-los a novos feitos.
Os dragões de agora tinham se tornado fracos, pequenos, e pouco corajosos, nada a ver com os dragões de sangue que existiam à uma centena de anos atrás que respondiam apenas à família dos Valarck e cujas enormes cabeças ocupavam a enorme sala do trono tentando demonstrar um poder que não era dos Seltas para exibir.
Ninguém realmente acreditava que dragões pudessem ser tão grandiosos ou destemidos como se diziam ser os dragões antigos nem mesmo a nova geração de alunos da escola de cavaleiros que, diariamente lidavam com este grandiosos animais, que vieram a perder poder, da pior forma possível.
Mas enquanto que todos desacreditavam nas palavras escritas nos livros antigos e ditas pelas bocas dos velhos sábios que sabiam bem a verdade das coisas a 140000km da cidade principal ou Baixa protegida pela grande muralha natural do castelo construído 4 anos depois da grande conquista, numa pequena vila com cerca de 5000 habitantes, protegidos por grandes famílias de bruxas que tinham sido expulsas da
Baixa e perdido todo poder e influência com a queda da grande família Valarck e com uma linhagem com as mesmas origens que as deles dois adolescentes cresciam lentamente, com seus corpos pouco a pouco se desenvolvendo muito mais lento do que um humano normal.
Quem olhasse para eles diria que os mesmos teriam no máximos 20 anos de idade, mas as aparências enganam e no caso destes gémeos em específico a aparência é a última coisa em que alguém deve acreditar.
Corpos de adolescentes de 18 e mentes de homem e mulher de 135, esta é a verdade sobre os dois gémeos que nasceram em 101 dc e com a aparência de meras crianças assustadas de 5 anos de nome escaparam do terror que assombrou o castelo em 136, e agora com mais idade e mais experiência que qualquer outro o desejo de vingança e raiva contida cresce exponencialmente.
Seus ovos, que foram carregados por eles durante toda a sua jornada até à Vila eclodiram 20 anos depois quando os mesmo já tinham conseguido a proteção e apoio de cada família da pequena localidade, que os aceitou de braços abertos, e tinham a aparência de crianças de 7 anos, quando destes mesmos ovos dois majestosos dragões saíram deles.
O maior deles apresentava escamas vermelhas escarlate, quase idênticas à cor do sangue que irá derramar, sua cabeça triangular coberta de pequenos espinhos com dois grandes cornos saindo da mesma em direção ao seu grande e grosso pescoço que continha duas grandes membranas armadas por espinhos carregados de veneno potente dando ao pequeno dragão uma aparência ainda mais mortal, suas garras negras como o carvão usado para atear fogo davam um aspeto poderoso as pequenas patas dele que apesar do tamanho já mostravam ser fortes o suficiente para levantar e agarrar objetos com o dobro do seu tamanho e peso, as asas também vermelhas eram sem dúvida o dobro do seu tamanho assim como a cauda também carregada de espinhos por toda a parte.
O corpo dele era surpreendente, sem dúvida uma obra de arte, magro e estrutural, mas eram os seus olhos que transmitiam o real perigo, foi nestes olhos laranjas que Jacaerys Valarck se perdeu, foi neles que ele viu a fúria a raiva o ódio que ele mesmo sentia e foi neles que o mesmo encontrou a devoção, amor, companheirismos e lealdade que só tinha encontrado nos olhos azuis cristalinos da irmã gémea.
O segundo dragão era sem dúvida menor não por muito mas ainda assim era, suas escamas rijas eram negras como a noite, sua cabeça também triangular apresentava uma grande quantidade de cornos em cada lado de vários tamanhos todos na cor negra, alguns espinhos se faziam presente em volta dos seus olhos seguindo em linha quase reta até ao pequeno mas poderoso maxilar , e uma enorme membrana descia pelo seu pescoço em direção às suas costas largas, sua cauda era sem dúvida mais grossa e mais carregada de espinhos que a armavam de forma perigosa, suas assas negras quase impercetíveis durante a noite davam volume ao seu pequeno tamanho enquanto que suas patas carregadas de garras mortíferas se mostrava igualmente forte e capaz estas também de agarrar e levantar objetos com o dobro do seu tamanho e peso.
Mas também neste menor dragão, não foi no aspeto que Ária Valarck se perdeu, mas sim nos olhos, naqueles intensos olhos verdes que olhavam para ela como se pudesse ver toda a sua alma, todos os seus pecados, foi ali, que assim como seu irmão Ária entendeu o que significa ser um Valarck e um verdadeiro cavaleiro, foi ali entre eles os dois que ambos concordaram reerguer o legado perdido e relembrar a todos a importância de sair da frente e abrir caminho quando um Valarck passa.
Os gémeos se reencontraram com o poder que ergueu sua família, com o poder que levou os reinos à destruição e deram início a uma dinastia.
O mundo não via dragões puros à uma centena de anos e certamente não iria gostar de os reaver novamente...