Chapter 1 - Prólogo
Yu Nabi narrando
Desde o meu nascimento nunca tive uma vida normal. Nasci no Brasil, filha de pais brasileiros, mas sou registrada na Coreia.
Logo após meu nascimento fui roubada de meus pais no hospital por uma máfia que realizava tráfico de crianças, fiquei com as pessoas dessa máfia por 20 dias após ser sequestrada, meu pai diz que possivelmente eles estavam organizando a papelada para minha venda nesse tempo.
Essa máfia que me sequestrou operava no Brasil, mas a chefia pertencia a Coreia.
Logo após esse prazo de 20 dias fui enviada a Coreia com documentos falsos para ser comprada por um casal que queria um bebê.
Para minha sorte meu pai adotivo era um dos maiores inimigos dessa máfia, ele era de uma máfia rival, mais não operava com tráfico de crianças e sim com tráfico de drogas.
Um dia antes de eu ser adotada, em uma invasão a uma das sedes dessa máfia lá na Coreia eu dei a maior sorte da minha vida, invadiram justo a sede em que eu estava e meu pai foi enviado para acompanhar a missão de perto. Após matar todos ali, meu pai me encontrou, ele diz que se apaixonou por mim desde o primeiro momento.
Ele sabia que teria de dar um jeito de me devolver aos meus pais, porém mesmo após procurar bastante não conseguiu encontrá-los, milhares de bebês são sequestrados toda semana no Brasil, eu não tinha família para quem voltar.
Meu pai, sem coragem de me abandonar pediu ao seu chefe permissão para ficar comigo, mais seu chefe não achou uma boa idéia, nunca é bom um mafioso ter alguém com quem se preocupar, é uma fraqueza.
Mas meu pai não conseguiu me deixar sem aparo e sem saber o que seria de mim e como seria minha vida, optou então por abandonar a máfia e ir embora do país, me levando com ele.
E foi assim que fui parar de volta no Brasil, ele voltou comigo pra lá pra continuar tentando encontrar meus pais. Com a influência de seus amigos da máfia conseguiu para mim uma nova documentação, agora eu era uma cidadã Coreana, meu nome era Yu Nabi, significado de Nabi? Borboleta em coreano, borboleta representa a liberdade e quando meu pai me resgatou eu me libertei.
Apesar de ter abandonado a máfia lá na Coreia, após um ano longe das atividades ilegais o chefe do meu pai entrou em contato com ele, meu pai sempre foi um de seus melhores homens ele queria aproveitar a estada do meu pai no Brasil para ampliar seus negócios agora internacionalmente, ele voltou atrás quanto a mim e aceitou que meu pai me criasse e permanecesse na máfia. E assim, meu pai se tornou um dos maiores chefes do crime organizado e do tráfico internacional no Brasil atuando juntamente com facções perigosas daqui.
Ele nunca estava na frente de batalha, aqui no Brasil era visto como um empresário bem sucedido do ramo hoteleiro, pois com o dinheiro do tráfico comprou uma rede de hotéis que fizeram tanto sucesso que com o passar dos anos se expandiram não apenas no Brasil, como em vários locais do mundo, incluindo na Coreia.
Porém, por mais que as autoridades não soubessem do trabalho de meu pai junto a organização criminosa, meu pai tinha seus inimigos por aqui, e esse era o real problema.
Eu fui criada sabendo o que meu pai era e vivi com esse segredo, apenas alguns funcionários de confiança do meu pai que também pertenciam a máfia sabiam de tudo, então passei a minha vida toda mentindo para as pessoas próximas a mim, eu estava sempre preocupada com o meu pai e meus amigos nunca entendiam essa preocupação e eu jamais poderia explicar a eles.
- Finalmente, 19 anos, você já pode beber no seu país agora, certo?- sorrio voltando de meus pensamentos.
- Meu país é o Brasil, nasci aqui, meus pais eram brasileiros, só fui registrada na Coreia tá. - Digo e ela revira os olhos.
- Que seja! Você fechou mesmo aquela boate para comemorarmos seu aniversário? - Andressa me pergunta e eu apenas confirmo com a cabeça checando novamente meu celular, meu pai ainda não falou comigo hoje e já são 17:00 da tarde, isso me preocupa demais.
- Ei, eu tô falando com você, da pra focar? O que tanto olha nesse celular? Andressa diz estalando os dedos me fazendo olhar para ela.
- É que meu pai ainda não respondeu minhas mensagens - Digo tentando ligar para ele, mais cai direto na caixa postal.
-Da um tempo pro teu pai cara, ele deve estar ocupado com as coisas do trabalho, não entendo esse teu grude com ele - Dou de ombros.
- Você jamais entenderia. - Digo tentado ligar novamente e novamente caindo na caixa postal.
Tá, já chega - Ela arranca meu celular de minhas mãos - Vamos começar a nos arrumar, hoje é seu aniversário e temos que comemorar, provavelmente seu pai não está te atendendo por que planeja te surpreender com a presença dele na festa - Concordo.
- É, pode ser isso, até hoje não houve um aniversário meu sequer que meu pai não tenha me surpreendido de alguma forma .
- É isso, vamos nos arrumar e ficar gostosas - Andressa diz batendo palmas.
Entro na boate a vendo lotada com vários de meus amigos e vários conhecidos, quando se é filha de um dos maiores empresários residentes no Brasil é fácil fazer amizade, claro que sei que a grande maioria ali só se aproximou de mim por interesse, porém nesse momento não me importo muito, sei que a única pessoa em quem devo confiar é meu pai.
- Nabi, essa festa está incrível - Diego diz se aproximando de mim. - Parabéns gatona - Ele me abraça.
- Valeu cara - O abraço de volta. Outras pessoas se aproximam de mim para me abraçar e me cumprimentar.
Faltavam meia hora pra meia noite, era hora de cantar os parabéns antes que meu dia se acabasse, mais ainda não havia sinal de meu pai, eu não estava gostando nada disso.
Até que de repente localizei entrando na boate três homens coreanos, claramente os funcionários de confiança de meu pai. Ele deve ter chegado, sorrio aliviada com esse pensamento.
- Senhorita Nabi - Um deles diz parando em minha frente - A senhorita precisa vir conosco. - Eu sorrio.
- Meu pai preparou uma surpresa pra mim lá fora? Vamos lá - Digo e começo a andar, mas ele me interrompe.
- Não tenho tempo para ser delicado senhorita, preciso que me acompanhe imediatamente, há um carro lá fora que te levará até ao aeroporto, não é mais seguro para senhorita continuar aqui no Brasil - Eu travo por um momento.
- O que? O que está acontecendo? - Andressa pergunta ao ouvir o que o homem à minha frente diz.
- Senhorita Nabi, o seu pai acaba de ser morto, virão atrás da senhorita, você precisa vir conosco agora. - Nesse momento meu coração parece parar de bater, meu corpo gela.
- Meu... Pai? Meu pai está morto? - Pergunto desesperada e ele me confirma com a cabeça.
- Eu sei que a senhorita deve agora estar sentindo uma dor imensa e terá todo tempo do mundo para lidar com a informação assim que partir, mas agora precisamos ir, sua vida corre risco a cada minuto que passa aqui. - Mesmo em choque concordo e permito que ele me conduza para fora da boate.
- Amiga - Ouço Andressa gritar - Como assim, o que está acontecendo? Vão te levar pra onde? - Não tenho tempo de responder, sou levada por eles pelo meio da multidão.
- Você irá para a Coréia, o jato já está te esperando - Ele me diz quando já estamos dentro do carro - Lá haverão pessoas para cuidar de você, eles não vão interferir em nada na sua vida, vá para o hotel do seu pai, pegue o melhor quarto afinal agora o hotel é seu e fique morando lá até que o responsável pelo testamento de seu pai entre em contato com você, nós cuidaremos de enviar o corpo de seu pai para que você o enterre em sua terra natal. - Concordo com a cabeça.
- Como meu pai foi morto?
- Homens da facção rival armaram uma cilada para ele, infelizmente ele caiu, ele e 4 de nossos homens foram alvejados.
Não digo mais nada, não há o que dizer, eu não tenho intimidade com esses homens para esperar que eles me consolem, então encosto a cabeça no vidro do carro e choro em silêncio.