Phobia Chronicles PT-BR

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Summary

Em um mundo onde os medos mais profundos se tornam realidade, cada capítulo revela uma nova pessoa, presa em uma situação aterrorizante, obrigada a enfrentar sua fobia mais intensa. De aracnofobia a claustrofobia, cada personagem é forçado a confrontar seus maiores temores para sobreviver ou para salvar alguém querido. À medida que o terror psicológico e o suspense se intensificam, eles descobrem que escapar de seus pesadelos não é apenas uma questão de coragem, mas também de desvendar segredos sombrios que conectam todos os envolvidos. Em uma trama repleta de mistério, cada batalha contra o medo revela uma peça do quebra-cabeça que pode, ou não, levar à sua salvação.

Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
16+

Aracnofobia I

Aracnofobia é a fobia de aranhas.


"Eu sou Hiroki Yamamoto"


Após tanto tempo, aqui estou novamente, arrumando a minha gravata azul-escura na frente de meu espelho cuidadosamente higienizado. Por um tempo, pensei que nunca mais faria isso. Aqueles foram os piores cinco anos da minha vida, e tudo por impulso. Sim, me arrependo do fundo do meu coração de ter feito aquilo tudo, mas, talvez tenha sido necessário. Evoluí tanto nestes últimos cinco anos. Nestes últimos cinco e longos anos...


Assim que termino de me arrumar, caminho calmamente até minha mochila preta e recém-organizada que está em cima de minha poltrona preta. De longe, a mochila parece estar camuflada em meio à poltrona. É aí que percebo que estou sem meus óculos. Ponho a mochila em minhas costas e me dirijo aos meus óculos cinzas apoiados abaixo de minha velha luminária de mesa. Ponho os óculos e finalmente me dirijo à porta do meu apartamento. Já com a mão na maçaneta fria, o ponteiro do meu relógio de pulso coincidentemente muda de número, me fazendo olhar para ele.

Ai, não.

Tenho exatos quatro minutos para chegar à Universidade em que fui recém-contratado. Digo, recém-recontratado. Não esperei que me aceitassem de volta depois do incidente, mas já que me deram mais uma chance — que chuto ser a última —, eu não irei desperdiçá-la. Rapidamente abro a porta e saio, trancando-a com pressa e enfiando meu molho de chaves em meu bolso. Não tenho condições de ter um celular — tenho que ser grato por meus pais terem me emprestado (foram bem claros em dizer estarem me emprestando o apartamento deles) o apartamento até eu conseguir juntar dinheiro suficiente para morar em outro —, então acabo não pedindo um carro de aplicativo. De qualquer forma, mesmo que tivesse condições, não saberia utilizá-lo.


Dois minutos. Tenho exatos dois minutos para chegar à Universidade. Não vai dar tempo. Aquela universidade é extremamente regrada com horários, chega até a ser doentio. Tenho certeza de que se eu chegar um segundo atrasado, posso não conseguir entrar. Antes de eu ir para a cadeia, eu até poderia ter uma chance de entrar por eu ser amado por todos lá dentro. Mas isso foi há cinco anos. Provavelmente todo mundo lá deve me odiar agora. E eu não os julgo por isso.


Neste exato momento, tenho apenas alguns segundos até o fechamento dos portões. Juro que nunca corri tão rápido na minha vida. Espero não estar fedendo a suor; prefiro ser demitido. Não, não prefiro não. Quando finalmente chego na rua da Universidade e a avisto, vejo que os portões estão prestes a serem fechados. O porteiro também parece ter me visto, e ao invés de um largo sorriso acolhedor que há cinco anos existira, ele parece ter uma expressão de nojo. Mas, o que eu poderia fazer? Não mando no sentimento das pessoas. E isso me deixa ainda mais para baixo. Mas não posso deixar isto me abalar: preciso chegar aos portões antes que fechem. Meu emprego depende disso.


Eu não consigo acreditar no que acabei de fazer. Eu pulei para dentro dos portões assim que os mesmos iriam fechar nos meus braços. Uau, adrenalina. Mas é um sentimento horrendo de adrenalina. Estou com vontade de vomitar neste momento. O porteiro está me encarando com uma expressão perplexa, como se a pergunta “o que você acabou de fazer?" estivesse na ponta de sua língua. E eu não duvido que realmente esteja. Com vontade de cavar um buraco no chão e enfiar minha cabeça lá dentro, eu apenas sorrio timidamente para o porteiro e corro para dentro da Universidade, me recompondo, ajeitando meus óculos e meu cabelo castanho-escuro que hoje mais cedo estavam perfeitamente arrumados. Felizmente, a lista de turmas nas quais eu tinha que dar aula há cinco anos não mudou, e eu as sei de cor.


Após algumas aulas, meu horário de descanso finalmente chegou. Bem, não é um horário de descanso regular, e sim uma reunião com os professores, mas, eu posso considerar uma pausa. É triste pensar que alguns de meus amigos professores pararam de trabalhar nesta universidade nestes cinco anos, e os poucos que sobraram nem ao mesmo olham para o meu rosto. Eles não conseguem entender que tudo aquilo foi impulso? Eu não tive a intenção. Eu estava com raiva. Mas para eles, eu sempre serei um idiota ex-presidiário, não importa o quanto eu mude.


Quando finalmente chego na sala dos professores, eu avisto aquela mesma janela. A janela na qual batizei de “a janela do ocorrido". Eu odeio este nome e odeio esta janela. Mas, a culpa foi minha, ter ódio de uma janela não vai mudar os últimos cinco anos. Infelizmente. Tenho vislumbres de péssimas memórias sempre que olho para aquela janela.


— “O que está acontecendo aqui?!" — dizia eu, quando avistei minha esposa, Ayumi, agarrada com o famoso "arqueólogo renomado"; Takeshi Nakamura. Como ainda não esqueci este nome?

— “Amor?! Eu posso explicar!" — dizia aquela... Prefiro não dizer, me olhando com o rosto mais santo e angelical que já vi, enquanto se separava calmamente dos braços e dos lábios de Takeshi. Ela sempre atuou muito bem.

— “Por que você está agarrado com a MINHA esposa?!" — dizia eu. Acho que naquele momento ainda tinha a esperança da Ayumi dizer “ele me beijou à força!" e que o tal arqueólogo fosse preso. Meu Deus, que ingenuidade.

— “Eu não posso fazer nada se ela me preferiu ao invés de preferir você. Até porquê, o chifrudinho aqui não sou eu, não é?" — dizia o... Aquele arqueólogo. Ainda sinto vontade de espancá-lo. Eu disse que me arrependia? Puxa, mudei de ideia.

— “Você vai ver quem é o chifrudinho aqui!"— dizia eu, vermelho de puro ódio. Sempre fui um homem calmo e paciente até demais, mas naquele momento, eu simplesmente explodi. Naquele instante, eu só queria matar o Takeshi, então cerrei meus punhos com toda a força existente do ódio e corri em direção ao tal arqueólogo. Tentaram nos separar, mas quando percebi, já estávamos socando um ao outro. Na parte dos socos, confesso que estava perdendo, mas, segundos depois, eu liberei todo o ódio existente no meu corpo e chutei o abdômen do Takeshi, fazendo-o tropeçar e cair daquela janela. Cair da janela do terceiro andar. Takeshi quebrou o braço e deslocou uma costela, e horas depois fui preso. Não sinto um pingo de remorso.


Voltei ao presente assim que começaram a me perguntar se eu concordava.

Concordava com o quê?

Sem saber o que dizer, assenti com cabeça, nervoso, e logo alguns olharam para baixo, outros reviraram os olhos e alguns riram. Eu só queria ir embora correndo daquele lugar.


Quando meu horário finalmente acabou, eu me senti horrível por não ter conseguido dar aula direito — digamos que ninguém prestava atenção —, por não ter colaborado com a reunião e por não ter me despedido daqueles que um dia já chamei de amigos. Novamente, não os julgo por isso. Assim que cruzei os portões e a primeira esquina, avistei meu melhor amigo de infância: Masato Kobayashi. Quer dizer, não sei se ainda continuávamos amigos desde o incidente na Universidade, mas...

— “Ei! Hiroki! Quanto tempo!" — disse Masato. Espere, ele não está chateado comigo?

— “Oi, Masato! Eu pensei que não fosse me cumprimentar" — disse eu. A este ponto, estava esperando que Masato fosse responder “verdade", sairia andando e nunca mais iria olhar para o meu rosto. Ele sempre teve uma memória horrível.

— “Por quê? Por você ter quebrado o braço daquele arqueólogo? O que raios eu tenho a ver com isso? Aliás, eu faria o mesmo no seu lugar" — disse Masato. Sempre soube que ele era cabeça aberta.

— “Obrigado, Masato. Precisava de alguém que não me julgasse ou me ignorasse" — disse eu. Nunca vou esquecer isso, Masato.

— “Pode contar comigo, Hiroki. Quer beber algo?" — disse Masato. Embora eu não beba (já faz dez anos, e Masato sabia disso; eu juro, ele tem uma memória péssima), não irei recusar. Estou com fome, talvez possa ter algo lá.

— “Claro!" — disse eu.


Resumindo, foi divertido. Embora Masato ficasse bebendo sem parar, eu não podia julgá-lo. Ele também já passou por muita coisa. Aliás, o atendente do restaurante nos olhava de uma forma esquisita. Claro, eu até posso entender olhares voltados para mim, mas para o Masato? Ele também foi preso nestes últimos cinco anos e não fiquei sabendo? Bom, eu não vou perguntar para ele. Ele está com um hálito horrendo de pura cerveja, além de estar bêbado. Então, não, sem perguntas.


Enquanto estou levando Masato bêbado para casa (estou retribuindo dois favores: ele fazia o mesmo comigo quando eu bebia e ele não está chateado comigo), ele para de repente e começa a gargalhar até não aguentar mais; é sério, ele começa a ficar vermelho e se agacha com falta de ar. Eu começo a rir, também. A risada de Masato é “contagiante", de modo que mesmo que esteja tendo o pior dos dias, você vai rir se ver Masato rindo. Entretanto, sei que ele está bêbado, então lhe pergunto por que ele está rindo tanto. De repente, ele aponta para a casa ao lado dele; eu não sei como não havia a visto antes. Era uma casa abandonada, completamente acabada e suja. Era como se aquela casa não visse limpeza e reforma há muitos e muitos anos. Mas o que mais me assustou não foi isso: havia teias de aranhas e eu conseguia ver e ouvir aqueles aracnídeos nojentos rastejando. Eu tenho pavor de aranhas. Na verdade, sou aracnofóbico, e começo a tremer e suar frio só de pensar em aranhas ou em algum lugar que possam estar.

— “Vamos entrar?!" — perguntou Masato, e meus olhos se arregalaram só de ouvir aquilo. Eu não podia nem pensar em entrar naquele lugar.

— “Não, Masato. Vamos para a sua casa." — disse eu. Mas quando fui perceber, Masato já estava me arrastando para dentro do quintal daquela casa. E infelizmente, desde pequeno Masato sempre foi mais forte que eu, mesmo sendo mais novo.

— “Me solta, Masato." — peço, mas ele não se importa. Não há nada que eu possa fazer. Ele está bêbado. Como se convence alguém bêbado? Continuo pedindo, mas quando vejo, já estamos em frente à porta daquele lugar. Tento me soltar de muitas formas, mas quando Masato está determinado a fazer algo, ele faz. E infelizmente, o objetivo dele agora é me arrastar para dentro daquela casa nojenta. Masato apenas encosta na porta e ela já se abre, rangendo lenta e irritantemente. Sem ter muitas opções, Masato e eu entramos naquela casa, enquanto tento ao máximo possível me soltar. Mas não adianta mais. Neste exato momento estou completamente paralisado, enquanto ouço a porta fechar atrás de mim e aranhas surgirem das extremidades da sala.

Por favor, socorro.