Capítulo 1
“Eu não acredito que você me meteu nisso?”
Briene ralhava com Anastacia que segurava sua mão enquanto corria na direção da avenida movimentada.
As duas tinham acabado de sair correndo de um prédio que havia sido assaltado.
“E eu lá ia saber que isso iria acontecer?” Olhou pra amiga com uma certa risada nos olhos.
Desde de criança, Anastacia tinha sonhos premonitórios, e isso já tinha lhe causado diversos problemas.
Como a vez que tentou avisar o diretor da escola pra não subir no palco porque sua peruca iria sair voando e ele cairia de lá se machucando.
Mas quem em sã consciência daria atenção pra uma criança de onze anos?
Seus sonhos, em sua grande maioria, eram muito simples tudo o que sonhava acontecia.
“Por que ao invés de me meter nessas furadas, não me passa os números da loteria?” Briene falou ofegante enquanto se apoiava nos joelhos buscando ar.
“Bem, quem me dera. Eu sairia dessa pindaíba.” Sorriu ofegante.
“Ótimo, pelo menos eles vão ser presos.” Briene apontou pros carros de polícia que iam na direção de onde tinham vindo.
Anastacia sorriu satisfeita.
Missão cumprida. Pensou.
As duas voltaram pra casa dando altas risadas no meio da rua.
“Você viu a cara deles quando acenou dando tchauzinho?” Briene não se continha.
“Acho que nunca mais vão querer roubar novamente.” Falou abrindo a porta de casa.
“Vai entrar?” Apontou pra dentro do seu apartamento.
“Hoje não, eu preciso terminar algumas atualizações de prontuários.” Fingiu chorar.
Elas se conheciam desde a faculdade, as duas e Cassius eram inseparáveis, sempre juntos, principalmente pro que desse e viesse.
“Ai boa sorte, os meus pelo menos estão em ordem.” Deu um sorrisinho abusado.
Briene deu um sorriso debochado, fingindo acreditar em Anastacia.
Tomou um banho e foi pro computador atualizar seus prontuários.
Riu de desespero, ela era a única pessoa dentro do seu consultório. Ele ficava em um prédio pequeno logo abaixo do seu apartamento, era ótimo porque lhe dava condições de ir e vir sempre que precisasse, coisa bem diferente dos seus amigos que trabalhavam em um conglomerado. Em contrapartida não era sempre certo o valor a receber, por isso não vivia no luxo, mas dentro de um orçamento que lhe proporcionava agrados.
Foi até o banheiro e retirou as lentes. Os olhos castanhos deram espaço para os olhos violetas. Tirou a maquiagem e foi pro banho.
A noite estava bem quente, fazendo ela vestir uma camiseta surrada e um shorts quase sem elástico. Essas eram suas roupas preferidas, confortáveis, surradas onde os buraquinhos eram quase um ar condicionado embutido já que quando ventava refrescavam cada parte.
Se jogou no sofá depois de atualizar o último prontuário.
Ficou olhando pra TV e então adormeceu.
Em seu sonho um homem alto em um smoking perfeito pro seu porte, cabelos compridos, mas bem penteados, um queixo forte e rosto harmonioso cruzou seu caminho, o cheiro amadeirado de seu perfume fez com que Anastacia observasse atentamente cada passo.
Chegou até um prédio onde ele estava entrando, foi quando ouviu disparos e a mancha de sangue tomou conta do tecido embebedando cada fibra.
O rosto do homem estava sem vida e isso fez uma pontada de dor surgir em seu âmago.
Anastacia acordou ofegante, quase não conseguia respirar, uma dor profunda em seu peito apertado pela agonia extravasava em forma de lágrimas, passou a mão pelo rosto assustada.
Por que estava chorando? Se perguntou.
Correu até a mesa do computador e começou a escrever o que lembrava.
Infelizmente não deu atenção ao nome do prédio. Tentou lembrar da confusão pra ver se o nome dele vinha.
“Noah Johnson!” Falou alto em seu apartamento.
Sentou no computador e começou a pesquisar.
“Ah que ótimo!” Bateu na mesa frustrada.
Ficou olhando pra tela enquanto via a foto do homem com quem havia sonhado.
Embaixo estava escrito:
“Grupo NJ anuncia compra da empresa Kosco e se torna o maior conglomerado do ramo alimentício.”
“Porra universo, podia ter sido o seu Zé da esquina, mas naaaaaaaaaaaão tinha que ser logo um cara que tem mais seguranças que a casa da moeda.” Bufou.
O pior era que não conseguiria fazer nada já que não haveria forma de encontrá-lo.
Fechou o computador e foi pra cama, amanhã seria um dia longo.