Raízes Ocultas

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Summary

Angel, uma jovem criada no interior por sua tia, cresceu aprendendo a ser forte e resiliente. Após a morte da tia, ela e sua irmã enfrentam dificuldades até que Angel se casa com Andrey, um homem rico e charmoso, acreditando ter encontrado estabilidade. Mas a nova vida no casarão rural não era o conto de fadas que imaginava.

Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

CAPITULO 01

...

Angel

Minha vida sempre foi simples. Nasci em uma família humilde e fui criada, junto com minha irmã, pela minha tia, uma mulher forte que me ensinou tudo que sei. Aprendi a limpar, cozinhar, tirar leite, amansar cavalo… tudo com ela. Ela sempre brincava, dizendo que eu devia me casar com um milionário para mudar de vida. Achava engraçado, mas sabia que ela tinha um fundo de seriedade no que dizia.


Mas, depois de um tempo, ela nos deixou. Ficamos só eu e minha irmã, Foi então que, por coincidência, conheci Andrey, um homem rico, algo que nunca pensei que fosse fazer parte da minha vida.


...


Andrey


Diretor Geral da campanhia industrial militar e armamentos.


Raízes Ocultas

1950


O sítio tinha um ar tranquilo e isolado, cercado por vastos campos e árvores antigas que balançavam com o vento suave.


Era um lugar que deveria trazer paz e segurança, com o som dos pássaros pela manhã e o pôr do sol se escondendo atrás dos morros ao final do dia.


As janelas abertas permitiam que o cheiro de terra e o canto das cigarras entrassem, enchendo o ambiente com a essência do lugar.


Apesar da calmaria externa, a tensão dentro das paredes da casa só crescia com o passar do tempo. Dividida entre as famílias que ali viviam, parecia que o ambiente sereno do sítio estava se desfazendo aos poucos, dando espaço para um clima carregado e inquieto.

A discussão na sala ainda ecoava pela casa, e tudo parecia se transformar em um campo de tensão.



Ele me puxou pelo braço, com força, e eu mal tive tempo de entender para onde estava me levando até sermos engolidos pelo silêncio de um quarto qualquer. Antes que eu pudesse reagir, fui empurrada contra a parede. O ar parecia mais pesado.

Ele encontrou um lápis em uma mesinha próxima, e seus olhos carregavam uma fúria fria.


Antes que eu pudesse perguntar o que estava fazendo, ele segurou meu braço com força e, sem hesitar, pressionou o lápis contra a minha pele, afundando-o com força.

Um choque percorreu meu corpo, e uma dor aguda começou a pulsar.


- O que você está fazendo?! gritei, sentindo o pânico crescendo.

- Isso não é normal! Vou embora, agora mesmo!


Ele deu uma risada baixa e amarga, sem deixar de me encarar com aquele olhar sombrio.


- Vai pra onde?

Sua voz saiu fria e controlada.

- Você não tem pra onde ir.

Não tem ninguém esperando por você lá fora.


Meus olhos se encheram de lágrimas, mas mantive a voz firme.

- Vou chamar minha irmã. Vou embora daqui com ela.

- Você não pode me impedir.



Ele me olhou de cima,

E a dureza em seu rosto parecia inabalável.


- Sua irmã não vai com você. Ela nunca iria. Não vai te seguir.


O peso daquelas palavras caiu sobre mim como uma pedra, mas eu sabia que ele não tinha o direito de me prender ali, de me fazer sentir como se eu fosse uma prisioneira dentro da minha própria casa.


- Quer saber? - falei, respirando fundo.

- Eu vou, sim. Vou sair daqui com ou sem a sua permissão.

Fiz menção de me afastar, mas ele se colocou na minha frente, os olhos fixos em mim.


Não adianta, não tem lugar nenhum para você. E se você tentar sair, você sabe o que vai acontecer.


A tensão tomou conta do espaço entre nós, e a respiração pesada dele parecia preencher o quarto. Eu sabia que não poderia ficar ali, não depois de tudo aquilo.


O sol mal tinha surgido no horizonte quando aproveitei o silêncio da casa para colocar meu plano em prática. Depois da noite passada, minha decisão estava tomada.eu não podia mais ficar aqui.

Assim que ele saiu para o trabalho, fui ao quarto e arrumei minhas roupas rapidamente, colocando tudo em uma mala. Cada peça dobrada representava um pouco de esperança de uma vida diferente, longe do medo e da pressão que me aprisionavam.


Com a mala pronta, caminhei até o quarto da minha irmã.

Eu tinha certeza de que ela me entenderia, que sentiria o que eu estava passando e que me acompanharia naquela fuga. Ela era minha última esperança.

Com a mala pronta, minhas mãos ainda tremiam enquanto caminhava até o quarto da minha irmã. O ambiente estava silencioso, e o som dos meus passos ecoava levemente pelo corredor. Ao chegar à porta, hesitei por um momento, sentindo uma estranha ansiedade tomar conta de mim. Quando entrei, a encontrei de pé, em frente à janela, como se estivesse perdida em seus próprios pensamentos.


Ela não se virou imediatamente, mas pude ver suas mãos, que puxavam os fios castanhos de seu cabelo com uma leve pressão, como se quisesse tirá-los de sua mente.

Seus olhos azuis, normalmente tão vivos, estavam distantes, fixos no horizonte através da janela. Era como se estivesse esperando algo, ou talvez alguém. Um suspiro profundo escapou de seus lábios, e eu me vi observando-a por um momento, tentando entender o que se passava em sua mente.


Precisamos sair daqui .

Murmurei, tentando não parecer desesperada.

-

Eu não aguento mais. A gente pode encontrar um lugar melhor, recomeçar longe daqui.


Ela me olhou com surpresa, como se não soubesse do que eu estava falando. Depois de alguns segundos de silêncio, abaixou os olhos, respirando fundo, e falou baixinho.


— Eu... não vou. Meu lugar é aqui.


As palavras dela me atingiram como um golpe. O coração acelerou, e eu senti a realidade se distorcendo.


Como assim?

perguntei, minha voz falhando.

Você sabe como tudo isso está me afetando, o quanto eu preciso de você

.


Ela balançou a cabeça, desviando o olhar.


Eu sei que você está sofrendo, mas... esse é o nosso lugar. Eu não consigo sair daqui.


Meu mundo desmoronou naquele instante. Todos os planos que fiz, a esperança que cultivei de que ela estaria ao meu lado... tudo se quebrou, deixando apenas um vazio profundo e avassalador.


Olhei para ela, sem saber o que dizer. A casa, que sempre foi o cenário de nossas histórias, agora parecia mais sombria, como se a própria casa soubesse que eu estava prestes a deixá-lo.



1939


Acabamos de nos casar, e eu estava radiante, com um sorriso que não conseguia se apagar do meu rosto. Estava casando com o homem que tanto amava, e tudo parecia perfeito, como se o mundo ao nosso redor tivesse parado para celebrar aquele momento. A cerimônia ainda ecoava em minha mente, mas o que realmente importava era o agora.


Suas mãos entrelaçaram-se nas minhas, e o simples toque me fez sentir um calor imenso. A pele dele era quente, firme, como um porto seguro em que eu desejava me perder para sempre. A conexão entre nós era inegável, e naquele momento, senti que não havia mais nada a temer. Tudo o que eu precisava estava ali, em suas mãos, e eu sabia que, ao lado dele, qualquer obstáculo poderia ser superado.


Quando saí do carro, minha visão se encheu de maravilha ao ver uma casa enorme, no meio do campo, rodeada por árvores tão lindas.

-

Que lugar lindo, amor!

exclamei, encantada.

Ele sorriu e me beijou na testa, como sempre fazia, e juntos entramos na casa. Ele me mostrou cada canto do sítio, e aqueles primeiros dias foram uma verdadeira maravilha, como se estivéssemos em um conto de fadas.

Mas então, no sétimo dia, ele me disse algo que mudou tudo.


-

Em dois dias, meus pais chegam aqui

disse ele, sem perceber o quanto aquelas palavras iriam me impactar.


Assustada, perguntei, tentando manter a calma:

-

Você não me disse nada sobre os seus pais virem?


Ele me olhou com um sorriso suave, e respondeu gentilmente:

-

Amor, eu quero te contar uma coisa

.

Ele explicou que os pais dele moravam ali, mas que haviam viajado para nos dar mais privacidade. Não sei o que aconteceu, mas uma raiva intensa tomou conta de mim. Como ele pôde esconder isso de mim? Fui correndo para o quarto, bati a porta com força e a tranquei com a chave, sentindo meu coração bater acelerado.


Do lado de fora, ouvi sua voz calma e suave.

-

Amor, por favor, abre a porta.

Ele implorava, mas naquele momento eu não queria ouvir nada. A raiva me consumia por dentro.



O dia seguinte chegou com uma quietude desconcertante. Eu estava deitada na cama, tentando encontrar algum tipo de paz interior depois do que aconteceu, mas a memória daquela noite me atormentava. A casa estava silenciosa, mas ao longe, algo parecia me puxar de volta à realidade. O som de um toque suave na porta quebrou a tensão que pairava no ar. Respirei fundo, tentando reunir coragem para enfrentar o que estava por vir.


Me levantei e caminhei até a porta, sem saber o que esperar. Quando abri, lá estava ele. Deitado no chão, como se esperasse pacientemente o momento em que eu me acalmasse.


Seus olhos estavam baixos, evitando os meus, mas havia algo ali… como se quisesse se desculpar, como se soubesse que seu comportamento havia cruzado uma linha invisível, mas ao mesmo tempo, ele parecia tão frio.


O ar entre nós estava denso. Eu o olhei, sem saber o que fazer com tantas emoções conflitantes dentro de mim.


-

Você falou que essa casa é só nossa.

Eu disse, com a voz firme, mas ainda carregada de raiva.

Ele se levantou lentamente, como se a pressão do momento fosse pesada demais para suportar.


-

Sinto muito, amor... Eu deveria ter te falado antes de nós casarmos.

Ele respondeu, a voz dele tão calma, tão vazia de culpa que me fez duvidar se ele realmente sentia o peso das palavras.

Eu não consegui evitar o peso da frustração.


- Eu… mas eu ainda estou chateada com você.

Falei, as palavras saindo mais fortes do que eu imaginava.

- O que você espera de mim agora?


Ele não respondeu de imediato.

Em vez disso, deu um passo em minha direção e, com a delicadeza de quem sabia que qualquer movimento brusco poderia me afastar, colocou a mão em meu rosto. Sua mão estava gelada, fria como o próprio vazio que ele trazia. Fiquei parada, sem saber se deveria afastá-lo ou deixá-lo tocar-me assim. A sensação era ao mesmo tempo desconfortável e familiar.


-

Eu prometo, amor… só por um tempo

.

Ele murmurou, a voz suave, quase um sussurro.

-

Você é tão linda quando está assim. Chateada, mas ainda assim tão forte

.


Suas palavras penetraram em mim, mas algo em meu peito se apertou. Ele sabia exatamente o que dizer, como me fazer duvidar de minha própria raiva.

Eu olhei para ele, tentando manter a compostura. Dei um sorriso pequeno, um sorriso que não estava de todo presente, mas que parecia ser a única coisa que eu poderia oferecer.


-

Se eles virem mesmo amanhã, teremos que planejar algo, né?

Falei, tentando mudar o rumo da conversa, embora minha mente estivesse presa no turbilhão de sentimentos que ele despertava em mim.


Ele sorriu de volta, mas eu sabia que nenhum dos dois estava totalmente em paz com o que havia acontecido.A promessa dele, a frieza em sua mão, o sorriso escondido atrás da sua aparente calma – tudo isso se misturava em uma teia de promessas vazias e relações complicadas. Eu não sabia se acreditava nele, se confiava ou se deveria apenas seguir em frente, sem olhar para trás.


A casa, antes considerada nossa, agora parecia um lugar onde as mentiras se escondiam nas sombras.