Eu carreguei seu legado.

Summary

Eis que após quatro anos fora, Yoriichi retorna e estranha duas crianças idênticas brincando animadamente no jardim onde vivia. Ao se aproximar, pode escutar seus nomes; -Michikatsu Kamado Tsugikuni pare de provocar sua irmã, por favor. -Sumiyoshi diz, encostando-se na batente da porta central. -Tsugikuni Akeno, não jogue pétalas em seu irmão sabe que ele não gosta disso! Yoriichi não acreditava que tinha perdido todos aqueles anos longe de sua família, perdeu todos os momentos mais importantes. -Ele.. realmente cumpriu a promessa.. -Sussurra baixinho.

Status
Complete
Chapters
1
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n/a
Age Rating
18+

Eu carreguei seu legado.

┈─ ' ‚🎴 ✯ ❟


Yoriichi retorna a vila após ficar quatro anos fora uma caça exaustiva ao Muzan. O que mais almejava naquele momento era chegar em sua casa e abraçar fortemente o marido, encher-lhe de beijos e também fofocar sobre a missão que fez. 


-Será que durante todos esses anos em que eu estive fora, ele não arranjou outra pessoa para assumir meu lugar? -Questionava-se mentalmente enquanto caminhava preguiçosamente em direção a casa onde morava posteriormente. Rezava aos céus para que ainda fosse no mesmo endereço. -Dei-lhe meus brincos hanafudas e disse que se caso eu não voltasse, era para ele seguir em frente e carregar consigo meu legado junto da respiração. 


O ruivo parou de caminhar ao enxergar duas crianças idênticas brincarem animadamente no imenso jardim de sua casa. Encostou-se de leve no tronco da árvore ao seu lado e ficou observando durante um tempo considerável. Queria ter certeza antes de tomar qualquer atitude movido pela incerteza. Sua cabeça tentava a todo custo montar aquele quebra-cabeça, mas ainda faltava algumas peças.


-Eles são ruivinhos igual eu e o Sumi, suas orbes também são da mesma coloração. -Disse baixinho, observando o menininho começar a provocar a irmã. Deu risada negando com sua cabeça, devia os separar, mas não tinha aquele direito.


Antes que o usuário da respiração do sol pudesse fazer alguma coisa, escutou uma voz familiar ecoar de dentro da imensa casa. Paralisou por um momento e levou seu olhar ao belíssimo homem encostado na batente da porta amadeirada principal.


—Otōsan, mande ele parar com isso!!! —Diz Akeno, cruzando seus braços e ficando emburrada.


Sumiyoshi deu risada, limpando suas mãos no pano pousado em seu ombro, levou seu olhar ao menininho sorridente sentado no chão. Tentou forçar uma expressão séria e logo o repreendeu;


—Michikatsu Kamado Tsugikuni, pare imediatamente de provocar sua irmã, sabe que ela não gosta disso. —Diz se aproximando dos menores e ajoelhando-se na toalha de piquenique para igualar as alturas. 


A pequena emburrada se agachou durante alguns minutos e pegou um punhado de pétalas rosadas espalhadas pela grama e jogou sem força alguma no rosto do irmão, o vendo se assustar e esquivar com um bico adornado em seus lábios avermelhados.


—Akeno Kamado Tsugikuni, não jogue isso em seu irmão, sabe que ele não gosta e ainda por cima é alérgico, igual a senhorita. —Olhou para ambos soltando uma risada fraca, tentava não notar o quão parecido os menores ficavam com seu marido ausente. Sentia uma falta absurda do maior, e por saber sobre seu sonho de derrotar o rei dos onis, manteve em segredo sua gestação durante todos os nove meses. —Como pode, são gêmeos e mesmo assim brigam igual cão e gato. 


Yoriichi que estava atrás da árvore escondido, observava a cena com seus olhos safiras cheios de lágrimas, não acreditava que seu companheiro de vida havia tido dois filhos consigo e cuidou sozinho durante o tempo em que esteve fora. Podia enxergar de longe os brincos hanafudas nas orelhas do menininho ruivo junto a uma marca avermelhada que enfeitava ambas as testas, sendo escondidas por suas franjas pequenas. Sabia que aquele era um modo de proteção.


—Eles... —Sussurrou baixinho, desvencilhando-se do tronco e caminhando lentamente em direção aos menores e marido. Queria questionar diversas coisas, mas iria com a maior calma do mundo, e não forçaria.


Sumiyoshi permanecia ajoelhado no chão tentando acalmar seus dois filhos briguentos quando um aroma desconhecido adentrou suas narinas, rapidamente ficou em alerta e se levantou ficando na frente dos menores assustados e agarrados em sua roupa.


—Entrem na casa e se escondam, Otōsan vai logo atrás! —Fala num tom alto, tirando sua katana vermelha da cintura e apontando para lugares distintos afim de tentar encontrar aquele monstro.


Michikatsu pegou na mão de sua irmã gêmea e correu para dentro, fechando a porta e se escondendo no imenso baú. Sempre que aprontavam iam para aquele lugar pois era o único que alcançavam.


—Irmão, eu estou com medo.. —Akeno sussurra com os olhinhos rubis marejados.


—Não tem porque ter medo, Otōsan sempre nos protegeu e agora não será diferente, Ake. —Sussurrou o garotinho, fazendo carinho na mão da mais nova. —Eu tô aqui para te proteger, hoje e sempre.


—Também irei lhe proteger para todo o sempre, maninho. —Akeno diz baixinho, deitando sua cabeça no ombro do irmão, fechando seus olhos marejados e adormecendo rapidamente. Permitindo assim que as lágrimas solitárias escorressem de seus olhos e molhassem suas bochechas rubras.


┈─ ' ‚🎴 ✯ ❟ Yoriichi


—Ele está bem mais protetor que antes! —Sussurrou baixinho, parando em frente ao imenso portão e erguendo suas mãos se "rendendo". —Prometo que não estou aqui para machucar ninguém!


Sumiyoshi rapidamente se virou em direção a voz e arregalou seus olhos rubis, não podia acreditar que o companheiro finalmente havia retornado. Deixou sua espada cair no chão e correu até o mesmo, pulando em seu colo.


—Que saudade que eu senti.. —Sussurrou distribuindo diversos selinhos nos lábios machucados do homem sorridente.


Yoriichi entrelaçou suas mãos pela cintura do menor para impedir que caísse, retribuiu todos os selinhos analisando com cuidado os detalhes de seu rosto perfeitamente delineado. Queria tanto se ajoelhar e se desculpar trezentas vezes pelo tempo ausente.


—Você está tão lindo, meu amor. —Sussurrou o dono das madeiras ruivas, beijando uma lágrima que escorria dos olhos do companheiro chorão. —Esses anos apenas fizeram bem, envelheceu como vinho.


—Você também está muito lindo, meu amor. Se alguém envelheceu como vinho, foi o senhor. —Sorriu desvencilhando ambos os corpos, queria poder aproveitar mais um pouco daquele calor, porém lembrou-se das crianças escondidas e ficou preocupado.—Amor, lembra que você me pediu para poder carregar seu legado caso não retornasse?


Yoriichi apenas concordou com sua cabeça, prestando bastante atenção em seu marido. Sabia onde aquela conversa iria parar e podia dizer o quão ansioso se sentia. Queria tanto poder conhecer seus filhos e aproveitar um tempo com eles para conhecê-los corretamente.


—Sim, Sumi. —Sussurrou baixinho, ouvindo um suspirou escapar dos lábios do menor. Ficou preocupado durante alguns minutos, mas logo relaxou ao ver uma expressão felizarda assumir a face do ruivo em sua frente. —O que tem, meu amor?


O Kamado se afastou mais um pouco e se virou para ficar de frente a imensa porta central. Respirou profundamente antes de gritar;


—Meus filhos, vocês podem vir! Otōsan está bem, e o bichão malvado já foi embora! —Ficou quieto durante alguns minutos até escutar a porta se abrir e revelar duas pequenas silhuetas.


Michikatsu antes de sair olhou aos dois lados para ter certeza que a barra estava limpa, não queria que nada atacasse sua irmã. Mesmo precocemente já podia entrar no mundo transparente, e isso lhe permitia analisar as pessoas por dentro.


—Otōsan!! —Akeno soltou a mão do irmão após um acenar de cabeça e correu em direção ao maior, seus braços estavam esticados avisando que queria ser pega no colo. O que rapidamente foi feito. —Você conseguiu derrota-lo?


—Sim, princesinha, acabei com a raça daquele bichão. —Sussurrou enchendo a bochecha da menor de beijos e mordidas. Levou seu olhar ao menininho. —Vem meu príncipe, nada irá machucar você.


Yoriichi não sabia o que dizer, apenas observava a cena com seu coração quente e olhos começando a lacrimejar. Sentia de longe o quão super protetor um era com o outro.


—Otōsan, quem é esse homem? —Michikatsu questionou, parando em frente ao ruivo de cabelo amarrado. —Posso sentir felicidade e tristeza emanar dele.


O Kamado deu risada e lentamente se ajoelhou para poder igualar as alturas, seus olhos rubis encontraram com os dos menores confusos.


—Lembra que falei sobre seu outro Otōsan? —Questionou baixinho, vendo os menores apenas concordarem com suas cabeças prestando atenção no que falava.


—O que foi pra uma missão? —Akeno perguntou, vendo o mais velho apenas acenar positivamente.


Michikatsu arregalou seus olhinhos rubis ao entender o que aquilo significava. Com um sorriso alegre adornando seus lábios, entrelaçou suas duas mãos pela perna do ruivo de cabelo amarrado. Permitindo assim as lágrimas escorrerem e não tinha nenhuma vergonha de demonstrar seu lado emocional.


—Otōsan... —Michikatsu sussurrou vendo o homem se ajoelhar em sua frente e sorrir carinhosamente acariciando suas madeixas também ruivas. —Otōsan sempre falava de você para a gente.


Sumiyoshi sorriu e soltou a menininha que correu, parando ao lado do irmão gêmeo, segurando em sua mãozinha e fazendo um biquinho preocupado. Era raro vê-lo chorar daquele jeito.


—Sim, Otōsan sempre disse que nós dois somos seu legado e maior preciosidade. —Akeno sussurra fechando seus olhos rubis ao sentir umas carícias serem feitas em seu rostinho pálido. —Ele disse que um dia iríamos nos encontrar e poderíamos ver o quão perecido somos.


Yoriichi deu risada e logo concordou com sua cabeça, deixando um beijinho em suas marcas avermelhadas e úmidas.


—Eu vi que tem bastante coisas herdadas de mim. Poderiam por favor apenas me dizer seus nomes? —Perguntou fechando um de seus olhos, ainda prestando atenção na expressão dos menores.


—Eu me chamo Akeno Tsugikuni Kamado, tenho quase cinco aninhos. E esse é meu irmão mais velho por alguns minutos, Michikatsu Tsugikuni Kamado. Ele também tem cinco aninhos. —Diz, mostrando a língua ao irmão que agora lhe encarava com uma feição fechada. —Ambos estamos treinando para podermos aprender a lutar com espada. Queremos ser caçadores quando crescermos. Otōsan quem nos ensina.


Yoriichi ao ouvir os nomes, rapidamente levou suas orbes em direção ao marido, o vendo sorrir timidamente. Seus dois filhos tinham recebidos nomes de pessoas importantes para si.


—M-Muito prazer, meu nome é Yoriichi Tsugikuni. —Se apresentou, ouvindo algumas batidas de palmas e sorriu sabendo que eram os menores em sua frente. —Querem ser caçadores em? E estão se saindo bem?


As crianças se sentaram na toalha de piquenique e sorriram, começando a contar todos os detalhes de como andava seus treinamentos e o quão bem estavam se saindo.


—Sim, Michi derrotou Otōsan, e nem numa espada ele tinha pegado antes. —Akeno diz enquanto brincava com seus dedos. —Ele também já pode entrar no mundo transparente. Confesso que no começo fiquei com inveja, pois ambos nascemos com a marca, mas meu irmão estava evoluindo mas rápido que eu. Porém, consegui o alcançar e agora fazemos tudo igualzinho.


Yoriichi escutava atentamente seus filhos contarem suas histórias, ficou preocupado mas logo relaxou seus ombros lembrando que iria ficar em casa agora, nunca mais sairia para missões longas. Se recusava a perder mais tempo com os menores todo animados.


—Vejo que ambos estão conseguindo evoluir bem, mesmo estando longe, posso dizer o quão orgulhoso estou! —Sussurrou ouvindo gargalhadas e vendo duas bochechas ganharem uma coloração avermelhada.


Michikatsu se levantou ao sentir mais um aroma desconhecido adentrar sua narinas, levou seu olhar ao meio do mato com medo que fosse outro monstro pronto para ataca-los.


—Não se preocupe, Michi, é apenas o tio de vocês que está chegando. —Yoriichi diz, vendo o filho concordar com sua cabeça e se ausentar ainda bastante preocupado.


Sumiyoshi apenas observava a cena um pouco afastado, era digno de uma foto de recordação. Estava amando vê-los juntos aproveitando um momento entre pai e filho. Os três mereciam após ficarem tanto tempo longe. Um sentimento de alegria tomava conta de seu peito, tentava de todas as maneiras segurar as lágrimas acumuladas em seus olhos, não queria preocupar seus filhos.


—Vejo que alguém chegou antes de mim! —Michikatsu chegou com os braços cruzados e um enorme bico adornando seus lábios. —Você poderia ter pelo menos me esperando né, irmão?


As crianças levaram seus olhares ao homem parado ao lado de seu Otōsan, não tinham dúvidas que era seu tio. Puderam notar mais um aroma e estranharam, pois não tinha ninguém junto ao mesmo.


—Me perdoe, eu queria apenas vim ver meu marido e filhos.. —Disse vendo o irmão gêmeo arregalar seus olhos e descer em direção aos menores confusos e alegres. —Bem, esse é seu tio Michikatsu Tsugikuni.


—Ele tem o mesmo nome que eu!! —O Tsugikuni menor disse, tombando sua cabeça ao lado parecendo feliz com aquilo. —Otōsan disse que era para homenagear alguém importante. Esse é minha irmã mais nova Akeno.


A menininha acenou alegremente e se levantou, entrelaçando suas mãos pelo pescoço do Otōsan ruivo, sorrindo ao ser pega no colo. Queria poder aproveitar um pouco daquele aconchego, era a primeira vez que recebia.


—Você está com um bebê na barriga.. —O pequeno Tsugikuni diz, apontando para a barriga coberta do tio que engasgou após escutar sua frase.


As pessoas presentes deram risadas e logo começaram a conversar alegremente e colocar os assuntos em dias. Sumiyoshi estava sentado ao lado do marido que segurava os dois menores agora adormecido em seu colo. Se recusou a colocá-los na cama, queria poder aproveitar o momento. Questionaram um monte o Tsugikuni mais velho sobre a fala do pequeno.


—Eu carreguei dois legados do Yoriichi, e agora, você carrega um dentro de você também, Michikatsu. —Sumiyoshi diz, vendo o moreno apenas concordar com sua cabeça e logo descer seu olhar aos sobrinhos. —Será um bom pai, iremos te ajudar no que precisar. Iremos morar todos juntos mesmo.











Fim~