O Eco do Éter

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Summary

el é uma jovem de origem humilde que vive na fazenda de sua família em Luna, um reino onde a magia define o destino das pessoas. Apesar das dificuldades, ela possui um talento natural para manipular o Éter, a energia mágica do mundo. Seu pai, por medo do preconceito da Cidade Alta, sempre tentou afastá-la desse caminho, mas, por amor, acaba permitindo que ela treine para o Rito da Ascensão. Para isso, ele pede a Dain, um ex-estudante de magia reprovado na Cidade Alta, que a ajude. Dain reluta, mas ao ver a determinação de Bel, decide treiná-la. Enquanto equilibra o trabalho na fazenda com os treinos, Bel percebe que seu aprendizado não passa despercebido. Alguém a observa. Ao mesmo tempo, Rael, um enigmático recém-chegado, desperta desconfiança. Com o tempo, Bel descobre que Rael foi o responsável pela cicatriz de Dain, resultado de um ataque mágico durante um exame. Agora, enquanto aprimora sua magia, Bel precisa enfrentar não apenas os desafios do treinamento, mas também as sombras de um passado não resolvido e a incerteza sobre quem realmente está ao seu lado.

Status
Ongoing
Chapters
8
Rating
n/a
Age Rating
16+

Capítulo 1 – O Vento Sobre os Campos


O sol nascia em tons dourados sobre as colinas de Élvora, um vilarejo perdido nas Terras Baixas do reino de Luna. O vento soprava suave sobre os campos de trigo, fazendo as espigas dançarem como um oceano dourado. O cheiro de terra úmida e folhas recém-cortadas pairava no ar, misturado ao aroma quente de pão assando nas casas simples de pedra.

Bel acordou antes do primeiro canto dos galos, como sempre fazia. Seu corpo já sabia os movimentos antes mesmo de sua mente despertar por completo: levantar, vestir as roupas surradas de trabalho, trançar os cabelos escuros em um nó firme e descer as escadas de madeira da pequena casa que dividia com sua família.

Sua mãe já estava na cozinha, reavivando o fogo sob a panela de mingau. O rosto dela estava marcado pelo tempo e pelo cansaço, mas seus olhos guardavam a mesma doçura de sempre.

— Você acordou cedo de novo, Bel. Dormiu bem? — perguntou, mexendo a colher de pau com movimentos lentos.

Bel sorriu de leve, sentando-se no banco de madeira ao lado da mesa.

— O suficiente.

Não havia tempo para muito descanso na fazenda. O trabalho começava cedo e terminava tarde, e mesmo nos momentos de pausa, os pensamentos de Bel estavam sempre em outro lugar. Enquanto seus irmãos mais novos corriam entre os pés de milho, ela se pegava observando o céu, tentando enxergar o fluxo invisível do Éter — a energia que movia o mundo.

Ela não sabia quando percebeu que era diferente. Desde pequena, via rastros luminosos no ar, como se fios de luz cortassem o espaço entre as coisas. No começo, pensou que todos podiam ver aquilo, mas logo percebeu que não. Seu pai, um homem de poucas palavras e mãos calejadas, dizia que era “coisa da imaginação”. Sua mãe trocava de assunto sempre que Bel falava sobre isso.

— Não se distraia com essas ideias, querida — dizia. — O mundo já é difícil sem sonharmos com coisas impossíveis.

Mas Bel não conseguia ignorar. A magia era reservada para aqueles que nasciam em berços dourados, treinados desde a infância dentro das muralhas da Cidade Alta. Camponeses como ela raramente tinham chance de aprender, a menos que fossem selecionados no Rito da Ascensão, uma cerimônia anual onde apenas três jovens eram escolhidos para estudar na Academia Celestia.

E ninguém de Élvora jamais havia sido escolhido.

— Bel? — a voz do irmão mais novo, Aris, trouxe-a de volta à realidade. Ele tinha apenas oito anos, com os cabelos desgrenhados e olhos grandes e curiosos. — Você vai ao mercado hoje?

— Vou, sim — respondeu. — Por quê?

Aris sorriu.

— Quero que me traga algo legal!

Bel riu, bagunçando os cabelos do menino.

— Se eu encontrar algo barato, quem sabe?

Depois do café da manhã, pegou uma sacola de pano e partiu para a vila. O mercado ficava na praça principal, onde barracas de madeira formavam um pequeno labirinto de cores e cheiros. Havia pão fresco, ervas secas, tecidos baratos e, claro, vendedores de quinquilharias tentando empurrar “artefatos mágicos” falsificados para os camponeses desavisados.

Bel conhecia bem aqueles truques.

— Feito com verdadeiro pó de Éter! — dizia um homem de túnica roxa, sacudindo um pingente prateado. — Basta um toque e sua sorte mudará para sempre!

Ela passou direto, desviando da multidão. Seus olhos estavam fixos em outra coisa.

Na praça, um pequeno grupo de soldados havia chegado naquela manhã, suas armaduras refletindo o brilho do sol. Mas o que realmente chamava a atenção era a mulher de manto azul-claro que os acompanhava.

Uma maga real.

Bel prendeu a respiração. Mesmo de longe, conseguia ver os traços de Éter se espalhando ao redor da mulher, como ondas invisíveis pulsando no ar. Aquela era a primeira vez que via um mago de verdade tão de perto.

Ela sentiu o coração acelerar.

Os magos eram o auge do poder em Luna. Eram eles que comandavam exércitos, curavam enfermidades, erguiam cidades e faziam chover em tempos de seca. E ali estava uma, em sua vila insignificante.

Bel se escondeu atrás de uma barraca, observando com atenção. A maga estava lendo um pergaminho enquanto os soldados conversavam com o chefe da vila. Então, depois de alguns minutos, ela ergueu a voz:

— O Rito da Ascensão será realizado aqui, na próxima lua cheia.

A praça ficou em silêncio.

— Três jovens serão escolhidos para competir na seleção da capital. — A maga dobrou o pergaminho e lançou um olhar sério à multidão. — Se houver algum entre vocês que acredite ter talento, prepare-se.

Bel sentiu um arrepio subir por sua espinha.

Era sua chance.

E, dessa vez, ela não deixaria escapar.