Aquela pessoa que nunca morreu

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Summary

Nem toda morte tem cadáver. Nem toda carta tem começo. Nem toda ausência é silêncio. Essa é a história de uma família quebrada, de um garoto em colapso... e de um cachorro que viu tudo - e sobreviveu ao que ninguém deveria ver. Uma história onde o tempo se dobra, onde a morte escreve cartas e onde a vida... talvez nunca tenha começado. Aqui, cada parágrafo esconde uma cicatriz. Cada capítulo guarda um sussurro. Atenção: Esta não é só uma leitura. É uma escavação. Há easter eggs escondidos por toda parte: nomes, objetos, horários, datas, pistas sutis que revelam o que realmente aconteceu. Se achar que entendeu o final... volte ao início. Talvez ele nunca tenha saído do sofá. Ou talvez ele nunca tenha existido. Boa sorte tentando entender quem - ou o que - nunca morreu.

Genre
Drama
Author
Nexus...
Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
16+

Capítulo 1

Certa vez, em um lugar distante e enigmático, vivia uma família mergulhada em dificuldades: o filho carregava tormentos psicológicos; os pais, sem dinheiro; e a estrutura familiar era frágil — algo que ninguém desejaria ter.


Decididos a mudar de vida, os pais optaram por colocar o filho em um curso, enquanto buscavam emprego. A mãe, mulher estudiosa, dominava inglês básico, entendia bem de matemática e possuía diversos certificados. Era inteligente, mas rejeitada até pela própria família. Faltara-lhe sorte, não esforço.


O filho, por sua vez, já havia desistido da vida em pensamento diversas vezes. Só não tomara atitudes extremas por um único motivo: sua família. Amava profundamente os pais e não suportaria vê-los sofrendo com sua partida. Por anos, aguentou. Mas algo nele quebrou. Começou a preparar sua carta de despedida.


Enquanto os pais seguiam entregando currículos em uma empresa que poderia mudar suas vidas, o filho aproveitou a oportunidade e fugiu. Queria encontrar um sentido — ou ao menos, algo que doesse menos que a vida que levava. Deixou o bilhete sobre o sofá, com a TV ainda ligada no jornal. O cachorro, silencioso, ficou para trás.


Durante a fuga, encontrou uma mulher que, aos seus olhos, parecia saída de um sonho. Decidiu ali mesmo: ela seria a última chance de felicidade. Passou dois dias tentando imaginar como se aproximar, como conquistar sua atenção. Por fim, a abordou num parque, onde ela tirava fotos de uma paisagem deslumbrante. Sem hesitar, pediu para ser seu amigo, declarando-se logo em seguida. Ouvindo um "Sim, podemos nos conhecer melhor", sentiu o coração acelerar. Uma fagulha de alegria, finalmente.


Decidiu voltar para casa. Estava morando provisoriamente em um abrigo, distante do lar. Ao chegar, a porta ainda estava trancada. Pegou a chave reserva escondida nas plantas, entrou... e congelou.


A TV continuava ligada, no mesmo canal. A carta, intacta sobre o sofá.


Correu até o cachorro, que mal conseguia latir. A ração estava seca, o chão sujo, e o animal, deitado num canto, tremia. Dois dias... sem nenhum sinal dos pais. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.


O medo rasgou-lhe o peito como vidro fino.


Pegou o telefone e ligou para a polícia, tentando explicar o inexplicável com a voz trêmula.


Horas depois, os policiais chegaram. Vasculharam a casa, buscaram nos hospitais. A verdade veio por uma ligação: dois corpos haviam sido encontrados no rio que cortava a cidade, próximo à entrada da empresa onde os pais haviam deixado seus currículos. Os documentos estavam com eles. Os corpos, irreconhecíveis. Nenhuma testemunha. Nenhuma pista.


O mundo congelou naquele instante.


Ele se calou. O cachorro parou de latir. A casa mergulhou num silêncio sobrenatural.


Entrou no quarto. Pegou uma caneta. Não era a carta da fuga. Era outra. Era a final.


Na manhã seguinte, os policiais voltaram.


Encontraram o cachorro deitado ao lado do corpo, encolhido, lambendo-lhe a mão fria. Não chorava, não latia — apenas esperava. Como se ainda acreditasse que o dono abriria os olhos a qualquer momento.


Sobre a antiga carta, havia uma nova. Escrita com tinta azul, as bordas manchadas.


> "Olá pai, olá mãe.


Decidi que minha vida aqui estava difícil demais. Não sentia mais felicidade, então fui atrás dela.


Não sabia o que ela seria: uma pessoa, um objeto, uma paisagem... ou a morte.


Agora eu sei. Era ela. A morte.


Ela me chamou quando vi vocês naquela notícia.


Sussurrou que, sem vocês, eu era só silêncio.


Eu voltei. Mas, como disse... não sou mais o mesmo.


Me chamem, se um dia me reencontrarem, de Hell.


Amei vocês, do meu jeito quebrado.


E por amar demais, parti.


Obrigado por tudo."



Os policiais não entenderam. A carta parecia antiga. O papel, amarelado. O cheiro, envelhecido. As palavras, secas — como se tivessem sido escritas antes mesmo da fuga.


Mas ninguém havia estado na casa.


Nem ele.


Nem os pais.


A TV? Ligada. A primeira carta? Intocada. O corpo? Frio demais. Como se estivesse ali há dois dias.


O cachorro, agora sozinho, foi recolhido pelos policiais. Mas jamais se acostumou. Recusava comida, latia à noite como se chamasse por fantasmas. E toda vez que passava por um sofá, deitava ao lado, lambendo o ar vazio.


> “Alguns dizem que ele morreu naquele sofá, antes mesmo de partir. Outros juram que o viram sorrindo em algum parque, ao lado de uma mulher desconhecida. Mas uma coisa é certa:

Aquela pessoa... nunca morreu.”