Meu querido diário

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Summary

Mariane se mudou de cidade, mudou de emprego, mas não conseguia esquecer o rompimento de seu último relacionamento. Depois de meses se lamentando entre panelas de brigadeiro e filmes repetidos de comédia romântica, ela decidiu sair da inércia e colocar a vida nos eixos. Será que seu novo personal trainer vai ser a pessoa a despertar novamente a mulher sedutora e sexy que ela deixou para tras?

Status
Complete
Chapters
3
Rating
n/a
Age Rating
18+

Capítulo 1

Eu nunca imaginei que ia começar um diário, até que meu terapeuta me sugeriu isso em uma sessão, para me ajudar a lidar com minha nova fase da vida. Eu me mudei para São Paulo há pouco mais de um mês para trabalhar, à convite de uma grande empresa que valorizava muito bem meus anos dedicados ao meu desenvolvimento como gerente de projetos imobiliários, mas não estava me adaptando como esperava. Não ao emprego, que era ótimo e me dava uma recompensa financeira interessante, além de uma bagagem profissional que me faria decolar na carreira. Meu problema era com a cidade em si.

Eu vim de uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, onde tudo era mais lento, mais silencioso, mais tranquilo. Foi uma grande mudança e eu sabia que seria um desafio me adaptar a essa nova realidade. O fato de eu ter sido traída pelo meu ex-noivo alguns meses antes de receber a proposta de emprego ajudou no processo de tomada de decisão, mas nem por isso fez com que a minha adaptação fosse mais fácil.

Eu estava feliz no trabalho e, se pudesse, não teria que andar mais do que uma quadra para nada, porém, com uma cidade daquele tamanho, e trabalhando em um bairro basicamente comercial, as chances de eu conseguir ir e vir do meu trabalho a pé eram quase nulas. Quase. Eu consegui encontrar um pequeno apartamento que ficava a três quadras do escritrório e tinha de tudo pelo caminho, mercado, farmácia, um pequeno centro comercial e uma academia, que ficava no prédio ao lado do meu trabalho. Era bastante conveniente, já que eu pretendia voltar a me exercitar o quanto antes. Esses dias de mudança me deixaram ansiosaa e, além de comer mais do que o normal, eu ficava inchada e mau humorada quando passava muito tempo sem descarregar um pouco de energia na academia.

Eu comecei na academia em uma segunda feira, e decidi treinar no meio da tarde, já que eu tinha flexibilidade no meu trabalho e, sendo do lado do escritório, eu conseguiria chegar em 15 minutos caso precisassem de mim com urgência. Nunca acontecia, mas me tranquilizava saber que, se fosse o caso, eu estava ali do lado, literalmente.

Meu maior choque ao entrar no lugar pela primeira vez foi a recepção. A recepcionista, uma morena linda de longos cabelos cacheados era muito simpática e educada e me apresentou os planos disponíveis, as aulas incluídas, me deu uma cópia dos horários e foi muito solícita ao tirar todas as minhas dúvidas. Depois de um tempo eu estava decidida a dar uma chance, e ela me ofereceu uma aula experimetal. Chamou um dos professores que circulavam por ali e o pediu para me apresentar o espaço. O nome dele era Jonas e ele era uma vitrine perfeita para o resultado que um bom treino faz. Seu corpo era magro e forte, mas não muito musculoso, ele era alto e tinha um grande sorriso ao me receber.

Tudo que ele me mostrou me agradou, os equipamentos de primeira, as salas para as aulas de dança e luta, os vestiários espaçosos e bem iluminados, tudo muito tecnológico e limpo. Eu definitivamente me via ali, embora eu olhar tenha sido, mais de uma vez, atraído para as pessoas que treinavam ali. Todos, todos mesmo, eram lindos, bem vestidos e estavam em excelente forma. Era até estranho, porque parecia que o lugar era falso, como se todos ali fossem modelos ou algo parecido. "Será que eu vou poder me matricular nesse lugar?" foi uma das coisas que pensei quando constatei esse fato sobre os outros alunos. Eu tentei afastar esse pensamento me olhando no espelho. Eu não era magra, mas não estava muito acima do peso. Poderia perder uma ou outra medida, mas gostava do meu corpo. Eu tinha seios grandes e um bumbum avantajado, que não era caído e nem mole, graças aos muitos anos que eu vi trabalhando nele nas outras academias que frequentei. Cheguei a conclusão de que eu estava no lugar certo com um balançar de cabeça, fazendo com que Jonas, subitamente, se interrompesse. Eu sorri, porque fazia uns 10 minutos que eu estava devaneando e não prestava atenção em nada do que ele falava.

"Vamos começar então?" Ele falou e eu me arrependi de ter concordado com o que ele falou sem saber exatamente o que era. Eu tenho essa mania, entro em um vórtex de raciocínio que me leva pra qualquer outro lugar e, quando vejo, já se passaram longos minutos comigo sem prestar atenção em nada, e essa mania já me fez passar por poucas e boas. Por sorte eu estava vestida com calças legging e um top largo, então podia aproveitar para me exercitar um pouco, sendo auxiliada de perto pelo professor. Ele me perguntou sobre meus treinos anteriores, meus objetivos, todo o roteiro que eu já esperava e estava acostumada, me guiou para a longa fileira de esteiras e me pediu paraa começar com um aquecimento, seguido de um alongamento e do treino propriamente dito.

Quando eu saí da academia, estava devidamente matriculada, havia tomado um banho e seguia para o escritório feliz, com a sensação de dever cumprido induzida pela endorfina que só uma boa dose de treino, ou de sexo, me fazia ter.

Cheguei ao escritório e comentei com uma colega de trabalho, uma analista divertidíssima que fazia parte da minha equipe, e ela disse que já havia tentado se matricular ali uma vez, mas que não se encaixou e acabou desistindo, optando por fazer pilates em um estúdio perto de onde morava. Depois que contei detalhes do personal e do treino que ele me passou, ela olhou pra mim e deu risada, se aproximando e falando baixo para ninguém mais ouvir: "Me parece que o cardio que você queria fazer com ele era outro, talvez no vestiário?" Ela levantou as sobrancelhas e deu risada do rubor que subiu no meu rosto.

Eu passei umas semanas indo à academia todos os dias. Era uma dedicação que eu nunca havia tido, mas eu precisava correr atrás do tempo perdido. Lara dizia que meu interesse era puramente técnico, que eu queria era avaliar quantas flexões o personal conseguiria fazer comigo deitada embaixo dele, por exemplo, mas embora ele fosse lindo e muito atencioso, eu não conseguia sentir aquela faísca que precisava para me tirar do meu estado celibatário. Ainda tenho minhas dúvidas se esse desconforto em ficar com outra pessoa ainda seja induzida pelo trauma do meu antigo relacionamento, ou se eu só estou mais preocupada com tudo que acontece ao meu redor, prestando atenção em coisas que antes passavam desapercebidas, distaída demais até para pensar em sair com um cara novo.

Eu comecei a perceber a diferença em meu corpo depois de umas 3 semanas, e fiquei impressionada com a habilidade de Jonas em extrair uma Mariane de dentro de mim que eu nem sabia que estava lá. Eu gostava mais ainda do que via no espelho, embora algumas gordurinhas resistentes ainda estivessem lá, como uma lembrança de todos os brigadeiros de colher que usei para afogar as mágoas da traição recente, que já nem era tão recente assim.

Eventualmente eu notava alguns homens querendo se aproximar de mim em bares, restaurantes, até mesmo na academia, mas minha frieza acabava por espantá-los antes mesmo de qualquer sugestão mais ousada. Eu precisava resolver isso e, pedindo ajuda das minhas novas colegas de trabalho, decidimos por uma saída, só as meninas, para um bar perto do trabalho na sexta a noite.

Comentei com uma colega da academia enquanto nos dirigíamos ao vestiário e, ao sair de lá para voltar para o escritório, eu já estava pronta para o happy hour que aconteceria em algumas horas. Estava usando um vestido floral acinturado que acentuava bem o meu corpo, meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo meio solto, uma sandália de salto baixo e uma maquiagem leve completavam o look. Assim que me viu, Jonas abriu aquele sorriso de tirar o fôlego.

"Você está linda! Aguma ocasião especial?" Ele me ofereceu o braço, como um cavalheiro que conduz uma dama pelo baile, me fazendo sorrir com o gesto, enquanto me conduzia até as catracas de saída. Contei do bar onde iria com umas amigas do trabalho e agradeci o elogio. Mesmo depois de passar pelas catracas, vi que Jonas ficou parado, com um pequeno sorriso e os braços cruzados. Eu dei um tchauzinho de longe e, quando olhei pra trás novamente, ele estava passando a mão pelo rosto enquanto se afastava, voltando para dentro da academia. Mesmo não tendo certeza se aquilo significava algo, me senti lisonjeada de ter a atenção de um cara tão bonito e tão gente boa.

***

Coincidência, ou não, depois de 2 chopes Jonas apareceu do meu lado, acompanhado de um outro professor da academia que era tão capa de revista quanto ele. Ele me disse que ficou curioso quando falei do local e decidiu chamar um amigo para conhecer junto com ele. Os convidei para sentar e começamos a conversar, agora em um grupo maior que o esperado. Lara olhou pra mim e sorriu, levantando as sobrancelhas em direção a ele, e eu dei uma risada que deve ter saído mais alta do que deveria, pois chamou a atenção de todos da mesa. Disse que não era nada e tentei chutar de leve a perna dela, acertando a canela do amigo de Jonas. Demos umas boas risadas durante a noite e, quando chegou a hora de ir embora, ele me acompanhou até a calçada para me ajudar a pegar um táxi.

Eu apertei meus braços em volta do corpo, percebendo como a temperatura havia caído enquanto estávamos lá dentro. Ao notar meu arrepio, Jonas me envolveu com seu casaco e esfregou meus braços, numa tentativa de me livrar do frio, e foi só quando ele chegou assim, mais perto, que notei o seu cheiro. Ele tinha um cheiro gostoso que não parecia perfume, mas que definitivamente era bom, e estava tão perto de mim que eu conseguia sentir o calor emanando de seu corpo. Ele olhou para o meu rosto, me estudando, e se aproximou um pouco mais. Ele era bem mais alto do que eu e abaixou um pouco o rosto ao falar com a voz quase sussurada: "Está se sentindo melhor?". Eu olhei para cima e sorri, agradecendo e dizendo que assim que entrasse no táxi devolveria o casaco para ele usar para ir pra casa. Nesse momento ele foi atrás de mim, tirou o casaco dos meus ombros e me fez vesti-lo. "Vai com ele pra casa, eu não estou com frio de qualquer maneira". Eu sorri e ia andando até a beira da calçada ao ver um táxi se aproximar do ponto, quando ele segurou minha mão, me puxando de volta.

Eu olhava para ele confusa, quando ele segurou meu queixo com sua outra mão, levantando a minha cabeça para um beijo de despedida suave e, ao mesmo tempo, eletrizante. Eu fiquei paralizada com sua delicadeza, empolgada com a energia que percorreu meu corpo e a umidade que brotou no meio das minhas pernas me dizia que, muito provavelmente, o celibato estava encerrado.