Prólogo
No último dia de sua vida, Daniel entendeu finalmente o aviso do avô.
O anel não estava lá para salvar ninguém — só para lembrá-los de que alguns erros são necessários.
Ele olhou para as próprias mãos, agora marcadas por cicatrizes que não existiam na semana passada. Ou será que existiam? Já era difícil lembrar. O tempo tinha se tornado algo líquido, escorrendo entre seus dedos como areia de um relógio quebrado.
Do lado de fora da janela, o mundo estava quieto. Estranhamente quieto. Nenhum pássaro, nenhum carro passando, apenas o vento balançando os galhos de uma árvore que Daniel juraria ter morrido anos atrás.
— Tudo bem — ele murmurou, como se alguém pudesse ouvir.
O anel pesava no seu dedo, mais do que nunca. Não era só prata — era culpa, era arrependimento, era cada segundo que ele tentara consertar e que, no fim, só piorara as coisas.
Ele fechou os olhos.
Uma última volta.
Três giros, como da primeira vez.
O ar gelou em seus pulmões. O cheiro de café fresco encheu a cozinha — o mesmo café que ele derramara na manhã em que tudo começou.
E então...
Tudo começou de novo.