Capítulo 1:Tava tudo Calmo... até o Tiro e BOMBA
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⚠️ AVISO IMPORTANTE AOS LEITORES
Esta fanfic é um projeto 100% fanmade, criada sem fins lucrativos, feita apenas por admiração e amor ao universo da Marvel.
Todos os personagens pertencem à Marvel Comics, com exceção da personagem Spectropool, que é uma criação original da autora Vaioletew, sendo uma variante brasileira do Deadpool.
⚠️ Neste universo, Deadpool é apenas um personagem fictício de histórias em quadrinhos (como se ele existisse só nas revistas mesmo). Isso será importante futuramente na trama!
💬 A fanfic contém diálogos em dois idiomas:
Spectropool e outros brasileiros falam em português,
Enquanto os personagens americanos, como Peter Parker, falam em inglês.
🔁 Se você não entende inglês, pode acompanhar os diálogos facilmente usando um aplicativo de tradução de tela ou o Google Tradutor. (Sem marcas, não é publicidade!)
✨ A escrita é cinematográfica, detalhada e emocional, com foco na construção lenta da relação entre os personagens e nos seus conflitos internos - e sem cenas Hot explícitas.
Boa leitura!
💥 - Vaioletew
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O alarme tocou às 7h12. Um toque irritante e propositalmente torto, que Peter Parker deixava assim para não criar o hábito de gostar de acordar.
Ele se sentou na cama devagar. Mesmo após meses, o quarto ainda parecia improvisado. Um estúdio apertado em Queens, com parede descascando atrás da pia, uma pequena janela que não fechava direito, e móveis que tinham mais fita adesiva do que madeira.
Mas era o suficiente. Para alguém que o mundo esqueceu, era demais até.
Peter esfregou o rosto, ficou alguns segundos sentado na beira do colchão. Pensando. Não exatamente em algo específico, só... sentindo o peso. O vazio. O eco de quem já teve tudo e agora precisa aprender a viver com nada.
Tomou banho frio, escovou os dentes com uma pasta vencida (mas ainda espumando) e vestiu um moletom qualquer. Não ia sair de Homem-Aranha hoje. Só ia existir.
Foi à padaria da esquina. Trocou um "bom dia" com o dono dominicano que sempre o confundia com um estudante estrangeiro. Comprou um pão doce, dois cafés pequenos (um ele nunca bebia, mas sentia falta de dividir), e voltou.
Ligou o rádio portátil que encontrou no lixo semanas atrás. Ficava com chiado, mas às vezes sintonizava canais da cidade.
Era meio-dia quando se deu conta de que o dia estava passando. Meio-dia, e nada havia mudado.
Mas era Nova York. Mais cedo ou mais tarde, sempre acontece alguma coisa.
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Às 20h02, o rádio chiou mais do que o normal.
Peter estava com o rosto afundado no travesseiro, meio dormindo, meio desistindo. Mas a mudança no tom do locutor o fez virar o rosto para o rádio.
- "...unusual intervention today in Brooklyn... witnesses report an armed, agile figure with unidentified behavior... the police are still trying to confirm whether it is a new vigilante or a threat..."
Peter franziu o cenho. A voz do apresentador acelerava:
- "...wearing full dark attire, with unidentifiable equipment... reportedly appeared to be able to walk through walls... and speak in... Spanish?"
Peter se sentou. Agora acordado.
- "...some suggest it could be alien technology, or a mutant. One civilian even shouted that it looked like a 'Spectro'... another said it was like 'Deadpool in heels'. Both names stuck ."
O locutor riu nervoso.
- "The whole town wants to know... who is Spectropool?"
Peter ficou olhando para o rádio por um bom tempo, os olhos semicerrados, como se quisesse entender melhor o que sentia.
Um nome novo. Uma figura nova. E, por algum motivo, uma sensação incômoda de déjà vu.
— "Spectropool..."
O nome soava estranho. Inventado na pressa. Mas grudava no ouvido. Tipo apelido que a mídia escolhe e nunca mais solta. Ele se levantou devagar, pegou o rádio com cuidado, girando o botão de volume para cima. A transmissão continuava, caótica:
— "Witnesses say she moved like... like, fast-forwarded footage. Jumping between rooftops. Some people think it's a tech suit. Others say it's magic."
Peter já conhecia aquele tipo de alvoroço. Nova York adorava transformar confusão em manchete. Mas algo nessa bagunça... parecia diferente. Uma palavra atravessou os pensamentos dele antes mesmo que percebesse:
"Familiar."
Respirou fundo. Deu uma olhada no celular. Nenhuma notificação urgente, nenhum chamado dos canais que ele costumava interceptar. Desde que virou um fantasma social, era mais difícil saber onde precisava estar. Agora, só contava com os instintos. E aquele nome estranho ecoando no ar.
— "Spectropool," repetiu baixinho. — "Guess it’s gonna be one of those nights."
Foi até o armário, puxou uma caixa debaixo da cama. Dentro, o uniforme do Homem-Aranha, dobrado como se fosse proibido existir. Os dedos hesitaram. Ninguém pediu ajuda. Ninguém esperava por ele.
Mas ele foi mesmo assim.
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Poucos minutos depois, Peter estava nos telhados.
Não havia vento. As nuvens estavam estáticas. A cidade não parecia saber que algo novo estava surgindo. Mas ele sabia.
Saltou de uma borda para outra, sentindo o peso do silêncio. O traje ainda se moldava ao corpo como uma segunda pele. Não era mais um uniforme de herói. Era uma lembrança.
Em um beco abaixo, ele ouviu dois jovens conversando alto demais:
— "Dude, did you see that clip? The new chick? She jumped from, like, five stories."
— "Yeah, and she talked in... Spanish, right?"
— "I don't think that was Spanish. Sounded different. Maybe Portuguese?"
Peter se esgueirou por uma parede, ouvindo atento. Então era verdade. Não só uma vigilante nova, mas uma que ninguém entendia. Literalmente.
— "Some guy said she vanished. Like, into a wall."
— "Creepy. What if she's not even human?"
Peter pensou nas palavras do notíciario. Atravessava paredes. Tecnologia alien? Mutante? Nada disso fazia muito sentido, mas a cidade tinha uma queda por exageros. A verdade quase nunca era tão chamativa quanto o boato.
Mas mesmo assim, ele sentia algo... estranho.
Ele deu mais um salto, pousando no topo de um prédio baixo. Olhou para a rua. Luzes vermelhas e azuis dançavam lá embaixo. Policiais ainda avaliavam os estragos de algo que ele havia perdido. Chegou tarde demais para entender, cedo demais para ignorar.
Pelo canto do olho, algo brilhou.
Não era um reflexo.
Era uma sombra correndo sobre os fios, quase como um vulto pintado na noite.
Peter virou o rosto. Piscou.
Nada mais lá.
Mas o frisson em seu peito aumentava.
— "Spectropool..."
Dessa vez, ele não disse em voz alta. Apenas guardou o nome como um fragmento.
Um novo ponto de interrogação no mapa da sua vida apagada.
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O nome ainda ecoava na mente dele como uma frequência mal sintonizada.
Spectropool.
Peter permaneceu imóvel por alguns segundos sobre o topo do prédio baixo. As sirenes piscavam abaixo. Os sons estavam distantes, abafados, como se a cidade estivesse presa dentro de uma redoma. Mas o coração dele acelerava.
Algo havia mudado. Ele sentia. E esse tipo de sensação, Peter já aprendera, nunca vinha sozinha.
Ele se moveu.
Rápido e silencioso, saltando por entre as quinas dos prédios, descendo por uma lateral estreita. Os olhos escaneavam. Tinha destroços no beco. Um contêiner tombado. Rachaduras recentes na parede. Pedaços de uma grade retorcida como se alguém tivesse atravessado por ela em alta velocidade.
Peter se abaixou ao lado dos restos da lixeira.
Pegou uma pequena lâmina de metal — estava torta, meio queimada, com marcas de impacto nas pontas. Não era uma arma. Mas também não era lixo comum. Ele cheirou o ar.
— "Smells like cordite... gunpowder?"
Armas? Isso limitava o número de possíveis "novas vigilantes" que a cidade já conheceu. A maioria dos heróis ainda evitava carregar munição letal. Quem usava balas, normalmente, não era do tipo convidado pra café com os Vingadores.
Peter vasculhou mais. Um ponto no chão, escurecido. Como se algo tivesse sido arrastado, depois desaparecido.
Um tipo de pegada... mas leve demais.
Como se alguém tivesse corrido ali... e depois sumido.
Ele ergueu os olhos. Sentia.
Ela estava perto.
Muito perto.
— "You're watching me, aren’t you?" — murmurou. Não era uma pergunta para obter resposta. Era mais uma constatação. Aquela coceira na nuca, o formigamento no fundo dos músculos. Ele conhecia. Era o mesmo tipo de alerta que sentia quando alguém apontava uma arma em sua direção... mesmo que estivesse de costas.
Ele girou rápido.
Nada.
Somente um fio de cabelo dançando ao vento — como se alguém tivesse estado ali, meio segundo antes dele virar.
Peter ficou parado por mais de um minuto.
Cada som parecia amplificado. Um gotejar distante. Um portão enferrujado sendo empurrado lentamente. Um carro passando a três quadras dali. E a própria respiração dele, saindo quente pelas lentes da máscara.
Então ele sussurrou:
— "Okay, Spectropool... You’re real."
Um passo à frente.
— "But what are you?"
As nuvens começaram a se mover. Lentas. Densas. Uma delas cobriu parte da lua.
E por um instante — um só — Peter teve a impressão de ver, do outro lado da rua, no telhado vizinho, uma silhueta.
Parada.
Observando.
Com as pernas arqueadas como se estivesse pronta pra correr... ou atacar.
E mesmo àquela distância, Peter sentiu os olhos dela.
Algo em seu peito apertou.
Ele engoliu em seco.
E piscou.
Quando abriu os olhos, não havia mais ninguém ali.
Mas agora, ele sabia.
Ela não só era real.
Ela sabia dele também.
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Ponto de vista: Spectropool
Ela não tinha planejado fazer barulho naquela noite.
Tinha entrado no país com documentos falsos, sotaque escancarado e um plano básico: ficar invisível, escutar a cidade, entender o terreno.
Mas Nova York não era feita pra silêncio.
E a cidade tinha um talento especial pra meter caos onde deveria haver calma.
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Começou com um grito.
Um beco mal iluminado, um garoto tentando fugir de dois homens armados, e uma mulher — ela — empoleirada no topo de um prédio, com os olhos semicerrados e os dedos coçando no gatilho.
— “E lá vamos nóooos!”
— “Dois tiros. Um pra cada joelho. Simples.”
— “Ou a gente pode só assustar e deixar claro que chegou alguém nova no pedaço.”
Ela rolou os ombros, ergueu o braço, e disparou.
Não para matar. Só para avisar.
As balas acertaram os dois assaltantes — uma na arma, outra no chão entre os pés. O suficiente para fazê-los correr como ratos molhados.
O garoto, paralisado, olhou pra cima. Tentou ver de onde vieram os tiros.
Mas ela já tinha sumido.
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Duas ruas depois, mais confusão. Uma loja arrombada. Dois policiais feridos. Um dos criminosos segurando um refém pela gola da camisa.
Ela não pensou. Desceu como raio. Os pés tocaram o chão com precisão cirúrgica, o joelho acertou o queixo do ladrão, e o refém caiu de joelhos, ileso.
— “Go!” — ela gritou pro rapaz, em inglês arranhado. — “Run away, rápido!”
Ele correu sem perguntar.
Um dos policiais, meio desacordado, viu a figura agachada na sombra. A máscara preta e as lentes pretas onde deveria estar os olhos. Bordas brancas,exageradas e pintadas como se chorassem.
— “W-who the hell...?”
Mas ela já tinha sumido de novo.
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Três ações em menos de meia hora.
A rádio policial surtava. Ela escutava no próprio transmissor preso no cinto.
Códigos. Confusão. Contradições.
"Subject might be a vigilante... dark outfit, agile... possibly teleporting?"
"She just vanished. Some people think she went through the wall."
—"It’s not Spider-Man. She’s got guns. And something weird in her voice."
"—someone called her... Specter? Pool? Wait, what?"
Ela parou no topo de um telhado, arfando.
— “Tão tentando me dar um nome já?”— murmurou, irritada, em português.
— “Você não achou que ia passar batida por muito tempo, né?”
— “Devia ter deixado mais sangue. Aí te chamavam de coisa melhor.”
— “Specterpool! Pooooool! Com P de pancadaaaa!”
Ela bateu na testa com a palma da mão, exasperada.
— “Puta merda. Vão achar que sou tipo... versão barata do Deadpool.”
— “Mas, honestamente... não é tão longe da verdade.”
Ela rolou os olhos.
— “Argh. Ótimo. Vou virar meme antes mesmo de ser lenda.”
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Então viu ele.
O vulto.
O salto elegante de um prédio pro outro.
O vermelho e azul rasgando o céu como um eco do passado.
Ela travou o corpo inteiro, se abaixando nas sombras.
— “Homem-Aranha...” — sussurrou. — “Ótimo. Só o que faltava.”
E foi aí que ouviu.
A voz dele, carregada pelo vento. Em alto e bom tom. Pensando que ela não ouviria.
—“Spectropool… if that’s even your real name…?”
Ela arregalou os olhos.
— “Spectropool?” — repetiu em voz baixa.
— “AAAHA! PEGOU!”
— “É. Colou.”
— “Agora aguenta.”
Ela só suspirou.
— “Pelo menos não foi Deadpool Girl...”
E desapareceu de novo, pulando em silêncio. Como um sussurro levado pelo vento cortante da noite nova-iorquina.
Sem deixar rastro.
Mas agora com um nome.
Ela desapareceu.
Mas não sumiu para descansar.
Spectropool tinha um nome — um peso que agora carregava — e um alvo.
Um Monstro.
O mais procurado pelas sombras: um traficante de órgãos.
O Cirurgião.
Um homem que vendia partes de corpos humanos como mercadoria. Que arrancava vidas em silêncio e sofrimento.
E que carregava um rastro de dor que a Spectropool jurava apagar.
Ela odiava sentir dor. Odiava mais ainda que alguém fosse obrigado a sentir.
Ninguém era obrigado a fazer o que não queria.
Essa verdade, simples e cruel, era seu código — mesmo que sua moral não fosse tão limpa e evoluída quanto a do Homem-Aranha.
Porque, para ela, justiça era sentir a dor do outro como se fosse sua. E devolver o mesmo.
O salto silencioso entre os telhados gelados era quase um ritual.
Cada movimento seu, calculado. Mas com urgência. Um fogo que queimava por dentro.
A cidade não dormia.
Nem nunca dormia.
Cada sombra guardava um segredo. Cada ruído era uma ameaça. Ou uma chance.
O rádio preso na cintura chiava baixo, quase sussurrando.
Entre as vozes confusas da polícia e o som distante de sirenes, as Caixas de Voz internas brigavam na sua mente:
— “Vacila, e já era. Eles vão te pegar antes de entender o que você faz.”
— “Calma, nem tudo é guerra. Talvez tenha alguém aí que valha a pena...”
— “Hahaha! E se o Spider-man aparecer? Vai ser um show de confusão!”
— “Quero ver essa dança de gato e rato. Morde, arranha, some.”
— “Foco. Tem coisa errada. Você sente isso. Vai atrás, não perde tempo.”
Ela fechou os olhos, tentando silenciar aquele turbilhão.
O motivo do caos estava claro.
No beco onde sumira, não havia marcas — só silêncio pesado.
E a certeza de que o monstro estava perto.
Mais perto do que ela queria admitir.
Ela apertou o coldre do rádio, os dedos firmes contra o frio metálico.
— “Vai começar a festa, então.”
O vento gelado raspava por baixo do traje, fazendo o tecido ranger quase como um aviso.
Saltou para o próximo prédio, o impulso carregado de determinação.
As luzes vermelhas e azuis piscavam no horizonte — a polícia seguia o rastro do Cirurgião.
Mas Spectropool não ia deixar que fosse só um rastro.
A voz rouca do rádio cortou o silêncio:
“Suspect located near Times Square. Proceed with extreme caution. Armed and dangerous.”
O chiado do rádio ficou suspenso no ar por um segundo a mais.
Como se até as ondas sonoras soubessem que algo estava prestes a quebrar
Os olhos dela brilharam por trás da máscara.
Hora de subir o jogo.
E mostrar que, naquela cidade, a justiça tinha muitas formas — e ela era uma delas.
Spectropool se abaixou no topo do prédio onde estava, as mãos segurando firme as bordas do parapeito. Lá embaixo, a cidade se movia como um organismo vivo. Carros. Luzes. Pessoas indo e vindo sem saber o que rastejava por debaixo de suas rotinas.
Ela observou a Times Square de longe.
O coração batia no ritmo do alarme que só ela ouvia.
— “Tá aí. Desgraçado bem no meio da cidade. Tá achando que é invencível.”
— “Em lugar público. Cheio de civis. Se fizer merda, a mídia te engole.”
— “Mídia? Hahaha! Já tão chamando a gente de Deadpool de salto. Relaxa.”
— “Cuidado… e se for armadilha? E se ele souber que você tá vindo?”
— “E se for gostoso?”
...
Todas as outras vozes se calaram por um segundo.
Spectropool rolou os olhos sob a máscara.
— “Sério?” — murmurou baixo, soando abafado.
Um letreiro digital à frente piscava os comerciais coloridos da Broadway, como se estivesse zombando dela. Um mundo onde todo mundo queria ser visto — enquanto ela vivia tentando desaparecer.
Mas agora… ela queria que ele a visse.
Que o traficante soubesse que alguém estava vindo.
E que não ia ser piedosa.
Ela tocou os punhos cerrados contra a lateral das coxas. O traje estava justo, adaptado, como uma extensão de sua raiva.
Saltou.
Desceu pela lateral de um prédio, deslizando entre andaimes e fios. Cada passo era um ataque contido, uma lembrança viva do porquê fazia aquilo.
O cheiro de fritura e as buzinas da praça chegaram antes da multidão.
Ela entrou pela lateral da Times Square, entre turistas, artistas de rua e luzes cegantes.
— “Você sente isso? Tipo… o ar ficou pesado.”
— “Ele tá aqui. Em algum canto, sorrindo.”
— “Só precisa de um tiro. Um. No rim. Só pra lembrar o que ele fez.”
Ela viu um grupo de policiais encostados num food truck. Os rádios deles vibravam no peito. Ela se misturou à multidão.
Andando.
Silenciosa.
A fera dentro do corpo dela em silêncio completo.
Como se o mundo todo tivesse prendido a respiração.
Então ela viu.
Um homem de casaco marrom-claro, passos largos demais, mãos enfiadas fundo demais nos bolsos.
Ele olhou pro lado. Depois pro chão.
E passou direto por uma ambulância — sem olhar.
Spectropool parou. O sangue esquentou.
— “É ele. É ele.”
— “Quer brincar?”
Ela ajustou o coldre na cintura.
O rádio policial chiou mais uma vez:
“— Target possibly in civilian disguise. Surveillance has been lost. Repeat: surveillance has been—”
Ela desligou.
Já não precisava de ajuda.
Ela ia atrás.
E se o Homem-Aranha aparecesse?
Bom.
Let him try to stop her.
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O som que se ouviu primeiro não foi o de um tiro.
Foi o de um suspiro.
O da Spectropool.
A respiração dela se condensava sob a máscara preta com listras brancas, marcada como se tivesse olhos de caveira,
os dedos cerrados nas armas com tanta força que o metal quase rangia.
O Cirurgião caminhava entre as luzes da Times Square como se fosse um empresário qualquer. Mas ela sabia.
Aquele homem… era esgoto puro.
Trafico de órgãos. Est*pro. Sequestros.
Um monstro que se escondia atrás de gravatas italianas.
— “Vamos acabar com ele. Do jeito certo.”
— “O jeito certo seria com uma faca quente. Devagar…”
— “Concentra. Ele trouxe seguranças.”
E ela viu.
Seis ao total.
Dois nos telhados — rifles de precisão apontados para o centro da praça.
Dois entre a multidão — camuflados como turistas, com pistolas automáticas sob os casacos.
E dois seguindo de perto o Cirurgião, como cães de guarda.
Spectropool não hesitou.
Num movimento rápido, ela deslizou por trás de um painel de publicidade e puxou o par de metralhadoras curtas presas nas costas.
Fechou os olhos por meio segundo.
A multidão andava. As luzes dançavam.
Então ela surgiu.
E o primeiro tiro estourou o silêncio.
O som ecoou como trovão nos corredores eletrônicos da Times Square.
Os dois atiradores dos telhados caíram primeiro.
Um perdeu o equilíbrio ao levar uma bala no ombro — caiu de lado e desapareceu da vista.
O outro foi alvejado na coxa, cambaleou e bateu contra a grade de proteção, soltando o rifle que caiu no meio da rua.
— “Dois a menos.”
— "SHE’S HERE!" — um dos capangas gritou, puxando a arma.
Ela girou no ar, atira primeiro na perna dele, depois no braço, desarmando-o antes que pudesse mirar.
Mas foi tarde.
O tiroteio começou.
Uma rajada de balas cruzou o espaço aberto da praça.
Uma das balas atingiu o letreiro de uma loja, estourando faíscas.
Outra atingiu a janela de um táxi, o vidro explodindo em direção ao motorista que gritou e acelerou para longe.
Uma senhora caiu no chão com uma criança nos braços, rolando para trás de um banco de cimento.
— “MOM!” — gritou um garoto, tentando correr até ela.
Spectropool sentiu o peito queimar.
— “Não era pra isso acontecer…”
— “Não foram suas balas.”
— “Mas agora é pessoal.”
Ela gritou algo em português — algo entre "Filhos da mãe!" e uma promessa de sangue.
Desceu de uma placa de LED com os dois pés sobre um dos capangas, quebrando a clavícula dele.
Girou sobre o corpo, usou-o de escudo contra os tiros que vinham da van estacionada.
Três tiros atravessaram o “escudo humano”.
Ela sentiu o impacto do sangue jorrando nos braços. Não parou.
Correu na direção da van. Atirando.
— "SHE’S GOT A MASK! KILL HER!"
Cinco balas vieram na direção dela.
Uma riscou o chão a centímetros do pé.
Outra passou rente ao ombro, arrancando um fiapo do tecido preto da roupa.
— “Por pouco, boneca.”
Ela saltou em giro, atirou contra os pneus da van, fazendo o veículo afundar de um lado.
O capanga que estava recarregando ali dentro levou três tiros no peito e tombou pra fora, como lixo jogado na calçada.
Explosão.
O tanque da van pegou fogo.
O calor subiu como uma língua de dragão pelo céu da praça.
Spectropool cambaleou um pouco — o ombro ainda doía.
Mas os olhos, por trás daquela máscara, só viam uma coisa.
O Cirurgião.
Ele estava fugindo por entre a multidão.
Protegido pelos dois últimos seguranças.
Eles atiravam em qualquer um que se aproximasse.
Um civil foi atingido na perna.
Um policial — que tentava ajudar — levou uma bala na costela.
A Spectropool viu o sangue manchar o uniforme azul.
Ela parou.
O mundo ficou mudo.
— “Eles não vão parar…”
— “Você tem que acabar com todos.”
— “Ou mais inocentes vão cair.”
Ela gritou. Não palavras.
Gritou como uma criatura ferida.
E disparou.
Atirou nos dois capangas que protegiam o Cirurgião.
O primeiro foi atingido na testa.
O segundo tentou fugir — mas recebeu uma sequência no joelho, depois no peito.
O Cirurgião escorregou no sangue de um deles, caiu.
Mas ainda respirava. Ainda rastejava.
Ela não correu.
Ela caminhou.
Com o sangue dela e dos outros pingando no chão.
Com as armas ainda em mãos.
A cidade assistia.
Do alto dos prédios.
Dos becos.
Dos celulares.
A sombra dela aparecia refletida nos telões ao redor.
Uma silhueta preta com listras brancas.
Como uma caveira viva andando entre os mortos.
E o Cirurgião…
Estava prestes a pagar.
O chão de Times Square ainda estava quente.
O fogo da van estalava baixinho, consumindo o metal.
Vidros estilhaçados, fumaça, gritos ao fundo.
O som de sirenes distantes… e ninguém se aproximando.
Porque ela estava ali.
A criatura mascarada.
Toda preta, com olhos brancos pintados como se a morte usasse maquiagem.
Spectropool caminhava lentamente entre os corpos.
Seis capangas eliminados. Um atrás do outro.
E o alvo, rastejando pelo concreto, arfava como um cão ferido.
Ela se abaixou.
O Cirurgião — Arthur D. Cartwright, o porco que comprava e vendia rins de crianças como quem vende joias — agora tremia.
Com o paletó rasgado, as mãos sujas de sangue, os olhos arregalados em puro terror.
— “W-we can talk. W-we can talk,” — ele tentava sorrir, mesmo cuspindo sangue.
— “I can give you money. You want money? Power? Friends in high places? I got those. Okay? Okay?”
Spectropool não respondeu.
Só virou a cabeça lentamente, em silêncio.
— “Ele tá tentando comprar o próprio fôlego.”
— “Deixa ele gastar saliva, depois arranca a língua.”
— “Vamos ver até onde vai a podridão.”
— “Okay. Okay. You don’t want money? Maybe... Maybe you want justice? I can help you. I got connections in law enforcement. Judges. You want someone punished? I’ll do it for you. I’ll do anything.”
Silêncio.
Ela apenas puxou uma faca do cinto,
Passou devagar pela lâmina, como quem limpa a alma numa lâmina de aço.
— “Please… please, just tell me what you want…”
Ela se aproximou. O Cirurgião recuou com os cotovelos, o rosto colado ao chão.
— “TALK TO ME!” — ele gritou, cuspindo ódio entre os dentes.
Ela ergueu a cabeça. O brilho dos olhos escondido na máscara era puro desprezo.
Foi então que ele mudou.
A máscara caiu.
O homem virou monstro.
— “You’re just a fing bitch in a costume. You think you scare me? Huh?
If you didn't have those guns, I'd rip you open and RAPE YOU until I cracked your skull—
I'd carve out your fing kidneys and feed 'em to pigs while you begged me to end it.
You think you're powerful?! You're NOTHING! Just a piece of BRAZILIAN street TRASH!
I should’ve sold you when I had the chance!”
As palavras cortavam como cacos.
Mas ela... não se moveu.
Nem piscou.
Só respirou.
— “É agora.”
— “Nada mais precisa ser dito.”
— “Vamos dar um show, baby.”
— “Não vai sobrar nada…”
— “Canta, meu amor. Canta pra ele.”
Então ela sussurrou. Devagar.
Frio.
Com a mesma calma que um carrasco acende o cigarro antes da execução.
—“Oompa Loompa… doo-ba-dee-doo…”
E BUM —
um tiro seco atravessa a mão esquerda dele, estraçalhando os ossos.
O grito que veio depois ecoou pela praça.
Ela não parou.
Pegou a faca e cortou brutalmente o pé direito, como quem abre uma fruta estragada.
O sangue espirrou quente no uniforme dela.
—“I've got a perfect puzzle for you…”
Ela girou o corpo dele com a bota, fazendo-o deitar de barriga pra cima.
E atirou três vezes.
— Um tiro direto na bola esquerda.
— Um na bola direita.
— E um no meio.No resto.
O homem nem conseguia mais gritar.
Era só um chiado.
Quase como se o corpo tentasse sair dele antes da dor.
—“Oompa Loompa… doo-ba-dee-dee…”
Ela o segurou pelos cabelos, com nojo.
A expressão não era mais de raiva. Era frieza total.
Desprezo absoluto.
Enquanto recarregava a arma com um clique metálico, pronta para o tiro final.
O tiro de misericórdia.
Mas ele não veio.
A arma voou da mão dela, puxada por uma teia branca que cortou o ar como uma flecha silenciosa.
E no mesmo instante, o corpo do Cirurgião foi erguido no ar, envolto em teias, como um casulo podre sendo arrancado do mundo.
A voz que surgiu era grave, direta, em inglês.
O tom não era de piada.
Era de aviso.
— "If you are wise, you'll listen to me."—Homem-Aranha.
Pendurado num letreiro luminoso, olhando diretamente para ela.
As luzes da Times Square ainda tremiam.
A multidão assistia.
E alguém, no meio do caos, gravava tudo.
A música.
A tortura.
A risada sádica.
A máscara preta da morte.
Oompa Loompa viralizou.
Spectropool viralizou.
A guerra começou.
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Ponto de vista: Homem-Aranha
Ele estava ali.
Pendurado na curva de um letreiro luminoso, a poucos metros do chão.
As luzes tremulavam, estalando faíscas ao seu redor.
Mas ele não piscava.
O olhar fixo naquela figura toda preta, mascarada, atravessando a praça como uma sombra.
Spectropool.
"So... it’s her again."
Peter segurava o corpo, tenso, calado.
Um ruído surdo da sirene ecoava ao fundo, mas abafado pelo sangue nos paralelepípedos.
"I’ve been tracking this guy for weeks."
"Organ trafficking. Children. Prisoners. Homeless..."
"...and she found him before I did."
Arthur D. Cartwright — o carniceiro com jaleco.
O Cirurgião.
Peter o viu cair. Rastejando. Gemendo.
Ele viu também quando a mulher se aproximou dele como um lobo cercando o corpo.
E então ouviu.
— “W-we can talk. W-we can talk. I got money. Friends. You want judges? Done. Cops? Yours. Please—”
"Shut up." — Peter pensou, o estômago embrulhado.
O homem cuspia promessas como bile.
E ela… não dizia uma palavra.
Mas as vozes dentro dela — mesmo sem som — pareciam falar alto naquele silêncio.
Peter prendeu o fôlego.
Aí veio a mudança.
A súplica virou ameaça. O homem virou lixo.
E a voz dele ganhou o tom do inferno:
—— “You’re just a fing bitch in a costume. You think you scare me? Huh?
If you didn't have those guns, I'd rip you open and RAPE YOU until I cracked your skull—
I'd carve out your fing kidneys and feed 'em to pigs while you begged me to end it.
You think you're powerful?! You're NOTHING! Just a piece of BRAZILIAN street TRASH!
I should’ve sold you when I had the chance!”
Peter fechou os olhos por um segundo.
A raiva tomou o peito como uma brasa escondida.
"I could kill him too."
"Right now. One web-snap to the neck..."
Mas não era assim.
Não podia ser assim.
Por mais que doesse.
Ele abriu os olhos a tempo de ver a figura dela se abaixar.
Devagar. Fria.
A mão esquerda do homem explodiu em carne quando o primeiro tiro veio.
E então...
A voz dela.
Baixa. Calma.
— “Oompa Loompa… doo-ba-dee-doo…”
O segundo tiro rasgou o pé direito.
O sangue espirrou como se o mundo tivesse sido cortado.
— “I've got a perfect puzzle for you…”
Três tiros. Um mais cruel que o outro.
Peter quase soltou o corpo da tensão.
Mas ficou ali.
Assistindo.
E quando ela ergueu o braço, recarregando a arma para o tiro final...
Ele agiu.
A teia saiu como uma flecha.
Arrancou a arma da mão dela.
A outra puxou o Cirurgião para cima, num casulo de nojo e carne pendurada.
E só então ele falou.
Frio.
Firme.
Do alto, pendurado entre as luzes de Times Square, com o sangue abaixo e o mundo assistindo:
— "If you are wise, you'll listen to me."
Os olhos dela se ergueram até ele.
E o mundo... prendeu a respiração.
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Ponto de vista: Spectropool
Ela o encarava.
Ele, pendurado num letreiro luminoso.
A teia branca ainda balançava, sustentando o pedaço de lixo humano que ela torturava segundos atrás.
Spectropool deu dois passos à frente.
Silenciosa. Letal.
— “Vai interferir sempre que eu fizer o que precisa ser feito?” — ela disse em português. A voz firme. Baixa. Cortante.
Peter piscou, confuso.
Não entendeu uma palavra.
— “Sorry… what?”
Ela arqueou a cabeça com leveza. Uma risadinha seca escapou de sua garganta.
— “You don’t speak Portuguese? Fine.”
Ela se ajeitou, o sotaque brasileiro carregado.
— “It’s Portuguese, idiot.”
Peter arqueou as sobrancelhas, surpreso por finalmente entendê-la.
— “Okay… now we’re getting somewhere. Look, I get that you’re angry. I do. But you can’t just kill people in the middle of Times Square—”
— “He no people. He garbage.” — ela retrucou, o inglês áspero, as palavras fora de ordem, como se o cérebro dela brigasse com a língua.
Peter hesitou.
Não foi só o que ela disse. Foi o jeito. A frieza.
— “Garbage or not… that’s not your call to make.”
— “Why not?” — ela avançou um passo.
— “He… rips girls. Organs. Kidneys. He sell. You want… justice? I give justice. I make him feel.”
— “Ele quer salvar o porco.”
— “O fofo não gosta de sangue.”
— “Awn, quer prender o Cirurgião? Com algemas cor-de-rosa talvez?”
— “Acha que a cadeia reabilita psicopata?”
Peter ficou tenso. O corpo do Cirurgião balançava, gemendo.
— “Listen. I’ve lost enough people to death already. I won’t let you add to that list tonight.”
Spectropool bufou, tirando uma faca da lateral do cinto.
As luzes da Times Square refletiam na lâmina.
— “Tarde demais, homem da teia…”
Ela jogou o corpo levemente pro lado, assumindo posição.
Peter ergueu o braço, ativando os lançadores de teia.
— “Don’t make me stop you.”
Ela sorriu, e então… disse uma frase rápida em português, sussurrada como um trovão:
— “Se prepara, desgraça.”
...
— “What...?” — Peter perguntou, confuso.
Mas já era tarde.
Ela pulou.
Peter se lançou para trás, soltando uma rajada de teia em direção ao peito dela. Spectropool desviou no ar com um giro apertado, aterrissando agachada sobre o letreiro luminoso, tão perto dele que podia ouvir a respiração sob a máscara vermelha e azul.
— "You fast," — ela murmurou em inglês, com sotaque pesado, se erguendo devagar.
Peter manteve os punhos erguidos, cauteloso.
— "And you’re way too comfortable trying to kill people."
— "Try? I already did ."
Ela avançou.
Peter saltou para o lado, desviando por centímetros do chute giratório dela. A bota rasgou o letreiro, faíscas estouraram no escuro como fogos de artifício. Ele respondeu com duas teias que prenderam o tornozelo dela, puxando-a. Spectropool caiu, mas rolou no ar e cravou um gancho no concreto para se firmar.
— "Esse pirralho é rápido. Mata logo."
— "Aí, se ele arrancar a máscara sem querer? Imagina o climão?"
— "Tô tremendo… imagina o beijo no meio da briga!"
— "Ele tem um corpo de pecador, mana…"
— "CALA A BOCA, TODAS VOCÊS!" — ela berrou em português, irritada. — "DEIXA EU LUTAR, CARAMBA!"
— "...What?!" — Peter arregalou os olhos, confuso.
Ela correu direto pra ele, corpo baixo, lâminas nas mãos. Peter bloqueou com os lançadores, desviou de um corte por um triz. Uma das facas rasgou a lateral da roupa dele.
Ele contra-atacou.
Dois tiros de teia na altura da cintura. Ela torceu o tronco, escorregando por entre os fios, depois deslizou por baixo dele e aplicou um chute nas costelas. Peter cambaleou, mas se agarrou a um poste com nova teia antes de cair.
— "Okay, you’re insane. Like, next-level insane."
— "Thank you. I try my best."
Ela puxou uma granada do cinto, ergueu com uma das mãos... e usou os dedos enluvados para destravar o pino com firmeza. Nada de dentes.
— "Smart boy deserves... fireworks."
Ela lançou a granada com força, mirando entre as pernas dele. Peter disparou para cima, as costas curvadas, sentindo a onda da explosão sacudir o ar atrás de si.
Luz. Fumaça. Cinzas brilhantes descendo como neve.
Peter respirava ofegante sobre a parede de vidro de um prédio. Spectropool subiu correndo pela lateral oposta, usando grampos de escalada.
O embate se tornou mais sujo, mais físico. Socos, facadas, teias. Cada um tentando dominar o outro, sem sucesso. Ela sangrava do braço. Ele com hematomas nas costelas.
Peter a empurrou com força contra uma placa de LED, mas ela girou no ar e caiu de pé como uma gata de combate. Ela tentou esfaqueá-lo na lateral, mas ele segurou o pulso dela no último segundo.
As máscaras estavam ofegantes. Os dois imóveis, travados.
— "Stop," — ele sussurrou.
— "Why? Tired?"
— "No. I’m just...."
—" 'Just...'what?"
—"I’m just....tired of losing people."
...
Ela hesitou.
Um segundo. Dois.
Peter usou o momento para se soltar e pular para trás, teia lançada para o alto. Mas dessa vez, ele não fugiu.
Ele foi até o Cirurgião — ainda pendurado, ensanguentado — e o envolveu em mais teia, como um casulo grotesco.
Spectropool arregalou os olhos.
— "Não. NÃO! O que você tá fazendo, seu filho da...!"
Peter correu com ele pelas paredes do prédio, saltando de um lado pro outro até alcançar as barricadas da polícia mais abaixo.
Ela ficou ali, sozinha, gritando para o vazio:
— "MERDA! VIADO! COVARDE! ESCROTINHO DA P*RRA! VAI TOMAR NO OLHO DO...!"
— "AAAAAAARGH!!! A gente devia ter atirado na bunda dele!"
— "Que ódio."
— "Tira o sangue, mas deixa a raiva."
O grito terminou, mas o gosto de sangue continuava na boca.
Ela virou de costas, bufando, cheia de fumaça nos pulmões e ódio no coração.
Empate? Talvez.
Ela cuspiu no chão, arfando.
As vozes estavam quietas agora. O tipo de silêncio que vem depois de um terremoto.
— “Você devia ter matado ele.”
— “Aquela última fala dele... Você ouviu, né?
— “Ele sabia. Sabia coisas. Coisas que nem a gente lembra direito.”
Spectropool se afastou do letreiro quebrado.
A raiva pulsava nos músculos.
Mas havia algo mais por baixo. Algo que ela não queria nomear.
Ela se virou, desceu do prédio como quem foge de um incêndio.
Não olhou pra trás.
Não podia.
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Ponto de vista: Homem-Aranha
Ele ficou ali, parado, encarando o casulo de teias preso nas barras de contenção.
Policiais armados por todos os lados, vans da SWAT, sirenes abafadas.
— “Spider-Man,” — um deles murmurou, tenso.
— “Thanks for the delivery... we’ll take it from here.”
Peter não respondeu. Só ficou ali, observando o rosto deformado do Cirurgião por trás da camada de teia transparente.
Lembrou das palavras.
"Just a piece of BRAZILIAN street TRASH."
"I should’ve sold you when I had the chance..."
O jeito como ele disse aquilo...
Como se já tivesse feito coisas piores com ela.
Como se já tivessem um passado podre, inconfessável.
Peter engoliu seco.
A Spectropool não era só uma maluca perigosa.
Ela era uma cicatriz ambulante.
E o Cirurgião... não era só um vilão. Ele era um monstro. E talvez parte do passado dela.
Peter virou o rosto, saltou sobre a van, desaparecendo entre os prédios.
Não pra procurar por ela.
Mas porque agora... precisava entender o que, diabos, ela tinha vivido.
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“Escrevi isso como quem respira depois de quase afogar. If you felt it... então cê me entendeu.”
– Vaioletew
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