SÓ PELA AUDIENCIA

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Summary

m romance que começou como estratégia e virou verdade antes que eles pudessem frear. Lia é carismática, vibrante, feita de glitter e frases motivacionais. Noah é ácido, discreto e viciado em ironia — o último nome que alguém imaginaria num casal de Instagram. Mas quando suas carreiras ameaçam afundar, surge a proposta perfeita (e maluca): fingir um relacionamento para engajar seguidores e atrair marcas. Um contrato. Três meses. Nada de sentimentos. Fácil... até o primeiro toque fora de cena. O primeiro beijo longe das câmeras. O silêncio que diz mais do que qualquer legenda. Quando o vídeo do contrato vaza e a internet descobre a farsa, tudo desmorona. O que era performance vira escândalo. Os dois são cancelados. E o que tinham de mais verdadeiro se perde no meio de filtros, likes e julgamentos. Mas e se, no meio da mentira, o amor tiver sido a única coisa real? "Só Pela Audiência" é um romance divertido, atual e emocionalmente honesto sobre amor na era dos algoritmos, contratos de fachada e verdades que não cabem em story de 15 segundos.

Status
Ongoing
Chapters
15
Rating
n/a
Age Rating
13+

Chapter 1


Lia se levantou do sofá e foi até a cozinha. Pegou um pote de sorvete e comeu direto da embalagem. Era a terceira noite seguida fazendo isso. E, pela terceira vez, se flagrou perguntando: como foi que tudo desandou tão rápido?

Ela havia construído uma imagem impecável: corpo natural, autoestima elevada, frases de efeito com filtro pastel. Mas bastou um término mal explicado com Lucas — o casal mais shipado do Instagram — para tudo ruir. Os fãs escolheram um lado. E não foi o dela.

— “Lucas postou um reels com legenda passivo-agressiva de novo”, disse Manu, com o celular na mão.

— “Qual foi o clássico desta vez?”, Lia murmurou, já cansada antes mesmo de ouvir.

— “‘Às vezes, o silêncio diz mais que mil reels falsos.’”

— “Poeta agora?”

— E com fundo de mar. Sabe, aquele slow motion dele saindo da água.”

Lia revirou os olhos. O algoritmo era cruel, mas Lucas sabia jogar.

Ela abriu o Instagram. Um novo comentário tinha centenas de curtidas:

“Não era você que pregava sororidade? Que tal começar não traindo o boy?”

Ela fechou o app. A última coisa que queria era provar que não o traiu. Explicar que foi ele quem terminou por mensagem. Que ele saiu do apartamento deles antes mesmo de ela voltar de uma viagem de campanha. Mas explicar significava expor. E expor significava perder a compostura. E perder a compostura... era inaceitável no mundo onde tudo precisava ser “curado” com positividade.

Manu sentou ao lado dela.

— “Lia, eu sei que você não tá bem. Mas a verdade é: se você não reagir agora, vai perder mais do que seguidores.”

— “Tipo... contratos?”

— “Tipo... relevância.”

Lia sentiu o impacto da palavra. Relevância era o oxigênio invisível dos influenciadores. Sem ela, não existia collab, publipost, convite pra evento. E Lia, no fundo, sabia que só existia para o mundo desde que se tornara visível. Ser esquecida doía mais que a traição.

Manu puxou uma aba no notebook e girou para ela ver.

— “Eu conheço um produtor. Trabalha com estratégias de imagem e reposicionamento digital. Ele tá com uma proposta maluca... Mas talvez funcione.”

— “Maluca como?”, perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— “Ele quer juntar você com alguém de outro nicho. Alguém que também tá em crise... E criar um relacionamento. Um casal inesperado. Dois opostos.”

Lia parou de mastigar o sorvete.

— “Você quer que eu finja um namoro?”

— “Sim. Só pela audiência.”