Prólogo
A dor ensina. A cicatriz guarda. O nome dele, eu enterrei junto com o meu passado. Ou achei que tinha enterrado.
Eu tinha dez anos quando aprendi que amor também sangra.
Meu pai não sorria. Ele treinava. Calculava. Matava. E quando me olhava nos olhos, não havia ternura — havia a expectativa de uma sucessora. Cresci com os joelhos ralados, dedos machucados, e uma cicatriz que ainda pulsa em noites de silêncio absoluto. Ele me dizia que o mundo era feito de predadores e presas. E que o meu destino era nunca sangrar por ninguém — só fazê-los sangrar por mim.
Mas mesmo um coração endurecido reconhece a própria ruína.
O nome Ragnar voltou como uma lâmina escondida no escuro. Um nome que meu pai respeitava. Ou temia. Um nome que sussurrava poder e punição.
Eu nunca imaginei que um dia olharia nos olhos dele. E que, em vez de ódio, eu sentiria algo mais cruel: curiosidade. Desejo. Reconhecimento.
Damien Ragnar não é só o chefe da máfia. Ele é o eco de tudo o que eu fui ensinada a destruir — e, ao mesmo tempo, tudo o que pode me quebrar por completo.
Agora, cada passo me leva de volta à parte de mim que jurei enterrar. E tudo que ele precisa fazer… é me olhar.
Porque eu fui treinada para sobreviver a qualquer coisa.
Menos a ele.