Lobos - Encontro De Almas| Livro 01

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Summary

Lucian, o Alfa Supremo mais temido da história dos lobos, carrega consigo um terrível segredo conhecido por poucos. Durante séculos, viveu com a ilusão de que encontrar sua companheira traria alegria à sua vida, mas a chegada de Isabel, uma loba desagradável, mudou totalmente seus planos. Contudo, ao conhecer Aurora Havelle, filha do Alfa, na Alcatéia Lunares, a vida de Lucian toma um rumo inesperado. Seus olhos se encontram com os de Aurora, desencadeando um amor avassalador e possessivo, afastando todos que tentam se aproximar dela. Aurora Havelle, uma híbrida de loba e bruxa, decide voltar para a alcatéia de seu pai para a cerimônia em que o Supremo apresentará sua suposta companheira. Ao encontrar o magnífico e intenso olhar dourado de Lucian, seus sentimentos se tornam confusos, e sua vida vira de ponta cabeça ao tentar lidar com a obsessão do Supremo. Lucian fará de tudo para ter Aurora ao seu lado, enquanto ela luta contra o desejo ardente e o amor avassalador que a consome por seu Supremo. O passado ressurge, unindo as peças do quebra-cabeça de suas vidas de maneira inesperada.

Status
Ongoing
Chapters
5
Rating
n/a
Age Rating
18+

Capítulo 01

Um ano antes da cerimônia de apresentação da Luna Suprema...

Lucian, o Supremo Alfa, viveu por muito tempo em busca de sua destinada, sua parceira, sua outra metade. O lobisomem cruel e sanguinário sabia que algo estava faltando em sua vida, algo que ele não conseguia explicar completamente, mas que lhe causava um grande mal-estar. O desespero por não encontrar sua prometida começava a atormentá-lo de tal maneira que sua natureza amaldiçoada dava indícios de que iria dominá-lo de uma vez por todas. Lucian acreditava firmemente que, ao encontrar sua companheira de alma - uma bênção que os deuses concediam a todos os seus filhos - sua vida ganharia um novo sentido.


O Supremo vivia em um palácio junto aos seus dois betas, Romeu e Felipe; Lídia, uma bruxa de sua confiança; e Alma, uma loba que o acompanhava desde seu nascimento. Apesar dos títulos, eles eram uma família, tendo perdido seus pais em uma guerra e vivendo como irmãos. Alma cuidava dos quatro como se fossem seus filhos.


Ao perceber o desespero de seu líder e também irmão - não de sangue, mas isso não fazia diferença para as pessoas daquele palácio - Lídia, a bruxa de cabelos ruivos e cacheados, sugeriu que Lucian convocasse todas as mulheres do reino que ainda não haviam encontrado seu companheiro para comparecerem a uma cerimônia no palácio.


A bruxa acreditava firmemente que uma delas seria a companheira de Lucian. A ideia foi bem aceita e os convites - ou melhor, as ordens - foram enviadas para cada alcateia, exigindo que todas as mulheres, independentemente de sua espécie, comparecessem à Lua Negra, a alcateia do Supremo Alfa.


Na tarde do dia seguinte à ordem, a movimentação dos criados organizando a cerimônia estava intensa, e Lucian contava os segundos para a chegada das moças.Tantas mulheres apareceram em Lua Negra que a família de Lucian, por um momento, imaginou que nenhuma dama do reino havia se casado ainda. Depois de um tempo, chegaram à conclusão de que a maioria ali havia deixado seus parceiros simplesmente por ter outros interesses, como ganhar o título de Luna Suprema.


- Onde está Lucian? - Alma perguntou, posicionando-se entre Lídia e os betas.


- Estou aqui. - Respondeu Lucian, caminhando ao encontro de sua família, que o aguardava no altar onde seu trono estava, sua aparência dominante fazia os criados correrem de medo.


Lucian era muito bonito, mas também assustador.


Era um final de tarde deslumbrante, o céu se transformava em um espetáculo de cores suaves e vibrantes. O horizonte foi presenteado pelos tons de laranja, rosa e roxo do crepúsculo. O sol se despedia lentamente, criando um cenário encantador.O local da cerimônia era um jardim exuberante, repleto de flores multicoloridas que exalavam perfumes suaves. Bancos de madeira adornados com tecidos delicados estavam estrategicamente dispostos, proporcionando um ambiente íntimo e elegante. No entanto, o ambiente rapidamente foi marcado pela presença de várias mulheres deslumbrantes, vestindo trajes impecáveis e exibindo joias reluzentes. Elas se reuniam ao redor, ansiosas e expectantes, aguardando serem escolhidas pelo Supremo Alfa, uma figura misteriosa e poderosa, objeto de desejo e interesse para todas elas.


O lugar estava impregnado por um ar de competição sutil, onde sorrisos falsos e olhares intensos revelavam as intenções ocultas por trás da beleza superficial. Enquanto isso, o céu continuava sua dança de cores, contrastando com a tensão sutil entre as mulheres que aguardavam Lucian escolher sua futura Luna Suprema. Todas tentavam exibir seus corpos e suas falsas delicadezas, mal sabendo que Lucian já tinha sua escolhida, e era apenas questão de tempo até ele lembrar o que o separou dela.


Lídia desceu a escadaria do trono com a lista de nomes das mulheres ali presentes e começou a chamá-las uma por uma para se aproximarem.


- Bianca, pertencente à Encantária, cidade das fadas, aproxime-se. - Disse Lídia, pronunciando o primeiro nome de sua enorme lista.


As fadas haviam se aliado ao Supremo quando o mesmo ocupou o lugar de Leon, seu falecido pai, e agora Encantária também estava sob o governo de Lucian. Segundo as lendas, antes que o Supremo declarasse que a cidade também pertencia ao seu reino, as belas criaturas aladas eram alvos fáceis de outras espécies que invadiam suas casas e as tornavam escravas.


Uma mulher esbelta com grandes asas coloridas e cabelos castanhos se aproximou, fazendo uma reverência.


- É ela? - Lídia olhou em direção ao trono de Lucian, onde o mesmo massageava as têmporas com os olhos fechados.


A fada o encarava com expectativa, mas ao vê-lo abrir os olhos e olhar para ela a analisando, a mulher desviou sua atenção para um ponto qualquer dali, pois não conseguia sustentar o olhar nos olhos dourados de Lucian.


Um silêncio perturbador se instalou enquanto esperavam sua resposta. Lucian continuava olhando para a mulher, nada impressionado, e então falou:


- Não.


Todos suspiraram juntos e a fada saiu dali, desanimada, enquanto as demais ficavam felizes, pois, por um pequeno instante, ainda poderiam se iludir com a ideia de se tornarem a Suprema Luna.


...


Cinco horas haviam se passado, e a família Suprema ainda permanecia no mesmo estado. A última mulher foi chamada, e assim como as outras, não teve sucesso. A família de Lucian se sentia exausta e frustrada ao perceber que a maioria das mulheres presentes não estavam verdadeiramente solteiras, mas sim interessadas no título de Luna Suprema.


____ Com certeza alguma mulher do reino resolveu não comparecer hoje. Precisamos descobrir quem foi. - Disse Romeu, um dos betas, ao perceber que se Lucian acreditasse que não tinha uma companheira, seria o fim para todos.


Lucian se levantou de seu trono sem dizer nada, pronto para se retirar, quando um grito fino e desesperado ecoou da escuridão da floresta. Sem hesitar, o Supremo correu em direção ao som, sua família seguindo atrás. Chegaram a tempo de testemunhar uma mulher de longos cabelos negros e olhos verdes prestes a ser morta por um caçador, a quem ela chamava de pai, entre súplicas desesperadas para que ele não a matasse.


Lucian farejou o ar e, em um rosnado, declarou olhando para a mulher machucada e jogada no chão:


____ MINHA!


O lobisomem avançou rapidamente sobre o caçador, estraçalhando-o sem piedade para salvar sua suposta companheira.


Algo estava errado, mas ninguém conseguia entender ainda. Era muito cedo para isso, mas o momento iria chegar.


...

Aurora...


__Tem certeza de que deseja estar presente na cerimônia do Supremo?__Vanessa perguntou, mantendo seus olhos fixos na estrada.


Meu nome é Aurora Havelle, uma híbrida de loba e bruxa. A perda de minha mãe, vítima de um assassino misterioso que nos persegue há séculos, ainda pesava sobre mim. Nossa relação sempre foi tumultuada, cheia de discussões, mas isso não diminuía a dor que sua morte causou.


Eu havia me formado recentemente em medicina e, desde o falecimento de minha mãe, sonhos estranhos me assombravam. Sonhava com uma mulher dando à luz, mas nunca conseguia ver seu rosto, que aparecia sempre borrado. Ao seu lado, havia sempre outras duas mulheres e um homem, que eu supunha ser o pai da criança. Todos com rostos que eu sentia conhecer, mas que também estavam borrados.


Estava a caminho da alcateia do Alfa Eric, meu pai. Nossa relação era forte, apesar da distância que se formou quando decidi estudar em outra cidade. Ele era casado com Lucinda, uma mulher extraordinária que, devo admitir, sempre me compreendeu mais do que minha própria mãe. Minha mãe, uma das muitas namoradas de meu pai em sua juventude, sempre me considerou um acidente. Meu pai, contudo, afirmava que eu era seu bem mais precioso.


__Eu tenho que ir. __ Eu respondi, quebrando o silêncio após um longo tempo.


Como filha de um alfa, eu estava atada às tradições, obrigada a estar presente em todos os eventos importantes da alcateia, mesmo contra minha vontade.


O Supremo havia escolhido a alcateia de meu pai para apresentar sua companheira, aproveitando sua vastidão para acomodar uma grande multidão. Acredito que a proximidade também foi um fator na escolha do local.


__Você sabe que, se não estiver bem, eu dou meia volta nesse carro agora mesmo e voltamos para o nosso apartamento. Dane-se quem achar ruim. __ Vanessa insistiu, sua voz carregada de preocupação.


Conheci Vanessa no primeiro ano da faculdade e, desde então, nos tornamos melhores amigas. Ela é uma loba solitária, ou pelo menos era, até que começamos a fazer companhia uma à outra. Vanessa sempre foi aquela amiga superprotetora e, desde que lhe contei sobre meus pesadelos, ela passou a cuidar ainda mais de mim, raramente me deixando sozinha. Confesso que seus cuidados têm sido o que me anima, especialmente quando não estou ocupada no trabalho.


__Eu sei__sorri para ela, reconhecendo sua lealdade.__Mas não quero decepcionar meu pai.__ Voltei a olhar para o vulto que a paisagem fazia conforme o carro se movimentava.


__Ele vai entender.__Ela disse, tentando me tranquilizar.


__Eu sei que ele entenderia, mas... eu preciso distrair minha cabeça.__Sussurrei, mais para mim do que para ela.


__Tudo bem. __ Ela concordou.


Senti o toque gélido de Vanessa em meu ombro, mas não ousei olhá-la, pois as lágrimas já se formavam em meus olhos ao me lembrar dos últimos acontecimentos em minha vida.


...


Vanessa dirigia em silêncio, ocasionalmente hesitando como se quisesse falar, mas se retraindo. O crepúsculo já se espalhava, pintando o céu com matizes alaranjados que realçavam a estrada ladeada pela vasta floresta. Ao longe, os muros de pedra antiga da alcateia Lunares surgiam, adornados por dois imponentes lobos de mármore azulado que sustentavam uma placa de bronze com o nome da alcateia gravado nela.


__Chegamos. __Disse Vanessa, trazendo o carro a um suave alto em frente aos portões de ferro.


__É...__suspirei __Chegamos.


Os guardiões da entrada, dois lobos atentos, aproximaram-se, farejando o ar. Ao me reconhecerem, fizeram uma reverência e abriram caminho. Os portões se moveram, e em segundos, a vista da alcateia que eu não via há tempos se revelou.


Crianças brincavam, pessoas conversavam, e jovens sorriam, mas a tensão era palpável. O assassinato de minha mãe havia colocado todos em alerta. Ainda assim, a alcateia se preparava para a cerimônia do Supremo Lucian, onde muitas outras se reuniriam. As regras eram claras: não desafiaríamos nosso supremo, especialmente sendo Lucian, o mais temido e cruel dos lobos.


Apesar de ser uma híbrida com milênios de idade, nunca o vi, nem tive a curiosidade. As histórias sobre Lucian o pintavam como um homem de beleza estonteante, mas igualmente intimidador. Eu preferia formar minhas próprias opiniões, embora os rumores sugerissem que, apesar de suas falhas, Lucian era um líder justo, permitindo que seu povo vivesse como desejassem, mesmo após a evolução. Era comum ver carros modernos dividindo as ruas com carruagens antigas, e muitos ainda preferiam os corvos correios aos celulares.


__Aqui é lindo.__ Vanessa comentou, admirando cada detalhe da alcateia.


Lunares era conhecida por sua beleza, uma cidade que harmonizava tradição e modernidade.


__Cuidado para não atropelar ninguém. __Brinquei, um sorriso se formou em meus lábios.


__Não seja palhaça!__ Vanessa riu, estacionando o carro em frente à casa onde meu pai e Lucinda nos esperavam, seus sorrisos acolhedores nos recebendo.


__Está pronta?__ Vanessa perguntou, sua preocupação era evidente mesmo em seu silêncio.


Eu hesitei. O peso da história familiar e os conflitos passados entre minha mãe e Lucinda me enchiam de uma vergonha silenciosa. Minha vida tinha sido uma tapeçaria de movimentos constantes, da Itália para cá, sem nunca ter um lugar para chamar de lar. Agora, após anos de ausência, eu estava de volta.


__Estou.__ Finalmente respondi, encontrando força em seu olhar solidário, e saí do carro.


__Filha! Como é bom ver você.__ Meu pai exclamou, me envolvendo em um abraço que parecia querer recuperar o tempo perdido. A última vez que nos vimos foi sob circunstâncias sombrias, no velório da minha mãe. Desde então, nossas conversas se limitaram a chamadas telefônicas diárias, mas nunca suficientes.


__É bom ver você também.__ Murmurei, encontrando conforto em seu abraço. Ele era a imagem da juventude eterna, com olhos azuis que espelhavam os meus e cabelos negros que contrastavam com os meus fios brancos herdados da minha mãe.


__Como está, querida?__ Lucinda se aproximou com uma gentileza que sempre me surpreendia.


__ Tentando sobreviver. __ Respondi com um sorriso, abraçando-a. Ela era a personificação da beleza, com cabelos loiros que caíam como uma cascata dourada e olhos verdes que lembravam esmeraldas raras.


__Como vai, Vanessa?__ Meu pai cumprimentou minha amiga, que observava nossa reunião com uma calma silenciosa.


__Muito bem, senhor Eric.__ Ela respondeu com uma reverência respeitosa.


__Você é uma moça bem educada.__ Lucinda elogiou, e meu pai assentiu com um sorriso orgulhoso.


__Vamos entrar.__ Ele sugeriu, nos guiando para dentro da casa que transbordava de memórias.


Ao cruzar o limiar, fui inundada por uma nostalgia avassaladora. Meus olhos se fixaram nas escadas, palco de inúmeras quedas infantis e lágrimas rapidamente esquecidas com o conforto paternal.


__Melhor vocês descansarem um pouco antes do jantar.__ Lucinda propôs, sua voz suave como sempre.


__É uma boa ideia. __ Meu pai concordou, envolvendo Lucinda em um abraço que falava de anos de amor compartilhado.


__Eu adoraria.__ Vanessa admitiu, sua voz trazendo-me de volta ao presente.


__Já preparei seu quarto, Aurora. Imaginei que prefeririam ficar juntas, acertei?__ Lucinda perguntou com um sorriso maternal.


__Acertou sim, obrigada.__ Eu disse, grata pela consideração.


__Então vamos deixá-las descansar. Aurora, preciso conversar com você mais tarde.__ Meu pai interveio, sua voz carregando um peso que eu não conseguia decifrar.


__Aconteceu alguma coisa?__ Perguntei, a preocupação brotando em meu peito.


__Não, não se preocupe. No jantar conversamos.__ Ele tranquilizou, beijando minha testa com um carinho que me fez ansiar por respostas que eu temia receber.


...