As jóias de jade
Estou na frente de um ogro, tentando o persuadir a me entregar cinco de suas joias de jade.
— Por que deveria te dar cinco das minhas preciosas joias? — o ogro me olhava de cima abaixo com seus olhos verdes e escuros e suas linhas de expressão exageradas.
— Simples, o rei Duarte quer muito reconstruir a ponte que junta as cidades novamente, e para isso ele precisa do máximo de joias possíveis — disse, enquanto torcia para ele não arrancar um pedaço do meu rosto com uma dentada.
Desde que as criaturas — de até agora não sabemos de onde — invadiram Zafra, o rei escolheu os melhores e mais astutos guerreiros de todo o reino. Por alguma razão, eu decidi que deveria tentar fazer de tudo para ser notada pela realeza.
— Qual seu nome, criatura astuta?
— Calistra Psyche. De Bolugo
Assim que eu falei, uma onda de arrependimento surgiu no meu corpo. Hoje acordei mais cedo para não ser notada por ninguém. Pedi ajuda ao meu melhor amigo para me levar até Aspen para uma negociação onde eu pedia jades em troca de serviços. Assim que cheguei uma mulher alta e magra - que até entanto não parecia perigosa- me ofereceu um gole de água e me disse para ficar na sala de espera pelo ogro mais velho da associação. Me considero muito esperta mais assim que coloquei a bebida na boca comecei a me sentir mal, mas pensei que era apenas o efeito colateral de medo que estava sentindo até aquele momento. Essa província sempre foi conhecida por suas estruturas pouco iluminadas e bem apertadas, mas definitivamente não estava esperando tamanha sujeira quando cheguei aqui mais cedo. Me surpreendi quando fui recebida com um copo de água então até o momento não tinha passado pela minha cabeça tamanho perigo
— Calistra Psyche.
Um ogro de no mínimo dois metros de altura entrou pela porta principal da sala de negociação de Asten.
A partir daí os efeitos colaterais do que com certeza era veneno começaram a aparecer
— Nunca aprendeu que não deve dar o seu nome a um ogro?
Na verdade eu sempre ouvi falar de todo tipo de criatura, principalmente dos ogros, mas aparentemente o calor do momento sempre ajuda o lado que não deveria ser ajudado nessas situações de vida ou morte. Nesse momento eu deveria agir de forma inteligente ou a inteligência seria lembrada de como é importante e seria ridicularizada por toda a Zafra.
—Aprender, lembrar, executar são coisas diferentes. — Quando falei me certifiquei que elas saíssem muito mais sufocadas do que pareciam de verdade.
Os ogros tem a incrível mania de carregarem a suas jóias dentro de um saco agarrado a perna porque acham mais “seguro” então eu me joguei no chão fingindo que o efeito do veneno estava agindo.
Na verdade esse veneno se chama “baço” e eu sei disso porque uma vez o Julian - um babaca que conheço- me deu para tomar dizendo que era água e como tínhamos feitos “ as pazes” eu aceitei em forma de protesto contra a guerra entre colegas mas é aparente que descobri que ele só queria que eu me sentisse mal e faltasse as aulas da senhorita Abigail. Ele tem esse nome porque é feito a partir do baço de uma ovelha, mas aparentemente acho que eles não tem conhecimento que ele não faz efeitos colaterais graves em uma pessoa. Não o suficiente para apagá-la.
Deitada do chão agarrei cuidadosamente o saco de jades e coloquei elas no meu sobre tudo o mais rápido possível, depois era fácil, só esperar a minha arma secreta aparecer enquanto fingia inconsciência.
Apertei uma pequena pedrinha que é feita de pequenas partículas de água que em contato com a pele humana liberta uma luz e quando dívida no meio pode ser um pedido de ajuda. Como fiz a ação muito rápido os ogros só riram e saíram para pegaram um grelha e uns temperos, amam um mortal para o jantar.
Um barulho estrondoso aconteceu e um buraco se abriu atrás da sala. Um homem de cabelos pretos e olhos cintilantes entrou na sala. Christian, o meu melhor amigo de infância.
Nós brincávamos juntos quando minha mãe saía para trabalhar em Valen, nas fábricas. Como o lugar é um século de distância, minha mãe me deixava com a vizinha e seu filho, e assim criei um grande vínculo com ele.
— Calis, você está bem? Ele me pegou em baixo da mesa. Abri um poucos os olhos.
Ele me olhava com os mesmos olhos de preocupação de sempre.
— Só um pouco de veneno — com a voz falha, consegui dizer. Na mesma hora com o estrondo os dois ogros voltaram. Cristian me deixou no chão e chegou perto de um dos ogros com uma flecha em uma das mãos
Christian, com um movimento rápido, pegou um dos ogros pelo pescoço na parte de trás, era muito ágil e estava instável.
— Se vocês não nos deixarem sair, o seu amigo vai perder a sua capacidade de falar. Falou de uma forma grossa e direta com a flecha colocada em seu flanco.
Uma coisa aprendi: os ogros são terríveis, mas respeitam muito as suas relações.
— Mesmo que saia agora, a sua amiga já está com os órgãos muito danificados.
— Não me importa o que a sua boca suja me diga, apenas nos deixe sair imediatamente. O ogro mais velho consentiu com uma das mãos, com isso ele o largou e correu até mim, me colocou em seus braços e saio pelo buraco enorme na parede que dava para uma ruazinha estreita e cheia de muco verde e um cheiro insuportável de lixo, ele me carregou até a carruagem, a mesma que me trouxe a umas horas atrás. —Tem noção do quanto estava preocupado? O que você tem na cabeça? Acha que vou atrás de vocês para sempre?
— Não, não acho.
Na mesma hora, retirei uma bebida preta de um frasco do meu casaco e ingeri. Eu sempre me preparo para tudo que pode acontecer e veneno com certeza é a coisa que mais me acontece por aqui.
— Eu também sei truques — disse olhando com os olhos vermelhos.
— Da próxima vez eu não vou vir até aqui.
— Mas claro que vai. Você jamais poderá me deixar em perigo. E outra, eu já sabia que isso aconteceria.
Mexi em meu sobretudo preto de couro e retirei cinco joias de jade da bolsa do casaco.
— Fez tudo isso por míseras cinco jades? Sabe que não é o suficiente para te aceitarem,né?
—Te aceitaram por ser homem e vir de uma família prestigiada.Vão me aceitar porque eu vou dar muito mais do que cinco joias.Posso ter dito isso, mas no fundo nem eu acreditava que poderia acontecer algo tão incrível comigo.
— Sei, sei, diz isso faz três anos e até agora só conseguiu vinte jades. Podem ser raras, mas precisam de muito mais. E ainda: eles aceitam pessoas até os dezoito. E você já tem dezessete. Não acha que se arrisca de mais para uma chance minúscula?
—Mesmo se só houver um por cento de chance, eu lutarei por esse um por cento. Depois disso entramos na carruagem. O resto da viagem até em casa foi um silêncio ensurdecedor.
Quando chegamos a Asten, Christian me deixou em casa onde a minha mãe esperava encostada na porta.
— Tem noção do quanto estava preocupada com você?
— Mamãe! — fui correndo abraçá-la e fui recebida com o abraço apertado. — Você sabe que estou ajudando Christian com as cargas.
Odeio mentir para ela, mas isso é por ela. Minha mãe nunca aceitou o meu sonho, e de certa forma eu a entendo. Isso é muito perigoso e exatamente por esse motivo sempre penso em cada detalhe das minhas viagens.
— Eu sei, mas Julian disse que você estava lutando com ogros por jades. Que ridículo, não é?
Desde que me conheço por gente, Julian e eu só não saímos no soco porque claramente eu perderia. Eu e ele sempre lutamos por tudo: comida, assentos, respostas, notas e principalmente força.
— Esse babaca — disse em voz baixa.
— Não se preocupe com o que o idiota do Julian diz, mamãe.
Dei um abraço apertado nela e entramos dentro da casa. Bom, fazenda. Subi para o meu quarto. Ele ficava no último andar do celeiro. É frio no inverno, mas espaçoso o suficiente para esconder evidências.
Juntei todas as jades e desci para jantar.
O que eu não esperava era dar de cara com o maior monstro de todos: o Julian.
Ele estava com os cachos loiros caídos no rosto e com a mesma plenitude de sempre no olhar. Sem perceber a minha presença, pude dar uma cotovelada na sua cabeça real.
— Seu babaca, o que tem na cabeça para dizer à minha mãe que eu estava em Asten?
— Se não é a merdinha da Cristianzinha.
Com um empurrão, pude ver estrelas ao bater as costas no corrimão da escada.
— Nunca mais se atreva a me apunhalar pelas costas.
— Senão o quê? Vai me denunciar para o seu querido pai?
— Não, não. Você não vai bater no corrimão de uma fazenda caindo aos pedaços. Você vai cair de um precipício infinito de dor e sofrimento, querida.
Antes que ele pudesse continuar, a Merit chegou e viu nós dois nos encarando com um olhar mortal. A Merit é a fada que a minha mamã acolheu uns anos depois da invasão. Ela mora aqui em troca faz todas as tarefas com a supervisão dela.
— Desculpe interromper o que quer que seja isso, mas a senhora Jordânia está esperando para o jantar.
Empurrei ele com todas as forças e corri até a cozinha improvisada. Sentei à mesa com tanta rapidez que nem notei a presença da minha mãe na pequena sala.
— Cadê o Julian, Calistra?
— Deve estar pensando nas mil formas de me assassinar agora.
Como um sopro, ele se sentou ao meu lado.
— Olá, senhora Jordânia. Me chamou?
— Sim, preciso falar com vocês — disse ela com seus grandes olhos fixados em Julian. — Falei com seu pai hoje cedo.
Tinha que ser.
— E chegamos à conclusão que está na hora de vocês casarem, e com isso fizemos um acordo. Você e o Julian não vão à campanha. Vocês vão a Nago juntos e vão acabar os estudos no castelo do rei. Em Nago, as pessoas que tiveram os melhores resultados nos estudos são prometidas as melhores famílias das mais alta elite porque com notas e com com certeza um bom comportamento tem uma chance de ser quase cem porcento se conseguirem um bem emprego, como líder, guardas, guerreiros( claro que não tem a mesma importância da campanha), médicos de elfos, duendes e etc. eu entendo o porque dessa ideia maluca e também sei que mesmo o odiando ele queria ir para a campanha tanto como eu.
— O quê? Por que não? Se isso…
Ela me interrompeu com um suspiro.
— Se não aceitarem, podem ficar aqui e se casarem.
— Mas isso é terrível, mãe! Por quê? O quê? Você me odeia? Mesmo sabendo que isso não era verdade eu jamais pensei que ela podia pensar em me casar com alguém que eu odeio e que com certeza seria um péssimo pai e marido. Pode ter sido apenas palavras da boca para fora mas foras as palavras mais assustadoras que já escutei e foram essa palavras que me fizeram perder a cabeça e me forçaram a cometer algo que jamais faria.