Libertando fantasias.

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Summary

O que seria a arte de viver, se não fosse nada menos que a loucura? Quão entediante seria, se não fôssemos loucos? O insano é assustador e, ao mesmo tempo, excitante. Sempre foi notório meu tédio em coisas banais, como rotina; eu definitivamente acho um saco toda essa questão de ter que seguir regras para sobreviver. Até que quase vi a morte de perto - tão silenciosa e quente; era assim que eu a via. Mikhail Obolensky: ele me mostrou que a dor poderia me fazer sangrar e, ao mesmo tempo, me dar prazer. Ele me sujou de uma forma que nunca mais conseguirei esquecer e, mesmo assim, ainda o desejo.

Genre
Romance
Author
okkult
Status
Ongoing
Chapters
5
Rating
n/a
Age Rating
18+

Capítulo 1

Talvez eu nunca saiba dizer adeus ao passado. Insisto em carregar as marcas que me impuseram quando eu ainda não tinha plena noção do mundo. Seria masoquismo arrastar todas essas dores comigo, como se eu merecesse senti-las

A quem quero enganar? A dor sempre me levou ao ápice. Sou uma puta doente por masoquismo.

E ele me mostrou isso. Mas quem seria ele? Nunca pude admirar seu rosto; nunca vi sua face — sempre esteve por baixo daquela balaclava. Mikhail — esse era o seu nome — rondava todas as redes, canais e rádios. Para a cidade, ele era grotesco; para mim, despertava curiosidade: eu queria ver mais, decifrar aquele homem coberto de preto e uma balaclava.

Maldita balaclava.

Queria descobrir o que havia por baixo daquele tecido escuro. Que cor teriam seus olhos? Teria um rosto bonito, tão belo quanto sua voz? Ah — a voz. Tive o leve prazer de ouvi-la; seria exagero dizer que foi o som mais belo que ouvi em toda a minha vida? Porque, de fato, foi. Me peguei admirada, como diante de uma bela ária de ópera, ou como quem escuta o canto de uma sereia — ou seria Tristão?

Porra.

Que merda estou pensando? Esse homem foi a porra do meu sequestrador.

De fato doentio: depois de sete anos ainda me pego pensando naquele maldito. Isso. Maldito. Mantinha-me em cárcere por horas, privando-me até de saber quantos dias haviam se passado. Perguntava a todo momento se o sol já havia nascido ou se a lua já tinha dado seu beijo de despedida. Porra. Como eu odiava sentir-me presa e indefesa. Tudo porque ele foi burro o bastante para cair na fachada do meu pai. O que estava pensando? Que um rato do sistema seria leal? Achei que Mikhail fosse mais esperto; estou, de fato, decepcionada com sua burrice.

Procuro-me, concentrada, em encontrar alguma forma de chamar sua atenção. Estou há cinco anos à procura de trazê‑lo para mim.

E se, em vez de atraí‑lo, eu o pegasse para mim? Seria irônico, de certa forma.

Você vai cair, Mikhail, e eu te segurarei na sua queda — mesmo sendo eu quem a causará. Serei a porra da sua sequestradora, mas não lhe pedirei dinheiro. Pelo contrário: sua sentença será arrancar de mim o peso de ter fantasias tão escrotas e aterrorizantes. Porque tudo isso é culpa era culpa dele. É culpa dele!