Encontrar Alguém

All Rights Reserved ©

Summary

Um homem tímido e solitário se vê envolvido numa relação com outro homem durante uma convenção de agentes funerários num hotel em Las Vegas, o que o faz questionar se deve fugir ou finalmente se permitir amar.

Genre
Romance
Author
LexSilvas
Status
Complete
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

Encontrar Alguém

Encontrar Alguém

Lex Silvas

16/06/2018

Odeio essas viagens longas, odeio comida de avião, conversar com estranhos ou no meu caso ouvir por mais de duas horas uma senhora depois de me mostrar fotos dos seus netos e dizer como seu genro é um imprestável. Quase me faz querer que o avião caia e mate todo mundo. Eu sei que eu exagero as vezes, mas eu odeio ter que viajar só isso. Gosto de ficar no meu canto quieto, concentrado embalsamando cadáveres de pessoas que eu não conheço, sozinho com os meus pensamentos, ou com alguma música brega. O bom de ser um agente funerário é que seus clientes não enchem o meu saco nunca. Mas como é uma tradição, uma da qual eu não gosto, sou obrigado todos os anos a deixar tudo isso de lado e ir a uma convenção estupida de agentes funerários em Las Vegas, pra alguns uma ótima oportunidade de fugir da rotina, mas pra mim, como já deve ter dado para perceber, é um porre já que sempre fico enfurnado dentro do quarto de hotel e só vejo as luzes neon e reluzentes da cidade pela janela do quarto. O intuito de ir nessas convenções é o de escolher os nossos melhores fornecedores e socializar, coisa que eu faria muito melhor por telefone. Bom, socializar não é bem o meu forte, mas minha irmã e parceira de negócios que nunca vem nessas convenções, se convenceu de que é isso bom pra mim. Sair e conhecer pessoas novas, e que lugar melhor do que um lugar como esses, cheio de pessoas que segundo ela, tem os mesmos interesses que eu. Os agentes em sua grande maioria são pessoas velhas e cheias de piadas de mal gosto, todas envolvendo os membros sexuais de seus clientes, o que nunca tem graça, mas todo mundo ri por algum motivo do qual eu sinceramente desconheço. Pego as minhas malas na esteira, saio do aeroporto e vou atrás de um táxi, vejo um se aproximando na rua faço sinal, ele para, eu abro a porta e de repente um rapaz alto e forte com um casaco bege escuro passa na minha frente, me empurra com força, quase me fazendo cair e entra no meu táxi fechando a porta quase nos meus dedos. Antes mesmo que eu consiga dizer qualquer coisa, o filho da puta vai embora com meu táxi, e eu fico que nem um idiota sem entender direito o que houve. O próximo táxi passa e eu consigo pegar ele, estou muito puto com o que houve, fico repassando na minha cabeça eu dando um soco no cara que roubou o meu táxi, como se eu tivesse coragem pra entrar numa luta corporal. Nunca dei um soco na minha vida, mas apanhar eu já apanhei muito e mesmo assim não aprendi a me defender. Sou na verdade um grande covarde. Na recepção, eu faço o meu check in, a recepcionista mantém um sorriso forçado o tempo todo, pensei em socar ela também, mas isso seria errado, porque ela provavelmente subiria por cima daquele balcão e me encheria de porrada e me jogaria pra fora do hotel com uns 5 seguranças armados a tira colo. Ela me dá a chave do meu quarto que é um cartão magnético branco, eu subo até o meu andar, me tranco no quarto e me deito naquela cama grande, viro o meu rosto para a janela semi aberta com a cortina cobrindo somente metade e vejo a cidade totalmente colorida, o sol se pondo ao longe. E eu penso em como eu não queria estar aqui.

Depois de tomar um banho e fazer a barba, pra parecer mais apresentável, visto o meu terno “velho”, prometi pra minha irmã que compraria um assim que voltasse, ela insiste que eu compre outro já que esse eu tenho a uns 6 anos e raramente eu tenho que lidar com as famílias dos clientes, ela quem faz toda essa parte chata, eu só cuido dos mortos, ou o que sobrou deles dependendo de como morreram. Desço para o saguão onde um brandy está sendo servido, geralmente só vou lá como alguma coisa e volto pro meu quarto, tentando evitar conversas longas já logo no primeiro dia. Coloco meu crachá com meu nome destacado, antes de Entrar no saguão onde todos já estão lá, vindos de várias partes do pais, uma moça vem até mim com uma pasta e uma sacola com itens promocionais do evento. Me entrega uma agenda com o cronograma das palestras e diz pra que eu me divirta.

— Sean, seu filho de uma puta! Grita um homem ao me ver.

Eu me viro, tentando fingir que não é comigo. Mas ele se aproxima do mesmo jeito.

— George! Digo finalmente quando já não posso mais evitá-lo. — Que prazer revê-lo.

Não é não.

— Pensei que não viria, garoto. Não vi o seu nome na lista de confirmação.

— E perder a oportunidade da ter a sua companhia, nunca.

Agora eu sei que forcei.

George é do tipo de cara que vai em todas as convenções, todo mundo o conhece e por isso fica difícil se livrar dele, porque mesmo que você nunca tenha dito nada sobre a sua vida ele sempre sabe como tornar qualquer conversa em algo infinito.

— Venha garoto quero te apresentar algumas pessoas. Diz ele depois de me abraçar de maneira completamente desconfortável me puxando pelo ombro.

Ele me leva para um grupo de pessoas que estão bebendo e conversando sobre os altos valores das taxas dos cemitérios particulares.

— Pessoal olha quem eu encontrei. Diz ele os interrompendo sem a menor vergonha.

Todos me olham curiosos, eu acabei corando.

— Esse é um grande amigo meu! Sean. Diz ele com um sorriso.

E desde quando nós somos amigos? Eu pensei.

— Deixa eu te apresentar pro pessoal. Diz ele ainda com os braços ao meu redor. — Warren e Betty da funerária Repouso Feliz. Diz ele apontando para uns casais de idosos que me parecem simpáticos. — Jack da Jack e família. Meu filho Anton, você deve se lembrara dele e Eve da Eve-lasting. Um nome bastante criativo.

— É um prazer conhecê-lo. Diz a tal da Eve estando a mão para que eu a beijasse. Eu o fiz sem graça.

— Nos fala de você Sean. Parece tão novo pro ramo. Diz Warren.

— Não seja tolo. Corta sua esposa. — Eu comecei quando tinha 3 anos com meu pai, nunca se está jovem demais pra começar no ramo. Herdei a funérea do meu pai ainda no pós guerra.

Caralho isso deve ter sido na época das cavernas, o primeiro embalsamamento dela deve ter sido num dinossauro. Entenderam, porque ela é velha.

— Não tem muito pra saber sobre mim. Digo de maneira tímida.

— Todos tem uma história pra contar. Insiste Eve. — Tem esposa? Filhos?

— Eu e minha irmã compramos a funerária do meu tio antes dele morrer de câncer a uns 9 anos atrás , minha irmã tinha acabado de se separar do marido, queria começar uma coisa nova e acabou me convencendo a entrar nessa com ela. Respondo pra que eles parem de insistir. — Sem esposa ou filhos! Digo olhando pra Eve.

De repente um rapaz surge trazendo uma bandeja com shots de tequila.

— Agora nós vamos animar essa festa. Diz ele.

— Tom seu desgraçado, só você mesmo. Diz George para ele.

Só então percebo que se trata do mesmo cara que roubou meu táxi e me empurrou mais cedo, ele está usando o mesmo maldito casaco bege. Ele estava todo sorridente servindo todo mundo e então se virou pra mim com a bandeja.

— E ai não vai beber? Pergunta ele me oferecendo um dos drinks. – Lembre-se o que acontece em Vegas…

- Fica em Vegas. Gritaram todos em um uni sonoro coro erguendo os seus copos.

Eu abaixo a cabeça e faço com um gesto que não.

— Foi bom revê-lo George, mas eu vou voltar pro meu quarto, estou com um pouco de dor de cabeça. Digo me virando e indo embora sobre o protesto de todos eles.

O tal homem me segue pelo saguão e para bem na minha frente.

— Oi, eu som Tom Greeram da Green Gardens funerária. Acredito que não fomos apresentados ainda.

— Sean, Sean Willis da Céu iluminado.

— Pra onde você vai Sean, Sean Willis? Pergunta ele com um sorriso estúpido no rosto que eu quero esfregar no chão admito..

— Pro meu quarto, se você me der licença. Digo rude tentando passar por ele.

— Não sem antes beber um desses. Diz ele pegando um dos copinhos e me entregando.

Eu pego da mão dele e viro de uma vez, tento disfarçar a careta e me seguro pra não vomitar. Devolvo o copo pra ele e continuo andando.

— Ei! Espera. Diz ele mais uma vez se colocando na minha frente. — Eu acho que eu te devo desculpas.

— Desculpas? Pelo que seria?

Ele então se lembrava de mim, né seu filho da puta.

— Pelo que exatamente? Insisto me fazendo de ingênuo.

— Eu não deveria ter roubado o seu táxi mais cedo. Foi rude da minha parte!

Você acha?

— E me empurrado! Digo o lembrando.

— E definitivamente não deveria ter feito isso também. Mas honestamente, eu tive um dia daqueles, só queria chegar logo no hotel, e beber com os meus amigos pra desestressar. Você me entende né. Diz ele piscando pra mim. — Estou nesse ramo a muito tempo.

— Claro. Digo com um sorriso forçado.

— Estamos bem então?

— Eu preciso voltar pro meu quarto. Digo passando por ele e desta vez ele não em segue, graças a Deus.

Estou de volta no meu quarto, a TV está ligada no canal de compras e eu como besteiras que peguei no mini bar, nada além de um saco de batatas que espalhou migalhas por toda a minha cama e alguns doces que só servem pra sujar meus dedos. Meu celular toca, eu limpo as minhas mãos em um papel toalha que está em cima da cabeceira e depois atendo, é a minha irmã querendo saber como eu estou.

— Está tudo ótimo, Megan.

— Não minta pra mim. Diz ela do outro lado da linha. — Sempre sei quando você está mentindo. Aposto que nem saiu do seu quarto ainda.

— Eu sai. Digo sério.

— E não deve ter demorado nem meia hora.

— Combinamos que eu sairia e me socializaria, mas não por quanto tempo.

— Sean, sabe muito bem que esses eventos são pra isso, quantas vezes eu já te disse. Precisa socializar mais.

— Você me disse isso um milhão de vezes.

— E mesmo assim você não parece entender.

— E por que você nunca vem, já que gosta tanto? Pergunto com mais raiva do que gostaria.

— Me desculpa Sean por tentar seu uma boa irmã pra você. Quer saber ano que vem você quem sabe.

Ela disse isso no ano passado e no outro, ela sempre me faz sentir culpado e eu acabo vindo só pra não deixar ela chateada. Tô começando a achar que é fácil me manipular.

— Tudo bem, mana. Nós precisamos mesmo de um novo fornecedor de formol. Tem um cara de Illinois com quem eu posso falar.

— Tá vendo. Eu disse que você só precisa se enturmar. Tenho certeza de que vai acabar se divertindo.

De repente ouço uma batida na minha porta, olho pro relógio. Já passa da meia-noite, quem poderia ser.

— Serviço de quarto. Diz uma voz por trás da porta.

— Porta errada! Grito.

Minha irmã continua falando, mas eu não consigo prestar atenção nela. As batidas continuam e eu vou até a porta ainda com o celular na orelha. Abro a porta furioso.

— Eu não pedi nenhum serviço de quar...

— Surpresa. Diz Tom parado bem na minha porta junto com uma moça numa mini saia bem apertada. — E então não vai nos convidar para entrar.

— Eu preciso desligar.

— Quem está ai? Pergunta minha irmã no celular curiosa.

— Ninguém, não se preocupe. É só o gerente querendo saber da pia. Te ligo amanhã. Beijos.

Eles passam por mim como quem não querem nada.

— Quarto legal! Diz Tom tirando o casaco e o jogando sobre a cadeira.

— Eu preciso usar o toalete. Diz a moça que veio com ele indo direto para o banheiro e fechando a porta.

— Como conseguiu encontra o meu quarto? Pergunto. – Esse hotel tem mais de mil.

— Foi bem mais fácil do que eu pensei. Eu só tive que dar em cima da recepcionista, prometer um jazigo com um belo desconto pro avô dela, que está com câncer em fase terminal, não deve viver por mais de 2 meses e ela me disse onde eu poderia te encontrar.

— Podia ter ligado. Digo áspero.

— E estragar a surpresa. Diz ele mexendo no minibar e pegando duas garrafinhas de whisky.

Jogou uma em minha direção e abriu a outra. Bebeu de uma só vez.

Ele me olhou de cima a baixo, eu estou usando somente uma camiseta de regata azul e uma cueca samba canção branca, vejo que ele para o olhar sobre o meu pênis. Fiquei sem graça, coloquei as mãos na frente para me cobrir, comecei a tossir forçadamente. Ele continuou olhando mesmo assim por mais algum tempo.

— O que você quer aqui? Pergunto pegando a minha calça e a colocando.

— Eu queria me desculpar com você.

— Acho que você já fez isso.

— É, mas não conta, já que você não aceitou. Diz ele.

— E quem te disse que eu não aceitei?

— Você não disse que aceitava.

— E por acaso estávamos nos casando pra eu dizer que aceito?

Ele riu.

A moça sai do banheiro e vai em direção ao Tom.

— Entrega pra ele. Diz Tom com uma voz suave.

A moça vem na minha direção e me entrega um saquinho com um pó branco.

— Isso é cocaína? Pergunto segurando aquilo sem entender.

— A melhor que você pode conseguir aqui em Vegas, baby.

— Você deve tá de sacanagem. Digo irritado.

— De nada cara! Diz ele abraçando a moça. — Só vai com calma ela dá um barato rápido então espera pelo menos uns 20 minutos pra cheirar de novo.

— Eu não quero isso. Digo entregando na mão dele.

— Não seja um estraga prazeres. Diz ele balançando os ombros.

— Eu quero que os dois saiam. Agora!

— Qual é, mas nós acabamos de chegar.

— Você é louco Tom e eu quero você fora daqui.

— Pensei que você disse que ele era legal. Diz a moça se virando e indo para a porta.

— Onde você vai? Pergunta Tom pra ela. — Olha tudo bem, eu te entendo. A Shirley podia fazer uma dança exótica pra você. Ela é boa nisso. Te deixar mais relaxado, você precisa disso cara.

— Eu não vou pedir de novo, Tom, eu vou chamar a segurança.

— Eu vou cair fora. Não vou acabar sendo presa de novo por essa merda. Diz a moça abrindo a porta. — Você vem? Pergunta ela a Tom.

— Qual é, eu pensei que você estivesse aqui pra se divertir, é Vegas porra. Diz ele abrindo os braços.

Eu suspiro pesado, estou com tanta raiva. Pego o casaco dele e o jogo em sua direção, ele o agarra quase deixando-o cair no chão.

— Eu vou, mas saiba que eu ainda não terminei com você. Você te fazer relaxar.

Ele caminha até a porta e os dois vão embora a fechando logo assim que passam por ela.

Na manhã do dia seguinte eu sai sem saber o que pensar do que houve ontem a noite. Fico imaginado se tratar de um pesadelo, daqueles que fazem você mijar na cama no meio da noite de medo. Vejo Tom saindo do elevador, ele está com dois cafés e vem na minha direção, penso em correr, mas eu pareceria mais estúpido do que aquele sorriso que ele sempre tem.

— E ai amigão. Dormiu bem? Pergunta ele ao se aproximar. — Te trouxe um café. Eu pensei o que melhor pra pedir desculpas por uma tentativa ruim de pedir desculpas sobre uma tentativa muito pior de pedir desculpas do que um bom café.

— Já pensou que talvez você devesse parar de se desculpar.

— E ai como eu me desculparia com você? Aposto que não pensou nisso.

Ele me entregou o café, eu o observo estranho. Ele continua sorrindo.

— O que você tem no café? Pergunto desconfiado.

— Leite e um pouco de açúcar! Responde ele sem entender.

— E?

— E os meus mais sinceros sinto muito por tudo.

— Obrigado pelo café, mas eu não tomo nada com cafeína e eu sou intolerante a lactose.

Era mentira, mas devia funcionar.

— Caralho, eu só faço burrada. Diz ele dando tapas em sua testa se chamando de idiota.

Eu suspiro pesado e continuo minha caminha pelo corredor, aperto o botão do elevador e o espero.

— Quais as palestras que você vai ver? Pergunta ele se aproximando novamente.

Eu o encaro sem querer responder.

— Eu posso te seguir pra descobrir. Insiste ele.

Eu suspiro ainda mais forte e reviro os olhos.

—Puckerman sobre as vestes adequadas e a do cara com o sotaque estranho sobre como lidar com as famílias dos falecidos. Respondo finalmente.

— Todas um verdadeiro saco. Vai querer beber depois delas com certeza.

O elevador chega e eu entro.

— Tchau Tom! Digo sem olhar para ele.

— Me encontra no bar do hotel depois que terminar. Grita ele ecoando pelo saguão.

A porta do elevador se fecha e eu o vejo sorrindo por entre as brechas. Eu me pego sorrindo sem querer; o cara, com certeza, só pode ser maluco. Não entendo porque ele só não me deixa em paz.

Não consegui me concentrar nas palestras, ficava pensando no Tom e naquele sorriso estúpido e no jeito como ele olhou pra mim na noite passada, direto pro meu pênis. Talvez ele só tivesse chapado, sei lá, sem saber direto onde se concentrar. Muito provavelmente ele tenha olhado sem querer. Porque ele olharia pra mim daquele jeito? O que ele quer comigo afinal? Não deveria estar me fazendo essas perguntas idiotas, mas quando me pego pensando em algo não consigo evitar, é como dizer pra alguém não pensar em elefantes violetas voadores e é só nisso que ela vai pensar nos malditos elefantes violetas. Mas que merda! Assim que acaba a última palestra, eu só quero ir direto pro meu quarto, me trancar lá e não atender a porta, mas tenho certeza de que o Tom acharia um jeito de entrar pela janela, ou até mesmo pelo ralo do banheiro. Eu vou pro bar só pra dizer pra ele me deixar em paz, é isso que eu vou fazer. Depois espero que tudo esteja resolvido

Eu vou até o bar do hotel, um lugar elegante com grandes vigas e uma música suave tocando de fundo, tudo muito clássico. Olho em volta e logo vejo ele, sentado no bar conversando com a Eve que conheci ontem. Acho que ele acabou de pegar no peito dela. É melhor eu ir embora antes que ele me veja.

— Ai está ele! Grita Tom por sobre o seu ombro.

Eu o olho sem graça.

— Não estava indo embora estava? Pergunta ele me olhando.

— Na verdade eu estava! Respondo. — Eu to cansado e…

— Besteira! Diz ele se levantando e vindo em minha direção, ele me segura pelo braço, o que me faz olhar pra mão dele, grande e grossa me apertando gentilmente, tento disfarçar que gostei do jeito como ele me segurou.

Ele me puxa e me faz sentar na cadeira, arrasta uma e se senta com as costas dela virada pra seu peito, que fica apertado sobre ela.

— Estava justamente falando de você pra Eve. Diz ele.

Antes ou depois de você pegar nos peitos dela?

— Sobre mim? Pergunto surpreso.

— Sim, dizíamos que você precisa relaxar, curtir a viagem. Não é bom pra você estar sempre rodeado de pessoas mortas. Diz ele.

— Parece minha irmã falando. Digo sem graça.

— Sua irmã parece ser uma pessoa muito sábia. Diz Eve bebericando seu Martine.

— Eu nem saberia por onde começar. Digo sem jeito. — Talvez seja melhor eu voltar pro meu quarto.

— Nem pensar! Diz Tom ofendido. — Eve eu vou precisar da sua ajuda. Diz ele se virando pra ela dando uma piscada. — Você só sai daqui se for bêbado. Diz ele agora me olhando nos olhos.

Ele sobe na cadeira e chama a atenção de todos.

— O que você tá fazendo? Pergunto envergonhado.

— Eu, Tom Greeram, da Green Gardens Funerária juro por este... Diz ele se virando pra trás e pegando das mãos de Eve uma garrafa de vodca. — Pelos poderes me dado por essa garrafa de Absolut, que eu vou te embebedar Sean Willis da Céu Iluminado funerária, nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida.

— Eu não sei. Digo rindo do tom sério dele. — Eu sou meio fraco pra esse negócio de bebida.

— Eu te amarro nessa cadeira se for preciso. Diz ele apontando pra mim. – Não me obrigue.

— E eu te ajudo. Diz Eve. – Tenho até a corda.

Uma moça se aproxima de nós e pede pra que Tom desça da cadeira imediatamente. Ele pede desculpas e desce quase caindo. Fazendo eu e Eve rir da situação.

As horas passaram rápido e eu perdi a conta de quantos drinks eu bebi, sério, toda vez que eu dizia que devíamos parar, Tom fazia outro discurso e nós tínhamos que beber mais, só pra que ele parasse. Eu mal consigo me manter de pé, tudo ao meu redor gira. Tom se oferece pra me ajudar a chegar no meu quarto, como se ele não estivesse tão bêbado quanto eu. Nós riamos e tentávamos não tropeçar em nada, mas acabamos caindo e levantando tantas vezes que parecia pra quem visse de longe que era assim que andávamos realmente. Tom me segura pelos braços, posso sentir ele me apertando e seus dedos em volta de mim. Paro de rir quando de repente sinto um enjoo, me solto dele e me viro para um vaso perto do elevador, vomito tudo, aperto tanto a barriga que parece que meu estomago quer vir junto com toda aquela tequila, vodca, energético e tudo mais que eu misturei essa noite. Tom passa a mão nas minhas costas de maneira gentil, acho que ele só quer mostrar que está ali.

— Você é o meu melhor amigo no mundo Tom. Digo assim que consigo parar de vomitar.

— Vamos, o elevador já chegou.

Entramos no elevador e eu me escoro na parede, minha visão está um pouco embasada por conta das lágrimas que saíram enquanto eu vomitava igual à menina do exorcista na pobre coitada daquela planta. Tom está no outro canto parado tentando manter os olhos abertos quando consegue percebe que eu o observo.

— Para de me olhar assim seu pervertido. Diz ele me dando um tapa no ombro.

Eu me desencosto da parede e vou até ele pra tentar devolver o tapa, mas não consigo acertá-lo, e ainda por cima quase caio. Ele se coloca na minha frente pra que eu caia sobre ele. Eu fico com a cara encostada no peito dele, eu deveria me afastar, mas não consigo, então afundo meu rosto mais nele. Passo minhas mãos por trás dele e o abraço.

— Tudo bem com você, cara? Pergunta Tom sério.

Eu não respondo nada e começo esfregar minhas mãos em suas costas devagar. Levanto o meu rosto e olho para o Tom, engulo seco, tentando criar coragem e então o beijo de leve nos lábios.

— Opa,cara! Que porra é essa? Pergunta ele me empurrando.

Eu fico sem reação. O que porra que eu to fazendo?

— Me desculpa, Tom. Digo sem graça, sem conseguir olhar para ele. Encosto-me no canto de costas pra ele. — Não é nada disso que você está pensando, eu só bebi demais.

— Olha, eu... Diz ele gaguejando. — Eu não sei como te dizer, mas...

— Não diz nada. Isso não foi nada. Digo ainda de costas sem conseguir olhar pra ele, estou tão envergonhado.

A porta do elevador se abre e eu desço sem olhar pra trás me apoiando na parede enquanto caminho.

— Não precisa vir, eu sei me virar. Digo quando percebo que ele está saindo também.

Procuro o maldito cartão no meu bolso para abrir a porta. Ele está enroscado na calça começo a puxar ele pra tentar tirá-lo, mas ele não quer sair. Quando consigo começo a tentar passar para abrir a porta, mas não acerto o maldito lugar de passar essa merda.

— Deixa que eu te ajudo. Diz Tom, que não me obedeceu e saiu da porra do elevador.

— Não precisa! Digo o empurrando. — Eu me viro, pode deixar. Digo sério agora só querendo chorar.

Ele volta a tentar pegar o cartão e eu o empurro de novo. Ele volta e dessa vez é mais agressivo, consegue tirar o cartão da minha mão eu então dou um soco na cara dele. Ele geme de dor, percebo que um pouco de sangue começa a sair de sua sobrancelha, ele limpa com a mão e me olha com raiva.

— Tom eu... Digo, mas ele me agarra e me dar um soco bem no meio da cara.

Eu tento me proteger colocando os braços para cobrir o meu rosto e então caio no chão, começo a chutar a canela dele e ele acaba caindo também, no chão eu tento dar um soco nele, mas ele se esquiva. Ele segura os meus braços quando eu tento de novo, e prende minhas pernas entre as dele pra que eu não o chute.

— Que porra você acha que está fazendo? Grita ele.

Eu então começo a chorar. Ele percebe que eu começo a me debater pra tentar me soltar, ele afrouxa as pernas e solta os meus braços, eu me levanto e acabo caindo de novo só que desta vez sentado. Encosto minhas costas na parede e escondo o meu rosto sobre as minhas pernas e continuo chorando.

— Ei! Diz ele se sentando na minha frente do outro lado do corredor.

— O que porra está acontecendo aqui? Pergunta um outro hóspede, um Senhor que veste um robe dourado e uma cueca samba canção.

— Nada. Nada! Diz Tom fazendo um gesto com a mão pra que o Senhor volte para o quarto.

— Eu vou chamar a gerencia se vocês não pararem. Diz o tal Senhor voltando para o seu quarto e fechando a porta raivoso.

Tom e eu estamos sem folego por causa da briga, por isso ficamos em silêncio.

— Eu quero ficar sozinho. Digo finalmente conseguindo olhar pra ele.

Ele balança a cabeça e dá um leve sorriso. Se levanta calmamente e passa o cartão destrancando a porta, estende a mão e me entrega ele, eu o pego. Ele começa a caminhar até o elevador, eu me levanto ainda cambaleando, entro no quarto antes que Tom se vire. Fecho a porta e me jogo na cama onde desabo e choro até pegar no sono.

Acordo, nem sei que horas são. A dor de cabeça está me matando, estou todo machucado, com pequenos cortes nas mãos, nas costas e na cabeça, o rosto inchado, acho que nem todos os hematomas tenham sido por causa da briga, afinal eu cai umas dez vezes antes de conseguir chegar no quarto. Me levanto para tomar um banho, tirar o gosto azedo de bebida e vomito que fica na boca quando a gente acorda depois de uma noite de bebedeira. A água do chuveiro faz com que eu sinta cada corte por menor que seja no meu corpo, a dor é tolerável comparada com a dor de ser rejeitado por ser idiota o bastante pra achar que alguém iria querer me beijar. Não deveria ter feito isso com o Tom, não deveria nem ter pensado nisso. Nunca tinha beijado outro homem antes, não que eu não quisesse. É só que, nunca tive coragem, nunca tinha agido assim, tão impulsivo, tenho certeza que foi por causa da bebida. Disse que eu era fraco pra essas coisas, eles devia ter me ouvido. Estou tão envergonhado. Preciso sair daqui, ir embora desse hotel e nunca mais voltar. Depois do banho, eu faço curativos em mim e começo a arrumar as malas, não posso ficar aqui nem mais um segundo e se o Tom tiver contado o que houve para os outros, eles vão rir de mim, me achar um pervertido, vão me fazer sentir pior do que eu já me sinto. Mas que merda eu fiz?

Arrumo as malas de qualquer jeito mesmo, saio pela porta arrastando elas. Parece que uma das malditas rodinhas está travada, não quero perder tempo com isso então prefiro me virar desse jeito, quando estiver no táxi a caminho do aeroporto eu penso se concerto ou não. Entro no elevador e vou até a entrada principal, lembro que preciso fazer o check out, não posso simplesmente sair pela porta da frente como um fugitivo qualquer. Me viro e dou de cara com o Tom, ele me olha com um sorriso torto.

— Eu preciso passar. Digo com a cabeça abaixada sem olhar pra ele.

— Espera, pra onde você vai? Pergunta ele ao perceber que eu estou com as minhas malas.

— Isso não é da sua conta. Digo com raiva passando por ele.

— Uou... Espera um pouco ai Sean. Você precisa me explicar o que tá acontecendo aqui?

— Olha eu sinto muito pelo que houve... Digo me virando pra ele e cochichando pra que ninguém mais no saguão ouça. — Eu estava bêbado, e eu não sou assim.

— Não precisa se desculpar, cara. Essas coisas acontecem.

— Beleza então. Digo me virando e indo em direção à recepção.

— E você simplesmente vai embora.

— E o que mais eu deveria fazer?

— Agir como uma pessoa racional, pra começo de conversa. Diz ele.

— Eu estou sendo racional.

— Não está não. Diz ele me segurando pelo braço. — Será que a gente pode conversar sobre o que houve como duas pessoas civilizadas.

Me surpreendeu ouvir ele falando assim em um tom mais sério do que o comum.

— Não precisamos conversar sobre isso. Digo com raiva. — Eu já me desculpei. Isso não basta.

— E por que você tá com raiva de mim?

— Não estou com raiva, não seja ridículo.

— Se eu estou sendo ridículo, imagina você agora. Retruca ele.

Eu não soube o que dizer.

— Estamos fazendo uma cena ridícula aqui isso sim, Sean. Melhor irmos pra outro lugar pra podermos conversar.

— Olha Tom, eu sinto muito pelo que houve. Foi estúpido. Eu vou embora pra minha casa e você pode ficar despreocupado porque eu nunca mais vou voltar pra cá. Então, sei lá vai fazer o que você achar melhor…

Ele então faz a coisa mais surpreendente que já me aconteceu, ele me agarra e me taca um beijo, na frente de todas aquelas pessoas, no meio da porra do saguão do hotel, eu fico imóvel, em choque, sem saber o que fazer. Eu não tenho nem forças pra afastá-lo, mesmo que só tenha sido um pequeno beijo eu senti faíscas. Meu corpo além de congelado estava em chamas, não sei se poderia descrever de outro jeito, nem que minha vida dependesse disso.

— Será que agora podemos ir pra outro lugar? Pergunta ele meio que me puxando pra gente sair dali logo.

— Que porra foi essa? Pergunto confuso olhando para os lados pra ver como as pessoas ao meu redor reagiram ao ver aquela cena, e pra minha surpresa, ninguém estava nos olhando, pelo menos não diretamente. Não que não tenham percebido dois homens adultos se beijando num saguão de hotel, mas parece que ninguém de fato pareceu se importar.

Será que isso é algo comum aqui em Las Vegas, as pessoas simplesmente se beijam e ninguém diz nada? Eu não sei nem como eu deveria me sentir sobre isso.

Tom me leva pro elevador e eu ainda estou atônito, sem conseguir acreditar no que houve. Eu olho pra ele e ele me parece estar se divertindo muito com tudo aquilo.

— Por que me beijou? Eu pensei que…

— Você não parava de falar, eu quis fazer você parar! Responde ele. — E também porque eu gosto de você, de uma maneira estranha. Talvez seja essa sua timidez, sempre se encolhendo como um bichinho assustado. Continua ele sorrindo.

— Eu não te entendo, isso é algum tipo de piada.

— Não é piada.

— Então o que? Você gosta de mim e me bate por ter te beijado. Digo com muita raiva olhando direto pra ele. — Quem porra faz isso? Qual é o seu problema?

— Pra começo de conversa você quem me bateu primeiro lembra. Eu só agi por impulso. E segundo você tinha vomitado as tripas pra fora, acha que eu ia meter minha língua na sua boca e lamber o resto.

Eu fico sem saber o que dizer de novo.

O elevador chega no meu andar e eu fico encarando ele sem saber o que fazer, como se tivesse esquecido de como agir como um ser humano por um minuto ou dois.

— Damas primeiro. Diz ele fazendo um gesto com a mão pra eu ir na frente dele.

— Ah vai se ferrar! Digo saindo do elevador com raiva.

Ele ri.

Eu ando pelo corredor e paro na porta do meu quarto, olho pra ele e penso no que eu to fazendo. Quer dizer, o que ele veio fazer aqui no meu quarto? Por que ele me trouxe de volta, justo pra aqui? Eu deveria mandar ele embora, não trazer ele pra aqui. Abro a porta e entro puxando a mala, deixo a porta aberta, pra que ele entre também. Eu deixo a mala no canto, e percebo que estou tremendo, com medo de estar aqui sozinho com ele.

— Quer beber alguma coisa? Pergunto me virando sem saber direito como agir direito.

Ele tira o casaco e o coloca sobre a cama.

— Só tem uma coisa que eu quero. Diz ele vindo em minha direção.

— Espera! Digo fazendo um gesto com a mão para ele parar. — Eu… não sei se devemos. Digo gaguejando pelo nervosismo.

— Está tudo bem Sean. Diz ele com um sorriso ainda vindo na minha direção.

— Eu não sei se é isso mesmo que eu quero. Digo andando para trás.

— Está fazendo aquela coisa de novo.

— Que coisa?

— A mesma que você fez no bar! Responde ele. — Está pensando demais. Só relaxa e deixa as coisas rolarem.

— Eu não sei se eu consigo, Tom. Eu acho melhor você ir.

— Não quer que eu realmente vá embora. Quer?

Eu não quero, claro que não, mas fico com medo de dizer isso em voz alta.

Ele se aproxima e está perto de mim agora, perto o suficiente pra que possamos ouvir nossas respirações. A dele parece calma como se estivesse no controle de suas emoções e a minha já deu pra perceber, está pesada com todo aquele caos que eu estou sentindo por dentro. Ele me olha bem nos olhos enquanto me envolve em seus braços.

— Eu vou te beijar agora, tá. Só relaxa. Diz ele.

— Tá. Digo passando a língua de leve nos lábios me preparando para o beijo.

Seus lábios tocam os meus e sua língua penetra em minha boca de maneira gentil, consigo sentir que ele está excitado, pois seu corpo roça no meu e aquilo me deixa louco, nunca antes fui tocado daquele jeito, não tentei resistir a nada daquilo. Nos beijávamos enquanto nossas cabeças trocavam de posição constantemente fazendo o típico balé do beijo de dois amantes apaixonados. Minhas pernas estão bambas, eu acho que desabaria se não estivesse em seus braços tão bem aconchegado. Esse é o melhor momento da minha vida. O beijo termina e ele me olha com um sorriso no rosto, quando percebe o quanto eu estou gostando de tudo aquilo.

— Eu escovei os meus dentes. Digo quase sem folego.

— Eu percebi. Menta realmente combina com você. Melhor do que vomito. Diz ele ainda sorrindo. — Quer que eu continue?

Eu não precisei nem responder essa pergunta, está nítido em meus olhos e em cada pedacinho do meu corpo que eu quero ir até o fim com ele, me entregar de verdade pela primeira vez pra alguém. Parece piegas eu sei, mas eu não saberia descrever melhor isso se não fosse assim.

Ele volta a me beijar e nós começamos a ir lentamente em direção a cama, onde nos jogamos sem nos largarmos, eu me deito sobre ele e passo minha mão por cima da calça sobre o pênis ereto dele. Ele puxa a minha camisa e a arranca de meu corpo, me sinto envergonhado, nunca gostei do meu corpo magrelo, ele por outro lado parece que gosta de malhar, coisa que eu nunca fiz.

— Deixa eu ver você. Pede ele me empurrando um pouco pra trás.

Eu curvo meu corpo de vergonha.

— Não tem muito o que ver, não acha? Digo sem graça.

— E essas manchas rochas? Pergunta ele. —Não fui eu quem fiz elas, foi? Se foi eu nunca me perdoaria. Diz ele alisando elas com as suas mãos ásperas.

— Se acha que tá feio devia ver o outro cara. Digo apontando pro machucado na sobrancelha dele.

— Ele mereceu, tenho certeza. Diz ele com enorme sorriso.

Ele continua olhando pro meu corpo.

— Para de me olhar, eu nem sou assim tão bonito.

— Você tá brincando, você é lindo.

— Não sou não.

— Acredite em mim. Eu vou te foder como ninguém nunca fez.

— E ninguém nunca fez. Digo com a cabeça baixa.

— Você não é… Quer dizer nunca...

— Ah não, eu já fiz, só não desse jeito.

Ele me olha com uma cara de supresa, e eu fico ainda mais sem graça. Ele então, levanta o seu corpo e me vira pra que ele possa ficar por cima de mim, segura os meus braços acima da minha cabeça e começa a beijar o meu peito, eu sinto cocegas, mas não quero que ele pare. Ele coloca a mão sobre a minha calça e a abre expondo o meu pênis ereto. Começa a me chupar sem soltar as minhas mãos, sinto seus lábios deslizando sobre o meu pênis e aquilo me deixa louco. Quero gritar, mas me acostumei a gemer baixo porque moro com minha irmã e qualquer barulho mais alto seria estranho demais pra explicar, mas então me lembro que estou bem longe de casa, não preciso mais me conter, solto gemidos baixos que aumentam gradativamente. Ele então para e vem me beijar novamente. Tira sua roupa de uma só vez, expondo seu corpo malhado, peludo e sensual. Eu passo as mãos sobre os cabelos em seu peito suavemente. Ele arranca minha calça e me deixa completamente nu sobre aqueles lençóis. Na verdade ambos estamos nus e toda a minha vergonha desaparece. Ele se deita sobre mim e me beija, minhas mãos deslizam pelo corpo dele, eu agarro sua bunda durinha e a aperto com força. Ele levanta minhas pernas, cospe em sua mão esquerda e esfrega sobre sue pênis duro enfia lentamente em mim, me fazendo contorcer de dor e prazer. Ele pede pra que relaxe e deixe ele me penetrar. Eu solto o meu corpo e o sinto me penetrar por completo. Ele mantêm um ritmo devagar, a dor que no começo parecia horrível, vai dando lugar ao prazer. Eu tento conter os gemidos por medo de parecer exagerado, mas não consigo por muito tempo. Eles começam a sair cada vez mais alto cada vez que Tom aumenta o ritmo. Eu peço pra que ele pare um pouco, mesmo tendo vergonha de pedir isso. Ele para e deita do meu lado.

— Quando quiser continuar é só vir. Diz ele um pouco sem folego.

Eu observo aquele corpo suado ao meu lado, seu pênis ainda ereto. Eu o pego em minhas mãos e começo a massageá-lo. Tom está adorando tudo isso. Subo em cima de Tom e volto a introduzir seu pênis sobre mim. Começo a cavalgar sobre ele, agora eu dito o ritmo, Tom coloca a mão sobre a minha bunda e me puxa pra cima e pra baixo com força. Eu retiro os seus braços de mim e os seguro por sobre a cabeça dele, e continuo com a minha cavalgada. Seguro o meu pênis e começo a bater uma. Um êxtase toma conta de mim, nunca tinha sentido tanto prazer assim na vida. Gozo sobre a barriga de Tom, me contraindo de prazer, as minhas pernas ficam bambas eu mal me contenho e dou um gemido alto. Tom então assume o controle novamente, me penetra com mais força até que ele também goza, dentro de mim me abraçando forte. Ficamos abraçados por um bom tempo, até que deitamos um sobre o outro.

Estamos deitados na cama, abraçados e completamente nus, nunca havia me sentido assim, completo. Como se o mundo lá fora fosse um enorme deserto e eu finalmente encontrei minha fonte de água.

— Está acordado? Pergunto com a cabeça encostada sobre o seu peito.

— Talvez!

— Eu gostei… Digo tímido. — Gostei do que fizemos.

Ouço ele rindo de leve.

— Obrigado!

— Não seja convencido. Digo rindo também. — Posso te fazer uma pergunta?

— Manda!

— Aquela mulher da outra noite. Digo rindo ao relembrar a cena. — A que me ofereceu cocaína, se lembra?

— Não vai me deixar esquecer isso não é?! Diz ele rindo.

— De onde você a conhece?

— Ela era só uma prostituta! Responde ele direto.

— Sério? Pergunto Surpreso rindo de nervoso. — E vocês transaram naquela noite? Pergunto agora mudando o meu tom para sério.

Ele começou a rir alto.

— O que é tão engraçado? Pergunto ainda sério.

— Eu contratei ela pra transar com você. Diz ele ainda rindo.

— O que? Mas por quê?

— Por que eu fui um babaca roubando o seu táxi daquele jeito, queria compensar as coisas com você.

— Com uma prostituta?

— Eu não sei o que eu pensei. Só não queria que você ficasse com raiva de mim. Se eu soubesse que era eu quem teria que subir na sua cama teria economizado 200 pratas.

Ambos rimos alto.

— Por que não quer que fique com raiva de você?

— Eu acho que é porque eu gosto de você, Sean.

— Gosta de que jeito?

— Eu não sei como explicar, eu só gosto. Você não é que nem esses idiotas daqui que só falam de morte o tempo todo.

— E como sabe que gosta?

— Eu sinto na porra do meu coração. Diz ele rindo irritado. — Você faz muitas perguntas.

— Só to curioso. Ninguém nunca disse que gostava de mim. Eu não sei como lidar com isso tudo.

— Sean eu gosto de você porque você me olha de um jeito que me faz lembrar como é bom estar vivo. Não espera que eu seja engraçado o tempo todo. Nesse ramo a gente vive cercado de tristeza e morte. Você acaba aprendendo a lidar com isso do seu jeito.

Ele me olha todo sério.

— Eu nunca fui tão honesto assim com ninguém. Fico a vontade contando isso pra você. Mais um motivo pra gostar de você, não acha?!. Continua ele.

— Eu gosto de você também Tom Greeram. Digo enquanto acaricio o peito dele.

Ficamos deitados ali por mais alguns minutos, até que eu sinto ele erguer o corpo quase se levantando por completo, mas ainda deitado.

— Que horas são? Pergunta ele.

— Não faço a menor ideia. Isso importa?

Ele pega o celular dele do bolso da calça que estava no pé da cama e olha a hora.

— Mas que porra, eu não acredito, preciso ir. Diz ele me largando e ficando de pé.

De costas pra mim fico admirando aquela bunda bonita e peluda dele, que ele a cobre com a calça rapidamente.

— Ir? Ir Pra onde? Pergunto confuso.

— A porra da palestra do Grey. Tinha me esquecido que é hoje. Foi só por esse babaca que eu vim pra esse evento. Diz ele se vestindo rápido.

— Não pode ficar mais? Eu quero ficar mais.

— Ah caralho! Diz ele me olhando com aquele sorriso idiota dele. — Eu sei o que isso tá parecendo. Que eu estou inventando uma desculpa para sair correndo por essa porta, mas não tem nada a ver com isso.

— Eu não disse isso.

— Sean é importante pra mim assistir essa palestra, o Grey é o equivalente ao Deus grego mitológico das funerárias. Meus lucros subiram em 30 por cento com os conselhos dele. Deveria vir também.

Odiava o Grey ele falava em como explorar a dor dos clientes mais idosos e arrancar mais dinheiro deles. Tudo é claro, no limite do que podia ser considerado legal.

— Não sei! Digo me espreguiçando na cama.

— Deixa de ser besta, se veste e vem. Diz ele amarrando os sapatos.

Ele me joga a camisa, mas eu a pego sem muita vontade. Ele me olha desapontado, e então vem até a cama e se deita em cima de mim, me beija de leve.

— Você vem comigo e depois a gente pode voltar pra cá e pedir serviço de quarto, e foder a noite toda.

— Que romântico. Digo mexendo no cabelo dele.

— Você, eu, meia lasanha, uma garrafa de champanhe e muito, mas muito sexo selvagem. Eu te prometo, vamos foder em todos os cantos desse quarto, até o Sol raiar, daí a gente fecha as cortinas e continua fodendo até que nos expulsem desse hotel por conta do barulho.

Eu sorrio sem mostrar os dentes.

— Me desculpa, mas esse é o mais romântico que eu consigo ser. Diz ele me fitando bem dentro dos olhos. — Meu pau, champagne e muita porra. O que me diz?

— Eu não poderia querer outra coisa.

— Negócio fechado! Agora se veste se não nos chegamos atrasado. Diz ele se levantando. — E guarde isso para mais tarde. Diz ele ao perceber que meu pênis estava ereto.

Eu o cubro com as mãos e começo a rir.

Descemos pelo elevador, eu mal consigo tirar as minhas mãos dele. Ele morde os lábios enquanto pede para que eu me controle. Eu e ele andamos lado a lado pelo saguão, o vejo cumprimentar algumas pessoas, olho para as mãos dele, quero tanto segurá-las, senti-las no meu corpo de novo, eu quero o Tom só pra mim. Chegamos ao auditório principal, que está cheio, Tom e eu nós sentamos e ficamos aguardando o começo da palestra, as pessoas vinham o tempo inteiro cumprimentar ele, Tom devia ser a pessoa mais carismática que eu conheci na vida. As luzes se apagam, pois a palestra já vai começar.

— Se comporte! Diz ele pra mim, pois deve ter pensado o mesmo que eu sobre nós dois naquele escuro.

A palestra começa e todos vibram com a entrada do palestrante, mas eu não consigo tirar os meus olhos do Tom, sua barba por fazer, seus olhos verdes que tem uma espécie de brilho, suas covinhas, aproveito a situação e deslizo minha mão e pego a dele, já que está escuro ninguém vai ver mesmo. Ele me olha surpreso, depois sorri e me manda um beijo. Passamos a palestra toda de mãos dadas, sentados lado a lado, como num sonho. Logo após a palestra, Tom teve a oportunidade de conhecer esse tal de Grey, ficou tão animado que nem disfarçava. Infelizmente o convite para conhecê-lo, só era pra ele. Tom tentou argumentar com a assistente dele, mas não houve jeito.

— Tudo bem, Tom. Digo para amenizar.

— Tem certeza?

— Claro. Sei o quanto isso é importante pra você. Vai lá!

— Me espera no bar, pode ser. Sugere ele. — Não vou demorar muito. Vou fazer umas perguntas, agi que nem um idiota, acabar sendo expulso de lá pelos seguranças.

— A porra toda, entendi. Digo rindo.

— Sim, a porra toda.

— Te vejo no bar, Tom.

— Caralho que vontade da porra de te beijar agora. Vai logo embora daqui antes que eu faça uma loucura. Diz ele sorrindo.

Ele espera eu me virar e como ninguém está nos olhando ele dá um tapa de leve na minha bunda.

Vou direto ao bar do hotel, tentando conter o grande sorriso que quero dar o tempo todo, me sinto ridículo com toda essa felicidade da qual eu não estou nem um pouco acostumado. Me sento no balcão e peço um bloody Mary. Olho pro meu reflexo no grande espelho no fundo atrás das garrafas no balcão, mesmo com o rosto inchado e um pouco roxo na altura do nariz, eu pareço bem, pela primeira vez na minha vida, e isso é muito bom.

— Ai está você, meu garoto. Diz um homem atrás de mim.

Eu me viro e vejo que se trata de George, o senhor de cabelos grisalhos que sempre é gentil comigo em todas as convecções que nos encontramos.

— Oi George. Como estão as coisas?

— Não podia estar melhor! Reponde ele se sentando ao meu lado. —Não te vi ontem, nas apresentações. Perdeu a Eve gritando com o meu filho no meio da dinâmica de grupo quando ele a deixou cair sem querer.

— Bem, é que eu andei meio ocupado.

— Eu sei. Diz ele pra minha surpresa.

— Sabe?

Ele ri enquanto pede uma cerveja preta para o barman.

— Preciso admitir, não imaginei que ele escolheria você. Perdi 100 pratas.

— Do que é que você está falando? Pergunto confuso.

— O Tom é mesmo uma figura, sempre nos surpreendendo.

Eu fico paralisado sem entender nada, acho que chego a ficar pálido. Será que ele sabe sobre eu e o Tom?

— Não sei do que você está falando. Digo engolindo seco.

Ele me olha e então percebe que eu realmente não fazia ideia do que ele estava falando.

— Você e o Tom estão juntos, não é. A Eve viu quando vocês se beijaram no saguão hoje mais cedo.

Eu gelo.

— Todo ano ele escolhe alguém pra ter um “caso”, algo que ele chama de romance de Vegas, nós apostamos em quem vai ser e eu podia jurar que seria com aquela mulher loira do meio Oeste, eu os vi conversando perto do elevador outro dia, mas parece que eu me enganei.

Eu fico sem palavras, sinto como se um caminhão acabasse de passar pelo meu peito, eu não consigo acreditar em nada daquilo.

— Eu preciso ir pro meu quarto. Digo quando finalmente consigo voltar a me mexer.

— Tudo bem meu garoto, o que acontece em Vegas fica em Vegas, não é mesmo. Diz George rindo e bebendo de sua cerveja.

Eu saio do bar sem olhar pra trás e entro no elevador, segurando as lagrimas ao máximo, pois não quero chorar na frente de estranhos, mas a coisa é outra quando entro no meu quarto. As lagrimas correm solta enquanto eu pego um abajur e o jogo no chão. Deito na cama e choro durante toda aquela manhã. Eu só quero me afundar naqueles lençóis que ainda tem o cheiro do Tom.

Mais tarde naquele dia, sou incomodado com batidas na porta, não quero me levantar, sei bem quem bate. Enfio minha cara no travesseiro pra tentar abafar as batidas, mas é impossível.

— Sean, você está ai? Pergunta Tom por trás da porta.

Eu não respondo.

— Está me deixando preocupado cara. Continua ele. — Olha eu sei que eu demorei um pouco, eu me empolguei conversando com o cara. Bebemos um pouco também, mas não é motivo pra me deixar aqui fora assim.

Eu me levanto da cama de uma vez, quero tanto ir lá e dizer pra ele o quanto ele me magoou, mas não tenho coragem, acabo me sentando no pé da cama.

— Pelo menos me diz se você está bem porra. Grita ele batendo com força na porta. — Ou eu vou ter que soprar e soprar até essa porta derrubar é isso.

— Vá embora Tom! Digo finalmente.

— Graças a Deus, você está bem. Diz ele parecendo aliviado. — Agora será que dá pra abrir a droga da porta pra que a gente possa conversar.

Eu começo a chorar novamente.

— Sean, isso não tem a menor graça. Parece que meu pau tá mais íntimo dessa porta do que com você. Pode abrir ela, por favor, antes que eu me irrite de verdade.

— Tom, eu quero que você vá embora, por favor. Digo ainda chorando.

— Mas que porra! Grita ele. — Eu sei que você falou com o George, mas precisa deixar eu me explicar, então abra essa porta, por favor.

— Como pode me usar assim Tom, eu pensei que nós dois tivéssemos uma conexão merda.

— E nós temos. Eu nunca me senti assim por ninguém antes, e isso é esquisito pra caralho. Eu realmente falei sério quando disse que gosto de você.

— Mentira Tom. Você faz isso todos os anos.

— Acha mesmo que eu fico gritando com as pessoas atrás das portas todos os anos, você não me conhece mesmo. Diz ele dando tapas na porta. — Por favor, só abre a porta, vamos conversar como adultos que somos.

— Não temos mais nada para conversar.

— Sean, eu gosto mesmo de você. Diz ele amaciando sua voz. — Eu gosto de você de verdade. Eu não tinha menor ideia de que aqueles fodidos apostavam dinheiro, eu jamais faria isso com você ou com qualquer um. Você tem que acreditar em mim.

— Mas o George...

—O George é um cara velho cuzão frustrado, que finge que não sabe que o próprio filho o rouba. Diz ele. — Só me deixa entrar, por favor.

Eu fico ali sentando sem me mover apenas chorando, sem saber bem o que devo fazer. As batidas param, e a sombra dele por debaixo da porta some, acho que ele foi embora. Não sei se estou aliviado ou ainda mais triste com isso. De repente, ouço um baque forte na porta me dando o maior sustos, e Tom gritando de dor no corredor. Me levanto e resolvo abrir a porta, vejo Tom caído no chão com a mão sobre o braço se contorcendo de dor, ele tentou arrombar a porra da porta.

— O que há de errado com você? Grito.

— Que merda! Grita ele caído no chão. — Acho que eu quebrei o meu braço.

— Eu vou chamar uma ambulância.

Tom é carregado de maca pelo saguão enquanto todos o olham, eu os sigo tentando evitar os olhares dos outros. Antes de entrar na ambulância ele pede para que eu vá com ele. Eu não quero ir, mas não dormiria bem pelo resto da minha vida sem ter certeza de que aquele imbecil está bem.

No hospital aguardo na sala de espera, com outras pessoas. Meu coração está inquieto, eu estou com tanta raiva dele e ao mesmo tempo com medo de que ele tenha se machucado pra valer. Não que ele não merecesse isso, mas eu só queria que ele sofresse tanto quanto eu.

Quando o médico aparece meu corpo gela. Mas ao menos ele trás boas notícias.

— Ele vai ficar bem só deslocou o ombro. Diz o médico. — Vou precisar engessar o braço dele, depois disso ele pode ir.

Estranho o médico falar tudo aquilo assim pra mim, geralmente eles não só dão esse tipo de informação para quem é da família?

— Pode ver o seu marido agora Senhor Greeram. Diz o médico.

— Marido? Certo marido, claro.

Vou até o quarto onde ele está, o vejo deitado na cama com um avental médico azul, olhando para a TV. Ele se vira ao perceber que eu entro no quarto.

— Oi! Diz ele.

— Por que disse a eles que somos casados?

— Eles não te deixariam entrar se eu não dissesse isso.

— E como sabia que eu esperaria aqui a noite toda?

— Eu não sabia. Eu só arrisquei.

— Eu só queria ter certeza de que você está bem. Agora que eu sei eu vou voltar pro hotel.

— Sean, que isso? Não vai nem me deixar explicar.

— Não tem que explicar nada, eu já entendi. É a porra de Vegas, você faz o que quer aqui.

— Gostaria que fosse mesmo assim, mas você não me conhece, Sean. Diz ele se ajeitando na cama. — Mas eu conheço você, se não fosse o George falando merda teria sido outra coisa. Você ia se assustar com algo e fugir de qualquer jeito. Você só tem medo de que alguém quebre essa muralha ridícula que você colocou ao seu redor e goste de você pelo que você realmente é.

— Porque não só admitimos logo que tudo não passou de um erro.

— Porque não foi um erro!

Eu fico em silêncio.

— Tá eu admito que eu consigo ser ás vezes um idiota filho da puta. E daí... Diz ele. — Quer saber quem eu sou de verdade, um homem de quase 40 anos, divorciado com um filho pequeno, dono do meu próprio negócio, e me esforçando pra não enlouquecer com toda essa merda. Então vai lá Sean, me xinga, grita comigo me bate se você quiser, mas você nunca vai entender que te conhecer não estava nos meus planos, eu não sei o que nós temos aqui, se vai durar para sempre ou só um fim de semana, mas eu sei que é algo especial porque eu sei o que eu sinto. E eu gosto mesmo de você Sean. Gosto tanto que não quero perder.

— Não diga o que não sente. Digo com lágrimas escorrendo.

— Ai caralho acha mesmo tão difícil alguém realmente gostar de você? Disse se alterando. — E não chora, eu prefiro ver você sorrindo. Sinto muito por ter feito você se sentir assim tão mal, ultimamente parece que tudo que eu toca vira merda.

— Eu vou embora agora.

— Olha, antes de ir, se algum dia você sentir que quer me perdoa. Venha me ver na Virgínia. Ele escreve o endereço e o número dele num pedaço de papel e me entrega. — Leve todo o tempo do mundo que precisar Sean. Diz ele sorrindo. — Não precisa nem ligar é só aparecer.

— Adeus Tom!

— Isso não é um Adeus, Sean. Não é um Adeus. Eu espero.

Eu volto para o hotel, subo para o meu quarto e faço as malas, há uma ultima apresentação antes do fim da convenção, mas eu resolvo sair de lá antes disso, não pretendo ficar aqui nem mais um segundo. Vejo George no saguão antes de sair.

— Já vai embora rapaz? Antes da apresentação final. Diz ele

— Eu preciso ir George, estou com saudades de casa.

— Soube do que houve com o Tom.

— Ele vai ficar bem, George. Não se preocupe.

— Tenho certeza aquele filho da mãe é duro como uma pedra.

E como ele é… Duro.

— Preciso ir, se despede da Eve por mim.

— Olha rapaz, eu estava bêbado na noite passada e acho que te devo desculpas. O Tom é um ótimo cara, ele ficou muito bravo quando soube o que eu falei pra você. Eu nunca o tinha visto assim. Saiu correndo dizendo que eu tinha fodido tudo. Tenho que admitir que vocês até que ficam bem juntos.

— Nós todos cometemos erros. Digo me afastando dele.

— Te vejo ano que vem, certo? Pergunta ele.

Eu começo a caminhar até a saída.

— Veremos! Digo acenando pra ele.

Pego um táxi e vou direto pro aeroporto, o tempo inteiro pensando no Tom, me culpando por isso também. Arrasto minha mala por todo o aeroporto com a rodinha ainda quebrada, com tudo o que houve acabei esquecendo de arrumar ela. Ligo para minha irmã pra avisar que vou chegar um pouco mais cedo do que o planejado. Passo pela segurança e então depois de despachar minha mala eu embarco no meu voo em direção a casa, onde eu tentarei esquecer de tudo o que houve. Coloco a mala menor no compartimento de malas dentro do avião e me sento em minha poltrona confortável, olho pela janela e vejo os técnicos trabalhando no avião, correndo de um lado pro outro, ajeitando as coisas. Logo nós poderemos levantar voo. O tempo parece demorar mais, como se algo estivesse me impedindo de sair daquela maldita cidade. Começo a me sentir estranho, tento não pensar no Tom, mas é impossível, nunca tinha me sentido daquele jeito por ninguém antes, e se ele de fato gostar de mim como ele disse. Que besteira, eu devia esquecer de tudo, mas como se eu nem mesmo consigo esquecer da sensação de beijar ele e de passar aquela noite incrível com ele, não posso simplesmente voltar pra casa carregando os meus cacos e remoer isso pelo resto da minha vida. Eu estou tão confuso, eu acho que eu não vou conseguir, acho que eu deveria ir lá e dizer tudo isso pro Tom. Eu deveria sair desse voo e ir até lá e beijar aquele desgraçado que fodeu literatante com a minha vida.

— Senhores passageiros sentem em seus lugares e coloquem o cinto, em alguns minutos nós vamos decolar. Diz a aeromoça pelo interfone.

Eu me levanto, acho que eu enlouqueci. Peço licença pra moça sentada do meu lado e simplesmente começo a caminhar em direção a saída, e saio tropeçando nas coisas e pessoas no caminho e me desculpando. Eu ando por todo o aeroporto e não consigo acreditar no que estou fazendo. Saio e vejo um cara segurando a porta de um táxi prestes a entrar, eu o empurro e entro no lugar ele fechando a porta.

— Hospital memorial de Vegas. Digo ao taxista.

O táxi vai embora e só então eu percebo a ironia do que fiz, eu quero rir mas estou nervoso demais pra isso. Penso em pedir pro taxista voltar chego até a abrir a boca, mas não consigo. Isso tudo é loucura. Eu desço em frente ao hospital me atrapalho na hora de pagar o taxista e derrubo o dinheiro no chão do táxi. Saio correndo em direção a entrada do hospital, passo pela recepção e só sigo reto, o elevador está lotado então decido ir pelas escadas, subo dez andares correndo, quase sem folego chego ao andar onde fica o quarto do Tom. Ando depressa até lá e paro diante da porta, tomo folego e entro. Tom está terminado de se vestir com dificuldade por conta do braço enfaixo, ele conversa com o médico.

— Senhor Greeram, está tudo certo com o Senhor. Diz o médico pra ele. — Já pode ir. Tem quem o leve pra casa?

Tom olha pra trás e me vê, não esconde a surpresa. Ele sorri de canto totalmente estupefato. Eu estou sem folego nenhum e respiro pesado por conta de toda a corrida. Nós entreolhamos por um instante em silêncio.

— Senhor Greeram? Pergunta o médico novamente.

— Tenho. Eu tenho quem me leve pra casa! Responde ele ainda sem tirar os olhos de mim.

Ele sorri com aquele mesmo sorriso idiota e lindo de sempre e eu sorrio de volta.

Fim