A Menor Criatura De Deus (Conto)

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Summary

Quando Evan larga o seminário e deixa para trás anos de disciplina e castidade, ele não imaginava que sua vida tomaria um rumo tão intenso. De um lado, Liz, uma mulher sensível e acolhedora, com quem vive seus primeiros contatos sexuais. Do outro, Ellie, impulsiva e direta, que desafia todas as suas inseguranças. Preso entre a busca pelo prazer e os fantasmas religiosos que o assombram, Evan tenta encontrar um espaço onde sua identidade e seus desejos não precisem ser vistos como pecado. Mas até onde ele conseguirá ir sem se perder de si mesmo?

Genre
Drama
Author
LexSilvas
Status
Complete
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

A Menor Criatura de Deus


Lex Silvas

31/05/25

Eu bati na porta dela, não sei que horas já são. Minha visão está bem embaçada, deve ser por conta de todas aquelas cervejas que eu tomei a noite toda com o meu amigo no bar.

— Evan, o que está fazendo aqui a essa hora? — perguntou ela ao abrir a porta.

Ela está só de roupão. Eu observo suas pernas nuas que escapavam pelas frestas da roupa, me pego olhando fixamente pra elas, como se nunca as tivesse visto antes. Ela fecha o roupão ao ver que eu não disse nada desde que ela abriu a porta, o que me tira do meu transe.

— Liz, sou eu, o Evan!

— Eu posso te ver, Evan, sei que é você. O que você quer? — diz ela, claramente ficando nervosa. — Já passam das três da manhã. Eu tenho que trabalhar amanhã cedo. Eu tenho, o quê… mais umas três horas de sono só.

— Eu precisava te ver. O Mark me trouxe aqui — eu digo, apontando para trás de nós, onde Mark me esperava do lado de fora, encostado na porta do táxi de onde viemos.

— Oi, Mark — diz ela, acenando pra ele.

— Oi, Liz! — responde ele, acenando de volta.

— Você sabia que ele é gay? — cochicho, colocando a mão sobre a boca. — Olha só pra mim, eu andando com gays agora. Minha mãe me mataria se soubesse disso — digo eu, soluçando. — Ela diz que todos os gays vão para o inferno. Menos o Mark. O Mark não, ele é legal, ele me deu cervejas — disse eu, fazendo um estúpido “joia” para o Mark.

Liz sorri de canto.

— Tá bom, Evan, você, com certeza, tá bêbado, então vai pra casa — diz ela, colocando a mão e me empurrando, prestes a fechar a porta.

— Espera! — grito, me colocando na frente dela. — Eu ainda não disse o que eu vim aqui pra te dizer.

— E o que é? Pergunta ela parando em frente a porta revirando os olhos.

Eu fiz uma careta. De repente, não consigo me lembrar do que eu queria dizer.

— Jesus te ama e… — soluço — e eu também.

— É isso que veio me dizer assim tão tarde da noite? — pergunta ela. — Não podia ter me dito isso em outro horário?

— Não. Na verdade, eu tinha todo um discurso romântico que eu queria dizer, mas eu não me lembro mais dele. Só sei que ele acabava assim: “Você me ilumina como algo divino”.

— Boa noite, Evan.

— Eu acabei de te dizer que eu te amo. Deveria dizer que me ama também. É assim que deveria funcionar.

Ela suspirou fundo, colocou a mão no meu peito e me empurrou de leve para que eu saísse da frente da porta.

— A gente conversa quando você estiver sóbrio — diz ela, olhando nos meus olhos. — Tchau, Mark! — grita ela.

— Tchau, Liz! — grita ele de longe.

— Tem razão — digo eu, balançando a cabeça. — Amanhã eu ainda vou te amar, eu sei disso.

Me virei em direção ao táxi, estou cambaleando. De repente, não sei como coloquei um pé na frente do outro e fui de cara no chão.

Na manhã seguinte, vou à casa da minha mãe, como faço todos os domingos depois da missa, não que eu assista mais missas desde que larguei o seminário. As pessoas lá na igreja costumam me olhar e me julgar de um jeito que eu decidi dar um tempo.

— O que aconteceu com a sua cara? — pergunta minha mãe.

— Nada — digo, tentando esconder o roxo na minha bochecha da queda de ontem à noite. — Eu só cai hoje de manhã.

— Mal tocou na sua comida — diz ela, me servindo mais macarrão à bolonhesa.

— Eu não tô com muita fome hoje, só isso.

— Eu não sei o que há de errado com você, meu filho… Primeiro, você me faz passar vergonha perante as pessoas desistindo de ser padre, e agora nem quer comer a minha comida mais. Eu devo ser a pior mãe do mundo. Diz ela.

— Eu só não tô me sentindo muito bem hoje.

— Coma a comida, garoto desalmado. Não vê o que está fazendo com a sua mãe? — ordenou meu pai do outro lado da mesa.

Eu empurro todo aquele macarrão pela minha goela abaixo. Toda aquela bebedeira da noite anterior havia ferrado com o meu estômago e eu ainda não tinha me acostumado com a ressaca.

— Talvez depois do almoço nós devêssemos ir falar com o Padre Martin, ver se ele coloca juízo de volta na sua cabeça — diz minha mãe.

— Mãe, nós já falamos sobre isso — digo, nervoso. — Eu estou bem.

— Ei, olha como fala com a sua mãe, rapaz — me repreende meu pai.

— Desculpa — baixo a cabeça. — Eu não posso, já tenho planos.

Esse é um dos mandamentos do qual eu não ouso desobedecer, desonrar pai e mãe, ainda estou bem do meu juizo pra saber que se eu fizer isso nem vida mais terei depois disso, pois o meu pai sempre foi casca grossa comigo.

— Que tipo de planos? — perguntou minha mãe.

Liz trabalha numa lanchonete. O turno dela acabará em meia hora. Pensei em ir até lá de surpresa e levar ela pra dar um passeio. Não sei bem como essa coisa de namoro funciona, eu nunca namorei antes,se bem que ela me disse pra nós apenas curtimos o nosso tempo juntos e que isso ainda não é um namoro propriamente dito. Passei boa parte da minha vida acreditando que o meu destino era ser padrem, mas agora cá estou eu tentando conquistar uma mulher.

Fico esperando do lado de fora da lanchonete, com um buquê de flores que eu comprei no caminho até lá, nada muito chique. Eu estou encostado no meu carro, não paro de arrumar meu cabelo e checar meu hálito. Eu estou tão nervoso.

Ela sai do restaurante usando o uniforme dela, se despedindo de uma amiga e parece realmente surpresa ao me ver.

— Oi, Liz! — digo, me inclinando sem saber se a beijava ou se apertava a mão dela.

— Sério? Você aparece bêbado na minha porta num dia e com um buquê de flores no outro. O que eles te ensinaram mais no seminário? — diz ela, sorrindo.

— Não muito sobre isso pra falar a verdade!

Eu fico sem graça, abaixo as mãos com as flores. Penso comigo mesmo: que ideia estúpida trazer flores. Mulheres só gostam de flores nos filmes de romance e livros.

— Ei! — diz ela. — Não amassa as minhas flores, Evan. Elas são pra mim. Certo?

Ela toma as flores das minhas mãos e as cheira.

— Ninguém nunca me deu flores antes — diz ela com um sorriso.

— Eu te darei flores todos os dias — digo eu, agora sorrindo.

— Caralho, de que planeta você veio mesmo? — diz ela, rindo.

— Eu queria te levar pra algum lugar… não sei, talvez pro cinema e depois jantar.

— Evan, eu trabalhei o dia todo. Eu só quero tomar um banho e dormir.

— Claro — digo, sem esconder a tristeza.

— Tudo bem se a gente ficar de bobeira na minha casa?

— Só nós dois? — pergunto, sério.

— Não, claro que não — diz ela também, séria. — Deus não está em todas as partes? — diz ela, sorrindo de maneira sarcástica.

Eu sorri.

— Eu acredito que sim!

Abri a porta do carro e ela me olha de forma estranha. Acho que ninguém nunca a havia tratado com tanta gentileza. Ou será que eu que estava exagerando nos gestos? Eu tava ficando cada vez mais nervoso e desesperado pra agradá-la. Ela se sentou no banco do passageiro, dou a volta e entro no carro. Ela ligou o rádio e escolho uma estação qualquer.

— Eu adoro essa música — digo, quando ela parou de mexer nos botões.

— Pensei que só ouvisse músicas gospel e essas merdas de igreja.

— Eles não nos proibiam de ouvir músicas em geral, só não quando precisávamos estar em oração.

Chegamos à casa dela, ela trata de tirar os sapatos e desamarra o cabelo, deixando seus compridos cachos castanhos claros soltos sobre os ombros. Ela pede que eu fique à vontade, mas eu estou nervoso. Não sei como agir, nunca antes havia estado sozinho com uma mulher desse jeito tão informal, é patético pensar nisso agora.

— Quer beber alguma coisa? — pergunta ela, conectando o celular num aparelho maior e deixando uma música suave tocar ao fundo.

Não sabia se ela estava querendo criar um clima ou se simplesmente era assim que ela fazia todos os dias ao chegar em casa pra relaxar.

— Água! Eu vou querer só água! — respondo.

— Tem certeza? Acho que tenho vinho. Vocês padres adoram vinho, não é?

Eu ri, percebo que ela só tava me provocando.

— Nem todos os padres gostam de vinho — respondo, sorrindo. — E eu não fui um padre de verdade. Não cheguei a isso.

— Isso é surpresa pra mim, nem todos — diz ela, indo até a cozinha e voltando de lá com dois copos, um com água e outro com vinho, e com uma maçã na boca. Me oferece, mas eu recuso.

Ela se senta ao meu lado, põe os pés sobre o meu colo e então eu começo a massageá-los. Ela parece gostar. Eu então me viro e vou beijá-la, estava com muita vontade de fazer isso, pra dizer a verdade, havia pensado nisso o dia inteiro. Ela retribui o beijo, começa a esfregar as mãos sobre as minhas costas, então de repente eu paro. Entro em pânico por um momento.

Ela estranha e fica me olhando confusa.

— O que foi? — pergunta ela.

— Eu… eu nunca… você sabe…

— Beijou ninguém?

— Não é isso. Eu já beijei, eu só não… você sabe — digo, muito sem graça.

— Sexo?! — diz ela antes que eu responda algo. — Por que não diz sexo, sexo, sexo?

— Eu não sei! Não é uma palavra que eu usava muito antes.

— Então você ainda é virgem — diz ela com um sorriso. — Um virgem de trinta e poucos anos sentado na minha sala me tocando.

— Então tudo o que eu fizer com você hoje vai ser a sua primeira vez? Pergunta ela com um sorriso safado no rosto.

Eu só balanço a cabeça constrangido com ela, mas sei que ela só disse aquilo pra me zoar, então trato logo de me jogar em cima dela e faço cócegas na barriga dela, o que a faz se contrair de tanto rir. Eu paro e volto meu olhar pra ela, com os seus grandes e lindos dentes perfeitos e sorriso encantador.

— Mas você já... você sabe, se tocou? — pergunta ela, me constrangendo ainda mais.

— Por que você quer saber disso? — pergunto, corando de vergonha e olhando pra baixo.

— Ninguém nunca tocou no seu pinto além de você mesmo? Pergunta ela.

— Não — digo, sorrindo constrangido.

— Coloca pra fora — diz ela.

— O quê? — pergunto, confuso.

— Você me ouviu. Eu quero ver o seu pinto, Evan — diz ela, com cara de safada. — Me mostra.

— É sério? — pergunto, levantando os meus olhos e olhando diretamente pra ela, sorrindo timidamente.

— Se não quiser me mostrar, tá tudo bem — diz ela. — Eu só queria ver.

— Você tá realmente falando sério? — pergunto, enquanto ela só balança a cabeça, me dizendo que sim e mordendo os lábios.

Eu então levo a minha mão pra minha calça e desaboto o botão devagar, esperando que ela me diga pra parar, porque só tava me zoando, mas ela não o fez, o que só me encorajou a continuar. Eu então puxei a minha calça e a cueca pra baixo, revelando o meu pinto que ainda não estava totalmente ereto.

Eu fico com medo de que o meu pinto me faça passar vergonha e não suba na frente de uma mulher pela primeira vez. Essa merda vivia subindo em momentos inapropriados quando eu estava no seminário, sempre me constrangendo nos momentos menos oportunos, e agora que ele tinha a oportunidade de se mostrar diante de alguém que realmente o queria ver duro, ele não subiu. Eu mal consigo olhar pra ela, estou realmente envergonhado, apenas esperando pra ver a reação dela.

Ela me surpreende ao simplesmente agarrá-lo em suas mãos, o que me fez gemer baixo.

— Cama, Evan. Eu só quero te sentir — diz ela, sussurrando com sua voz rouca e sexy.

O meu pinto pareceu ter gostado de ela ter o segurado, pois eu nunca o vi ficar duro tão rápido, parecia uma rocha de tão duro. Ela começou a massageá-lo e eu comecei a gemer ainda mais.

— Liz, eu não sei se deveríamos… — digo, gemendo.

— Só relaxa, Evan — diz ela, sorrindo. — Não estamos cometendo nenhum pecado… ainda. Não foi pra isso que você foi me buscar na lanchonete. Não queria me mostrar o seu pinto?

O movimento frenético com o qual ela esfrega o meu pinto vai se intensificando e eu gemo de prazer como eu nunca antes havia sentido. Eu já havia me masturbado, mas aquela era a primeira vez que alguém fazia aquilo pra mim. Era como se eu não tivesse mais no controle do meu corpo e sim ela.

Eu apertei no ombro dela e mordia os meus lábios, tentando me conter pra não gritar e depois disso… não houve jeito: eu ejaculei ali, na mão dela e um pouco em cima de mim mesmo. Foi uma sensação incrível, eu estou satisfeito de prazer.

Ela me dá um beijo de leve no rosto e sorri pra mim. Eu a olho e me sinto homem o bastante pra beijar ela na boca com muito mais vontade do que nunca antes havia feito. Quis agradecer o gesto enfiando a minha língua primeiro na boca dela e depois, claro na vagina dela.

Fiz o meu primeiro sexo oral numa mulher e que sensação maravilhosa ter uma vagina sendo esfregada na sua língua e dedos. Uma sensação que homem nenhum deveria ser privado de ter: sentir o gosto de uma boceta.

Tão gratificante foi ouvir ela dizer o meu nome enquanto eu chupava os seus lábios vaginais. A vontade era de poder mastigar aquela pele extra só pra sentir o gosto de tudo. Foi tudo maravilhoso. Depois que saí da casa da Liz, me sentindo um homem de verdade, porque de fato, agora eu meio que era. Eu estou mais confiante do que nunca, sinto que posso finalmente me sentir um verdadeiro homem.

Eu vou até o mercado principal que nós temos por aqui pra comprar cervejas e cigarro, algo que se tornou comum pra mim, já que eu sou um homem comum agora, sem mais as restrições impostas pela Igreja que me exigiam ser santo o tempo todo. Agora eu podia chupar bocetas e tomar cervejas o quanto eu quiser.

Num dos corredores, eu ouço a voz de alguém cantarolando algo que eu não reconheci, mas era uma música cheia de palavrões e referências sexuais, acho que era um desses raps que eu sempre odiei.

A voz dela é bem angelical, apesar das obscenidades que a acompanha. Eu vou olhar mais de perto e vejo uma moça pequena, mas corpuda, com belos seios e com um fone de ouvido, repondo alguns produtos na prateleira. Ela trabalha lá.

Eu nunca a havia visto antes, acho que ela é nova lá. Ela usava um uniforme da loja e parece mais animada do que tudo com a música que só os ouvidos dela podiam ouvir naquele momento.

Me pego olhando pros movimentos que ela fazia com a cintura e, não sei o que me dá, mas aquele jeito dela se remexer fez com que o meu pau, mais uma vez, ficasse duro. E eu penso: “Calma aí, amigão, você já gozou hoje”.

Tento disfarçar, colocando algo na minha frente pra que ninguém mais visse. E resolvo ir embora, pois ali estava “perigoso” demais pra eu permanecer.

Mas, logo no dia seguinte, motivado por aquela garota que eu vi antes, eu volto para o mercado simplesmente com a desculpa de que eu precisava de mais papel pra coar café, o que era uma mentira deslavada que eu contei pra mim mesmo porque nem de café eu gosto.

Procuro atento pela garota nos corredores e a encontro repondo algo em outra prateleira. Eu passo por perto dela, bem próximo, só pra sentir o cheiro do cabelo dela, e puta que pariu como essa porra é cheirosa.

Ela está com os fones dela e, como eu passo bem perto, pude ouvir um trecho da música que ela ouvia. Decorei o trecho, que era o seguinte: “My neck, my back. Lick my pussy and my crack”. E eu pensei: que merda que era aquilo.

Eu chego em casa e pesquiso na internet. É uma música dos anos 2000 de alguma cantora negra muito bonita, inclusive. Eu começo a ouvir a música e, no começo, era tortuoso, mas lá pela quinta vez, eu já estou cantando o refrão como se eu amasse aquela música a minha vida inteira.

Depois de menos de dois dias, eu estou de volta ao mercado pela terceira vez naquela semana. E eu me sinto um idiota. Eu deveria chegar na moça e falar o quê? “Oi, tudo bem? Eu sou ex-seminarista que adoraria foder com você. Pode rebolar daquele jeito que eu te vi no outro dia, só que agora no meu pau. Ah é claro, eu bati uma punheta bem gostosa ontem a noite pensando em você e na boceta da Liz”.

A quem eu queria enganar? Ela deve ter um namorado que não é um otário igual a mim. Pelo menos eu tenho a minha Liz, da próxima vez que eu chupar a boceta dela vou pensar nessa garota.

— Quer experimentar um dos nossos biscoitos amanteigados? — pergunta uma voz que eu logo reconheci se tratar da moça que eu estava obcecado.

— O quê? — pergunto.

— O biscoito de manteiga mais vendido da América — diz ela, levantando um copo com alguns biscoitos na minha frente. — O mercado tá oferecendo amostra grátis pros clientes. O senhor vai querer?

— Senhor? — pergunto, estranhando. — Não me chamam de senhor há tanto tempo — digo, pegando o copo das mãos dela e a fitando intrigado.

Finalmente eu vi o nome dela no crachá - Ellie.

— É um lindo nome — digo eu, comendo o biscoito.

— O meu nome? — pergunta ela. — Obrigada, vou lembrar de dizer que você gostou pra minha mãe foi ela que escolheu.

— Você tem mãe, que legal, eu também tenho — digo. — Que idiota da minha parte, é claro que você tem mãe — digo constrangido. — Eu sou Evan.

— Prazer em conhecê-lo, Evan — diz ela, sorridente. — Evan… e Ellie.

Evan e Ellie, corações em volta, que merda, não é que combina?

— Você é nova aqui no mercado, não é? — digo. — Eu nunca tinha te visto aqui antes.

— Sou, comecei esses dias — diz ela, sorrindo. — Eu te vi algumas vezes passeando pelos corredores, perguntando de mim por aí.

— Como? — pergunto, assustado. — Eu não…

Ela ri.

— Me desculpe — digo, cabisbaixo.

— E por que você tá atrás de mim a semana toda? — pergunta ela. — Por acaso quer me sequestrar ou algo assim?

— Eu só queria saber, sei lá… se você não gostaria de tomar um café comigo ali na esquina algum dia? — digo, sem graça. Nunca fui bom nesse negócio de flertar, nem quando eu era mais novo.

— Tá — diz ela, pra minha surpresa. — Eu almoço às 2, então me encontra lá fora por volta disso.

— Sério? — pergunto. — Simples assim?

— Acho que eu só quero te poupar mais algumas viagens desnecessárias pro mercado — diz ela, sorrindo. — Não acho que alguém precise de tantos coadores de café assim na mesma semana.

— Eu só gosto muito de café — digo, rindo. — Duas horas então.

Eu e ela nos despedimos e eu volto pra casa imediatamente pra me ajeitar um pouco mais. Não achei que essa vida fora do seminário me traria tantas mulheres assim de forma tão abundante. Eu não estava preparado pra isso. Então agora o quê?

A Liz era uma fiel que eu via na igreja, então, quando eu larguei tudo, ela já era alguém que me conhecia, então eu consegui convencer ela de que eu não era só mais um dos idiotas com quem ela saía. Eu era um homem de Deus, confiável e amável.

Mas com essa moça, a Ellie, eu vou ter que convencer ela de que eu não sou só mais um cara qualquer. Eu tenho que causar uma boa impressão pra que ela queira, quem sabe, um dia, fazer aquilo que eu fiz com a Liz no outro dia ou até coisas a mais.

Troco de roupa umas três vezes e depois vou até a cafeteria que combinei com a Ellie. Estou sentado numa das mesas, checando se o meu desodorante está bom e se eu não tinha exagerado no perfume, mas tudo parece ok. Agora era só esperar por ela, que demorou um pouco, mas logo chegou com seu ar jovial e repleta de alegria.

Foi fácil demais trazer ela aqui. Será que esse era o meu dom oculto por tantos anos, o de convencer mulheres a fazerem o que eu queria? Melhor eu não abusar da minha sorte.

Eu me levanto assim que ela se aproxima da mesa.

— Trocou de roupa? — pergunta ela ao me ver.

— Não gostou? — pergunto, preocupado. — Devia ter vindo com a outra camisa que não tinha tantos botões. Se quiser eu posso tirar? Quer dizer… não foi isso que eu quis dizer… — digo sem graça, enquanto ela ri. — Por favor, se senta.

— Você é esquisito — diz ela, se sentando enquanto ria de mim.

— Esquisito bom?

— É! — diz ela, jogando a cabeça pro lado. — E pode ficar com a sua camiseta… por enquanto.

Eu me sento também e estou completamente constrangido.

— Esquece que eu disse isso — digo, sem graça. — Podemos começar de novo?

— Por quê? — pergunta ela. — Eu quero mesmo que você tire a camisa.

Eu sacudo a cabeça e começo a tirar a camisa, mas ela me impede, rindo e colocando a mão sobre mim.

— Calma, garotão — diz ela. — Aqui não. É melhor deixarmos pra um momento mais privado, não acha?

— Nossa, como você é direta, Srta. Ellie — digo. — Não tô acostumado com isso.

— E com o que você tá acostumado, padre?

Eu me surpreendo com aquelas palavras.

— Como você sabe disso? — pergunto, constrangido.

— Todo mundo daqui sabe — diz ela, sorrindo. — Meu amigo me disse: “Sabe aquele padre que veio aqui a semana toda? Ele me perguntou de você. Acho que ele tá afim de você, Ellie”.

Eu coro de vergonha.

— Eu achei que eu tava sendo discreto com relação a isso — digo, envergonhado. — E eu não sou mais padre. Na verdade, eu nunca fui. Eu era um seminarista. É muito diferente.

— E por que você quer me comer, padre… quer dizer, ex-seminarista?

— Eu não quero te comer, eu só queria te conhecer — digo, contraindo os lábios.

Ela estende a sua mão pra que eu a pegue.

— Prazer, o meu nome é Ellie — diz ela.

Eu sorrio e beijo a mão dela.

— E agora que você me conhece, ainda quer me comer? — pergunta ela.

Eu rio, constrangido, e fico ali pensando que nenhuma pessoa havia sido tão direta assim comigo antes. Eu balanço a cabeça dizendo que sim, timidamente.

— Bom saber, padre.

Depois do almoço, eu e ela trocamos os nossos telefones e eu só quero mandar uma mensagem logo pra ela pra dizer que eu não vejo a hora de ver ela de novo, mas sou desencorajado pelo meu amigo Mark, que me diz que as mulheres não gostam de homens fáceis e desesperados, elas gostam que o homem não mostre tanto interesse assim no começo.

Mesmo eu dizendo que ela era um tipo de garota extremamente direta, ele me disse que todas as mulheres são iguais, pra eu não me deixar enganar por nenhuma delas. Eu não sei por que eu dou ouvidos pra ele. Ele nem gosta de mulher, mas, pelo bem ou pelo mal, ele era o melhor que eu tinha de alguém que entendia desse assunto.

Por isso, não mando nada pra ela por, pelo menos, dois dias. Mas, em compensação, eu recebo mensagens da Liz: “Logo estaremos prontos pra dar o próximo passo na nossa relação”, ou seja… sexo.

E eu estou muito pronto e animado pra isso. Não vejo a hora de conseguir sentir aquilo que tantos fiéis na igreja, quando eu era seminarista, eram sempre acusados pela minha mãe: eles, pra ela, eram um bando de fornicadores sujos. E isso era o que eu mais queria me tornar: um deles.

A Ellie me mandou uma mensagem logo depois que eu mandei uma pra ela, queria me ver naquela noite mesmo. Eu pensei: “É isso aí, eu só estou sendo um grande pecador. Estou mesmo saindo com duas mulheres ao mesmo tempo”. Isso é tão errado, mas também tão gostoso que eu só quero continuar fazendo e torcer pra que isso não dê em merda.

Há um bom tempo atrás, isso seria algo que eu certamente condenaria, mas hoje eu não quero ser condenado por nada disso. Eu tô adorando.

Eu levo a Ellie pra assistir a um filme com cenas bem picantes que, no começo, me deixam bem desconfortável, mas isso é uma besteira. O sexo tá em todo lugar, e essa é que é a beleza da vida. Sexo, S-E-X-O, eu só queria gritar a plenos pulmões.

Eu me aconchego ao lado da Ellie e passo os meus braços ao redor dela, mostrando: “Tá vendo ali o que aqueles dois atores estão fingindo em tela que estão fazendo? Eu, em breve, vou fazer também pra valer”. Quando a Liz ou você estiverem prontas.

Eu levo a Ellie pra casa dela e, na porta, tudo o que eu espero ganhar é um “boa noite” e quem sabe um beijo de despedida, mas não vou insistir em nada.

— Foi uma ótima noite, Ellie. Eu me diverti muito — digo, sorrindo, bem debaixo da luz da varanda dela.

— Foi? — pergunta ela. — No passado.

— O que você quer dizer?

— Não vai nem tentar me beijar, padre? — pergunta ela.

— Eu já falei pra você que eu não sou padre. Nunca fui um.

Ela se aproxima de mim e me encara.

— E aí? Vai me beijar ou não? — pergunta ela sendo direta. — Aproveita essa oportunidade.

Eu fico estranhando aquele comportamento. A Liz e eu só demos o nosso primeiro beijo depois de meses juntos e agora essa mulher bem ali, diante de mim, que eu só conhecia há alguns dias, já queria me beijar. Eu só gelo de medo e tesão.

— É isso que você quer, Ellie? Nem me conhece… e já quer me deixar beijar você.

— Eu sei que você foi ao mercado onde eu trabalho várias vezes seguidas, perguntou pros outros de mim, me seguiu pelo mercado olhando bem pra minha bunda e depois me chamou pra almoçar com você — diz ela. — E hoje me levou pro cinema pra ver um filme +18. Eu entendi o recado.

— Eu não sabia que o filme era +18… eu só achei o pôster legal porque tinha um casal se beijando.

— Mesmo assim, eu sei o que você tá a fim, padre — diz ela, encostando a boca bem perto da minha orelha antes de continuar. — Porque é isso que eu também quero.

Ela se afasta de mim e entra na sua casa, deixando a porta aberta. Será que significava que ela queria que eu entrasse e fizéssemos “aquilo”?

Eu congelo até os ossos. Eu não tenho experiência nenhuma, então eu sei que vou acabar decepcionando ela, mas o tesão se sobressi sobre o medo e eu logo entro na casa dela. A procuro e ela está indo pro quarto dela, tirando a roupa já. Eu penso: eu deveria também fazer isso? Eu não sei… devo arrancar as minhas também?

Eu fecho a porta e vou até o quarto, onde a encontro deitada na cama, já quase que totalmente nua. Meu Deus… aquela é a primeira vez que eu estou num quarto com uma mulher, prestes a fazer sexo. Eu acho que eu não vou dar conta daquilo.

Ela sorri pra mim ao ver que eu estou nervoso.

— O que foi, padre? — pergunta ela. — Tá tremendo todo. Por quê?

— Eu não sou padre — digo. — Me chama só de Evan.

— Por quê está nervoso então? Por acaso isso é alguma heresia, estar no quarto comigo? — diz ela sorrindo.

— Um homem só deve se deitar com uma mulher se ela for a sua esposa. Mas eu não ligo pra isso, não mais. E não é por isso que eu estou nervoso.

— Então vem aqui pecar comigo hoje, padre! Diz ela.

Eu olho pro chão, estou claramente envergonhado, mas a pergunta que não quer calar: por quê? Não era isso que eu queria fazer com a Liz? Não é tão diferente assim, a única diferença é só que não vai ser com a Liz e sim com a Ellie.

Eu teria me preparado melhor se eu soubesse que a Ellie estaria mais disposta do que a Liz de ser a minha primeira.

De repente, eu a vejo rir.

— Evan, não precisa ter medo de mim — diz ela. — Eu só tô te zoando.

— Então você não quer fazer “aquilo” comigo?

— É claro que eu quero, mas se você não estiver confortável, a gente não faz, poxa — diz ela, rindo. — Você não é obrigado a nada. Eu só pensei que você queria, mas tudo bem se não quiser.

Eu respiro e vou até ela, me sento na cama ao lado dela.

— Tá com medo por quê? — pergunta, acariciando as minhas costas.

— É que eu… — digo, me interrompendo. — Eu… nunca. Sabe, nunca…

— Nunca fez sexo? — pergunta ela rindo. — Tá falando sério?

Eu balanço a cabeça.

— E você quer isso?

— Mais do que tudo na minha vida.

— Então… só deixa de ser bobo. Você vai ter que começar de algum lugar, Evan — diz ela, sorrindo. — Se não quiser fazer isso comigo agora, a gente pode deixar pra outro dia.

Eu só sorrio pra ela e a beijo nos lábios suavemente.

— E aí, quer que eu te ensine tudo o que eu sei sobre sexo? — pergunta ela, mordendo os lábios. — Eu prometo que eu sou uma ótima professora.

— Eu já sei o que é enfiado no quê — digo, sorrindo.

— Nossa, que bom. Isso vai nos poupar bastante tempo — diz ela, rindo.

Nós nos deitamos na cama, nos beijamos e, ali naquele quarto que eu nunca imaginei estar, e nem com aquela mulher, eu finalmente virei “homem”.

Eu não me orgulho de não ter demorado mais tempo, mas como aquela era a minha primeira vez, eu fico feliz que eu tenha gozado dentro da boceta dela, e não na minha cueca. Isso já foi um avanço e tanto.

Ela foi muito gentil na minha primeira vez, e eu saí da casa dela pela manhã me sentindo completo e feliz. Um homem com H maiúsculo.

Tudo o que eu quis fazer quando eu saí do seminário eu fiz: eu bebi, usei drogas com o Mark — maconha, na verdade, mas aquele troço é mais forte do que eu esperava, então eu não sei se eu quero usar de novo tão cedo— e agora eu fodi com uma mulher.

Tudo está dando certo. Eu devo dizer: “Graças a Deus”. Ou isso seria blasfêmia?

Eu não abro mão da minha religiosidade, nem ao menos deixei de crer, nem nada disso. Por que levar uma vida de prazeres e luxúria é pecado? Deus não nos deu o livre-arbítrio nessa vida?

Eu quero poder comer uma boceta no sábado à noite de uma mulher qualquer que eu acabei de conhecer e quero poder comungar no domingo, participando da missa como outro qualquer. Por que eu tenho que escolher? Isso não é pedir demais. Eu sei, por certo, que muitas das pessoas que vão à igreja cometem pecados que são muito mais condenáveis do que o que eu cometi essa noite com a Ellie, mas, ainda assim, elas continuam frequentando a igreja e ninguém diz nada. E por que eu não poderia também? Eles são mais especiais do que eu ou o quê?

Eu estou passando pelo centro da cidade e avisto a igreja onde eu era seminarista. Não entro lá há tanto tempo. O que será que vai acontecer se eu for até lá agora, menos de um dia depois de eu estar com uma mulher em pecado, já que ela não era a minha esposa, e o sexo nem foi pra procriar, e sim pra diversão.

Isso aí, Deus, eu pequei, eu pequei e eu gostei. Eu sou um maldito fornicador.

Eu paro o meu carro no estacionamento da igreja e entro, ela está vazia, pois hoje não é dia de missa, e, sem surpresa alguma, um buraco não se abriu no chão me sugando para o inferno, como a minha mãe disse que podia acontecer assim que eu abandonei aquilo tudo.

Eu me sento no banco e estou lá, de frente a aquele lugar que eu era obrigado a estar todo domingo. Me ouço pregar na minha cabeça, praticando pra quando fosse a minha vez de fazer isso, o que nunca aconteceu.

Eu realmente achava que eu estava pronto pra aquilo tudo, pronto pra dedicar a minha vida a esse mundo. Mas eu não quis me comprometer com nada daquilo depois de um tempo, aquilo não era mesmo pra mim.

De repente, sinto uma mão tocar no meu ombro e vejo que se trata do padre Martin, meu antigo mentor e amigo. Eu me viro, assustado.

— Calma, filho, sou só eu — diz o padre, em pé diante de mim.

— Eu sinto muito — digo, me levantando do banco, sem olhar pra ele.

Eu saio de dentro da igreja rapidamente, morrendo de vergonha e medo. Será que Deus mandou ele lá pra me lembrar que eu vou queimar no inferno por tudo o que eu tenho aprontado ultimamente?

Eu deveria me arrepender e voltar ao caminho de Cristo?

Mas e se já for tarde demais pra isso? Pois agora que eu transei com uma mulher que não era a minha esposa, não tem mais volta, eu vou mesmo pro inferno?

Que perguntas idiotas que eu tô me fazendo… eu só tô me questionando porque eu entrei naquela maldita igreja, o que eu não farei nunca mais.

O lugar que antes me causava uma enorme alegria de estar, agora tá me fazendo duvidar das minhas escolhas, que eu sei, melhor do que ninguém, que eu fiz porque era o melhor pra mim.

Eu não nasci pra ser padre, eu não nasci pra isso e pronto. Não é justo ter que seguir esse caminho pelo resto da minha vida se eu não nasci pra isso.

Eu vou pra casa e tomo um bom banho quente e só quero saber de dormir, não tô afim de ver ninguém naquele dia. Minha cabeça tá cheia e eu tô com muita dor. Sei que isso deve ter uma explicação mais lógica do que punição divina.

Dois dias depois, enquanto eu conversava por mensagem com a Ellie, eu recebo uma mensagem da Liz dizendo: “Se prepare porque hoje à noite eu tô afim de ir fundo com você”.

“Ir fundo?” Será que aquilo significava que ela queria fazer sexo finalmente? É óbvio que sim.

Eu fico realmente animado. Não é todo homem que tem a oportunidade de provar duas bocetas diferentes em menos de uma semana.

Isso queria dizer o quê? Realmente que eu tenho sorte? Ou só era o diabo que estava querendo me levar mais para o caminho dele?

Mais uma vez, eu não deveria me preocupar com essas bobagens sem sentido e sim me preparar pra poder “ir fundo” com a Liz.

Depois de me arrumar, pois hoje à noite que vai ser importante pra nós dois, eu vou até a casa dela e a encontro lá vestindo uma camisola sensual e me provocando, o que me deixa super excitado.

Eu sempre achei a Liz uma mulher muito bonita, sempre quis ver os peitos dela, mesmo quando eu vestia a batina ou dando a comunhão na boca dela. Agora eu teria a oportunidade de colocar outra coisa na boca dela, o que eu sempre me reprendia com esse pensamento, agora me deixava com muito tesão e assustado ao mesmo tempo.

Eu tô prestes mesmo a cometer um pecado ainda maior.

Nós dois vamos pro quarto dela onde fazemos amor. E, dessa vez, como eu tô um pouco menos nervoso do que antes, não me embanano tanto assim com as coisas.

A Ellie me deixou tão à vontade da outra vez que eu consegui entender bem onde as coisas certas iriam e como iriam acontecer. Não havia possibilidade de eu, em hipótese alguma, fazer algo de tão errado que eu pudesse machucá-la com o meu pênis, por enfiar ele de alguma forma que ela não gostasse em lugares que eu não devesse.

A Liz estranha eu estar tão confiante, já que ela achava que aquela era a minha primeira vez, o que não era. Eu não quis dizer nada, então só me atrapalhava de propósito com coisas que eu sabia, só pra que ela “me ensinasse” a forma correta.

Outra coisa foi o fato de eu ter demorado mais pra ejacular, já que, aparentemente, nas primeiras vezes o homem geralmente goza mais rápido, mas eu demorei um pouco mais, já que eu havia feito aquilo há pouco tempo, meu pau já estava ficando mais acostumado com aquele ato.

E confesso que da segunda vez foi ainda melhor, pois eu não estava tão nervoso quanto da primeira e a Liz também foi ótima comigo.

Depois do sexo, eu e ela dormimos abraçados a noite toda, e aquilo me fazia sentir tão bem… ter uma mulher nos meus braços me fazia me sentir completo.

Na manhã seguinte, enquanto eu me vestia pra ir embora, a Liz permanecia na cama, deitada, nua… uma cena que nem nos meus sonhos mais quentes eu imaginava que eu presenciaria na vida real.

— E aí, vai me levar no parque de diversões na sexta? — pergunta ela. — Todo mundo vai estar lá.

— É, claro — digo, enquanto visto as minhas calças.

— Vai me apresentar como a sua namorada?

Eu pego a minha camisa e a coloco, abotoando-a.

— Namorada? — pergunto. — Me disse que não queria namorar comigo quando eu te perguntei da outra vez.

— Eu disse ainda, na verdade — diz ela, sorrindo. — Eu tinha dito que eu não queria ser a sua namorada ainda. Não se lembra?

Eu calço os meus sapatos e me sento na cama pra amarrar os meus cadarços.

— E aí, Evan, o que me diz? — pergunta ela.

Eu vou até ela na cama e a beijo de leve nos lábios, depois que já tô totalmente vestido.

— Vamos ver — digo. — Tchau, Liz.

— Tchau, Evan.

Eu saio, mais uma vez, da casa de uma mulher depois de foder ela, e isso tá se tornando um hábito… um do qual eu tô começando a amar.

Mais uma vez, na frente eu passo de carro na praça da cidade, de frente à igreja onde eu costumava ser seminarista, algo parece me chamar pra dentro daquelas paredes, como se alguém estivesse me laçando e os meus pés querendo se virar na direção da igreja.

Eu paro mais uma vez naquele estacionamento em frente à igreja e só fico olhando aquelas enormes portas e tenho medo. Sim, medo.

Medo por eu não estar sendo mais fiel a mim mesmo, medo de estar perdido, ou medo de que eu finalmente me encontrei.

Eu respiro fundo e, mais uma vez, eu entro naquela igreja vazia, ando pelos corredores vagamente e vou em direção ao altar, subo os poucos degraus e paro bem diante do enorme crucifixo com Jesus no fundo do altar.

Eu o encaro diretamente e eu sinto o meu coração pesado palpitar, rasgo os botões da minha camisa, revelando o meu peito, e vejo o meu coração pulsar, formando um relevo cada vez que ele pulsa no meu peito.

As lágrimas correm deliberadamente pelo meu rosto, e o gosto salgado que elas formam ao chegar na minha boca me fazem sentir livre, finalmente. Liberto das minhas correntes.

Eu vejo um clarão branco se formar bem diante de mim, incomodando os meus olhos, sobre o crucifixo, e eu me vou um pouco mais adiante pra tocar nele e coloco as minhas mãos nas pernas do crucifixo e eu sinto uma enorme paz me penetrando, pela primeira vez em muito tempo. Dedilho aquelas pernas e suspiro profundamente.

Eu finalmente me sinto livre de qualquer culpa, qualquer dor, qualquer ressentimento.

— Evan… — ouço uma voz celestial dizer o meu nome e, ao olhar pra cima, vejo o rosto de Jesus se movendo no crucifixo, olhando pra baixo diretamente pra mim.

— Deus… — digo. — É você?

Fim.