Estrelas no Céu, Amor na Terra

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Summary

Uma mulher comum acha uma pessoa inesperada e sem imaginar oque essa pessoa, vai tornar seu mundo de cabeça para baixo, um casal perfeito em opostos lados da moeda com cenas picantes e hots detalhados. Embora sempre tenha algum vilão destinado. O tipo de aventura que acontece em mundos e reinos de magia e poder, governantes dignos ou cruéis, o ponto de vista de vários personagem diferentes sem atrapalhar na continuação da história. Novidades e acontecimento inesperados com ação e detalhes que fazem nosso corpo arrepiaram, Homens perfeitos e mulheres no poder tudo em equilíbrio com uma pitada de investigação.

Genre
Romance
Author
eri
Status
Ongoing
Chapters
3
Rating
n/a
Age Rating
18+

[A Lenda Das Maldições]

Há muito tempo, quando o mundo ainda aprendia a respirar, ele foi moldado pelas mãos de cinco grandes deuses do poder. Eram chamados de Os Sagrados, entidades tão antigas quanto o próprio tempo, responsáveis por erguer os pilares da civilização humana.

Cada um deles carregava uma essência primordial: o Branco, símbolo da pureza; o Amarelo, do orgulho; o Azul, do equilíbrio; o Vermelho, da paixão; e o Preto, da força absoluta do poder.

Para dar origem à humanidade, os Sagrados fizeram um sacrifício impensável: entregaram fragmentos de si mesmos. De cada deus caiu uma lágrima — lágrimas de alma — e, misturadas às águas do mundo recém-criado, delas nasceram os primeiros humanos.

Mas o tempo, esse escultor cruel, transformou bênçãos em fardos.

A Pureza passou a acreditar que apenas ela poderia salvar tudo e todos, fechando-se em uma rigidez impenetrável. O Orgulho esqueceu que existia para sustentar os fracos e passou a se alimentar da própria vaidade. O Equilíbrio, temendo a corrupção, afastou-se do mundo. A Paixão mergulhou na luxúria humana, perdendo-se em excessos. E o Preto… o Preto escolheu os mais fortes, isolando-se com eles, tornando-se soberano apenas em poder.

Assim surgiram famílias, casas e linhagens divididas, repletas de influência e força — e essa é a história que o tempo quase apagou.

— Pelo menos… foi isso que minha mãe me contava — murmuro.

Ao meu redor, pequenas figuras se acomodam no chão de pedra, olhos atentos, respiração contida. Crianças diferentes entre si, mas unidas pela mesma curiosidade, escutando uma das lendas mais antigas do nosso mundo.

O som incessante de passos ecoa pela praça. Sapatos batendo contra o chão anunciam compradores, mercadores e viajantes. Estou sentada à beira da fonte central de uma pequena aldeia, onde a água dança em reflexos prateados sob o sol.

Meu nome é Lis. Tenho vinte anos, cabelos volumosos e lisos, olhos profundos demais para alguém que vive se atrasando. Dizem que sou corajosa… e boba também.

Elizabeth! — a voz de Felícia corta o ar. — Te dou dois minutos pra vir aqui, agora!

Ela bate a ponta do pé no chão, repetidamente, o cansaço estampado no rosto.

— Relaxa — respondo, levantando-me devagar. Minhas roupas simples denunciam minha origem plebeia. Sacudo a saia para tirar a poeira. — Ainda estamos adiantadas.

— Mesmo assim, hoje é um dia especial. — Os olhos dela brilham. — Não está animada pra ver os lordes?

Felícia é linda: cintura fina, quadris fartos e um sorriso que sempre parece querer mais do mundo.

— Todo dia é especial pra você. E esses lordes têm idade pra serem nossos pais… ou avós.

Caminhamos pelas ruas cheias, vozes misturadas ao cheiro de pão quente e especiarias.

— Eles podiam me adotar — diz ela, sonhadora. — Eu nasci pra alta sociedade. Quem sabe encontramos um dos Sagrados? Dizem que são de tirar o fôlego.

— Aposto… — respondo, sem muita convicção.

Chegamos diante de uma igreja abandonada. As paredes rachadas guardam o silêncio do esquecimento. Felícia entra sem avisar, movida por uma animação estranha, e eu a sigo sem pensar.

Lá dentro, o ar é frio. No topo de uma escada quebrada, encontro uma criança.

Um menino de cinco anos.

Cabelos negros como a noite sem lua. Olhos azuis, profundos como o céu antes da tempestade. Havia algo nele — uma seriedade que não combinava com sua idade, uma intensidade que fazia o ambiente parecer menor.

— Trouxe comida — digo, tentando sorrir. Sempre fui boa com crianças.

Ele me observa em silêncio, analisando-me dos pés à cabeça.

— …Você tá… imunda.

Por dentro, tenho vontade de esmagar aquele pirralho.

Ele apareceu há uma semana. Eu o acolhi, mas ele fugiu para este lugar. Não forcei. Preparei tudo para que ficasse confortável. Ainda assim, educação parecia algo que ele nunca aprendera.

— Mais uma palavra, pirralho, e eu… — sorrio, gentil apenas na aparência.

— Tenta, fracote. — Ele inclina a cabeça. — Chamo os guardas. Digo que você me sequestrou e quis vender meus lindos olhos.

— Vai sonhando. Anda, temos o que fazer.

Coloco uma capa sobre a cadeira improvisada que trouxe para ele.

— Já disse que sei ler e escrever — retruca, como se previsse meus pensamentos.

— Eu sei. Já tivemos esse papo chato.

— Então? — pergunta, curioso.

— Vou te levar pra tomar banho.

Sento um degrau acima dele, exausta.

— Nem morto.

— Tudo bem… vai ser arrastado mesmo.

Meu olhar se fixa no dele. Sério. Divertido.

Então acontece.

Sem mover um dedo, o garoto usa magia.

Meu corpo se desprende do chão. Flutuo.

É uma técnica rara, restrita à realeza ou à Casa dos Pares. Um plebeu conseguir isso… é quase impossível.

O mundo gira levemente. Finjo calma, embora o estômago flutue junto comigo. Ele não parece querer me machucar — até sorrir.

O sorriso malicioso precede a queda.

Sou solta sem aviso. Caio sentada no chão de pedra, um gemido escapando antes que eu consiga conter. Quando levanto o olhar, ele está atrás de mim.

Os olhos azuis não zombam.

Estão… quase tristes.

— Você é patética — diz, baixo. — Não sobreviveria um dia de onde eu vim.

Não soa como ofensa. Soa como aviso.

— Mesmo assim, fique tranquila.

— Por quê? Vai me proteger, tampinha? — ironizo, o orgulho ferido. — Adultos cuidam dos mais novos.

— Exato. — Ele bagunça meu cabelo com ares de superioridade. — É isso que eu vou fazer. Então, quando eu for embora, não chore, bebezona.

— Embora? — meu peito aperta. — Quando?

— Era isso que te preocupava? — Ele ri, sem alegria, virando-se para a cama improvisada. — Devia se preocupar com você.

— Pra onde você vai?

— …Não importa.

Ele se senta, folheando o livro que lhe trouxe da primeira vez.

E, pela primeira vez, sinto que aquela criança carrega um peso grande demais para mãos tão pequenas.