CORAÇÃO SELVAGEM 2 O JUDEU E A VAMPIRA SENSUAL

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Summary

Após a morte de seu tio Avram em Bucareste, Ari, um jovem judeu devoto, vê-se dividido entre sua fé e uma paixão avassaladora por Danielle, uma mulher misteriosa de beleza hipnótica. O que Ari não sabe de início é que Danielle é uma criatura ancestral que se alimenta de vida. 

Genre
Erotica
Author
hashlo
Status
Ongoing
Chapters
7
Rating
n/a
Age Rating
18+

O SAGRADO E O PROFANO


O SAGRADO E O PROFANO

Ari, um jovem judeu devoto, cuja beleza e magnetismo só perdem para o seu profundo respeito às tradições, vê seu mundo colidir com o de Danielle Legrand. Ela é uma ‘abominação’ — linda, letal e envolta em uma melancolia profunda por não aceitar sua própria natureza imortal. Danielle vive na sombra da depressão, convencida de que o amor é uma impossibilidade para alguém como ela. No entanto, as ruas ancestrais de Bucareste preparam um destino onde o proibido deixa de ser pecado para se tornar inevitável.

O Sagrado e a Beleza da Vida

O sol do Rio de Janeiro costuma convidar ao excesso, mas para Ari Lian Kalfman, a verdadeira beleza residia na moderação. Aos 34 anos, sua rotina como funcionário público era pautada pela ordem e pelo dever, um reflexo direto da disciplina que sua fé judaica exigia.

Caminhando pelas ruas movimentadas, Ari era alvo frequente de olhares. Dono de uma beleza marcante e um magnetismo silencioso, ele possuía aquele tipo de presença que preenche o ambiente sem precisar de palavras. Muitas mulheres tentaram decifrar o enigma por trás de seus olhos gentis, buscando despertar nele uma chama de paixão ou um lampejo de desejo mundano.

No entanto, para Ari, faltava algo.

Embora fosse bondoso e respeitasse profundamente cada pessoa que cruzava seu caminho, nenhuma mulher havia tocado aquela nota específica em sua alma que o fizesse perder o fôlego. Para ele, o amor era algo sagrado, uma conexão que deveria transcender o físico e tocar o Eterno. Ele não buscava apenas uma companhia; ele esperava por um propósito.

Ele ainda não sabia, mas o que sua alma procurava não seria encontrado sob o céu azul da Guanabara, mas sim nas sombras ancestrais e no mistério que o aguardava do outro lado do oceano.

Ao abrir a porta de seu apartamento, o silêncio e o cheiro de café fresco foram o primeiro abraço que recebeu. Ari jogou a pasta sobre o sofá, sentindo o peso das últimas semanas de trabalho finalmente esvair-se. Seus planos para as férias eram simples: descanso, leitura da Torá e o sol suave da manhã na Praia do Leme.

O toque do telefone, no entanto, interrompeu o início de seu retiro. No visor, o nome que sempre evocava respeito: Yosef Kalfman, seu pai.

— Shalom, meu filho — a voz de Yosef do outro lado estava carregada, desprovida do entusiasmo habitual.

— Shalom, meu pai. Aconteceu algo? — Ari sentou-se, a postura automaticamente ereta.

— É sobre meu tio, Avram. Ele está muito doente, Ari. Os médicos dizem que suas forças estão se esvaindo e seus dias neste mundo se findam. — Um suspiro pesado atravessou a linha. — Ele está sozinho na Romênia. Eu não tenho mais saúde para uma viagem dessas, mas não podemos deixar um dos nossos partir sem amparo.

Ari ouviu em silêncio, sentindo o destino mudar de direção diante de seus olhos.

— Por favor, meu filho, peço que vá no meu lugar. Vá à Romênia, ajude com os preparativos necessários e dê apoio à nossa família lá. É um mitzvah, um dever sagrado.

Ari olhou para a janela, onde o Cristo Redentor observava a cidade lá fora. A ideia de trocar o calor do Rio pelas brumas de Bucareste parecia um chamado que ele não podia ignorar.

— Eu irei, pai — respondeu Ari, com a voz firme. — Se for o desejo do Altíssimo e o seu pedido, eu partirei o quanto antes.

Ele não sabia, mas ao fechar aquela mala, ele não estava apenas se preparando para um funeral; estava arrumando as malas para um encontro com o impossível.

Longe do calor tropical e da fé inabalável de Ari, o cenário mudava drasticamente. Em uma velha mansão nos arredores de Bucareste, onde as paredes de pedra pareciam absorver os segredos dos séculos, o tempo havia congelado em tons de cinza e carmesim.

Lá estava ela: Danielle Legrand.

Aos olhos de qualquer estranho, ela seria apenas uma jovem de beleza aristocrática e traços perfeitos. Mas Danielle carregava o peso de 800 anos de vida. Oitocentos anos testemunhando impérios caírem e o mundo mudar, enquanto ela permanecia a mesma — uma abominação, como ela própria se definia.

Sentada em uma poltrona de veludo desgastado, Danielle chorava. Suas lágrimas, no entanto, não eram de sangue, mas de uma angústia puramente humana que sua imortalidade não fora capaz de apagar. Em suas mãos, ela segurava o corpo ainda quente de um animal da floresta. O ato de se alimentar era, para ela, um lembrete cruel de sua condição. Cada gota de sangue que descia por sua garganta era um insulto à sua alma, que ansiava pela pureza que ela acreditava ter perdido há séculos.

A depressão era sua única companhia constante. Danielle era solitária por escolha e por medo; não aceitava o que era e, por isso, evitava o mundo. Seu coração, biologicamente morto, era um abismo de frio que ansiava desesperadamente por calor — não o calor do sangue, mas o calor de um toque, de um olhar que não visse nela um monstro, mas uma alma.

Ela não sabia, mas enquanto limpava o canto da boca e observava a lua através da janela quebrada, um jovem judeu atravessava o oceano trazendo consigo exatamente a luz que ela tanto temia e, ao mesmo tempo, desejava.

O dia da viagem amanheceu nublado, como se o céu do Rio de Janeiro quisesse mimetizar o clima cinzento que esperava Ari na Europa. Antes de seguir para o aeroporto, Ari foi à casa de seu pai para a despedida final.

Yosef Kalfman o esperava na porta. O semblante do velho estava mais sulcado do que o habitual, e suas mãos tremiam levemente ao segurar um envelope de papel envelhecido.

— Ari, meu filho — disse Yosef, a voz baixa e solene. — Pegue isto. É uma carta para os nossos parentes e para o rabino local em Bucareste. Nela explico quem você é e a nossa linhagem.

Ari aceitou a carta com reverência, mas notou que o pai não o soltou imediatamente. Yosef segurou seu braço com uma força inesperada, seus olhos fixos nos do filho.

— Tenha cuidado, Ari. Eu tive sonhos ruins... visões de sombras que não pertencem ao nosso mundo, rondando aquela terra antiga. — O velho suspirou, parecendo carregar o peso de mil anos. — A Romênia é um lugar onde o passado nunca morre de verdade. Há coisas que a razão não explica. Peço que não se desvie do seu caminho. Vá em paz, mas esteja alerta. Cumpra sua missão com fé no Altíssimo.

Ari sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele nunca vira o pai tão apreensivo.

— Não tema, meu pai — respondeu Ari, tentando imprimir confiança em sua voz. — Minha fé é meu escudo. Eu farei o que deve ser feito e voltarei para casa.

Após uma breve oração de proteção, Ari partiu. Enquanto o avião subia e as luzes da cidade ficavam para trás, o jovem judeu não conseguia tirar as palavras de seu pai da cabeça. Ele levava consigo a Torá, a carta de Yosef e uma coragem que seria testada até o limite nas noites gélidas de Bucareste.

O sagrado estava a caminho, mas o profano já o aguardava nas brumas De Bucareste.

O Despertar em Bucareste

Bucareste recebeu Ari com um ar gelado e uma arquitetura que parecia sussurrar histórias de séculos passados. Assim que desembarcou, o contraste era evidente: enquanto ele caminhava pelo aeroporto com sua postura serena e trajes discretos, os olhares femininos o seguiam com uma intensidade quase palpável. Havia algo na pureza de seu rosto e na firmeza de seus passos que despertava um desejo curioso nas mulheres daquela cidade cinzenta.

Sem se desviar de seu propósito, Ari tomou um táxi. Através da janela, viu a transição da modernidade para as ruas estreitas e góticas que levavam ao coração da comunidade judaica local.

O destino era a antiga sinagoga ligada ao seu tio-avô, Avram. Ao chegar, foi recebido pelo Rabino Mordechai, um homem de barba longa e prateada, cujos olhos pareciam ler a alma. Ari, com o devido respeito, entregou a carta de seu pai. O rabino a leu em silêncio, e por um momento, uma sombra de preocupação cruzou seu rosto, lembrando-se talvez das advertências que Yosef mencionara.

— Seja bem-vindo, Ari Lian — disse o Rabino Mordechai, guardando a carta. — Seu pai é um homem de grande visão. Este é meu filho, Davi. Ele o ajudará no que for preciso durante sua estadia.

Davi, um jovem de olhar atento, cumprimentou Ari, mas não houve tempo para longas conversas. O dever chamava. Eles seguiram para os aposentos onde Avram definhava. O quarto cheirava a ervas e orações. O tio-avô, pálido e com a respiração frágil, parecia lutar para permanecer neste mundo apenas o tempo suficiente para a chegada do sobrinho.

Foi ali, à beira do leito de dor, que Ari conheceu a Dra. Lara.

Ela era uma mulher de beleza sofisticada, com jaleco impecável e olhos que brilhavam com uma inteligência perspicaz. Enquanto explicava o quadro delicado de Avram, Lara não conseguiu esconder o interesse que a presença de Ari despertou nela. Ela estava acostumada a homens intimidados pela doença ou pela morte, mas Ari exalava uma paz e uma força espiritual que a intrigavam profundamente.

— Farei o possível para que ele não sofra, Ari — disse Lara, aproximando-se um pouco mais do que o estritamente profissional, seus olhos fixos nos dele. — Mas sua presença aqui parece ter feito mais por ele do que qualquer remédio que eu prescrevi.

Ari agradeceu com um aceno respeitoso, mantendo a distância que sua fé e seu coração exigiam. Ele sentia o interesse de Lara, mas sua mente estava em outro lugar. Ele não conseguia esquecer as palavras do pai sobre as “sombras” daquele lugar.

Enquanto Lara o observava sair do quarto, ela não sabia que a competição por aquele coração não viria de nenhuma mulher viva de Bucareste, mas de uma criatura que habitava o limiar entre a vida e a morte, escondida em uma mansão não muito longe dali