Veridiana

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Summary

Nascida para governar, moldada para obedecer… mas destinada a desafiar tudo. Desde a infância marcada pelo assassinato de seu pai, Veridiana aprendeu que fraqueza não é uma opção. Criada entre espadas, treinamentos brutais e intrigas silenciosas, ela se tornou tudo o que uma princesa não deveria ser: indomável, impulsiva e perigosamente livre. Mas o trono cobra seu preço. Com o reino à beira da guerra e sua legitimidade questionada, Veridiana é forçada a encarar um destino que sempre recusou: o casamento político. Entre pretendentes interesseiros e alianças traiçoeiras, um nome insiste em voltar — Rowan Foltest, o homem que ela mais despreza… e o único que parece capaz de enfrentá-la. Enquanto isso, segredos vêm à tona, laços são quebrados e sentimentos proibidos começam a surgir onde jamais deveriam existir. Cercada por inimigos, pressionada pela própria mãe e traída por aqueles em quem mais confia, Veridiana precisará escolher: Ser a rainha que esperam… ou a mulher que nasceu para ser. Entre desejo e dever, poder e liberdade, uma guerra muito mais perigosa está prestes a começar — dentro dela.

Genre
Romance
Author
Carol
Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

Prologo

A bochecha de Veridiana ardia, mas ela recusava-se a deixar que as lágrimas brotassem. Dizia para si mesma que seu pai desaprovaria o choro; entretanto, se ele estivesse ali, não teria permitido que ela fosse brutalmente repreendida.

As mãos de sua pobre serva ainda tremiam de nervosismo enquanto domava com habilidade os cachos negros, tecendo uma trança grossa. A menina teve pena dela. Louise tentou convencê-la com paciência a vestir o vestido de veludo negro, até que Ângela irrompeu pelo quarto, esbravejando. Veridiana suportaria a ira da rainha se não tivesse se colocado entre as duas, desafiando a mãe.

Abraçou Louise como um pedido de desculpas silencioso — amava sua babá e não queria desagradá-la. Depois, afastou-se, enxugou as lágrimas que começavam a se formar, encarou a porta como se fosse um oponente particularmente difícil e saiu do quarto.

Desceu as escadas correndo, com a serva em seus calcanhares. Os saltos das botas de caça estalavam nos degraus de pedra; Louise permitira que as usasse, já que as saias lhe cobriam os pés. No topo da escadaria principal, Matthew a esperava. O menino era alguns anos mais velho que ela, mas tinham a mesma altura, o mesmo preceptor e as mesmas horas de treinos extenuantes. Desde que se lembrava, estavam sempre grudados.

Não poderia ser diferente naquele dia. O amigo usava sua roupa de domingo; seus olhos estavam tão vermelhos quanto seus cabelos e bochechas, mas ele se mantinha firme, com o peito estufado. Não se abraçaram ou choraram juntos — encararam-se com firmeza e o menino adiantou-se para pegar sua mão.

Passaram algum tempo procurando por Arthur, mas o saguão estava tão repleto de pessoas enlutadas sendo escoltadas para o grande salão que não o encontraram. Havia gente demais para que ela pudesse se aproximar do caixão; em seu tamanho infantil, mal notaram sua presença, ainda menos por estar acompanhada do filho de um soldado.

Viu os meninos mais velhos que, como lhe informaram na noite anterior, eram seus primos. Eles circundavam o pai — um homem rotundo, de cabelos negros e olhos azuis — que se fazia o centro das atenções.

— Pare com esse escândalo, meu lorde... — suplicou a jovem esposa, com as faces rubras.

— Como posso não me emocionar? — A voz de trovão, com forte sotaque, fez calar o pequeno burburinho. — Meu irmão, meu rei, está morto! Assassinado dessa forma covarde, sem ao menos conseguir deixar um herdeiro homem. Não consigo me conter de indignação e tristeza!

Com um impulso, Veridiana foi para perto do caixão e espremeu-se entre os adultos, puxando Matthew pela manga da casaca surrada. Parou abruptamente: o caixão estava sobre dois pilares altos e ela não conseguia ver com clareza seu ocupante.

Mãos firmes apoiaram-se em seus ombros. Olhou para cima e viu os olhos verdes de Arthur, pai de Matthew. As lágrimas que ela conteve bem demais para uma garotinha de cinco anos rolaram silenciosas, e ela escondeu o rosto no tronco do homem. Arthur abaixou-se para que a princesinha pudesse enlaçar os bracinhos em seu pescoço, pegou-a no colo e afagou-lhe a cabeça. Veridiana chorou sem olhar para trás e acabou adormecendo em seus braços antes que o padre fizesse as últimas orações.