8:48 – O Código do Infinito

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Summary

8:48 da noite. O fim é o começo, e o começo é o fim. Para o agente Ethan, a missão era direta: interceptar Mika Agnes em uma festa de gala em Los Angeles e recuperar uma maleta de um bilhão de dólares. Mas o plano terminou em sangue, pânico e morte. O que deveria ser o ponto final, no entanto, torna-se um recomeço. Ao despertar exatamente no mesmo lugar, mantendo as memórias da sua própria queda, Ethan descobre que o tempo não é uma linha reta. Naquela mansão, a realidade se dobra sobre si mesma, criando um labirinto invisível onde o passado e o futuro colidem no presente. Enquanto tenta mudar o roteiro de uma noite condenada ao fracasso, ele percebe que cada escolha deixa um eco, e que algumas engrenagens já foram movidas muito antes de ele chegar ali. Na parede, um relógio congelado marca o centro dessa anomalia: 8:48. Não procure pelas horas. Procure pelo padrão. A pergunta não é o que está escondido ali... mas em qual camada do infinito você está preso

Status
Ongoing
Chapters
3
Rating
n/a
Age Rating
16+

Capítulo 1: O Eco no Pacífico


O som rítmico das ondas do Pacífico batendo contra o pier de Santa Monica era abafado pelo ronco grave do Mustang de Ethan. No rádio, um rock clássico tocava em volume baixo, mas a estática começou a ganhar força até que a voz da Central cortou a música.

— Ethan, na escuta? — A voz era metálica, fria.

— Na escuta, Central. Aqui é o Ethan — ele respondeu, ajustando o retrovisor.

— Você está a caminho da festa?

— Positivo. Quase lá.

— Perfeito. Seu alvo é Mika Agnes. Vinte e oito anos, cabelos castanhos... mas isso você sabe bem, Ethan. As câmeras mostram que ela está de vestido vermelho. Chegou em um Porsche azul com a maleta. A festa é apenas uma fachada; ela pretende vender o ativo hoje. Se isso cair nas mãos erradas, é o fim do mundo como o conhecemos.

Ethan sentiu um peso no estômago, uma sensação estranha, como se já tivesse ouvido aquela exata frase antes.

— Eu sei a gravidade. Vou fazer de tudo para detê-la. Desligando.

Ele estacionou o Mustang. Olhou-se no reflexo do vidro. O terno escuro parecia desconfortável.

— Porra, essa festa está cheia de gente esnobe — resmungou para si mesmo. — Talvez esse paletó barato não passe tanta riqueza. Da próxima, exijo algo mais chique.

Na entrada, o ar estava saturado de perfume caro e fumaça de charuto.

— Convite, por favor — disse um segurança de rosto impenetrável. Ethan entregou o cartão dourado.

Lá dentro, uma garçonete passou com uma bandeja de prata.

— Champanhe, senhor?

— Oh, obrigado.

Ele caminhou pelo salão, os olhos escaneando o ambiente até travarem no segundo andar. Lá estava ela. O vestido vermelho brilhava sob os lustres de cristal. O coração de Ethan acelerou. Ele precisava ser cirúrgico; Mika não podia reconhecê-lo.

De repente, o som da festa foi rasgado.

POW! POW! POW!

Tiros. Vinham de um barco escuro, ancorado a centenas de metros no mar.

— Que porra é essa? — Ethan gritou, vendo as taças de cristal estilhaçarem.

O pânico foi instantâneo. Gritos, empurrões, o som de cadeiras virando. No meio do caos, Mika se moveu como uma sombra, descendo as escadas e correndo em direção à saída lateral.

— Merda! Ela está fugindo!

A perseguição começou. Mika corria pelo calçadão de Los Angeles com uma agilidade impressionante.

— Para uma ladra, ela está em ótima forma — pensou Ethan, ofegante.

Enquanto corria, algo no topo dos prédios chamou sua atenção. Um vulto negro saltava entre os terraços em um parkour impecável. Uma sensação avassaladora de déjà vu atingiu Ethan como um soco. Ele cambaleou por um segundo, mas não parou. Mika atravessou a avenida movimentada, passando por entre os carros em movimento por um triz.

Ethan tentava manter o ritmo, mas sua mente estava dividida entre a mulher à frente e o homem no telhado. Quem era aquele cara? Por que parecia que ele sabia exatamente para onde Mika ia?

Distraído pela figura acima, Ethan não ouviu a buzina. O caminhão surgiu do nada. O impacto foi seco. O metal contra os ossos. Ethan foi arremessado, o asfalto frio de LA foi a última coisa que sentiu enquanto o sangue se espalhava e a visão escurecia.

O silêncio durou apenas um batimento cardíaco.

Um barulho estranho de asas batendo ecoou em seus ouvidos. De repente, Ethan estava de pé, na frente da mansão novamente. O cheiro de salitre, o barulho do mar. O tempo parecia ter dado um solavanco. Uma dor de cabeça lancinante perfurou sua têmpora.

Ele olhou para o próprio pulso. O relógio digital marcava 8:48.

— O senhor saiu da festa e voltou? — perguntou o mesmo segurança de antes, confuso.

Ethan piscou, desorientado. Seu terno estava seco. Sem sangue. Sem dor, exceto pela pulsação no crânio.

— Como assim?

— O senhor acabou de entrar, senhor. Esqueceu algo no carro?

— Ah... sim. Fui pegar algo. Obrigado — respondeu Ethan, a voz trêmula.

Ele entrou no salão novamente. O estômago revirou. Do outro lado da festa, perto do bar, ele viu... ele mesmo. O outro Ethan estava pegando uma taça de champanhe com a garçonete.

— Que porra é essa? Como eu estou ali? E cadê a Mika? Central? Central, alguém na escuta?

O rádio só emitia estática. O número 8:48 brilhava em um painel eletrônico de temperatura na parede. Ethan sentiu que o mundo ao seu redor estava gaguejando, como uma fita gasta.

Ethan ainda surpreso, teve uma ideia.