Entre a Fé e a Morte

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Summary

Em Vila das Brumas, a fé é o que mantém a cidade de pé, mas os pecados enterrados sob o convento estão prestes a despertar. Quando o Padre Tomás é brutalmente assassinado em uma capela abandonada, deixando para trás apenas um terço partido, a cidade mergulha em um pesadelo. Uma figura misteriosa, vestida com o hábito tradicional e olhos vendados por uma faixa negra, espalha o terror: a "Freira Cega".* *Maya Sampaio, uma jovem fotógrafa que retorna à cidade buscando respostas sobre seu passado, acaba se tornando a principal testemunha — e o próximo alvo. Entre a proteção obsessiva do policial Calebe e o charme magnético do enigmático Julian, Maya se vê presa em um triângulo amoroso perigoso, onde confiar na pessoa errada pode significar a morte.* *Mas a polícia não faz ideia de que não está enfrentando apenas uma assassina, mas um trio de sombras movido por vingança. Em uma trama de 125 capítulos, onde segredos de família são revelados e a comédia caminha lado a lado com o suspense, Maya precisará descobrir quem são as três mulheres por trás do hábito antes que o próximo terço seja partido.*

Status
Ongoing
Chapters
6
Rating
n/a
Age Rating
13+

Capítulo 1: O Retorno à Neblina (Continuação)

O coração de Maya batia tão forte que ela podia ouvi-lo ressoar em seus ouvidos, competindo com o tamborilar da chuva. Ela travou as portas do carro, as mãos suando sobre o volante. *O que foi aquilo?* Ela se perguntou, a respiração curta. Aquela freira... não parecia humana. O jeito como ela se moveu, a precisão ao partir o terço... era como se ela estivesse cumprindo um ritual.


Maya forçou o carro a dar a partida. O motor engasgou, protestou, mas finalmente rugiu, permitindo que ela fugisse dali o mais rápido possível. Ela não olhou para trás, mas a imagem daquela faixa preta cobrindo os olhos da mulher ficou gravada em sua mente como um pesadelo vívido.


Vinte minutos depois, ela estacionava em frente à Pousada das Brumas. O letreiro de neon piscava, falhando, dando ao lugar um aspecto ainda mais decadente. Ao entrar, ela foi recebida pelo calor de uma lareira e pelo cheiro reconfortante de café fresco.


— Menina, você está pálida como um fantasma! — exclamou Bibi, a dona da pousada, ajustando seus óculos de aro grosso enquanto limpava o balcão. — O tempo na estrada deve ter sido um horror, não?


Maya tentou sorrir, mas seus lábios tremiam.

— Eu... eu acho que vi algo na estrada, Bibi. Perto da capela velha. Uma freira.


Bibi parou o que estava fazendo, o sorriso desaparecendo. Ela trocou um olhar rápido com o quadro de santos na parede.

— A Capela de Santa Fé está fechada há anos, querida. Ninguém pisa lá. Talvez tenha sido apenas o cansaço... ou a névoa pregando peças na sua cabeça.


Maya não respondeu. Ela subiu para o quarto, mas antes que pudesse trancar a porta, ouviu o som de sirenes cortando a noite silenciosa da cidade. O som vinha exatamente da direção da capela.


Enquanto isso, a poucos quilômetros dali, o policial **Calebe** chegava ao local do crime. Ele mal tinha terminado seu turno, mas o chamado de urgência o obrigou a voltar. Ao entrar na capela, a luz de sua lanterna varreu o altar. Ele viu o corpo do Padre Tomás caído sobre o mármore frio. E, ao lado da mão do padre, algo que fez o estômago de Calebe revirar: um terço partido, com as contas espalhadas como gotas de sangue negro.


Ele sabia que a paz em Vila das Brumas tinha acabado. Ele só não sabia que a mulher por quem ele sempre foi apaixonado — Maya — estava bem perto de se tornar o alvo principal daquela loucura.