Forbidden Romance

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Summary

Amigos de infância. Uma regra inquebrável. Um desejo que ignora o bom senso. Bem-vindo ao mundo de Forbidden Romance, onde o que é errado parece ser a única coisa certa.

Genre
Erotica
Author
Lalinda
Status
Complete
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

Oneshot

Haruko on...

Bom, por onde começar?

A exaustão tinha gosto de café de má qualidade e noites insones. A faculdade, com sua promessa de futuro brilhante, havia me roubado o presente: minha energia, meu tempo, e, francamente, minha sanidade. As últimas provas tinham sido um inferno burocrático, e quando finalmente saí do campus, senti o alívio pesado de quem escapa da prisão.

Foi no mês de outubro que decidi resgatar um pouco da minha antiga vida. As férias, finalmente.

Meu destino era a casa dos meus padrinhos, Maitê e Tajima, a quinhentos quilômetros da cidade grande. Eles já tinham me convidado antes, inúmeras vezes, mas eu estava sempre "ocupada com a faculdade," a desculpa universal para o cansaço. Dessa vez, porém, decidi seguir um impulso: fazer uma surpresa e ir sem avisar. Eu precisava de uma dose de espontaneidade. Eu precisava, mais do que tudo, daquele calor familiar que a universidade não podia oferecer.

A viagem de trem foi longa, mas o som ritmado dos trilhos e o sol de outono filtrado pela janela eram um bálsamo. Eu pensava na Maitê. Maitê era o tipo de madrinha que cheirava a pão doce e carinho, sempre com um abraço pronto. E Tajima, meu padrinho, o grande contador de histórias que sabia inventar aventuras mais rápido do que respirava.

Quando cheguei, a casa parecia a mesma, acolhedora e com aquele cheiro inconfundível de lar. A surpresa foi um sucesso estrondoso.

"Filhinha!"

Maitê surgiu na porta, o rosto se iluminando como um farol, e me envolveu em um abraço que quase me esmagou. O cheiro dela - baunilha e lavanda - fez meus olhos marejarem.

"Eu não sabia que você vinha, Haruko!"

"Pois é, decidi fazer uma surpresa," eu disse, sorrindo de orelha a orelha. "Tcharam!"

O alvoroço, no entanto, atraiu outro morador da casa, Madara, que desceu as escadas com uma lentidão calculada, a expressão inicial de quem foi interrompido, mas que rapidamente se transformou em algo diferente, algo mais... atento.

Madara, meu protetor, meu vizinho, meu primo-de-mentira desde os tempos de escola, estava parado no arco da sala de estar.

E a primeira coisa que notei foi que ele não era mais o garoto que eu lembrava.

No ano retrasado, quando nos vimos pela última vez, ele era atlético, sim, mas com uma leveza de quem ainda estava crescendo. Agora, ele era uma muralha. A camisa escura que ele vestia parecia apertar levemente os bíceps, e seus ombros eram visivelmente mais largos. Mas o que realmente me atingiu foi o olhar: ele percorreu meu corpo da cabeça aos pés em um piscar, e o sorriso de canto de boca que ele abriu a seguir não era de um amigo.

Era adulto. Era... avaliativo.

MADARA: É a pequenez?

Maitê sorriu, visivelmente feliz com o reencontro. O termo "pequenez" era um apelido que ele me dera quando eu tinha dez anos e era a única pessoa na casa que precisava de uma escada para alcançar o pote de biscoitos.

- Pequenez é a vovozinha! - retruquei, sentindo um calor subir ao meu pescoço, mas mantendo o tom de deboche. Era nossa dança, nossa rotina de provocação.

Maitê: Já vai começar a implicar com ela, Madara? Deixa a menina respirar.

- Ele adora tirar onda com a minha cara, tia. Parece que sou palhaça! - Respondi, sentindo o jogo de volta fluir naturalmente.

Madara não se moveu, apenas inclinou a cabeça, mantendo aquele sorriso que me deixava inexplicavelmente nervosa.

MADARA: Eu até que senti saudades.

- Eu também - debochei. - Imagina como foi difícil para mim começar uma nova etapa da minha vida sem o meu priminho.

MADARA: Você quer dizer o seu segurança pessoal.

- Também! Mas olha só, acredita que eu aprendi a brigar? - Cruzei os braços, copiando sua pose, e forcei o sorriso mais inocente que pude. - É verdade. Você não acredita? Então mexe comigo para você ver!

Madara soltou uma risada grave, rouca. O som era novo, e reverberou em mim de uma forma inesperada.

MADARA: Coitada.

- Como assim coitada? Coitada da Vovozinha!

Num ímpeto infantil e nostálgico, tentei acertar um soco (o mais fraco possível) no peito dele. Mas ele foi mais rápido. Em um movimento fluido e surpreendentemente forte, ele segurou minha cintura com uma mão, me levantou do chão e me jogou no ombro dele, como se eu pesasse o mesmo que uma pena.

Ele começou a rodar a sala, e a vertigem instantânea me fez soltar um grito misturado de pânico e riso. Minhas mãos apertaram o tecido duro da sua camisa. O cheiro dele, uma mistura de colônia e suor fresco, me invadiu.

- Ah! Me põe no chão, seu gorilão! - eu gritava, dando tapas nas suas costas, que eram sólidas como concreto. - Ai, meu Deus, a minha saia! A minha calcinha vai aparecer! Tia, manda ele me colocar no chão!

Maitê: Coloca ela no chão, filho. Já chega de bagunça. - Ela sorriu, já acostumada com o nosso circo particular.

Ele obedeceu. Me colocou no chão com uma suavidade surpreendente para um "gorilão", mas a tontura ficou. A sala inteira rodava, e eu cambaleei um passo antes de me equilibrar, ajeitando a saia que quase cedia à gravidade.

Nesse momento, meu padrinho, Tajima, desceu as escadas com uma cara de poucos amigos, atraído pelo barulho.

TAJIMA: Mas que barulheira é essa?

- Oi, padrinho... - Eu disse, ainda um pouco zonza, tentando firmar os pés.

TAJIMA: Haruko?

Ele relaxou imediatamente e se aproximou. Ele me deu um abraço apertado e um beijo demorado na testa.

- Oi, filha. Você veio sozinha? E os seus pais?

- Estão bem, eu vim só.

TAJIMA: Eu não sabia que você vinha, teria ido te buscar no aeroporto.

- Eu queria fazer uma surpresa.

Maitê: E que surpresa! Parece que vocês até se combinaram para vir para cá.

- Combinamos?

Madara, que tinha se escorado na parede, respondeu, sem tirar os olhos de mim:

MADARA: Eu também cheguei ontem.

A coincidência me fez sorrir. Duas semanas na casa de Maitê e Tajima, e eu teria meu segurança pessoal por perto.

Maitê: Vocês não vão ter problemas em dividir o quarto, como quando eram pequenos, certo?

Eu e Madara nos entreolhamos.

- Por mim, tudo bem. - respondi rapidamente, sentindo um ligeiro formigamento.

MADARA: Tanto faz. - Ele deu de ombros, mas um micro sorriso permaneceu nos lábios dele.

O quarto era grande, mas a ideia de ter Madara lá, com aquela presença nova e adulta, de repente parecia... apertada.

*

*

*

Mais tarde, Madara me ajudou a levar as minhas malas para o quarto. O silêncio enquanto arrumávamos as coisas era confortável, mas pontuado por uma tensão sutil que eu não sabia nomear. Era só ele e eu no mesmo espaço, com duas camas de solteiro separadas por um abajur antigo.

Dividimos o lugar e, logo, estávamos na nossa velha rotina de confidências. Deitei-me na minha cama, e ele na dele, e começamos a conversar sobre as últimas novidades. Falamos sobre nossos relacionamentos desastrosos. Eram fatos piores do que os outros, cada um mais ridículo na sua intensidade e falta de futuro.

- Meu último namorado tinha a personalidade de um pepino e a capacidade emocional de uma pedra

- eu resumi, rindo, mas sentindo o peso da minha frustração.

MADARA: Eu entendo. A minha última achava que eu deveria ler a mente dela. Se eu perguntasse o que estava errado, era pior. Se eu não perguntasse, era pior ainda. - Ele revirou os olhos. - Um desastre completo.

As conversas sobre relacionamentos sempre foram o nosso ponto de conexão mais íntimo, a prova de que, apesar das brincadeiras, ele era o único que realmente me entendia. Ele sabia exatamente o que estava por trás das minhas risadas forçadas.

- Foi bom te rever. - eu disse, sentindo uma onda de gratidão pela sua presença.

- Para mim também.

Ele abriu uma das minhas malas pequenas, onde guardei a roupa de baixo, e pegou um dos meus sutiãs de renda preta, segurando o tecido delicado entre os dedos grossos. O contraste era notável. Ele não estava apenas olhando para uma peça de roupa íntima; ele parecia estar analisando um artefato.

MADARA: Você nem tem peito para colocar nisso. - Ele sorriu com a provocação, mas seus olhos, agora intensos, não estavam rindo.

- Claro que tenho! - tomei a peça da mão dele, sentindo minhas bochechas esquentarem.

MADARA: Não parece.

- Quer ver?

A frase escapou de mim como um raio, e eu mesma me arrependi no segundo em que as palavras deixaram minha boca. Joguei o sutiã na cara dele para disfarçar o nervosismo.

- Seu pervertido!

Ele riu, mas a risada não alcançou os olhos. Aquele momento, com o quarto iluminado apenas pela luz do fim de tarde, parecia mais carregado do que qualquer conversa. Guardei as peças apressadamente.

Por fim, terminamos de arrumar. Minha madrinha bateu na porta.

Maitê: Quinze minutos, quero vocês dois na mesa!

- Tá bom, madrinha!

Madara levantou rápido da cama.

- Parece que voltamos a ter dez anos. - Ele tirou a camisa com um movimento casual, mas que me fez engolir em seco. Ele estava mais definido do que eu me lembrava.

- Eu vou tomar banho primeiro! - eu declarei, correndo para o banheiro.

- Ah, não, Haruko, deixa eu ir...

Eu parei, meu lado provocador assumindo o controle. Tirei minha blusa e minha sainha, ficando apenas de lingerie na frente dele, meu coração batendo uma marcha descompassada. Não era a primeira vez que ele me via assim quando éramos pequenos, mas definitivamente era a primeira vez que ele me via assim, agora.

Ele parou no meio do caminho, petrificado. Seus olhos escanearam a renda branca, demorando-se em lugares específicos que me fizeram sentir um calor desconfortável.

- O que foi? - perguntei, fingindo inocência.

MADARA: Negativo. Eu já disse que vou primeiro.

- Tá, então tá. - Eu dei de ombros, mas sabia que tinha vencido a batalha.

Ele pegou a toalha e entrou no banheiro, batendo a porta com mais força do que o necessário. Eu sorri.

Entrei no banheiro, mas antes que pudesse ligar o chuveiro, ele voltou.

MADARA: Haruko, ela não me chamou coisa nenhuma.

- Não? Então eu me enganei? - Eu ri, sentindo a adrenalina da provocação.

MADARA: Você é muito cínica, não acha não?

- Às vezes...

Eu sabia que estava brincando com fogo. Mas a tensão entre nós, esse novo Madara, era uma droga da qual eu não conseguia ficar longe. A forma como ele me olhava... nunca ninguém me olhou daquele jeito.

Liguei o chuveiro, sentindo a água quente relaxar meus músculos tensos. Aquele momento de paz, porém, foi interrompido por um pensamento: o que teria acontecido se eu não tivesse inventado a desculpa da Maitê?

Saí do banho vinte minutos depois, envolta na minha toalha mais macia.

MADARA: Finalmente, né.

- Vai ficar me olhando? É melhor ir logo tomar o seu banho.

Ele obedeceu, mas antes de fechar a porta, seus olhos encontraram os meus no espelho. Foi um olhar rápido, mas demorado o suficiente para me desestabilizar.

O jantar foi demais, como sempre. Meu padrinho contava suas histórias que, apesar de serem mentiras totais, eram únicas e faziam a Maitê rir de um jeito especial. A atmosfera familiar era o que eu precisava.

*

*

*

Duas semanas se passaram como um raio. O ritmo da casa era lento, reconfortante, mas a convivência constante com Madara estava me deixando à beira de um precipício emocional.

Estávamos no quarto, Madara deitado na cama e eu com a cabeça apoiada na perna dele, lendo um livro. Era uma pose de intimidade platônica que havíamos mantido desde a adolescência, mas agora parecia forçada. O toque da sua perna sob minha cabeça, o calor do seu corpo, me distraía da leitura.

De repente, ele parou de folhear a revista que estava lendo e, do nada, começou a dedilhar meus lábios com o polegar direito. Era um toque leve, hesitante, mas que me fez paralisar.

MADARA: Não tinha percebido como você tem uma boca bonita.

A frase era simples, mas o efeito foi estrondoso. O polegar dele era áspero contra a pele sensível da minha boca. Eu me sentei rapidamente, peguei o espelho da penteadeira e observei meus lábios, tentando parecer casual.

- Verdade?

Nós sorrimos juntos, o nervosismo pairando no ar.

- Escuta, às vezes tenho a impressão que você me atrai. - confessei, porque a honestidade sempre foi a regra não dita entre nós.

MADARA: Mesmo? - Ele riu, mas havia um tremor em sua voz. - Isso é loucura, Haruko. Somos amigos, somos quase...

- Pois é.

Ninguém precisava dizer a palavra "irmãos" para sabermos que a linha estava ali, e que estávamos prestes a cruzá-la.

- Escuta, Haruko, você vai sair mesmo com o Kimimaro?

Kimimaro era um amigo de Madara, bonito e superficial. Um flerte de verão que eu havia conhecido rapidamente através dele.

- Ele é um gatinho... O que você acha?

MADARA: Ele é um babaca.

- Ele é seu amigo, e foi você mesmo quem disse que eu deveria sair com ele para "esquecer a faculdade e me distrair."

MADARA: Eu sei, mas eu não quero que você se iluda com ele. Você sabe que entre você e ele, eu defendo você. Ele não é bom o suficiente.

Eu me aproximei e o abracei, tentando dissipar a tensão com carinho.

- Eu sei, Madara. Mas eu acho que você está com ciúmes...

Madara me deu um tapa não muito forte na nuca.

- Ai, seu!

Sentei em cima dele, peguei o travesseiro e comecei a bater nele, a risada vindo fácil. Era um alívio descarregar a tensão em uma briga física boba.

MADARA: Se eu fosse você, sairia dessa posição. Afinal de contas, eu ainda sou um homem.

Eu senti o calor do seu corpo sob o meu, a respiração dele alterada, o peso da sua mão na minha coxa. Eu dei uma travesseirada final na cara dele, ignorando a ereção que eu podia sentir sob mim.

- Seu nojento! - eu disse, mas meu coração estava acelerado por mais de um motivo.

Depois da nossa guerra de travesseiros, Madara saiu do quarto, dizendo que ia beber água. Eu aproveitei a ausência.

Entrei no box, liguei o chuveiro e deixei na água fria. A água fria era minha tentativa desesperada de esfriar a cabeça e os pensamentos.

- É melhor lavar os cabelos.

Terminei o banho, me enrolei na toalha felpuda e saí do box. Fiquei no banheiro, que era grande, a fim de secar o cabelo. Eu estava quase acabando de secar quando ouvi o barulho da porta do quarto abrindo. Chamei a pessoa que entrou, mas não houve resposta. Voltei a secar meu cabelo, achando que fosse Maitê.

MADARA: Você está linda.

Levei um tremendo susto e acabei deixando o secador cair no chão. Madara estava escorado no batente da porta, com os braços cruzados, e sorria. Mas não era um sorriso de deboche; era de admiração.

- Está maluco?

MADARA: Te assustei?

- Ah, idiota! Você tem que parar de fazer essas coisas!

Me abaixei para pegar o secador. Meu corpo, envolto apenas em uma toalha, estava tenso. Percebi que ele continuava quieto, os olhos fixos em cada movimento que eu fazia. Às vezes, ele era tão misterioso, tão intenso. E confesso que eu curtia muito isso.

MADARA: Está só de toalha?

Assenti com a cabeça e voltei a tentar secar o cabelo, ignorando-o.

MADARA: Deixa eu ver.

Sua voz era baixa, quase um comando. Eu o encarei, estranhando a reação. Ele nunca tinha pedido para me ver nua. Madara, o meu Madara, era o único homem que eu nunca tinha considerado além da amizade. Mas naquele momento, algo nele havia mudado.

Resolvi não ligar para o que era certo. Imediatamente senti uma curiosidade insaciável de saber qual seria a sua reação. Eu o desafiei.

Soltei o secador. Meus dedos foram até o nó da toalha. Respirei fundo e puxei o tecido, deixando-o deslizar e cair no chão. O frio do ar condicionado atingiu minha pele, mas fui imediatamente substituído pelo calor do seu olhar.

Ele se manteve parado por um longo segundo, analisando. Não havia malícia barata em seu olhar, mas um desejo profundo e respeitoso. O silêncio era tão denso que podíamos ouvi-lo. Ele então veio andando lentamente até mim.

Seus lábios roçaram os meus ouvidos, e sua voz, agora um sussurro grave, me fez arrepiar da nuca aos pés.

- Você é muito linda, Haruko. Tão linda...

Fechei os olhos. Senti sua mão apertar um dos meus seios por cima da pele, e o ar faltou nos meus pulmões. O arrepio foi elétrico, o corpo todo respondendo àquele toque proibido.

- Isso aqui fica entre nós dois... - continuou sussurrando.

Ele me colocou sentada sobre o balcão da pia, de forma que nossos corpos estivessem alinhados, e me beijou.

Não era um beijo de amigos. Era a explosão da tensão acumulada em duas semanas, e talvez, em dez anos. Fiquei sem reação por um segundo, mas logo em seguida correspondi o beijo com uma intensidade desesperada.

Ele separou nossas bocas por um instante e agarrou um dos meus seios com mais firmeza. A dorzinha prazerosa me fez gemer baixinho. Em seguida, ele começou a chupar o bico de um dos meus seios, enquanto continuava apertando o outro. Segurei os seus cabelos, instigando-o a continuar. Cerrei as pernas, sentindo uma louca excitação se concentrar entre elas.

Ele começou a descer para o meio das minhas pernas, deixando um beijo quente entre minhas coxas, o que me fez arquear a coluna em busca de mais. O prazer era tanto que eu faltava implorar por mais.

"Isso é tão bom que eu deixaria ele fazendo essa maravilha a noite toda..."

O pensamento me atingiu como um balde de água fria. "Mas o que eu estou dizendo? Volto à realidade."

Eu o empurrei para longe, desci do balcão e me cobri novamente com a toalha. O ar estava pesado, carregado de feromônios e confusão. Ele me olhou, sem entender.

- Isso está errado!

MADARA: O que está errado?

Ele se aproximou novamente, mas me afastei e saí do banheiro com os cabelos ainda molhados.

- Isso! Tudo o que aconteceu está muito errado! Você é o meu melhor amigo, além disso somos como irmãos! Nos conhecemos desde sempre, Madara. Sinceramente, eu não queria estragar nossa amizade, eu não vejo você desse jeito! - A mentira me doeu na garganta, mas era o que eu precisava dizer. - Sendo sincera, eu acho que estou gostando do Kimimaro, e isso que a gente acabou de fazer jamais pode se repetir. Nunca!

A expressão de Madara mudou. O desejo foi substituído por uma mágoa fria.

MADARA: É. Você tem razão. Não sei onde eu estava com a cabeça... Me perdoa, por favor.

Ele saiu do quarto rapidamente.

Sentei-me na cama com o coração na mão, os cabelos gotejando e a mente um caos. "Que merda está acontecendo comigo?"

Por pouco, eu teria minha primeira vez com o Madara. Justo o meu melhor amigo e quase irmão? Que loucura, meu Deus. Isso não pode se repetir nunca mais. Nunca mesmo.

Terminei de me arrumar, vestindo uma calça jeans e uma blusa qualquer. Fiquei esperando o Kimimaro, com a determinação de que um date normal apagaria o fogo que Madara tinha acendido.

Madara e eu passamos dois dias inteirinhos sem se falar. O silêncio no quarto era opressor. Meus padrinhos estavam curiosos, afinal, nunca tínhamos ficado indiferentes por tanto tempo. Maitê me perguntou se tínhamos brigado, mas eu apenas balançava a cabeça, dizendo que estávamos "ocupados demais estudando".

Terminamos o almoço no segundo dia. Eu fui para a sala esperar Kimimaro, que havia marcado de me buscar às três. Esperei durante horas, checando o celular a cada cinco minutos. Às seis, a ficha caiu. Ele não viria. Nem sequer mandou mensagem. O babaca. Madara estava certo.

Peguei minha bolsa que estava jogada no chão e voltei para o quarto, sentindo uma frustração pesada. Ele estava deitado na cama, sem camisa, de olhos fechados. Evitei olhá-lo, peguei meu casaco e me dirigi à porta.

MADARA: Ele não veio?

A voz dele era neutra. Eu parei na porta, sem me virar.

- Como?

MADARA: Kimimaro. Ele não veio te buscar.

- Engano seu. Eu cancelei e decidi sair sozinha.

Deixei a bolsa em cima de uma poltrona e saí antes que ele pudesse responder. Fui em um barzinho próximo de casa. Pedi um chopp e o bebi em silêncio. Não estava com vontade de socializar; eu só queria me entorpecer um pouco para calar a voz que gritava que eu havia estragado minha melhor amizade por causa de um desejo idiota. Eu bebi um pouco, o suficiente para sentir a cabeça leve e a raiva diminuir.

Madara me levou para casa. Eu não me lembrava de ter ligado para ele, mas ele apareceu no bar, silencioso e sério. Ele me segurou no carro com uma firmeza gentil, e em casa,Madara me levou para casa. Eu não me lembrava de ter ligado para ele, mas ele apareceu no bar, silencioso e sério. Ele me segurou no carro com uma firmeza gentil, e em casa, tirou a minha roupa encharcada de cerveja.


Ele me ajudou a entrar debaixo da água fria do chuveiro. Ele ficou todo molhado, o cabelo pingando e a camisa escura grudada no peito. O cuidado que ele tinha comigo, a forma como ele esfregava meu cabelo e me ajudava a lavar o rosto, me fez sentir de volta aos três anos, quando minha mãe e minha madrinha faziam isso.


Assim que consegui um pouquinho de juízo, me enrolei na toalha, Madara me vestiu com uma camisola macia de algodão, e me deitou na cama.


Ele mudou de roupa, secou o cabelo com a toalha e se sentou ao meu lado na minha cama, sem me olhar.


MADARA: Por que você estava bebendo, Haruko?


Fiquei em silêncio. Não queria falar bobagens e acabar deixando nossa relação pior. Cobri-me com o edredom da cabeça aos pés. O calor da cama era reconfortante.


- Dorme comigo aqui na cama hoje?


A pergunta veio abafada pelo edredom.


MADARA: Quê? - Ele puxou o edredom, e eu sentei na cama.


- Eu sinto sua falta, Madara. Do meu amigo.


Vi um sorriso triste em seus lábios. Ele deitou, puxou um pouco do edredom, cobriu-se, e ficamos deitados em silêncio. A proximidade era diferente; não havia mais raiva ou tensão sexual, apenas uma profunda necessidade de conforto.


Eu me virei para ele, olhando para a escuridão do quarto.


- Que tal uma amizade colorida?


Ele me olhou sem entender, confuso na penumbra. Fiquei em cima dele e o beijei, segurando seu rosto.


- Eu quero ser sua...


Ele se sentou na cama e encostou na cabeceira, ainda me deixando em cima dele.


MADARA: Por que isso agora? Você mesma disse que isso era errado, que ia estragar nossa amizade. Agora me beija do nada.


- Porque eu não consigo esquecer o que aconteceu no banheiro. E porque você se preocupa comigo de um jeito que o Kimimaro nunca faria. Eu não quero te perder, mas não consigo te ver só como amigo.


Dei um selinho nele.


- Amizade colorida?


MADARA: Isso. Quer dizer que podemos ficar com outras pessoas, e ninguém pode saber do nosso relacionamento além de nós mesmos?


Eu concordei, sentindo o medo e a excitação se misturarem. A regra era uma mentira, uma forma covarde de proteger nosso coração, mas era a única ponte.


Após ele dizer isso, ele me puxou para mais perto e nos beijamos. Desta vez, o beijo não era de desespero; era de aceitação. Senti suas mãos deslizando por baixo da minha camisola de algodão. Ele me empurrou para a cama, e entrou dentro da minha roupa, com a determinação de quem finalmente cede a um desejo antigo.


Ele começou a chupar o biquinho de um dos meus seios, a língua quente e firme, me fazendo ofegar. Fechei as pernas, já me sentindo completamente molhada. Ele começou a descer devagar, o caminho do beijo traçado na minha pele. Chupando e mordendo a região das minhas pernas, ele abriu minhas pernas, e senti seus dedos avaliarem o tecido da minha calcinha.


Ele mordeu minha intimidade com vontade por cima do pano, e aquilo me causou um prazer tão gostoso que eu precisei morder a própria mão para não gritar.


MADARA: Haruko...


Ele tirou minha peça íntima, e me arrepiei toda quando ele enfiou a língua na minha intimidade com uma vontade selvagem. Aquele prazer me arrancou gemidos como eu nunca tinha imaginado. Naquele momento, senti uma vontade insaciável de ir até o fim com aquela brincadeira.


- Madara... - eu ofeguei, sentindo as ondas de prazer me levarem para longe de qualquer lembrança de faculdade ou de regras. No escuro, éramos apenas desejo. E a amizade, por enquanto, podia esperar. Madara, com os olhos escuros fixados nos meus, não esperou por mais palavras. Ele me puxou para baixo, deitando-me na cama com uma urgência que traía sua pose de indiferença. O beijo que se seguiu era faminto, uma mistura de alívio e desejo represado. Sua boca procurava a minha como se estivesse perdido e finalmente encontrado o caminho de casa. O gosto residual de vinho da minha boca se misturava com o hálito quente dele.


Senti suas mãos grandes e fortes deslizando por baixo da minha camisola de algodão, o tecido fino e frio cedendo ao calor da sua pele. Quando ele me empurrou para a cama, sua intenção era clara: não havia mais irmãos naquele quarto, apenas dois adultos cedendo à inevitabilidade.


Ele se elevou apenas o suficiente para arrancar a camisola por cima da minha cabeça. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela fraca luz laranja da rua que entrava pela janela, mas eu podia sentir o peso do seu olhar, a admiração silenciosa que ele mal podia conter. Nua sob o edredom, eu me senti exposta, mas, estranhamente, mais segura do que nunca.


Ele se aninhou entre minhas pernas, e eu fechei os olhos quando ele recomeçou a beijar meu corpo. Seus lábios úmidos e quentes traçaram uma trilha tortuosa do meu umbigo até a pele sensível da minha virilha. O tato dele era um dom, e cada toque era carregado com o peso de todos os anos que esperamos por aquele momento.


Ele usava as mãos para apertar e massagear as coxas, enquanto seus beijos se concentravam na parte interna da minha coxa, deixando a pele úmida e arrepiada. Eu estava completamente à sua mercê, meus dedos se afundando no seu cabelo, puxando-o levemente para mais perto.


MADARA: Eu mal posso acreditar que estamos fazendo isso... - A voz dele era grave e rouca, um mero sussurro que vibrava contra a minha pele.


- Não diga nada. - Eu implorei, incapaz de articular um pensamento lógico. Se ele falasse, a realidade voltaria e eu teria que fugir.


Ele me obedeceu, mas sua boca se tornou mais exigente. Ele abriu minhas pernas ainda mais, e a língua dele fez contato com a pele mais sensível, me arrancando um grito abafado pelo travesseiro. A pressão era perfeita, a umidade, a cadência. Ele me atacava com uma adoração que me fez chorar.


Meu corpo se arqueava involuntariamente. Eu agarrava os lençóis, minhas unhas arranhando o tecido macio do edredom. As ondas de prazer me atingiam em sucessão rápida, cada uma mais forte que a anterior. Minha respiração era um desastre, e eu só conseguia balbuciar o nome dele, como se ele fosse a única palavra que restava no meu vocabulário.


- Madara... Madara, por favor!


Ele parou de repente, me deixando ofegante e tremendo na beira de um precipício.


Ele me olhou nos olhos na escuridão, e o desejo ali era quase palpável, queimando.


MADARA: Eu quero estar dentro de você. Mas se for para fazer isso, Haruko, tem que ser... completo. Sem pressa.


O tom dele era sério, pesado, carregado com a responsabilidade que ele sentia por mim. Aquele momento de pausa, em que ele esperava meu consentimento total, era mais íntimo do que qualquer toque. Eu mal podia falar, mas sabia que não havia mais volta.


- Sim. - Minha voz era um fio, mas carregava toda a minha convicção. - Eu quero.


Ele subiu na cama, pairando sobre mim. A pele dele estava quente contra a minha. Ele tirou a cueca com pressa, e eu mal tive tempo de processar a visão do seu corpo adulto e forte, antes que ele estivesse de volta, nos beijando de novo.


Ele posicionou-se entre minhas pernas, roçando-se em mim, prolongando a agonia da espera. Eu sentia meu corpo implorar, e a ansiedade era quase dolorosa.


- Madara, anda logo!


Ele sorriu, aquele sorriso de canto de boca que eu odiava e amava. Ele segurou minha cintura e, com uma lentidão deliberada que me fez gemer de frustração, começou a me preencher.


O processo foi lento, mas a sensação foi avassaladora. Era uma dor suave, um esticamento intenso, mas imediatamente substituído pela plenitude. Ele era grande, quente, e ele estava ali, onde ninguém mais jamais esteve.


Ele parou, permitindo que meu corpo se ajustasse ao seu. Meus braços envolveram seu pescoço. Eu prendi a respiração.


- Está tudo bem? - Ele perguntou, a voz baixa de novo, a testa suada tocando a minha.


- Sim. - A palavra era mais um suspiro.


Ele começou a se mover, e o ritmo era lento, profundo, construído com o cuidado de quem sabia que aquela era a primeira vez. Mas logo o cuidado deu lugar à necessidade mútua. Meus gemidos se tornaram mais altos, e ele não se conteve mais.


Ele acelerou, os músculos das suas costas tensos sob o meu toque. Eu o recebia com um abandono que nunca soube que possuía. O som de nossos corpos se chocando no silêncio do quarto parecia o som de uma promessa sendo selada.


Meu monólogo interno estava extinto. Havia apenas sensações: o cheiro de pele, o calor sufocante, o ritmo da penetração, os gemidos de Madara se misturando aos meus. Eu não estava pensando em Kimimaro ou na faculdade. Eu só pensava em Madara. Meu amigo, meu protetor, meu primeiro amor.


O clímax veio como um choque elétrico. Eu gritei o nome dele, e ele se inclinou sobre mim, beijando meu pescoço, meu ombro, me abraçando com toda a força enquanto ele também atingia seu ápice.


O peso dele sobre mim era imenso, mas eu não o queria longe. Fiquei ali, sob o corpo dele, a respiração de ambos ofegante e rápida.


*


*


*


Quando a respiração normalizou, Madara rolou para o lado, puxando-me para o seu peito. O lençol estava bagunçado, os corpos suados, e o silêncio que se instalou agora não era tenso, mas estranhamente... cúmplice.


- Isso... foi real. - Ele disse, a voz ainda rouca.


- Tão real que eu ainda estou tentando respirar.


Eu me aconcheguei no calor do seu peito. Eu podia ouvir as batidas do seu coração, lentas e firmes. Aquele era o som da minha nova realidade.


- E agora? - perguntei, sentindo um frio na barriga.


MADARA: Agora, nós somos Haruko e Madara.


Amigos. Primos. E... isso. - Ele apertou meu corpo contra o seu. - Nós criamos as regras, certo? Amizade colorida.


- Certo. Regras.


Eu me afastei um pouco para olhá-lo, mesmo no escuro.


- Primeira regra: Ninguém, nem Maitê, nem Tajima, nem ninguém da faculdade, sabe disso.


MADARA: Concordo. Segunda regra: Se um de nós começar a sair com alguém sério, a amizade colorida para. Não há trapaças.


- Terceira regra... - Eu hesitei, olhando para ele. - Sem sentimentos.


Madara ficou em silêncio por um momento que pareceu uma eternidade. Seus olhos me procuravam na escuridão.


MADARA: Essa é a mais difícil, Haruko. Mas eu tento. Sem sentimentos românticos.


A mentira estava dita, e nós dois sabíamos que era uma mentira. Nenhuma primeira vez com alguém que você conhece desde a infância pode ser "sem sentimentos". Mas era a única forma de dar continuidade ao que tínhamos acabado de iniciar. Era a nossa linha de segurança, por mais frágil que fosse.


Eu sorri, um sorriso exausto e feliz.


- Então, Madara. Seja bem-vindo à nossa nova, e muito, muito colorida amizade.


Ele riu, um som baixo e delicioso, e me beijou a testa, o gesto familiar misturado com a intimidade recém-descoberta.


MADARA: Seja bem-vinda ao meu mundo, pequenez. E agora, durma. Porque, se você for me provocar de novo, eu não vou conseguir resistir. fechei os olhos. Deitada no seu braço, ouvindo a chuva fina começar a cair lá fora, eu não me sentia culpada, nem envergonhada. Eu me sentia completa.


A faculdade podia esperar. O futuro podia esperar. Por enquanto, a única realidade era o calor do Madara e o perigo delicioso de uma amizade que acabara de virar amor secreto.