O Último Guardião

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Summary

Escondido no Vale da Névoa, Han Liang vive uma vida tranquila ao lado do avô, cultivando ervas e cuidando dos moradores da vila. Até encontrar uma flor que jamais deveria ter despertado. A Lótus Celestial das Sete Respirações. Enquanto antigos segredos emergem e forças esquecidas voltam a se mover, destinos separados começam a convergir. Um guardião. Um jovem espadachim. E o início de uma história que atravessa reinos. Porque algumas flores não florescem. Elas despertam.

Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
16+

O início do fim - Epílogo

O Reino Lunar jamais conhecera a escuridão.

Mesmo em suas noites mais profundas, o céu permanecia vivo.

Três luas pairavam sobre o firmamento cristalino, derramando prata sobre lagos silenciosos e jardins cobertos por flores de luz. Acima delas, uma imensa faixa de poeira estelar atravessava o horizonte como o rastro de uma antiga galáxia esquecida pelos deuses.

Na margem do Lago dos Espelhos Lunares, as águas permaneciam imóveis.

Sempre imóveis.

Até aquela noite.

Uma onda atravessou a superfície.

Pequena.

Delicada.

Mas impossível.

As anciãs ergueram os rostos ao mesmo tempo.

Nenhum vento soprava.

Nenhum pássaro cantava.

Ainda assim, as águas tremiam.

Então aconteceu.

Por uma única respiração—

o reflexo da lua central desapareceu.

Silêncio.

Quando retornou…

Estava diferente.

A Grande Anciã fechou lentamente o leque nas mãos.

Seu olhar sereno, havia séculos, vacilou pela primeira vez.

— A Lua hesitou…

As outras mulheres se entreolharam.

Ninguém ousou perguntar o significado.

Porque todas sabiam.

A Lua jamais hesitava.

Jamais.

Muito longe dali…

Sob as névoas eternas do leste mortal, um jovem inclinava-se sobre canteiros de ervas medicinais.

As mãos estavam cobertas de terra.

O cheiro fresco das folhas esmagadas misturava-se ao orvalho da manhã.

Han Liang não percebeu quando o vento mudou.

Nem quando os pássaros silenciaram.

Mas algo, escondido sob a montanha, despertou.

No coração do Vale da Névoa…

a Lótus abriu uma pétala.

Uma única pétala dourada.

A luz vazou pela terra.

As raízes antigas estremeceram.

E, por um breve instante, o santuário esquecido respirou.

No Reino Fantasma…

As chamas negras dos pilares vacilaram.

O grande salão mergulhou em silêncio.

Sentado acima dos degraus de pedra escura, o Rei Fantasma abriu os olhos.

Não havia surpresa em seu rosto.

Apenas interesse.

A seu lado, uma mulher vestida de sombras permaneceu imóvel.

Os longos cabelos negros deslizavam pelo chão como tinta espalhada na água.

Ela sorriu.

Não havia alegria naquele sorriso.

— O equilíbrio respirou errado.

As sombras do salão se moveram.

Nas profundezas do palácio, quatro presenças despertaram.

Uma voz ecoou:

— O selo respondeu.

O Rei Fantasma apoiou o queixo sobre a mão.

Lentamente.

Quase curioso.

— Então ainda está inteiro…

No topo dos Picos Qinglong, um selo antigo brilhou sozinho.

O Grão-Mestre ergueu os olhos do pergaminho.

Ao redor dele, o vento mudou de direção.

Os sinos do templo tocaram sem mãos.

Uma vez.

Duas.

Três.

O ancião ao seu lado empalideceu.

— Mestre…

O homem fitou o horizonte distante.

Muito além das montanhas.

Muito além das névoas.

Na direção do leste.

— O mundo não está sendo atacado.

Silêncio.

— Está sendo lembrado.

Naquela noite—

a Lua hesitou.

A Lótus respirou.

Os selos despertaram.

E o mundo, que permanecera imóvel por séculos…

começou a se mover novamente.