O início do fim - Epílogo
O Reino Lunar jamais conhecera a escuridão.
Mesmo em suas noites mais profundas, o céu permanecia vivo.
Três luas pairavam sobre o firmamento cristalino, derramando prata sobre lagos silenciosos e jardins cobertos por flores de luz. Acima delas, uma imensa faixa de poeira estelar atravessava o horizonte como o rastro de uma antiga galáxia esquecida pelos deuses.
Na margem do Lago dos Espelhos Lunares, as águas permaneciam imóveis.
Sempre imóveis.
Até aquela noite.
Uma onda atravessou a superfície.
Pequena.
Delicada.
Mas impossível.
As anciãs ergueram os rostos ao mesmo tempo.
Nenhum vento soprava.
Nenhum pássaro cantava.
Ainda assim, as águas tremiam.
Então aconteceu.
Por uma única respiração—
o reflexo da lua central desapareceu.
Silêncio.
Quando retornou…
Estava diferente.
A Grande Anciã fechou lentamente o leque nas mãos.
Seu olhar sereno, havia séculos, vacilou pela primeira vez.
— A Lua hesitou…
As outras mulheres se entreolharam.
Ninguém ousou perguntar o significado.
Porque todas sabiam.
A Lua jamais hesitava.
Jamais.
Muito longe dali…
Sob as névoas eternas do leste mortal, um jovem inclinava-se sobre canteiros de ervas medicinais.
As mãos estavam cobertas de terra.
O cheiro fresco das folhas esmagadas misturava-se ao orvalho da manhã.
Han Liang não percebeu quando o vento mudou.
Nem quando os pássaros silenciaram.
Mas algo, escondido sob a montanha, despertou.
No coração do Vale da Névoa…
a Lótus abriu uma pétala.
Uma única pétala dourada.
A luz vazou pela terra.
As raízes antigas estremeceram.
E, por um breve instante, o santuário esquecido respirou.
No Reino Fantasma…
As chamas negras dos pilares vacilaram.
O grande salão mergulhou em silêncio.
Sentado acima dos degraus de pedra escura, o Rei Fantasma abriu os olhos.
Não havia surpresa em seu rosto.
Apenas interesse.
A seu lado, uma mulher vestida de sombras permaneceu imóvel.
Os longos cabelos negros deslizavam pelo chão como tinta espalhada na água.
Ela sorriu.
Não havia alegria naquele sorriso.
— O equilíbrio respirou errado.
As sombras do salão se moveram.
Nas profundezas do palácio, quatro presenças despertaram.
Uma voz ecoou:
— O selo respondeu.
O Rei Fantasma apoiou o queixo sobre a mão.
Lentamente.
Quase curioso.
— Então ainda está inteiro…
No topo dos Picos Qinglong, um selo antigo brilhou sozinho.
O Grão-Mestre ergueu os olhos do pergaminho.
Ao redor dele, o vento mudou de direção.
Os sinos do templo tocaram sem mãos.
Uma vez.
Duas.
Três.
O ancião ao seu lado empalideceu.
— Mestre…
O homem fitou o horizonte distante.
Muito além das montanhas.
Muito além das névoas.
Na direção do leste.
— O mundo não está sendo atacado.
Silêncio.
— Está sendo lembrado.
Naquela noite—
a Lua hesitou.
A Lótus respirou.
Os selos despertaram.
E o mundo, que permanecera imóvel por séculos…
começou a se mover novamente.