Create New List
Share with your friends
Customize readability

A Enteada Da Meia Noite

All Rights Reserved ©

Summary

Leonor Baptista tem dezanove anos quando a mãe morre de cancro e ela é enviada para viver com o padrasto, Augusto Vasconcelos, e a sua esposa Clara, numa imponente mansão no Alentejo. A Quinta dos Vasconcelos é bela, silenciosa e fria — e desde a primeira noite, algo não está certo. Todas as noites, à meia-noite em ponto, Leonor ouve passos no jardim. Após cinquenta e três noites sem dormir, vai finalmente à janela. O que vê destroça qualquer ilusão que ainda pudesse ter: Augusto no jardim com uma pá, uma forma coberta por um lençol branco, e Clara na varanda a observar com a tranquilidade de quem assiste a algo completamente normal. A Descoberta Leonor começa a investigar em segredo. Com uma chave roubada, acede ao escritório proibido de Augusto e encontra cadernos com nomes, datas e valores — a contabilidade fria de um negócio de tráfico humano que durava há quinze anos, estendia-se por três países e havia custado a vida a sete pessoas enterradas no próprio jardim da quinta. Todas imigrantes. Todas recrutadas com a promessa de trabalho e um futuro melhor. Fotografa tudo com mãos trémulas e um telemóvel descartável. O Confronto Clara apanha-a. Em vez de gritar ou ameaçar, senta-se calmamente e explica tudo — o negócio, os corpos, os trinta anos de cumplicidade — como se descrevesse uma receita. Depois faz uma proposta: silêncio em troca de herança. A quinta, o dinheiro, tudo

Status
Complete
Chapters
15
Rating
n/a
Age Rating
16+

A Casa dos Espelhos Negros

Leonor chegou à Quinta dos Vasconcelos numa noite de novembro, com uma mala de cartão e os olhos vermelhos de quem chorou durante seis horas de comboio. A mãe morrera há três semanas — cancro fulminante, disseram — e a única família que restava era aquele padrasto distante e a sua mulher de sorriso afiado.

A mansão era obscenamente bela. Vinte e dois quartos. Jardins que se perdiam na névoa. Uma biblioteca com livros que ninguém lia. Clara recebeu-a com um abraço frio e um quarto no terceiro andar — o mais longe possível dos aposentos do casal. Como se a distância fosse uma forma de contenção.

Na primeira noite, Leonor ouviu passos no jardim. Às zero horas em ponto. Repetiu-se na segunda noite. Na terceira. Em todas as noites que se seguiram, sem uma única excepção. A casa respirava ao ritmo daqueles passos — e Leonor, sem o saber ainda, tinha acabado de entrar no coração de algo irreparável.


O quarto do terceiro andar tinha uma janela que dava para os jardins — uma janela alta, de guilhotina, com vidros antigos que distorciam ligeiramente o exterior como os espelhos de feira. Leonor descobriu nessa primeira noite que, se se encostasse ao parapeito da forma certa, conseguia ver quase todo o jardim ocidental.

Foram precisamente esses vidros imperfeitos que a salvaram, meses mais tarde. Porque distorciam o suficiente para que, quando Augusto olhava para cima, não conseguisse distinguir com certeza se havia alguém na janela.

Na primeira noite, Leonor não sabia nada disso. Estava apenas a olhar para os jardins com o luto recente e a exaustão de seis horas de comboio, e os passos pareceram-lhe, nesse primeiro momento, quase reconfortantes. Prova de que havia vida naquele lugar.

Demorou três semanas a perceber que era exactamente o contrário.


Clara mostrou-lhe a casa no dia seguinte com a eficiência de um guia turístico bem treinado: a sala de visitas, a biblioteca, a sala de jantar formal que só se usava quando havia convidados, a cozinha onde a Dona Fátima — "a nossa cozinheira, leva aqui vinte anos, é da família" — preparava as refeições. Havia regras não ditas em cada divisão, perceptíveis no tom de voz de Clara, na forma como abria as portas de algumas com naturalidade e de outras apenas o suficiente para mostrar o interior sem convidar à entrada.

O escritório de Augusto era uma dessas últimas.

— O Augusto prefere privacidade quando trabalha, — disse Clara, passando pela porta fechada com uma ligeireza demasiado estudada. — Nunca entres sem bater, e só entras se ele responder.

— Claro, — disse Leonor.

E não perguntou mais nada, porque havia aprendido, com a mãe, que as casas onde há divisões que não se mostram completamente têm sempre uma razão para isso — e que a razão raramente é a que dizem.

Let Romualdo Caxala know what you thought about this chapter!
Love this

0

Love this

Funny

0

Funny

Spicy

0

Spicy

Suspenseful

0

Suspenseful

Emotional

0

Emotional

Profound

0

Profound

Heartwarming

0

Heartwarming

Shocking

0

Shocking

Good Writing

0

Good Writing

Compelling Plot

0

Compelling Plot

Great Character

0

Great Character

Strong Dialog

0

Strong Dialog

Further Recommendations

Married by Fate

Bargara4670: This is a real feel-good love story. I enjoyed it very much. I'll certainly read more by this author.

Read Now
Silver's Second Chance

Ashley: I enjoyed the story. It was a short one so the fast pace fit. I think something should be put in to show a time jump between paragraphs like a "****" just to make it easier to follow when we skip to the next day week or month. Over all a good read.

Read Now
THE ALPHA WHO REFUSED TO APOLOGIZE

Karen Nagy: The story of an intelligent woman and a strong wolf. Combining powers of the mind and body to the benefit of their pack. Love and respect are proven to be valuable commodities. Looking forward to reading more, well done.

Read Now
My Blacksmith Savior

Jeanne: A lovely story without endless drama. Just 2 people finding each other. Truly enjoyable. Goal achieved! Thank you.

Read Now
Nothing Between Us

Claudia: Chat gbt recomandationEasy to read, catching, funny, relatable.

Read Now
Bound to the Bear

Sheila Chasteen: What a beautiful love story with a great ending. I loved it!🐻❤️

Read Now
Light at the End of the Track

Sarah Widdecomb: I loved it. It’s very well written and kept me captivated while wondering what was going to happen next.

Read Now
The Neighbor's Son

Shriya: It's a spicy hot romance, more spice than romance. Lovely characters.

Read Now
The Mafia's Chef

Little Shri: This was such an entertaining read! Estelle and Carlos have a fascinating dynamic, and I loved the mix of romance, danger, and suspense throughout the story. Estelle’s situation pulled me in, and Carlos’s dark, obsessive personality definitely adds intensity to their interactions. The mafia setting,...

Read Now