AS METAS DA MANHÃ

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Summary

Ela tem 30 anos, uma noiva em casa e trabalha na operação. Ele tem 24 anos, joga com a pose de futuro advogado e controla o planejamento. Na frente da empresa, eles mal se olham. Mas nos fundos da ruinha de concreto e nas mensagens do WhatsApp, ele é o bom menino que anseia pela punição dela. ​Até onde a lógica do escritório aguenta quando o controle psicológico vira um vício?

Genre
Romance
Author
Alissa
Status
Ongoing
Chapters
3
Rating
n/a
Age Rating
18+

CAPÍTULO 1: O OLHAR DO PLANEJAMENTO

CAPÍTULO 1: O OLHAR DO PLANEJAMENTO

O relógio digital no topo da tela do meu computador marcava exatamente trinta dias desde que assinei meu contrato na operação. Quatro semanas. Tempo suficiente para que meus dedos se acostumassem ao ritmo mecânico de digitar relatórios enquanto o barulho caótico de telefones tocando e teclados estalando preenchia o salão. Mas, acima do ruído da empresa, o que realmente prendia minha atenção era a queimação persistentemente na minha nuca.Eu sabia que estava sendo observada.Virei o rosto devagar, fingindo ajustar o headset. Do outro lado do vidro fumê das divisórias do escritório, na mesa isolada do setor de planejamento, Caio estava fixo em mim. Ele tinha 24 anos, uma pose de futuro advogado e um silêncio calculado que controlava as métricas do nosso setor, mas, naquele momento, sua postura impecável parecia tensa. Ele não piscou. Não tentou disfarçar quando percebeu que eu notei. Seus olhos sustentaram os meus de um jeito pesado, um desafio silencioso que cortava o ar condicionado frio da sala.Eu tinha 30 anos, uma vida estabilizada e uma noiva me esperando em casa. Meu foco ali era estritamente profissional; eu reuni todas as minhas forças para crescer na carreira e não tolerava deslizes. Mas eu não desviei o olhar. Deixei que ele visse a minha seriedade e a minha audácia naquele segundo longo demais.A linha do perigo havia sido traçada sob as luzes fluorescentes do escritório.Naquela tarde de sexta-feira, aproveitando o burburinho da troca de turno, levantei-me para a minha pausa programada. Quando vinha voltando, Caio me encurralou no corredor estreito e abafado que dava para a copa. A proximidade física dele, longe dos olhos do resto da equipe, fez meu estômago dar um nó. Ele perguntou meu nome — como se já não soubesse — e quis saber se eu namorava. Havia uma hesitação na voz dele que desarmava sua empáfia habitual.— Aconteceu uma coisa — ele disse, a voz baixa, quase engolida pelo eco do corredor. — Preciso te contar.Instiguei-o a falar ali mesmo, mas ele recuou, os olhos descendo rapidamente para a minha boca antes de puxar o celular do bolso e pedir meu número. O homem do planejamento sabia jogar com a expectativa. Passou o resto do expediente me cozinhando na ansiedade, enquanto eu fingia focar nas planilhas.