A Herdeira da Noite Eterna

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Summary

Na floresta onde os deuses foram silenciados, uma antiga força começa a despertar. Selene sempre acreditou ser apenas uma jovem comum, tentando sobreviver entre perdas, silêncios e um passado que nunca deixou de doer. Criada ao lado das irmãs, Ariadne e Maya, ela aprendeu a esconder a própria dor atrás de força e ironia - sem imaginar que algo muito mais antigo dormia dentro de si. Quando uma caçada sangrenta desperta a Floresta Sagrada dos druidas, Selene se torna o centro de um evento impossível de ignorar. A terra responde à sua presença. Espíritos sussurram seu nome. E uma marca incandescente começa a arder em sua pele, anunciando que o selo que a mantinha humana está se rompendo. Entre lendas esquecidas, deuses caídos e escolhas que podem destruir tudo o que ama, Selene precisará decidir: fugir do que é... ou aceitar o legado de uma deusa que jamais deveria ter retornado. Porque o poder que desperta nela não é apenas luz ou escuridão. É memória. É ruína. É destino. E a Noite Eterna... finalmente encontrou sua herdeira.

Genre
Fantasy
Author
Amanda
Status
Ongoing
Chapters
32
Rating
n/a
Age Rating
18+

Prólogo

Eu estava caindo do céu.

Algo invisível me puxava pelos pés, arrastando-me em direção ao oceano que se abria abaixo de mim — vasto, escuro, infinito. Gritei até a voz falhar, mas ninguém respondeu. Meus braços e pernas se debatiam no vazio enquanto o vento cortava minha pele.

O céu era um manto de trevas salpicado de estrelas, fragmentos de fogo distante.

E a lua…

A lua era vermelha.

Não apenas vermelha — era sangue suspenso no firmamento, um presságio antigo pulsando sobre mim. Seu brilho atravessava minha pele como se me despisse por dentro, expondo algo que eu mesma desconhecia. Fechei os olhos, tentando escapar daquela luz que queimava sem tocar.

Eu não sabia como tinha ido parar ali.

Minhas lembranças eram rasgos. Fragmentos soltos. Como se alguém tivesse arrancado pedaços inteiros da minha memória. A sensação absurda de ter sido empurrada me atravessou.

Arremessada.

Por alguém.

Mas quem?

O impacto veio antes que eu pudesse pensar.

Meu corpo rasgou a superfície do oceano e afundou sem resistência. A força da queda me arrastava cada vez mais fundo, em direção ao que quer que estivesse escondido abaixo. A água salgada invadiu meus pulmões. Continuei a gritar — mesmo sem voz, mesmo sabendo que ninguém podia me ouvir.

Seria aquele o meu fim?

Morrer ali. Sozinha. Afogada em um lugar que eu não reconhecia. Depois ter o corpo dilacerado por criaturas atraídas pelo cheiro do meu sangue.

Patético.

Então—

Abri os olhos.

E o vi.

A silhueta de um homem avançava em minha direção, movendo-se pela água como se ela fosse apenas ar. Alto. Imponente. Os cabelos ruivos flutuavam ao redor do rosto como chamas submersas. Seus olhos verdes brilhavam na escuridão com intensidade demais para serem humanos.

Ele era belo de um jeito impossível.

Traços marcantes. Pele dourada como se tivesse sido tocada pelo sol. Vestia uma armadura da mesma tonalidade, e no centro do peito repousava o entalhe de um dragão — antigo, solene… vivo.

Fiquei hipnotizada.

Nem percebi quando a água ao meu redor começou a gelar.

O frio me atravessou de uma vez. Meus membros ficaram dormentes, pesados, inúteis. Não conseguia me mover. Não conseguia fugir.

Ele parou a poucos centímetros de mim.

Não me tocou.

Apenas me observou.

Seu olhar era profundo demais. Insuportável. Como se enxergasse cada fragmento da minha alma — inclusive aqueles que eu ainda não conhecia.

Então seus olhos verdes começaram a brilhar.

Prateados.

Intensos.

Pulsantes.

Instintivamente, fechei os meus.

E gritei.