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Além do Véu

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Summary

Após um massacre brutal em uma pequena cidade do interior da Espanha, as autoridades culpam uma matilha de lobos. Ryan Martins, um caçador de criaturas sobrenaturais, sabe que a verdade é muito pior. Ao lado de sua parceira Anna Pascal, ele segue rastros que o levam a uma antiga caverna escondida nas montanhas, onde uma matilha de lobisomens guarda um segredo capaz de mudar tudo o que acreditam sobre o mundo. Em uma caçada mortal, cada decisão pode significar a diferença entre sobreviver ou se tornar a próxima presa.

Status
4mo ago
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
16+

Chapter 1

Arco 1 — Os Lobisomens

Capítulo 1 — A Caçada

Janeiro de 2007.

A noite envolvia a floresta como um manto escuro e silencioso. As árvores altas escondiam a lua, deixando apenas alguns feixes de luz prateada atravessarem a vegetação densa.

Ryan Martins, 25 anos, avançava com cuidado entre os arbustos. Vestia roupas escuras apropriadas para o ambiente e carregava uma mochila compacta nas costas. Seus olhos permaneciam atentos ao chão úmido da floresta, seguindo um rastro que poucas pessoas sequer perceberiam.

Pegadas. Grandes demais para serem de lobos comuns.

Três dias antes, uma pequena cidade do interior da Espanha havia sido atacada durante a madrugada. Dez pessoas morreram de forma brutal. As cenas encontradas pelos moradores eram tão violentas que muitos se recusavam a falar sobre elas. Os sobreviventes contavam histórias parecidas de criaturas enormes, humanoides, cobertas de pelos e com olhos brilhando na escuridão.

Mas as autoridades descartaram os relatos quase imediatamente. Segundo os relatórios oficiais, tudo indicava um ataque de uma matilha de lobos excepcionalmente agressiva. O caso estava praticamente encerrado.

Para Ryan, porém, aquilo era absurdo. Ele havia visto os corpos. Havia analisado as marcas. E sabia muito bem que lobos não faziam aquilo. Agora, após dias rastreando os responsáveis, ele finalmente estava próximo.

Agachado atrás de uma formação de rochas cobertas de musgo, Ryan observou a clareira adiante. Ali estavam eles. Uma matilha inteira.

O rifle descansava firme em suas mãos. Os lobisomens pareciam relaxados, mas ele sabia que aquilo era enganoso. Predadores nunca estavam realmente distraídos. Eram criaturas enormes, facilmente ultrapassando dois metros de altura quando erguidas sobre as patas traseiras. Algumas descansavam próximas a uma fogueira improvisada, enquanto outras caminhavam pela área como sentinelas.

Pelo menos doze. Talvez mais. O cheiro de sangue ainda pairava no ar.

Enquanto analisava o terreno, algo à esquerda da clareira chamou sua atenção. Parcialmente escondida por uma parede de rochas e vegetação, havia uma abertura escura. Uma caverna. Várias pegadas enormes passavam por ali, profundas na terra úmida. O vento mudou e um cheiro nauseante de carne apodrecida atingiu seu nariz.

Ryan franziu a testa. A verdadeira questão era outra: como alguém eliminava uma matilha inteira de lobisomens sozinho? Se ele entrasse lá agora, seria suicídio.

Ele começou a recuar silenciosamente, mantendo os olhos na clareira para calcular uma posição de observação melhor. Foi então que sentiu algo tocar seu ombro.

Seu corpo reagiu antes mesmo de pensar. Girou sobre os pés e o rifle subiu instantaneamente, o dedo parando a poucos milímetros do gatilho. Por uma fração de segundo, o cano ficou apontado para o rosto da pessoa atrás dele.

— Ryan! — A voz saiu em um sussurro irritado.

Ele congelou. Então abaixou a arma.

— Droga...

A mulher à sua frente revirou os olhos.

— Um dia você vai acabar me dando um tiro.

Ela usava roupas de caça semelhantes às dele, camufladas para o ambiente noturno. Os cabelos castanhos estavam presos para não atrapalhar os movimentos, e uma besta compacta estava presa às costas. Era Anna Pascal, sua parceira de caça — e sua namorada.

Ryan soltou o ar lentamente.

— Você quase me matou do coração.

— Engraçado. Eu ia dizer exatamente a mesma coisa.

Anna observou a clareira através das árvores e seu semblante ficou sério. Ela contou rapidamente os lobisomens visíveis.

— Doze.

— Doze que podemos ver — Ryan respondeu, apontando discretamente para a entrada da caverna. — Tem muitas pegadas entrando e saindo. E o cheiro lá dentro está péssimo.

Anna seguiu o gesto e franziu a testa, assimilando a gravidade da situação.

— Então qual é o plano? — ela perguntou.

— Por enquanto, nenhum — sussurrou Ryan. — Se tentarmos algo agora, morremos. Precisamos recuar e planejar.

Enquanto se preparavam para dar o primeiro passo para trás, um movimento na caverna os fez congelar. Um dos lobisomens saiu da escuridão carregando algo pesado nas costas. Algo grande, totalmente envolto em um tecido escuro.

Ryan e Anna se entreolharam em silêncio. Aquela matilha não estava apenas caçando; estava ocupando território e escondendo algo.

Aproveitando a distração das criaturas, os dois começaram a recuar em silêncio absoluto. Levaram quase uma hora atravessando a floresta densa para se afastar o suficiente da área, garantindo que nenhum dos monstros pudesse detectá-los pelo faro ou pela audição.

Finalmente, alcançaram uma antiga estrada de terra abandonada onde o veículo deles estava escondido. O jipe escuro fora coberto por galhos e folhas para passar despercebido.

Ryan colocou o rifle apoiado no capô do jipe. Em seguida, abriu a porta e retirou um mapa dobrado, algumas fotografias da região e um caderno repleto de anotações. Sentou-se no capô ao lado da arma, acendendo uma pequena lanterna protegida por um filtro vermelho.

Anna se aproximou, cruzando os braços e observando enquanto ele começava a trabalhar.

Meticulosamente, Ryan desenhou a posição da clareira, marcou a localização exata da caverna e estimou as possíveis rotas de aproximação e fuga. Tudo como havia aprendido ao longo dos anos. Monstros podiam ser fortes, mas quase sempre cometiam o mesmo erro: subestimavam seres humanos preparados.

Quando terminou, ele fechou o caderno lentamente. Seu olhar voltou para a escuridão da floresta.

O problema era que, naquele momento, nem Ryan e nem Anna faziam ideia de quão grande aquele caso realmente era.



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