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As Decisões Que Tomamos

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Summary

Algumas escolhas nos levam ao amor. Outras nos obrigam a enfrentar perdas que parecem impossíveis de superar. Erick acreditava que poderia proteger todos aqueles que amava. Mas, quando a vida toma um rumo inesperado, ele aprende que nenhuma decisão termina no momento em que é tomada. Cada escolha deixa uma marca, traz consequências e abre portas para um futuro que ninguém poderia prever. Através do amor, da dor, da amizade, da família e de novos recomeços, As Decisões que Tomamos é um romance emocionante sobre o peso de nossas escolhas, a força do amor e a esperança de que, não importa tudo o que tenhamos enfrentado, nunca é tarde demais para construir um novo futuro.

Status
4d ago
Chapters
14
Rating
n/a
Age Rating
18+

Capítulo 1

Em 2014, eu havia acabado de assumir uma das operações da facção.

Durante dois anos fui apagando guerras entre grupos que existiam havia décadas.

Não porque fosse o mais forte.

Mas porque todos sabiam que minha palavra valia mais do que qualquer contrato.

Durante uma ronda pelo centro da cidade, uma pequena floricultura chamou minha atenção. Não pelas flores, mas pela mulher que cuidava delas.

Ela conversava com uma senhora idosa enquanto montava um buquê. Sorria o tempo todo, como se o mundo nunca tivesse lhe mostrado crueldade.

Naquele instante, pensei duas coisas.

A primeira era que ela era a mulher mais bonita que eu já tinha visto.

A segunda era que alguém como eu jamais deveria me aproximar de alguém como ela.

No dia seguinte inventei uma desculpa para passar pela mesma rua.

No outro também.

Depois comecei a mudar a escala das equipes só para continuar passando por ali.

Comecei a parar na floricultura.

Puxar assuntos sobre as flores.

Na primeira visita.

Noemi me aborda.

— Posso te ajudar moço?

— Boa tarde, queria comprar um buquê.

— Pra quem?

Eu penso rapidamente em algo convincente.

— Minha mãe.

Ela sorri.

Alguns dias depois eu passo lá novamente.

Ela me reconhece e já pergunta.

— Sua mãe gostou das flores?

Eu sorrio sem jeito.

— Gostou.

Eu menti, o buquê tinha ficado na minha mesa.

Na outra semana passei lá novamente.

Ela me olha, franzindo a testa, e fala:

— O senhor compra flores demais...

Eu respondo sem jeito:

— Acho que minha mãe está ficando mal-acostumada.

Ela deu risada.

Ela falou brincando: — Se continuar assim, vou acabar transformando sua casa em uma outra floricultura.

Ela riu novamente, então perguntou:

— Qual seu nome moço?

— Erick.

— E o seu?

— Noemi...

— É um belo nome...

Falei sem perceber.

Ela corou levemente.

Falou baixinho:

— Obrigada.

Um sorriso bobo se formou no meu rosto.

Comprei o buquê.

Rosas brancas.

Depois de conversar um pouquinho com Noemi, voltei pro carro com um sorriso bobo.

Enquanto observava a cidade passar pela janela, não conseguia tirar uma única frase da cabeça.

“Ela perguntou meu nome.”.

Sorrindo sozinho.

Sergey ligou o carro e seguimos pela avenida.

Depois de alguns metros, ele olhou para o buquê nas minhas mãos.

— Flores de novo?

Olhei para ele sem jeito.

— Não comenta nada.

Um sorriso discreto apareceu no rosto dele.

— Nem pensei em comentar.

Fez uma pequena pausa antes de completar:

— São bonitas.

Olhei para o buquê.

— São.

Ele sorriu de canto.

— Vai deixar esse também em casa?

Me lembro que Sergey tem uma esposa.

— Quer levar pra sua mulher?

Sergey sorri, coloca o buquê num lugar do carro que ele não balance ou caia durante a ronda.

Ele comenta:

— Você acabou de me lembrar que eu também preciso cuidar de quem me espera em casa.

Dou outro sorriso.

Alguns buquês eu levei pra Amélia, minha cuidadora, outros continuei empilhando em casa.

Amélia me recebe e me vê segurando outro buquê de flores e comenta:

— Mais um Erick?

— Assim você vai transformar minha casa num jardim...

Ela da uma leve risada.

Eu fico sem jeito.

Ela recebeu o buquê nas mãos. Antes mesmo de agradecer, observou as flores por alguns segundos.

— Lírios rosas...

Levantou os olhos para mim e sorriu.

— Você escolheu lírios dessa vez...

Eu olho pro buquê.

— Foi uma escolha aleatória...

Ela sorri.

— Não foi, não.

— Você sabia que lírios rosas costumam representar carinho?

— Não sabia...

Eu pensei. “Na verdade... eu tinha escolhido aqueles lírios porque, alguns dias antes, vi a Noemi montando um buquê igual com um cuidado que chamou minha atenção.”.

“Então não tinha sido uma escolha tão aleatória assim...”.

Ela começou a caminhar pela casa. Observou um canto da sala, balançou a cabeça, mudou um vaso de lugar e experimentou outro. Só parou quando encontrou o lugar perfeito para as flores.

Enquanto faz isso...

Continua conversando naturalmente.

— Por acaso todas essas flores são desculpas pra você ir ver alguém?

Ela pergunta na lata.

Ela me conhecia desde sempre.

Sabia que não era por acaso aquela pilha de buquês.

— É... eu...

Falo, gaguejando.

Ela olha para o buquê.

Depois para Erick.

Sorri.

— Então finalmente aconteceu.

Eu fico confuso.

— O quê?

— Você se apaixonou.

Silêncio.

Passei a mão na nuca.

Não consigo responder ela.

Eu penso em falar algo, mas ela fala antes.

— Eu percebi no momento que você me trouxe o primeiro buquê.

— Você nunca me deu flores antes...

— Não começaria a fazer isso do nada...

— Qual o nome dela?

Coço a cabeça e falo baixinho.

— Noemi...

Ela sorri.

Ela ajeita o colarinho dele.

Como fazia quando ele era criança.

— Seja um bom homem, como eu te eduquei Erick...

— Não esqueça quem você é.

Eu aceno com a cabeça.

— Nunca.

Enquanto observava a Amélia cuidar daquele buquê com tanto carinho, percebi que ela estava certa.

Pela primeira vez, comecei a acreditar que talvez eu realmente estivesse apaixonado.

— Ainda está trabalhando?

Ela me pergunta:

— Sim, só passei aqui pra dizer oi e te dar o buquê.

— Venha jantar aqui hoje.

— E passe no mercado comprar batata palha...

— Estou fazendo seu favorito hoje, strogonoff de carne com bastante molho.

Só de imaginar aquele strogonoff, já fiquei com fome.

— Ok, acho que daqui 1 hora eu termino minha ronda...

— Perfeito, até lá a janta já vai estar pronta.

Eu me despeço dela e volto pro meu trabalho.

Mais tarde eu passo no mercado comprar a batata palha que ela pediu e então vou pra casa dela novamente.

Ela me recebe e eu a ajudo a montar a mesa.

Me sento primeiro.

Quando estendi a mão para pegar o garfo, senti um leve tapa nos meus dedos.

Eu olho pra ela e ela está com a mesma careta de sempre.

— Você nunca aprende, não é?

— O que sempre te ensinei?

Antes mesmo que ela terminasse a pergunta, completei junto com ela.

— Você deve esperar que todos estejam à mesa para comer.

Eu solto o garfo e fico esperando Amélia terminar de arrumar as coisas.

Quando ela finalmente se serve e me olha dando sinal positivo, começamos a comer.

Comemos em silêncio.

Amélia me observa comendo com alegria.

A mesma alegria de sempre.

Um sorriso discreto estava no rosto dela enquanto eu limpava o prato sem cerimônia.

Quando ela faz uma pausa na refeição, após beber um gole do suco, ela me olha.

Ela pergunta casualmente:

— Ela gosta de strogonoff?

Eu paro de comer.

Levanto os olhos pra ela.

Sorrio.

— Ainda não sei.

— Mas vou descobrir em breve.

Amélia recosta na cadeira sorrindo.

Antes de voltar a comer, ela comenta:

— Quando descobrir... traga ela pra jantar.

Naquela noite, percebi que a Amélia estava certa. Já não havia motivo para continuar escondendo o que eu sentia. Naquela noite, tomei uma decisão. Convidaria a Noemi para sair.

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