Minha Primeira Paixão Me Mudou Para Sempre by Carolina Montenegro at Inkitt
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Minha Primeira Paixão me Mudou para Sempre

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Summary

Uma história leve sobre primeira paixão, autodescoberta e aprender a viver um pouco mais. 💗

Status
Complete
Chapters
1
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n/a
Age Rating
16+

Capítulo Único

Estou no primeiro ano da faculdade de Administração. O clima da vida universitária não é como imaginei. Eu pensava que encontraria pessoas altamente disciplinadas e inteligentes, mas a maioria só pensa em festa e bebedeira. No ensino médio, as pessoas pareciam mais maduras e responsáveis. Agora, na universidade, só falam sobre com quantas pessoas já ficaram e quantas doses beberam no bar depois de matar aula. Estou um pouco desanimada com isso.

Confesso que nunca me interessei muito por romance ou por sair para bares. Meus relacionamentos sempre foram frios e convenientes.

Hoje tenho aula de inglês. Vou sentar perto da Helen. Ela é tão linda e radiante, está sempre sorrindo e sempre me procura para fazermos trabalhos juntas.

A professora de inglês pediu para traduzirmos um pequeno texto em duplas. Helen prontamente virou a cadeira para mim, e formamos dupla antes de qualquer outra pessoa pensar em nos convidar.

Adoro quando ela toma a iniciativa, porque eu sempre aceito a primeira pessoa que me convida. É simplesmente maravilhoso quando ela é a mais rápida.

A divisão das tarefas ficou assim: enquanto eu ditava a tradução, ela copiava tudo o que eu falava. Era um texto simples, então eu estava ditando rapidamente. Logo terminaríamos.

Até que, acidentalmente, o pé dela encostou no meu por baixo da cadeira.

Naquele instante, meu cérebro congelou.

— É... eu travei imediatamente.

— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou.

Rapidamente, tirei meu pé do dela.

— Não, nada. Eu só não sei a tradução dessa palavra.

Peguei um dicionário e fingi procurar a tradução.

Foi naquele momento que percebi que o que eu sentia pela Helen talvez fosse além de uma simples admiração.

O problema era que eu ainda não sabia exatamente o que aquilo significava.

Nas semanas seguintes, comecei a prestar mais atenção nela. Não que eu quisesse. Pelo menos era o que eu dizia para mim mesma.

Helen era o tipo de pessoa que parecia não pensar demais antes de fazer as coisas. Se tinha vontade de rir, ria. Se queria falar alguma coisa, simplesmente falava. Se alguém a chamava para sair, ela quase nunca precisava de tempo para decidir.

Eu admirava isso nela.

Eu era exatamente o contrário.

Pensava demais antes de falar, calculava as consequências antes de tomar qualquer decisão e quase sempre preferia ficar na minha zona de conforto. Talvez por isso fosse tão fácil gostar de estar perto dela. Helen parecia tornar tudo mais leve.

Ela sempre encontrava alguma desculpa para falar comigo. Às vezes, perguntava sobre alguma matéria; outras vezes, simplesmente puxava assunto. Eu gostava quando ela fazia isso, embora tentasse fingir que era algo completamente normal.

Em breve teria início a semana de provas, e Helen pediu para estudarmos juntas para Cálculo I. Eu domino bem a matéria, não porque seja boa em matemática, mas porque sou boa em memorizar fórmulas e sei usar uma calculadora científica. Basicamente, era isso que eu pretendia ensinar a ela.

Combinamos que seria na minha casa.

Eu estava um pouco nervosa. Não sabia se ela percebia o que eu sentia por ela. Para ser sincera, nem eu entendia completamente.

No dia combinado, eu estava sentada perto do portão havia algum tempo quando ouvi sua voz.

— Oi, Bia. Cheguei muito cedo? Estava ansiosa para vir. Espero que não tenha problema.

— Oi, Helen. Chegou na hora certa. Eu estava só te esperando para começarmos. Entre.

Fomos para o meu quarto. Ela se sentou na cadeira junto à mesa do laptop, e eu me sentei em uma das camas.

— Então esse é o seu quarto?

— Sim. Meu e da minha irmã.

Ela olhou ao redor.

— É muito lindo. Tantas tomadas... Certamente não tem briga para usar o carregador.

Ela disse, brincando.

— Meu pai pensou em tudo — respondi.

Peguei a lista de exercícios de Cálculo I e a calculadora científica, e começamos a estudar.

O tempo passou rápido. Helen reclamava de algumas questões, eu explicava, ela fazia perguntas e, às vezes, nós duas acabávamos rindo de coisas que nem tinham relação com cálculo.

Em determinado momento, ela apoiou o queixo na mão e ficou me observando.

— O que foi? — perguntei.

— Nada. Só estava pensando que você realmente gosta de estudar.

— Gosto de saber que estou preparada.

— Você é sempre assim?

— Assim como?

— Preparada para tudo.

Pensei por alguns segundos.

— Tento ser.

Ela sorriu.

— Eu gosto disso em você.

Desviei o olhar para a lista de exercícios.

— Vamos continuar?

Ela riu.

— Claro, professora.

Fizemos uma pausa para o lanche. Minha mãe tinha preparado alguns sanduíches, então fui buscar. Quando voltei ao quarto, vi Helen conversando com alguém no WhatsApp.

— Estou falando com o Marcos. Ele disse que passa daqui a pouco para me buscar.

— Ah.

Voltei a olhar para a lista.

Eu não sabia quem era Marcos. Já tinha encontrado o Instagram dela e o da mãe dela e não tinha visto nenhuma foto ou menção a algum homem. Aquilo me deixou pensativa.

Quem era esse Marcos?

Mas logo voltei a atenção para Helen.

Comemos os sanduíches.

— Estava delicioso. Obrigada.

— Vamos terminar os exercícios mais animadas agora. É mais cansativo do que difícil.

— Que nada. Você é que é uma ótima professora — ela respondeu.

Sorri, um pouco tímida.

— Quer sair para beber depois das provas? — ela perguntou.

— Vamos sim — respondi, mesmo sem ter o menor costume de beber.

— Vai ser por minha conta, como agradecimento pela sua ajuda. Agora tenho esperança de que não vou reprovar em cálculo.

— Não precisa. Fico feliz em ajudar.

— Faço questão.

Sorri e desviei o olhar.

— Primeiro vamos terminar a lista de exercícios. Depois pensamos em como vai ser.

— Certo.

Finalizamos a lista quando já estava anoitecendo. Helen ligou para Marcos, e ele foi buscá-la.

Depois que ela foi embora, fiquei alguns minutos parada no quarto.

Então fiz uma coisa da qual não me orgulho muito.

Procurei novamente o Instagram dela e o da mãe e tentei encontrar alguma foto do homem misterioso. Elas não postavam muito, mas poderiam ter pelo menos uma foto com ele ou alguma menção.

Nada.

Quem era esse Marcos?

Fui dormir pensativa.

A semana de provas veio rápido e passou rápido. Acho que fui bem em todas. Sempre tive facilidade para fazer provas.

Helen estava empolgada. A única prova que ela temia era a de Cálculo, mas disse que estava confiante com as respostas que tinha marcado. Comparamos nossas respostas ao sair da sala, e estavam todas iguais, pelo menos as que lembrávamos.

— Estou aliviada. A única prova que eu temia acabou, e foi tranquila na maior parte do tempo. Tudo graças a você, Bia.

— Cálculo não é difícil. É apenas cansativo.

— Lá vem você com esse papo de novo.

Ela sorriu.

— Se não fosse por você, eu estaria aos prantos agora. Vamos celebrar o fim da semana de provas. É por minha conta.

— Tudo bem. Vou avisar minha mãe que chegarei mais tarde hoje.

— Certo. Qualquer coisa, você fica na minha casa se ficar muito tarde. Moro no apartamento em cima do bar.

Avisei minha mãe. Ela ficou surpresa ao me ver saindo com amigos, mas pareceu feliz. Ela sempre achou que eu precisava me divertir mais.

Chegamos ao bar. Eu, Helen e mais cinco amigos.

Todos pediram cerveja, mas eu pedi um refrigerante. Já tinha provado cerveja antes e, para mim, era intragável.

Bebemos, comemos aperitivos e rimos. O tempo passou rápido.

No começo, fiquei observando os outros, quase esperando que acontecesse alguma coisa que confirmasse tudo o que eu pensava sobre eles.

Mas não aconteceu.

Eles falavam besteira, riam alto, contavam histórias da faculdade e implicavam uns com os outros. Ninguém parecia preocupado em ser o mais inteligente da mesa ou em provar alguma coisa.

Pela primeira vez, percebi que talvez eu tivesse confundido diversão com falta de responsabilidade.

Eles não eram menos inteligentes por saberem se divertir.

Talvez apenas soubessem fazer uma coisa que eu ainda estava aprendendo.

Em determinado momento, comecei a ficar sonolenta. Helen percebeu.

— Quer ir para casa?

— Acho que estou com sono.

— Você pode ficar na minha casa. Meu irmão está na casa da namorada. Só estaremos nós duas.

Olhei para ela.

— Seu irmão? O Marcos é seu irmão? E ele tem namorada?

Ela começou a rir.

— Sim. Já faz alguns anos já. Por que a pergunta? Não me diga que estava interessada nele.

— Não é isso. É que eu não vi nada dele no seu Instagram nem no da sua mãe.

Assim que terminei de falar, percebi que tinha falado demais.

Ela riu.

— Então você nos procurou no Instagram? Porque não me seguiu? Que sorrateira.

Fiquei vermelha.

— Eu só fiquei curiosa.

— Meu irmão não tem rede social. Ele nem gosta de tirar foto, então é bem difícil conseguir postar alguma coisa dele.

Senti um alívio tão grande que quase ri de mim mesma.

Então ela inclinou a cabeça e me olhou de um jeito diferente.

— E quanto a mim? Não quer saber se tenho namorada?

Uma de nossas colegas ouviu e falou, brincando:

— Ela está bêbada. Se for dormir na casa dela hoje, tome cuidado. Talvez seja menos perigoso voltar para casa sozinha.

Todos rimos.

Pedimos a conta e depois nos despedimos.

Decidi ficar no apartamento da Helen. Subimos as escadas até o primeiro andar, logo acima do bar.

— Deve ser difícil dormir às vezes por causa do barulho — falei.

— Nas sextas, sim. Mas geralmente fecha mais cedo. E sexta é o dia em que eu durmo tarde mesmo.

Ela pegou as chaves e abriu a porta.

O apartamento era pequeno, mas aconchegante.

— Você pode dormir comigo na cama ou posso armar uma rede, se preferir.

— Pode ser na cama. Não estou acostumada com rede, se não for incomodar.

— Não é incômodo nenhum. Estou feliz que você decidiu passar a noite comigo hoje.

Meu coração acelerou.

— Vou tomar um banho — ela disse.

Helen entrou no banheiro. Fiquei sentada na cama, tentando agir normalmente.

Não estava funcionando.

Quando ela voltou, sentou-se ao meu lado.

Por alguns segundos, nenhuma de nós disse nada.

Ela me olhou.

Eu olhei para ela.

Então ela sorriu daquele jeito que sempre fazia quando sabia que estava me deixando nervosa.

— Então... não quer saber se tenho namorada também?

Engoli em seco.

Ficamos em silêncio por mais alguns segundos.

Então ela se aproximou.

Meu coração disparou.

Eu poderia ter recuado.

Não recuei.

Nossos lábios se encontraram em um beijo tímido no começo, mas que rapidamente deixou de ser.

Naquele momento, não consegui pensar em provas, fórmulas, faculdade ou qualquer outra coisa.

Só nela.

Na manhã seguinte, acordei na casa da Helen. Ela ainda estava dormindo.

Fiquei alguns segundos olhando para o teto, tentando entender o que tinha acontecido.

Lembrei da noite passada, de cada beijo, de cada toque.

Eu nunca tinha sentido algo tão intenso por ninguém.

Não era minha primeira relação sexual. Mas o sentimento, esse sim, era completamente novo.

Vesti minhas roupas e me levantei.

— Ei, onde vai? — Helen perguntou, passando a mão pela cama onde eu estava deitada.

— Bom dia. Já está tarde. Preciso ir para casa. Avisei em casa que só ia passar a noite aqui, não o dia todo.

Ela riu.

— Foi uma ótima noite. Precisamos fazer isso mais vezes.

— Seria bom.

— Mas quero saber uma coisa antes.

— O quê?

— Você tem namorada? Falei em tom de brincadeira.

Ela sorriu.

— Desde ontem à noite.

Então se aproximou e me beijou levemente.

Nós nos despedimos, e voltei para casa andando nas nuvens.

Depois daquele dia, comecei a ir ao bar com o pessoal da faculdade todas as sextas-feiras.

Aos poucos, percebi que eu tinha passado tanto tempo tentando fazer tudo do jeito certo que tinha esquecido de simplesmente viver.

Eu não bebia nem ficava com outras pessoas além da Helen. Mas já não via problema em estar cercada por pessoas que pensavam e viviam de maneira diferente da minha.

A faculdade tinha me mudado.

Eu ainda gostava de estudar, de provas, de fórmulas e de saber que estava preparada. Mas agora havia espaço para outras coisas também.

Para rir.

Para sair.

Para me apaixonar.

As coisas não precisam ser ideais para serem boas, afinal.

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