Capítulo 01
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CURITIBA, PARANÁ. εïз
O fogo se alastrava por todo o orfanato. Benjamin segurava a mão de Junior um garoto de 11 anos.
Os dois moravam ali desde de recém nascidos, foram deixados ali por seus pais.
Não eram irmãos mas eram unidos como se fossem.
_ Foi como no seu sonho Benjamin ! _ Junior gritou com os olhos marejados.
Benjamin que tinha 18 anos olhou pro menino se recordando dos pesadelos que o perseguiam.
Um era um terrível incêndio. Outro era o rosto lindo de um moço loiro . Ele sempre via aquilo nos seus sonhos.
A fumaça estava sufocante e se podia escutar os gritos dos outros meninos.
_ Vamos morrer queimados._ Afirmou Junior tocindo devido a cortina de fumaça.
Benjamin agaichou segurou firmemente as mãos de Junior e acalmou :
_ Não vai não ! Tô aqui pra te proteger venha.
De mãos desceram para o segundo andar onde as chamas estavam mais controladas.
Uma viga de madeira caiu do teto direto em Junior. Ele caiu por cima dele o fogo queimando sua pele. Ele estava inconsciente enquanto era carbonizado.
Benjamin entrou em desespero. Chutou a madeira em chamas de cima do menino mas era tarde.
Seu rostinho agora era uma figura deformada. Junior morreu.
Benjamin caiu de joelhos gritando o mais alto e forte que pôde. Junior era seu amigo, um irmão caçula, seu apoio no orfanato.
A única família que conheceu.
_ Não é justo ! Porque ? Alguém me diz por que ? ? ?
Benjamin já não importava com nada queria morrer no incêndio como o pequeno Junior.
Entre lágrimas falou : _ Eu não mereço viver quero morrer aqui junto do meu amigo. 😢
A fumaça o sufoca Benjamin cai desacordado. Segundos depois dois bombeiros o resgatam.
Ele é levado para o pronto socorro mas as triste recordações daquele dia ficaram com Benjamin pra sempre.
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※ 6 meses depois ※
No quarto do hospital psiquiátrico Benjamin abraçava o próprio corpo, coração disparado.
Ela havia tido outro pesadelo com o incêndio e morte de Junior.
Após aquele evento traumático Benjamin acabou com stress pos traumático junto de outros sobreviventes da tragédia ganhou da prefeitura de Curitiba assistência psicologica.
Ele se culpava pela trágica morte de Junior.
A porta se abriu entrando Vladimir Alencar seu psiquiatra. Um homem de 31 anos de boa aparência.
Excelente profissional Vladimir cuidava do caso de Benjamin de perto. Sentou na cama ao lado e perguntou sobre o pesadelo.
_ Eu sempre tive sonhos muito vividos porém após o incêndio ele ficaram assustadores.
Contou Benjamin com voz trêmula.
Vladimir segurou a mão de Benjamin e com sua voz mansa explicou :
_ Benjamin os pesadelos nada mais são do que sonhos ruins que despertam sensações de medo, angústia, tristeza e raiva.
_ Me sinto culpado pela morte de Junior.
_ Você não teve culpa de absolutamente nada aquilo foi uma fatalidade, um dia você irá aprender a conviver com isto.
_ Doutor posso te mostrar o quadro que fiz ?
_ Claro, fico satisfeito que tenha voltado a pintar.
No orfanato Benjamin aprendeu a arte de pintar em óleo.
Vladimir sorriu pra tela a sua frente. Era um retrato dele sorrindo. Vladimir ficou emocionado.
_ Obrigado Benjamin estou muito lisonjeado.
_ Doutor Vladimir você tem sido minha salvação obrigado.
_ Se depender de mim irei te ajudar ainda mais.
Benjamin sentiu no coração algo raro...... Proteção.
Sozinho no mundo os únicos que o apoiaram foram Junior que agora estava morto e o psiquiatra Vladimir.
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Na universidade os estudantes do último período de engenharia civil Anderson Bismarck e Karla Vietri no portão falavam de Fernando Alencar.
Ele havia ganhado dos pais dois médicos aposentados um carro maravilhoso.
Anderson se roendo de inveja criticou :
_ Fernando já se acha imagina agora com um carro zero quilômetro.
_ Não fale assim do meu namorado Anderson.
_ Quem disse que ele é seu namorado, se liga vocês apenas ficam o infeliz é tão sortudo que tá cheio de mulher no pé do cara.
Karla Vietri cruzou os braços e afirmou :
_ Não importa, com ele que vou casar .
Anderson teve que rir de Karla.
Ambos eram jovens bonitos de classe média. Mas não tinham o mesmo padrão de vida de Fernando Alencar.
Ele era filho de Odete e Agnaldo dois médicos cirugiões que se aposentaram com honras.
O filho mais velho Vladimir estava se destacando no seu ramo. Fernando estava pra se tornar engenheiro.
Bonito, atraente, loiro, másculo Fernando despertava inveja em muitos inclusive nos " amigos ".
_ Lá vem ele aí _ Anunciou Anderson com raiva.
Fernando chega bosinando em seu porche vermelho. Óculos escuros e um sorriso presunçoso sua marca registrada.
Karla comentou : _ Naquele carrão Fernando fica ainda mais interessante.
_ Carrão esse comprado pelo papai. _ Interveio Anderson cheio de inveja.
_ O importante é que ele tem.
Karla saiu ao encontro de Fernando que saiu do automóvel e a beijou. Anderson via aquilo com ódio.
Anderson era um falso amigo e tinha muita inveja da vida que Fernando Alencar tinha.
Anderson também era rico porém ele nunca foi satisfeito com o que tinha estava sempre se comparando com os colegas.
Karla e Fernando chegam até ele de mãos dadas.
_ E aí Anderson o que vamos aprontar hoje a noite ? _ Saudou Fernando com um sorriso.
_ Estava pensando em ir no boliche.
_ Por min fechado e você Karla ?
_ Pra min tá ótimo meu bem.
Os três entraram e seguiram pra aula. Alguns alunos passavam admirando o carro de Fernando.
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Enquanto isto na sala da clínica psiquiátrica Benjamin pintava um girassol. Sua sensibilidade pra pintura a óleo era realmente impressionante.
Repentinamente os gritos de pavor e dor de Junior vieram em sua memória.
O rosto retorcido pelas chamas ...... O cheiro de pele queimada ...... A perda irreparável.
Ele largou o pincel chorando copiosamente.
_ Eu não fui capaz de salvar o meu amigo ! Eu os matei ! Eu matei o Junior !
Benjamin jogou o quadro no piso e caiu de joelhos aos prantos. A porta se abriu um enfermeiro e Vladimir entraram.
Eles tentaram conter o surto de Benjamin.
Nos olhos verdes de Benjamin se via muita culpa e dor.
A voz aveludada de Vladimir estava ali para tentar acalmá-lo :
_ Ta tudo bem Benjamin respira fundo, você não tem culpa volte a pintar .
_ As imagens doutor vem repentinamente, são como os sonhos que sempre tive ...... Eu sonhei com o incêndio e com o rosto de um moço loiro ......
_ Essas imagens e cenas são criadas pelo seu subconsciente, elas não são reais.
_ Me sinto muito mal por causar tanto transtorno.
Benjamin recebeu um abraço forte de Vladimir.
_ Retorne as suas atividades Benjamin, hoje você tem terapia.
Vladimir e o enfermeiro saíram da sala.
No corredor o enfermeiro quis saber :
_ O caso dele é grave ? O que pretende fazer com ele ?
_ Estou pensando em pedir autorização ao hospital e levalo pra minha casa lá poderei acompanhar o caso dele de perto, ele nunca teve um lar isso o ajudará.
_ E sua família como reagirá ?
_ Meus pais vão aceitar meu irmão pode ser contra mas a opinião dele não me importa, tudo que quero é ajudar Benjamin.
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A noite na casa da família Alencar Odete , Agnaldo e Fernando jantavam.
_ Pelo visto Vladimir irá chegar tarde da clínica novamente. _ Observou Agnaldo.
Fernando debochou : _ Daqui a pouco Vladimir vai ficar tão maluco como os pacientes dele ele praticamente mora naquele hospício.
_ Por favor respeite a profissão do teu irmão ele ama o que faz. _ Advertiu o patriarca.
Fernando limpou a boca com o guardanapo e se levantou avisando : _ To indo ali com a galera.
Com a testa franzida Odete indagou :
_ Ali a onde Fernando ? Já são nove da noite fica quieto em casa.
_ Não começa a me dizer o que tenho ou não fazer ....... Vou sair pra beber com meus amigos.
_ E vai dirigir ? Sem chance ! Vá pé ou de táxi estamos entendidos.
_ Claro que sim mamãezinha.
Fernando saiu e os pais dele se olharam preocupados.
_ Odete nossos filhos são opostos em absolutamente tudo.
Agnaldo constatou e voltou a jantar.
Escondido Fernando pegou a moto e foi com ela desligada até a esquina. Montou deu a partida e saiu em alta velocidade.
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Em seu quarto na clínica psiquiátrica Benjamin dormia um sono agitado.
Ele tinha mais um daqueles sonhos ........
Era o mesmo rapaz bonito que povoava seus sonhos desde a infância.
Loiro de olhos castanhos. Ele vinha em sua direção, andando seguro e orgulhoso.
Mas seu sorriso era belo . O coração de Benjamin disparava.
_ Quem é você ? Porque sempre surge em meus sonhos ? Qual é seu nome ?
Benjamin gritou mas instantaneamente ele sumiu.
Benjamin despertou com o coração aos saltos.
_ Será que algum dia saberei quem é você ?
Se perguntou com medo pois apesar da beleza do rapaz algo nele lhe causava medo.








