Primeiro Encontro
𝙀𝙨𝙢𝙚
𝙀𝙨𝙢𝙚
Meu nome é Esme Platt, tenho dezesseis anos e moro com meus pais em uma fazenda no interior de Ohio. Meu maior sonho é ser professora, mas meus pais acreditam que isso não é algo para mulheres. Apesar disso, esse desejo vive em meu coração, como um raio de sol em meio às sombras da realidade.
Hoje, o dia está lindo e ensolarado. Encontrei refúgio no alto da minha árvore favorita, com um exemplar de Romeu e Julieta nas mãos. Este é o único lugar onde me sinto livre para sonhar. O vento acaricia meu rosto, e por alguns momentos, posso imaginar que a vida é tão poética quanto as palavras de Shakespeare.
— Esme, querida, venha me ajudar com esses pães, rápido! — a voz da minha mãe ecoa da cozinha, me arrancando de meus devaneios.
— Já vou, mãe! — gritei de volta, enquanto me apressava para descer da árvore.
Mas a pressa me traiu. Meu pé escorregou, e a gravidade fez o resto. A queda foi rápida, mas a dor que senti ao atingir o chão foi esmagadora. Um grito escapou dos meus lábios enquanto eu segurava minha perna, certa de que algo estava quebrado.
— Filha, você está bem? Já te falei que uma dama não sobe em árvores! — minha mãe ralhou, enquanto lágrimas desciam pelo meu rosto.
— Eu... eu escorreguei — murmurei, abaixando a cabeça, envergonhada.
— Vou chamar seu pai para levarmos você ao hospital.
Logo meu pai chegou e me colocou na carroça. Durante o trajeto, tentei não pensar na dor, mas sim no que os outros diriam sobre uma garota de dezesseis anos caindo de uma árvore. Ao chegarmos ao hospital, fui levada para uma sala de atendimento.
Enquanto esperava, perdida em pensamentos, uma voz grave e melodiosa ecoou na sala.
— Boa tarde. Eu sou o doutor Cullen. Senhorita...?
Levantei os olhos e meu mundo parou. Ele era incrivelmente belo, com cabelos dourados que refletiam a luz do sol e olhos que pareciam feitos de ouro líquido. Por um momento, esqueci da dor em minha perna.
— Platt... Esme — consegui responder, sentindo minhas bochechas queimarem.
— Pode me contar o que aconteceu? — perguntou ele, com um olhar gentil que me fez sentir um misto de vergonha e nervosismo.
— Eu estava em cima de uma árvore lendo. Quando fui descer, acabei escorregando — confessei, esperando que ele não achasse isso tão infantil quanto parecia.
Ele sorriu. Um sorriso suave, que fez meu coração acelerar.
— O que estava lendo? — perguntou, enquanto se preparava para examinar minha perna.
— Romeu e Julieta.
— Um clássico. Lamento pela sua queda. Vamos dar uma olhada nisso. — Ele se ajoelhou ao lado da maca, suas mãos frias tocando delicadamente minha perna.
Por alguns minutos, ele examinou com cuidado, enquanto eu lutava para não olhar diretamente para ele. Havia algo em sua presença que era ao mesmo tempo intimidador e reconfortante.
— Vou enfaixar sua perna. Você terá que ficar em observação por um tempo — disse ele, antes de sair para falar com meus pais.
Quando voltou, segurava um livro em mãos. Ele se aproximou de mim, com aquele mesmo sorriso tranquilo.
— Não é Romeu e Julieta, mas talvez ajude a passar o tempo — disse, me entregando o exemplar de Noite de Reis.
Segurei o livro, surpresa e grata.
— Obrigada, doutor.
Ele me lançou um olhar que parecia durar mais do que deveria.
— Tenha uma ótima recuperação, senhorita Platt — disse ele, em um tom que parecia carregado de algo mais profundo, antes de se afastar.
Fiquei ali, com o livro em mãos, observando-o desaparecer pelo corredor. Meu coração estava acelerado, e minha mente não conseguia focar em mais nada. Não sabia exatamente o que era aquilo que sentia, mas uma coisa era certa: aquele dia, de alguma forma, mudaria minha vida para sempre.