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Helena gostava da chuva porque ela fazia o mundo parecer distante.
Sentada no sofΓ‘, com uma manta sobre os ombros, ela lia um dark romance enquanto o som das gotas cobria o silΓͺncio do apartamento. Morar sozinha nunca a assustara. Pelo contrΓ‘rio: ela gostava da liberdade, dos livros espalhados pela sala e da sensaΓ§Γ£o de que aquele pequeno lugar era completamente seu.
Naquela noite, porΓ©m, algo estava diferente.
Helena fechou o livro por alguns segundos e olhou para a estante.
Um dos romances estava aberto.
Ela tinha certeza de que o deixara fechado.
Levantou-se devagar. O apartamento estava trancado, e as janelas permaneciam fechadas. Mesmo assim, uma pΓ‘gina havia sido dobrada no canto.
No centro dela, alguΓ©m escrevera uma frase:
**βVocΓͺ gosta de histΓ³rias sombrias. Mas serΓ‘ que gostaria de viver uma?β**
Helena sentiu um arrepio.
EntΓ£o ouviu trΓͺs batidas na porta.
*Tokβ¦ Tokβ¦ Tokβ¦*
Ela nΓ£o se aproximou imediatamente. Pegou o celular e verificou as cΓ’meras do corredor. A imagem mostrava apenas uma pessoa parada diante da porta.
Alta. ImΓ³vel.
Usava uma mΓ‘scara branca, alongada, com olhos escuros e uma expressΓ£o de grito.
Uma mΓ‘scara do Ghost Face.
O celular vibrou.
NΓΊmero desconhecido:
**βAbra a porta, Helena.β**
Ela recuou, bloqueou a tela e ligou para a emergΓͺncia. Do outro lado da porta, a figura inclinou a cabeΓ§a, como se soubesse exatamente o que ela estava fazendo.
Depois, uma voz abafada atravessou a madeira:
β VocΓͺ sempre para de ler antes da melhor parte.
Helena olhou para o livro aberto sobre o sofΓ‘.
A pΓ‘gina agora estava virada.
E havia uma nova frase escrita nela:
**βA protagonista desta histΓ³ria Γ© vocΓͺ."**








