A noiva da Neve
A neve caía sem parar.
Ébony caminhava lentamente pela floresta, sentindo o frio atravessar o fino tecido de seu vestido de noiva.
O vestido branco estava sujo nas barras.
Os cabelos pretos, longos e lisos, chegavam até suas nádegas e estavam cobertos por pequenos flocos de neve.
Ela tremia.
Não sabia para onde estava indo.
Naquela noite, deveria estar se casando.
Deveria estar entrando em uma nova casa.
Deveria estar começando uma nova vida.
Mas havia sido vendida.
Como se não fosse uma mulher.
Como se não tivesse escolha.
Como se sua vida pudesse simplesmente ser entregue a outro homem.
Ébony abraçou o próprio corpo.
Seu rosto, apesar do frio, continuava delicado.
A pele era tão clara que quase se confundia com a neve.
Seus olhos estavam vermelhos pelas lágrimas.
Então ouviu um som.
Passos.
Ébony parou.
Ao longe, homens surgiram entre as árvores.
Eram vários.
Vestiam roupas pesadas para suportar o frio e carregavam armas.
No centro deles caminhava um homem diferente.
Alto.
Forte.
Imponente.
Seus cabelos eram castanhos claros e estavam levemente bagunçados pelo vento.
Os olhos castanhos observaram Ébony por alguns segundos.
Era Dante.
O Alfa da alcateia rival.
Ele parou diante dela.
Ébony recuou um passo.
— Não...
Dante franziu a testa.
— Você está sozinha?
Ela não respondeu.
— Quem fez isso com você?
Ébony apertou o vestido entre os dedos.
— Fui vendida.
Os homens atrás de Dante trocaram olhares.
Dante ficou em silêncio.
Então olhou para o vestido.
— Você está vestida para um casamento.
Ébony abaixou os olhos.
— Eu estava.
Dante entendeu.
Aquela mulher deveria estar entrando em uma casa como noiva.
Em vez disso, havia sido abandonada na neve.
Ele retirou o próprio casaco.
Aproximou-se lentamente.
Ébony ficou tensa.
Dante colocou o casaco sobre os ombros dela.
— Você vai congelar.
Ela olhou para ele, surpresa.
— Por que está fazendo isso?
— Porque você está com frio.
Dante virou-se para os homens.
— Vamos voltar.
Um deles arregalou os olhos.
— Alfa...
Dante olhou para ele.
— O quê?
O homem hesitou.
— E ela?
Dante respondeu simplesmente:
— Ela vem conosco.
O acampamento da alcateia estava iluminado por várias fogueiras.
Quando Dante chegou acompanhado de Ébony, todos ficaram em silêncio.
Os olhares se voltaram para a mulher.
Uma noiva.
Um vestido branco.
Cabelos negros.
E o casaco do Alfa sobre os ombros.
Os homens começaram a murmurar.
— Quem é ela?
— A mulher que ele encontrou na floresta.
— Ele trouxe uma mulher para a própria barraca?
Outro homem sorriu.
— Então sabemos o que vai acontecer esta noite.
Alguns riram.
Ébony ouviu.
Seu coração apertou.
Dante também ouviu.
Virou o rosto lentamente.
O sorriso desapareceu do rosto dos homens.
— Ela não é propriedade de ninguém.
O acampamento ficou em silêncio.
Dante segurou a entrada de sua barraca.
— Entre.
Ébony entrou primeiro.
Dante entrou logo depois.
Dentro da barraca havia uma cama simples, uma pequena mesa e uma fogueira protegida.
Ébony permaneceu perto da porta.
Não sabia o que esperar.
Dante percebeu seu medo.
— Você pode dormir aqui.
Ela o encarou.
— E você?
Ele apontou para o outro lado da barraca.
— Eu fico ali.
Ébony franziu a testa.
— Você não vai...
Ela não conseguiu terminar.
Dante entendeu.
— Não.
Ébony ficou em silêncio.
— Eu não vou tocar em você.
Ela respirou lentamente.
Pela primeira vez naquela noite, sentiu que podia respirar sem medo.
Dante pegou uma manta e colocou sobre uma cadeira.
— Quando estiver pronta para falar, você fala.
Ele se afastou.
Ébony observou aquele homem que todos pareciam temer.
O Alfa da alcateia rival.
O homem que poderia ter feito o que quisesse com ela.
Mas não fez.
Do lado de fora, os homens ainda conversavam.
Alguns esperavam ouvir gritos.
Outros esperavam que Dante saísse da barraca anunciando que Ébony agora pertencia a ele.
Mas a noite passou.
E nada aconteceu.
Dante manteve sua palavra.
Não a tocou.
Não a forçou.
Não exigiu nada.
Apenas permaneceu ali, garantindo que a mulher que havia sido abandonada na neve tivesse, pela primeira vez naquela noite, um lugar seguro para dormir.
E Ébony fechou os olhos.
Sem saber que aquele homem, que deveria ser seu maior inimigo...
seria justamente aquele que começaria a ensinar-lhe o verdadeiro significado da palavra proteção.








