Chapter 1
Três pessoas vão para o inferno, e, quando chegam, percebem que o inferno, na verdade, não é, como muitos pensam "enxofre", "fogueira", "grelha", "um bicho feio", "um local escuro", mas os outros.
Garcin, uma das três personagens, está no inferno pelo fato de ter maltratado a sua mulher em vida. Inês, no entanto, porque matou o seu marido. A última, Estelle, por ter matado o seu filho. Durante o convívio dos três no inferno, cada um percebe no outro o "seu inferno". Sartre manifesta isso quando afirma que "cada um de nós é o carrasco para os outros dois". Garcin sofria quando Inês reconhecia a sua covardia. Inês, contudo, quando Estelle não a dava importância. Estelle, por Garcin não dar créditos as suas palavras. Contudo, os incômodos se tornavam frequentes e nos detalhes mais insignificantes, como quando Garcin tinha medo, e Inês reclamava que ele "não tinha o direito de impor o espetáculo do seu medo" ou quando Garcin ficava em silêncio, e este era para Inês "um grito em suas orelhas".
Quando eles choravam, as lágrimas não escorriam, e os soluços eram secos, pois eles não se arrependiam de seus erros em vida, e, justamente por esse motivo, estavam no inferno. Inês, em resposta a Garcin ter reclamado que morreu cedo demais, afirma algo que vale a pena ser objeto de reflexão: "Morre-se sempre cedo demais... ou tarde demais. No entanto, a vida está aí, liquidada. Já se deu o traço debaixo das parcelas, resta fazer a soma. Você nada mais é do que sua vida."
Sartre neste teatro busca mostrar que a convivência entre as pessoas é algo difícil quando afirma "Nada de grelha [...] O inferno são os outros." Ainda que a palavra "inferno" carregue um peso que manifesta uma certa impossibilidade de convivência com os outros, padre Paulo Ricardo em um de seus artigos afirma "O céu são os outros", pois entendendo que os outros são "um inferno", é preciso amar, pois o amor é verdadeiro justamente quando há sofrimento. Finalizo esta resenha expondo um pequeno trecho de Mr. Robot que penso ser de grande valia ao assunto abordado:
"Eu odeio as pessoas, tenho medo delas, tive medo delas praticamente a minha vida toda. Pessoas que amei, pessoas em quem confiei, fizeram coisas horríveis comigo, [...] mas existem algumas pessoas lá fora, e isso não acontece muito, é raro, elas se recusam a deixar você odiá-las. Na verdade, apesar disso, elas se preocupam com você. E as mais especiais, elas são persistentes. Não importa o que você faça, elas aguentam e se importam com você mesmo assim. Elas não te abandonam. Não importa quantos motivos você dá para elas. Não importa o quanto você implore para irem embora. E quer saber o por quê? [...] Elas me amam, e depois de toda dor que senti, isso me cura."







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