Logan
14/07/25
Não, eu não estou apaixonado, sinto muito, coração idiota, o amor não é pra mim. Então, por que eu estou parado aqui nessa rua, debaixo dessa chuva, esperando pelo Toby Matthews sair da casa dele? Simples, eu só quero entregar as coisas dele que ele deixou lá no trabalho quando ele se demitiu ou foi demitido, eu sei lá. Eu, Logan Frye, no auge dos meus 22 anos, 1,78 de altura, olhos azuis e cabelos loiros, só quero garantir que a minha mãe me educou bem. Eu não estou aqui para vê-lo e dizer nada demais, eu não vou falar pra ele que eu passei a noite inteira cheirando a camiseta dele que estava entre as coisas que ele deixou pra trás, e nem que dormi abraçado com o boné dele. Não, isso eu vou guardar pra mim, ele não precisa saber disso. Além do mais, eu só devo ter feito isso porque ele não vai estar lá na segunda quando eu for trabalhar, e eu não vou poder mais ficar olhando para aquela bunda magrela dele e nem desviar o olhar antes que ele ou alguém perceba que eu estou encarando aqueles olhos castanhos lindos dele que ficam maravilhosos quando ele sorri, quando ele estiver almoçando com os amigos dele rindo de alguma besteira que eles falaram. Eu só vou ficar com saudades dele, só isso. Eu posso sentir saudades dele, eu posso sentir saudades de qualquer um, isso não significa que eu em qualquer possibilidade estou de alguma forma apaixonado, amor com ceteza, é outra coisa, bobagem a minha pensar nisso. Eu só estou seguindo com o meu dever cívico como bom cidadão e entregando as coisas dele antes que alguém jogasse fora.
Ai, puta merda, ele está saindo de casa. O que eu faço? Eu vou segui-lo pra poder abordar ele. Eu começo a andar atrás dele e só atravesso a rua nessa hora. A chuva deu uma maneirada, mesmo assim ele colocou a touca do seu moletom que esconde aquele cabelo comprido e castanho dele lindo pra caralho. E como eu gostaria de cheirar aquela mechas. Eu estou andando atrás dele e só preciso criar coragem para chamá-lo. Tudo bem, eu vou só me aproximar dele e dizer um oi casual, como se eu só estivesse passando ali por acaso. Agora, bem atrás dele, eu só levanto a minha mão e estou prestes a colocar no ombro dele. Ele então se vira e me acerta um soco no rosto, me levando direto ao chão. Eu estou deitado naquele chão molhado, morrendo de dor com a mão no nariz.
— O que foi? — diz ele. — Vai encarar, maluco?
— Puta merda, cara — digo. — Acho que você quebrou o meu nariz, porra.
— Logan. É você? — pergunta ele, me olhando confuso. — Por que você está me seguindo?
— Caralho, Toby — digo, me contorcendo de dor. — Quem você achou que fosse?
— Sei lá, a porra de um ladrão — diz ele.
Ele me ajuda a me levantar e depois nós andamos de volta à casa dele, onde ele me leva até a cozinha. Enquanto ele faz um chá para nós, ele cuida do meu nariz que só ficou um pouco inchado, mas não foi nada demais, além, é claro, da dor. Ele me entrega um saco de ervilhas congeladas e pede para colocar sob o rosto.
— Você vai sobreviver — diz ele.
— Você acha mesmo? — pergunto zangado.
— Cara, você me deu o maior susto — diz ele, rindo e depois se sentando para nos servir chá. — Eu achei que era um desses malucos que a gente vê na TV.
— Que bom que eu não sou — digo.
— O que você está fazendo por aqui? Eu pensei que você morava no centro.
— Eu só estava de passagem — digo. — Visitando alguém.
— Legal — diz ele. — Uma namorada?
— Não!
— Um namorado então? — pergunta ele. — Eu não tenho preconceito com isso, não.
— Também não — digo, acanhado. — Só um amigo. Eu aproveitei que você mora aqui perto e vim te trazer isso — digo, abrindo a minha mochila e entregando pra eles as coisas deles.
— Meu boné — diz ele animado. — Eu pensei que eu nunca mais fosse ver essas coisas. Valeu, cara.
— Eu só achei que você ia mesmo querer isso de volta — digo. — Depois que esvaziaram o seu armário.
— Aqueles merdas — diz ele.
— Por que você saiu de lá? — pergunto tímido. — Eu ouvi umas histórias.
— Que histórias?
— De que você saiu no soco com o gerente da tarde? — digo. — Isso é verdade?
— Ah, sim — diz ele. — Eu tive que colocar aquele merda no lugar dele. Estava muito folgado para o meu gosto.
— E só bateu nele? — pergunto. — Por conta disso?
— Não, a gente discutiu também – diz ele rindo. — E depois eu só o soquei — diz ele dando um gancho de direita no ar.
Nessa hora, a porta da sala se abre e é um rapaz igualzinho ao Toby, só que um pouco mais velho, acho que é o irmão dele. Ele chega limpando a sua bota no tapete e sacudindo o cabelo com a mão, o cabelo dele também é castanho escuro, só que curto.
— Maldita chuva de merda — diz ele.
— Ei, Asher — diz o Toby. — Vem aqui cumprimentar o meu amigo.
Ele entra na cozinha reclamando do tempo que voltou a chover forte e depois pega na minha mão sem me olhar direito.
— Por que você está em casa ainda? — pergunta ele para o irmão. — Pensei que você ia sair para procurar um novo emprego hoje?
— Eu estava saindo, mas aí eu encontrei o Logan e acertei um soco nele sem querer — diz o Toby rindo.
— Assim como acertou um no seu antigo chefe? — pergunta ele, frio.
— Vai à merda — diz o Toby.
— Eu vou para o meu quarto — diz o Asher. — Vê se não faz muito barulho vocês dois que eu trabalhei a noite toda, estou cansado.
Ele sobe as escadas e eu e o Toby continuamos sentados lá na cozinha conversando mais um pouco e depois do chá eu resolvo que já é hora de ir embora. Pra falar sério, eu não sei o que eu estava esperando encontrar por aqui?








