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Nós, em uma Sexta-Feira

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Summary

Regras existem para serem quebradas... até que o amor decida reescrever todas elas. Para Samuel Backer, um policial focado e contido, a vida seguia um roteiro estrito onde não havia espaço para imprevistos - nem para sentimentos que fujam do seu controle. E as sextas-feiras? Eram, sem dúvida, o pior dia da sua semana. Mas tudo muda quando ele cruza o caminho de Anne, uma mulher dona de uma personalidade marcante, dona de um olhar afiado e de um "sistema" muito bem estruturado. As regras de Anne eram claras: nada de se envolver com um homem branco e, definitivamente, nada de se envolver com um policial. O que deveria ser apenas um encontro casual e hostil se transforma em uma atração visceral e incontrolável. Entre o cheiro de flores, segredos revelados em telas de pintura, feridas do passado e o peso do preconceito, Sam e Anne são forçados a encarar suas próprias fraquezas e medos. Em um turbilhão de desencontros, orgulho e uma paixão que desafia todas as barreiras, eles descobrirão que algumas conexões são inevitáveis - e que até o dia mais odiado da semana pode se tornar o começo de uma vida inteira juntos.

Genre
Romance
Author
Ju
Status
Complete
Chapters
13
Rating
n/a
Age Rating
16+

1 - Floricultura River

A sexta-feira era o pior dia na vida de um policial. Absolutamente todas as coisas ruins e inusitadas aconteciam naquele maldito dia da semana, que para uns era o dia mais aguardado, e para mim, um verdadeiro inferno.

O bairro mais movimentado da cidade ficava em polvorosa com as festas de fim de ano, e eu sempre tinha o azar de patrulhar aquela região na véspera de Natal. O meu parceiro atribuía o meu desagrado com aquela parte do trabalho ao meu mau humor, quando na verdade era apenas um fato.

A criminalidade naqueles lados chegava a ser assustadora; as pessoas não tinham segurança em andar nas ruas, e a maior parte dos furtos eram cometidos por adolescentes em situação de rua. E, naquela sexta-feira, eu e o meu parceiro Frank investigávamos em paralelo a invasão a uma loja ocorrida naquela madrugada.

Todos os estabelecimentos pareciam receosos quando o assunto era a polícia, o que me deixava ainda mais indignado. Grande parte dos comerciantes tinha uma visão negativa da corporação, e, no fim das contas, era a nós que recorriam em situações de perigo.

Eu tinha escolhido me tornar policial para ajudar as pessoas, e foi um baque estrondoso descobrir que algumas delas não queriam ser ajudadas, e outras nos odiavam acima de qualquer coisa, a ponto de negarem nossa ajuda. O grande número de casos de violência policial gratuita certamente era responsável por toda aquela represália, o que me causava uma ânsia ainda maior, ao imaginar que todos pagavam pelo péssimo trabalho de alguns.

Eu não era nenhum santo; houve um tempo no meu passado — esse que tentava guardar bem no fundo da gaveta — em que eu não era exatamente a pessoa que mais seguia regras. Mas perder o pai aos quinze anos, e ser obrigado a encarar a dureza da vida sem nenhum eufemismo, foi essencial para me fazer enxergar as coisas de um jeito diferente. Desde então, passei a ter uma necessidade quase desesperadora por controle; era como se a simples ideia de algo acontecer sem que eu estivesse preparado me tirasse o juízo. E eu sempre estava. Entrei para a polícia porque queria ser a pessoa que ia até o fim para desvendar os crimes que ninguém mais dava a mínima.

— Eles chegaram.

Entramos em uma floricultura com uma fachada bem pouco chamativa. Frank andou pelos corredores cheios de flores de todos os tipos, tocando em cada uma delas como se fosse uma criança no supermercado. Revirei os olhos, completamente impaciente com ele naquele momento.

No balcão, uma mulher negra tinha levantado o olhar de um arranjo, com um sorriso receptivo nos lábios, esse que morreu imediatamente enquanto ela nos encarava com o queixo erguido e os olhos em fúria pela nossa presença em seu santuário sagrado. Ela tinha uma estatura mediana e, provavelmente, uns vinte e cinco anos. Pela forma como nos olhava, não éramos bem-vindos ali também.

— Boa tarde... — forcei a visão para ler o nome em um crachá de identificação que ela usava no bolso do uniforme: — Anne.

Eu normalmente não chamava pessoas desconhecidas pelo primeiro nome sem antes me apresentar. Era uma ideia ridícula que eu trazia desde a época do meu pai.

— Como podemos ajudá-los, senhores policiais? — O tom irônico na voz não escondia o desagrado com a nossa presença.

— Estamos procurando um menino; ele praticou alguns furtos e invadiu uma loja ontem à noite. Temos a descrição...

— Deixa eu adivinhar: menino negro, jovem, cabelo cortado. Por que eu não estou surpresa com isso? — A outra mulher apenas analisava a situação com um sorriso contido nos lábios, parecia saber que a tal Anne gostava de arrumar confusão.

— Olha, Srta. Anne, é a primeira vez que entramos no seu estabelecimento, e estamos apenas fazendo o nosso trabalho. Talvez o meu amigo aqui tenha sido um pouco direto demais, mas o que queremos dizer é que um rapaz — que também pode apresentar riscos para as senhoritas — está à solta praticando furtos e invadindo estabelecimentos. Nosso intuito aqui é apenas alertá-las de um possível perigo.

A mulher encolheu os ombros por um único segundo até voltar a assumir a postura insuportável de antes. Eu nem a conhecia e já não a suportava. Embora Frank tivesse sido o mais cordial possível, a minha vontade era de mandá-la à merda de uma vez por todas.

Virei as costas, tentando conter aquele impulso de agir contra a minha própria educação. Já do lado de fora, Frank ria da minha cara, provavelmente percebendo o quanto aquela situação bizarra tinha mexido comigo.

Entramos em mais algumas lojas e mercadinhos do bairro até a hora de ir embora. A tarde tinha passado mais rápido que o habitual, e, a cada pequeno intervalo, a minha cabeça fazia questão de me lembrar do episódio da floricultura. Bem no fundo, a minha vontade era voltar lá e fazer aquela mal-educada se desculpar.

A verdade era que a situação em si nem era de todo horrível, mas eu estava dando importância demais para algo que poderia muito bem descansar no fundo da minha cabeça, junto com as coisas irrelevantes do meu dia.

Quando cheguei ao meu apartamento, havia uma encomenda bem na porta. Me abaixei para pegá-la e ler o que estava escrito no papel grudado na caixa com uma fita amarela. Era a letra da minha ex-esposa, Mia. Ficamos casados por um curto período de dois anos, numa tentativa de me encaixar no padrão de quase cem por cento dos meus colegas do departamento de polícia. No fim das contas, terminamos nos odiando como jamais imaginei. Dividíamos um cachorro, o Luke, que por vezes passava os fins de semana na casa dela. Era patético, a minha mãe diria, mas eu tinha me apegado ao maldito cão e ela não abria mão, certamente tentando me atingir. Apesar de ser uma mulher bonita e interessante, Mia encontrou certa dificuldade em aceitar o divórcio, mesmo a ideia tendo partido dela inicialmente.

A minha mãe ligou e conversamos por quase uma hora. Eu era filho único e tentava de todas as formas me fazer presente na rotina dela que, desde que perdeu o meu pai, nunca mais tinha se envolvido com ninguém.

— Cuide-se, Samuel. — Nos despedimos na chamada pouco antes de eu sair para caminhar.

Era uma terapia excelente e, o melhor de tudo, de graça. Corri por quase duas horas até retornar exausto ao meu apartamento. E ainda eram dez horas da noite. Preparei alguma coisa rápida para comer e sentei no sofá, sucumbindo ao cansaço e a fim de escolher alguma coisa para ver na televisão. Enquanto um anúncio gigante pausava o meu filme, peguei o celular e fiz uma rápida pesquisa:

Floricultura River.

Arranjos para festas de casamentos, formaturas e muito mais.

E uma foto.

A mulher mal-educada daquele dia mais cedo, ao lado da outra que nem se deu ao trabalho de abrir a boca durante a nossa abordagem. As duas posavam sorrindo na foto, e o artigo falava sobre o empreendimento das duas amigas, moradoras de um bairro pobre, que conseguiram abrir o próprio negócio no maior bairro da cidade. Dei play em um vídeo que parecia ser uma entrevista.

A voz dela até que era bonita quando não estava sendo uma completa babaca. Escutei a entrevista de vinte e quatro minutos; as duas mostravam o empreendimento com o gás de iniciantes. Me fez lembrar de quando comecei no departamento, antes de me deparar com as dificuldades de ser um policial. Percebi que aquele interesse repentino poderia ser um problema futuro e desliguei o telefone, buscando todo o interesse de minutos antes para terminar aquele bendito filme, que naquele momento não parecia nada além de perda de tempo.

Eu tinha o péssimo hábito de fumar, o que era extremamente contraditório para alguém que perdeu o pai para o câncer. Mas, na maior parte do tempo, uma ansiedade agoniante me assolava, e a porcaria da nicotina tinha a sua vantagem nesse departamento.

Abandonei aquela tentativa de entretenimento e fui ao quarto de hóspedes, onde eu secretamente guardava telas e umas latas de tinta. Pintar era algo completamente contrário à minha personalidade, mas, como o meu pai costumava dizer quando eu era adolescente, a minha personalidade tinha sido moldada com as características dos dois, literalmente. A parte de mim que gostava de adrenalina e que tinha entrado no departamento de polícia para tentar fazer a diferença no mundo certamente veio do meu pai; e o Samuel que gostava de coisas como pintar e ouvir música era uma pitada genuína da minha mãe.

Eu tinha ficado mais de dois anos sem encostar em um pincel no período em que estive casado — não porque a Mia não gostasse ou algo parecido, mas eu sentia que aquela parte de mim era tão particular que não podia ser compartilhada nem mesmo com a pessoa com quem eu escolhi me casar. Era estranho, com certeza, mas foi inevitável.

Após a separação, nós dois seguimos rumos diferentes, e o fato de não haver filhos no meio tornou tudo muito mais fácil. Apesar de sonhar em ser pai algum dia, eu não tinha aqueles planos com ela, mesmo sendo tão contraditório.

— Dá o fora daqui. — O cachorro me olhou acuado ao tentar entrar no quarto. Da última vez em que ele atravessou aquelas portas, duas telas tinham ido para o lixo.

Como se tivesse entendido completamente o que eu disse, ele ficou me encarando do batente da porta, sem ousar entrar. Dei uma risada contida, tentando não demonstrar nenhuma fração de flexibilidade com aquele animal de costumes tão terríveis. O lado ruim de pegar um animal adulto era que os hábitos já estavam ali, e você só precisava sobreviver a isso.

Arregalei os olhos ao olhar para a tela: os meus dedos, involuntariamente, tinham desenhado o vislumbre de um rosto. Lábios grossos e um olhar penetrante; era apenas um esboço iniciante, mas suficiente para saber de quem se tratava. Deixei o pincel cair, manchando ainda mais o tapete de tinta.

— Não seja idiota, Sam. — murmurei para mim mesmo, indignado por me prestar a tal papel.

Saí do quarto fechando a porta com a chave, mesmo morando sozinho. Era como se eu tivesse medo de que alguém simplesmente brotasse ali e invadisse a parte mais íntima da minha vida.

No outro dia, encontrei Frank sentado no meio-fio, do outro lado da rua do Departamento de Polícia. Ele levantou o braço para acenar quando me viu e me estendeu um copo de café. Estava quente como o inferno, mas aceitei mesmo assim.

Dentro do prédio, o alvoroço tinha se iniciado cedo. Uma quadrilha de roubos de carro tinha sido presa durante uma operação que envolvia mais de vinte policiais, e eu havia escapado ileso de ser chamado durante a madrugada, diferente do Frank, que estava exausto àquela hora da manhã.

Terminei alguns relatórios inacabados de pelo menos duas semanas. Eu odiava a parte administrativa, e me sentia vivo mesmo nas ruas. Assinei alguns papéis na sala do chefe do departamento, tentando manter a postura enquanto o escutava falar as piores atrocidades no telefone com alguém. Dylan era uma pessoa extremamente difícil e chegou àquele cargo porque era amigo das pessoas certas, mas dedicação não era exatamente o forte dele.

— Tudo bem, Samuel? — perguntou, apontando para o monte de papéis que eu tentava ajustar na mesa.

Limitei a minha resposta a um gesto e saí da sala rapidamente. Corriam boatos de que ele era violento com a mulher, mas ninguém nunca tinha confirmado nada. Apesar de saber que ele era completamente capaz disso, tentava ignorar aquele pensamento para conseguir trabalhar com aquele homem idiota sem sentir ainda mais vontade de socar a cara dele.

Ouvimos o barulho do telefone de chamadas de emergência, e Gina, a telefonista parecia distraída em uma conversa com outra mulher. Tossi de propósito para chamar a atenção dela, que veio correndo para o seu posto.

Ela anotou o que escutava do outro lado da linha e me chamou com um aceno. Odiava aquele tipo de tratamento e caminhei com a cara fechada até ela.

— Ocorrência de tentativa de furto na Floricultura River. Vocês não estiveram lá ontem? — ela especulou, como bem sabia fazer. — Janela quebrada e a proprietária foi ferida.

Peguei o casaco na cadeira e caminhei rapidamente para o carro. Frank vinha atrás de mim esbaforido, mastigando uma rosquinha de aparência duvidosa. Entramos no carro juntos, e ele ficou no banco do passageiro, lutando como em uma guerra para colocar o casaco ao mesmo tempo em que comia.

Estacionei o carro alguns minutos depois na frente da floricultura. Uma das proprietárias veio correndo assim que nos viu; ela falava ao telefone com alguém que parecia ser da emergência. Quando entramos, a mulher do dia anterior estava sentada no chão: o joelho sangrava e havia um pequeno corte no braço. Não parecia ser nada sério, mas a amiga gritava ao telefone como se a mulher no chão tivesse sido atingida por tiros.

Tentei me aproximar e ela se afastou rapidamente. Franzi a sobrancelha, confuso pela reação dela. A confusão aumentou quando Frank tentou repetir o mesmo gesto e foi melhor recebido.

Qual o problema dela comigo, afinal?

— Qual é o seu nome, senhorita? — Frank perguntou, com toda a cordialidade que só ele sabia ter.

— Anne.

— Certo, Anne. Aparentemente são cortes superficiais — Frank constatou, e ela balançou a cabeça como quem diz que entendia.

Quando a outra mulher se acalmou, virou-se na minha direção e começou a relatar o ocorrido, sendo vigiada pela amiga que já tinha se levantado do chão. Ela nos encarava com uma preocupação no rosto que parecia ir além daquela situação.

— Que idade ele tinha, aparentemente? — perguntei, enquanto anotava as outras informações que ela me passava em um caderno.

— E, diferente do que você pensa, não era um rapaz negro.

Revirei os olhos, tentando conter um instinto animal de mandá-la ir à merda. Passei as mãos pelos cabelos e me virei, sendo vencido pela fúria.

Os olhos dela tremeram por breves segundos enquanto me encarava com raiva. Os braços estavam cruzados na frente do corpo, e me perguntei o que aquela mulher pretendia com toda aquela marra.

Afinal de contas, seja lá qual for o meu pensamento, o que ela, no auge do seu metro e sessenta de altura, poderia fazer quanto a isso? Porra! Não fode.

— Dá para ver que a senhorita tem um sério problema comigo — comecei falando, e ela levantou ainda mais o queixo. — E, quer saber? Pouco me importa. Estou aqui para fazer o meu trabalho, e este não inclui agradá-la.

— Foda-se — respondeu, ainda insolente.

— É mesmo? Então acho que já acabamos por aqui, Frank. Pelo visto, a moça não precisa da polícia e tem os próprios meios para acabar com a merda da criminalidade nesse bairro.

Ela me olhou ultrajada, como se não fosse ela que estivesse agindo como uma babaca sem precedentes. Em outro momento, aquele tipo de comportamento não me afetaria em nada, mas ouvir toda aquela baboseira gratuita estava me levando a um nível de raiva gigantesco.

Frank me seguia dando gargalhadas como se estivesse no melhor show de comédia do mundo. Fiz um esforço monumental para ignorá-lo, mas a risada tornava-se cada vez mais próxima. Quando entrei no carro, me permiti dar um grito alto, tomado pela frustração de ter que lidar com aquilo e mais raivoso ainda por ter dado tanto crédito a uma situação que não tinha tanta importância assim.

Ainda repousava no fundo da minha mente o esboço do desenho que eu tinha feito na noite anterior, e a raiva, que parecia gigante, aumentava de tamanho.

— Há algo nela, eu não sei explicar — Frank assumiu o volante no retorno ao departamento.

— Uma falta de educação enorme, quem sabe? Faltou uma mãe ou um pai dar umas boas palmadas naquela garota insolente. — Confesso que tudo estava me incomodando mais do que deveria, e Frank parecia notar pela forma divertida com a qual me encarava.

— Eu trabalho com você há oito anos, Sam, e nunca o vi tão frustrado por não ter sido recebido com flores como está agora.

Não era a primeira vez que eu era hostilizado por ser policial, principalmente com a quantidade exacerbada de casos de violência gratuita praticada por policiais contra as comunidades mais pobres, além do abuso de poder que a maioria exercia dentro dos próprios departamentos. Tudo isso trazia uma imagem extremamente negativa, que eu achei que saberia lidar com o tempo. E parecia estar indo bem, até aquele momento.

Por que eu preciso tanto de validação? Ainda mais daquela desbocada.

Quase um mês se passou e eu não precisei lidar mais com a petulância do tamanho de um oceano da bendita dona da floricultura. Supus que ela lidou bem com a questão da invasão e tampouco fiz questão de investigar mais a fundo. Tentei me convencer de que deveria dedicar o meu trabalho a quem de fato precisava dele, o que não parecia ser o caso dela.

Dentro do meu quarto de hóspedes, ainda descansava aquela tela em um esboço inacabado, com o rosto sereno e impactante daquela mulher desconhecida que estranhamente se impregnou nos meus dedos a ponto de eu nem perceber enquanto a desenhava. Eu ignorei aquele acontecimento como deveria ser.

Após três dias de folgas que estavam acumuladas, retornei ao trabalho com a energia completamente revitalizada. Frank me recebeu com o mesmo café de sempre, fervendo. Eu agradecia pela amizade dele; durante todo o tempo em que nos conhecemos, ele sempre esteve disponível nos momentos em que precisei, e eu tentava retribuir cada favor da maneira que conseguia.

— O pessoal da divisão de apreensões está indo beber naquele bar famoso do centro da cidade. Você deveria ir.

Eu recusava aquele convite sempre que vinha, porque o meu apartamento, um filme ou um quadro novo pareciam bem mais interessantes na maioria das vezes.

— Certo. Deixa-me pegar o meu casaco.

Frank me olhou surpreso, não contendo o sorriso.

— Eu não esperava que fosse aceitar. Nunca cheguei nessa parte — falou, enquanto vestia o próprio casaco e caminhava a passos largos na minha frente.

Fomos no meu carro, e o meu parceiro parecia obstinado em revirar absolutamente tudo o que encontrava. Não havia o menor receio por parte dele em encontrar o que quer que fosse, contanto que estivesse bisbilhotando a minha vida.

Eu sabia pouco sobre a vida do Frank; ele sempre foi o tipo de pessoa que fala muito, mas a vida particular era algo que raras vezes vinha em comentários rotineiros. O que eu não julgava, pois preferia manter a minha própria vida longe do prédio do departamento de polícia. A maioria das pessoas ali já se envolviam o suficiente.

— O que o levou a aceitar sair hoje? — Frank parecia realmente surpreso. Não respondi à pergunta dele, me limitando apenas a dar um sorriso.


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