Capítulo 1 - Vossa Graça
— [...] A última coisa de que precisávamos neste momento era de uma jornalista qualquer para expor ainda mais esse problema. Este assunto deveria permanecer no mais absoluto anonimato.
— Acredite, senhor. O The Liberty é a nossa melhor opção.
Aceitar viajar quase dois mil quilômetros para cobrir uma matéria por um mero favor nunca me pareceu tão ruim quanto naquele momento. Eu tinha me formado para escrever sobre a guerra no Oriente Médio ou sobre a violência policial contra as comunidades mais pobres das cidades. Assuntos relevantes.
Mas, naquele momento, eu estava no castelo de um duque qualquer — que talvez fosse o quinto na linha de sucessão ao trono inglês — para escrever sobre um escândalo que estampava os jornais do mundo todo naquela última semana.
No século XXI. Como eu odiava aquela merda. Monarquia. Sério?
Aparentemente, aquele país odiava a ideia de se modernizar. Por séculos, idolatraram seus reis, rainhas e todos que fizessem parte da realeza. Eram de fato a realeza em todos os sentidos. Mas, embora parecesse a coisa mais ridícula de se dizer, qualquer mínima coisa naquele lugar era fascinante. Para uma pessoa tão amante da história quanto eu, chegava a ser reconfortante estar cercada de objetos históricos milenares como os expostos por todo o castelo. Embora a maioria deles tivesse sido roubada de algum pequeno país invadido séculos atrás.
Apesar de ter aceito o trabalho como um favor ao meu amigo Derick — cuja lista de favores prestados a mim chegava a ser quilométrica —, eu ainda me perguntava se deveria mesmo ter me prestado a tal papel. Ouvir aquele maldito mimado me chamar de “uma jornalista qualquer”, como se os meus quatro anos de faculdade mais quatro de carreira fossem sequer comparáveis à vida medíocre que ele levava sendo a merda de um duque...
Afinal, o que os duques faziam além de sorrir e acenar?
— Senhor, apenas seja educado com a Srta. Grant e tudo isso acabará logo — pediu o homem.
Ser educado. Como se fosse o maior dos desafios para aquele homem cuja face eu não podia ver, dada a posição em que se encontrava: encarando a paisagem do lado de fora do lindo castelo pela enorme janela.
Olhei novamente o artigo que Derick tinha me enviado minutos atrás com atualizações sobre o caso do pai do Duque de Course. A história ficava ainda pior. Além do fato de o homem ter tido um filho fora do casamento, ele ainda estava envolvido com casas de apostas, que eram veementemente reprimidas pelo Rei, seguindo toda a moralidade absoluta daquele país de velhos — como eu gostava de chamar.
Além de odiarem diversão, as pessoas dali também não eram muito educadas. Eu me recordava de ter sido hostilizada na saída do hotel por um homem caminhando na rua em plena manhã de segunda-feira. O mau humor estava no sangue daqueles malditos.
— Mande-a entrar, mas quero que interfiram em dez minutos. Eu não vou suportar falar sobre isso por mais tempo.
Escutei passos vindo na direção da porta e me afastei. Apesar de saber que não era muito educado ouvir atrás da porta, eu abria algumas exceções quando era estritamente necessário. Naquele momento, eu gostaria de estar escrevendo qualquer coisa sobre Amysia Shaw e seu incrível trabalho na revisão de casos antigos da Suprema Corte, com o objetivo de reformular o sistema judiciário feito para prejudicar pessoas negras. Era sobre ela que eu deveria escrever. Sobre a mulher mais corajosa que já conheci. E sortuda também: não era todo dia que se fisgava o presidente. Apesar de que, com aquela barba de higiene duvidosa, ele não estava completamente dentro do meu leque de homens com quem eu sairia. Além do fato de ser o presidente, tornando-se assim inacessível para a maioria das pessoas.
Foco, Emily!
— Srta. Grant, lhe apresento o Duque Andrew.
Aproximei-me o suficiente para estender a mão, mas o que recebi foi um olhar minucioso, como se aquele homem precisasse me analisar primeiro para só depois apertar a minha mão. Recolhi-a imediatamente.
— Eu vou deixá-los a sós para que possam conversar melhor — disse o assessor.
— Obrigada, senhor! — respondi. O homem encarou o duque, cujas expressões não pareciam amigáveis.
Por sorte, eu não tinha medo de cara feia. Mas, pelo visto, ele também não.
— Me falaram que viria um homem. Você não é um homem — ele apontou o dedo para mim, como se estivesse provando o que falava.
— Fico feliz em não ser. — Não pareceu ser o que ele gostaria de ouvir.
— Vamos acabar com isso de uma vez. O seu jornal parece ter alguma credibilidade nesse meio, inclusive mundialmente. Precisamos que esse assunto seja encerrado o mais rápido possível. A minha equipe de gestão de crises pensou em transformarmos isso em algo positivo, eu só não sei como. — Ele finalmente olhou para mim, como se só naquele instante entendesse o motivo de eu estar ali. — Talvez você saiba.
— Talvez? — perguntei, realmente interessada em saber por qual motivo teriam buscado ajuda de um jornal de outro país.
— Conseguiu cobrir a eleição de um presidente solteiro, com uma filha adolescente, advindo de uma família bilionária e com menos consciência de classe que uma laranja.
Não contive a risada. Ele parecia bem-humorado naquele momento.
— Derick conseguiu isso, eu só estive por perto.
Ele balançou a cabeça e pediu que eu me sentasse.
Foi uma conversa breve. Logo os assessores entraram e o show de horrores começou. Desde sugerir que o pai do duque sofria de demência até transformar a pobre amante em vilã, todas as histórias foram apresentadas na mesa. Ninguém parecia preocupado com o que o pobre homem queria de fato. A questão dos jogos parecia ter sido resolvida rapidamente, não sendo mais mencionada.
O duque Pai era viúvo há oito anos e tinha um relacionamento com Constance Augustine há mais de quinze, sendo, assim, um velho adúltero que aparentemente não merecia o perdão de ninguém. Como eu disse: um país de velhos.
Do relacionamento, surgiu o irmão bastardo do Duque Andrew: o pequeno Samuel, de onze anos. Como encaixá-los em uma história que não os destruísse completamente? Infelizmente, essa era a questão ali. Tudo girava em torno da família real e da imagem de seus representantes.
— A duquesa já faleceu. Podemos usá-la.
Todos os olhares se voltaram para mim e, logo em seguida, para o duque, que bebia uma dose generosa de um uísque que parecia forte — a julgar pela expressão no rosto dele. Eu soube que tinha dito algo errado quando ele veio na minha direção com a fúria em seu estado mais límpido estampada no rosto.
— Podemos dizer que o duque e a duquesa já estavam separados há alguns anos, mas que prezavam pelos filhos, mantendo o casamento até que atingissem a maioridade. Podemos dizer que a duquesa estava ciente da Sra. Augustine e do Samuel e que, apesar de ser algo distante do conhecimento da mídia, essa foi a maneira encontrada pela família em busca do bem-estar dos filhos, incluindo o pequeno Samuel... Quantos anos tem o seu irmão?
Ele parecia estar pensando. Virou as costas para mim e caminhou novamente na direção da janela. Parecia ser uma espécie estranha de terapia para ele.
— Saiam todos.
Não contive o espanto. Talvez tenha deixado nítido na minha expressão facial, visto que eu não era muito boa em esconder. Eu já tinha me levantado, indo na direção da saída, quando o ouvi novamente:
— Menos a Srta. Grant.
A sala ficou parcialmente vazia em menos de dez segundos. Era como se a palavra dele fosse a mais absoluta das leis.
— É Grant.
— O quê? — ele perguntou, voltando-se para mim.
— Você disse “Grantie”, mas é Grant. O meu sobrenome.
Vi seus olhos azuis girarem nas órbitas num movimento que pareceu o desdém em seu ápice.
— Eu passei o dia todo ouvindo essas pessoas falarem as coisas mais absurdas possíveis. E elas ganham muito bem para esse trabalho. — Durante as pausas que dava para virar o copo de bebida na boca, eu me permitia olhar aquela bela sala. Era maior que o meu apartamento inteiro. Havia livros por toda parte, alguns que aparentavam ter centenas de anos; a mobília era toda de madeira e o piso brilhava divinamente. Havia uma enorme mesa no meio da sala que tornava o ambiente ainda mais fascinante. Trabalhar ali todos os dias parecia maravilhoso. — Diga-me quando terminar a sua avaliação e eu digo se algo está à venda.
Grosso. Maldito momento em que disse “sim” para aquele trabalho.
— Como eu ia dizendo: ninguém disse nada proveitoso durante o dia de hoje. Exceto a senhorita, o que me faz pensar que estamos muito mal. — O que poderia ser um elogio parecia mais uma crítica disfarçada.
— Está dizendo que gostou da ideia?
Ele voltou a beber o conteúdo do copo numa facilidade assustadora. Percebi quando outro copo foi cheio e ele veio na minha direção, oferecendo a bebida para mim. Neguei com um simples gesto.
— Eu odiei. Fez a morte da minha mãe parecer algo pequeno, uma mera jogada política...
— Peço desculpas, Vossa Graça. Essa não foi a minha intenção e, com certeza, não acho que a morte da sua mãe tenha sido algo pequeno. — Eu sempre soube que aquele tipo de trabalho não era minha área favorita; naquele momento, tive a certeza.
— Não me interrompa. Nunca. — Engoli a saliva à força. Ele conseguia ser intimidador mesmo com aquele porte diplomático. — Como eu ia dizendo antes de ser interrompido, a senhorita teve uma ótima ideia, tenho que admitir. E vamos colocá-la em prática numa entrevista que sairá no seu jornal na quarta-feira à noite. É meio de semana; a maioria das pessoas costuma ver TV e ler notícias no meio da semana.
Ele era, de certa forma, instruído. Perguntei-me qual seria a formação de um duque e quais atribuições eram necessárias para ocupar aquele cargo tão estimado.
— Então posso escrever sobre isso?
Ele ergueu o copo e sorriu, balançando a cabeça positivamente em seguida.
— Certo. Tenho que formular algumas perguntas ao seu pai e conseguir uma entrevista com a Sra. Augustine. E com o senhor.
O homem me encarou tão rapidamente que foi surpreendente o movimento que o pescoço fez ao girar. A janela perdeu completamente a atenção dele. Ele parecia indignado com tal proposta indecente.
— Não abuse, Srta. Grant. Não abuse.
Aproximei-me, vencida pela curiosidade de ver o que tinha naquela janela. Ele me encarou sério, sem acreditar que eu estava me aproximando.
— Foi apenas uma ideia, Duque. Pois acredito que isso tornaria a veracidade inquestionável, dada a sua fama pela forma como conduz as coisas. — Senti seus olhos me queimando, mas não me atrevi a olhar para ele. A paisagem era de fato linda; eu jamais deixaria de olhar se pudesse.
— A forma como conduzo as coisas? O que quer dizer com isso? — A pergunta parecia ter saído queimando, pela expressão no rosto dele.
— Nada. São apenas alguns estudos. — Peguei minha bolsa e virei as costas, indo na direção da saída. Não precisei me virar para saber que estava sendo fuzilada com o olhar. Não me importava, também.
Peguei um táxi de volta para o hotel, contemplando a paisagem única daquele lugar. A única coisa boa da qual eu me lembraria.
Quando desci, havia alguns carros na frente do prédio. As pessoas na rua paravam para olhar, inclusive o taxista, que parecia nunca ter visto algo parecido. Paguei a fortuna que ele cobrou pela corrida e me apressei para entrar. Parei no meio do trajeto quando vi dois homens saindo do elevador principal com as minhas malas; logo atrás vinha um funcionário do hotel com mais alguns itens que eu havia deixado no quarto. Observei enquanto tudo era colocado em um dos carros pretos estacionados bem na frente do hall de entrada, obstruindo a passagem das pessoas e do restante dos clientes. Parecia ser alguém importante, considerando a forma como todos pareciam mobilizados para ajudar a levar as minhas coisas sem nem olharem para mim.
— Com licença, podem me explicar o que significa isso? — Apontei para o homem parado na entrada.
A moça da recepção sorriu timidamente e me estendeu um papel para que eu pudesse assinar. Eram os dados para o check-out.
— Srta. Grant, peço que nos acompanhe de volta ao castelo. O duque esqueceu de mencionar que a senhorita ficaria hospedada lá mesmo. — Devo ter franzido as sobrancelhas como costumava fazer, pois o homem tratou de me mostrar um papel.
Parecia uma carta. Na verdade, era uma carta. E tinha a assinatura com as iniciais do duque e o selo do castelo.
Século XXI, caramba. Ele não conhece telefone?
— Podiam ter apenas me ligado.
Segui-os na direção dos carros e voltamos por outro caminho, diferente do que eu havia feito para chegar ao castelo naquela manhã.
Quando finalmente chegamos, havia alguns funcionários me esperando na entrada. Um homem pegou as minhas malas com a ajuda do motorista, e uma simpática jovem tentou tirar o meu casaco. Obviamente não permiti; eu não era nenhuma lady ou qualquer coisa parecida. Não gostava daquela hierarquia monárquica ridícula.
— Siga-me, senhorita. Temos dois quartos na ala sul para a sua escolha, mas, se me permite sugerir, o que fica do lado esquerdo tem uma linda vista para o campo de peônias. Foi plantado pela duquesa há dezoito anos e é cultivado fielmente desde então. — A moça tinha a minha altura, talvez um pouco mais baixa. O cabelo vermelho estava preso num penteado discreto e muito arrumado. A roupa azul tinha o selo da Casa Course. Assim como todas as coisas naquele lugar.
Ela abriu a porta do quarto e eu entendi o motivo da sugestão. Além de ser um cômodo maravilhoso, com uma mobília clássica fascinante, pela janela era possível ver o enorme jardim com as flores desabrochadas no momento mais sublime da primavera. O vento trazia o cheiro delas tão fortemente para dentro que eu não precisei pensar duas vezes. Deixei minha bolsa em cima do colchão e me virei para a moça.
— Qual o seu nome? — perguntei, recusando-me a permitir que ela me tratasse com toda aquela formalidade.
— É Rose, senhorita.
— Certo, Rose. Quero que me chame apenas de Emily. — Ela balançou a cabeça em concordância. — Por que o duque me trouxe até aqui?
Derick já tinha trabalhado com a família real antes e não disse nada sobre ter ficado hospedado em um dos castelos. Aquilo estava começando a me assustar.
— Acredito que o duque esteja preocupado com a sua segurança, senho... digo, Emily. — Ela mantinha as mãos na frente do corpo, como em busca de socorro. Ele parecia ser um carrasco, pelo visto.
— Outros jornalistas ou pessoas que prestaram serviços para o duque já se hospedaram aqui antes?
Ela balançou a cabeça, negando. Não quis fazer mais perguntas ao ver como a mulher parecia nervosa.
Tomei um banho rápido e poderia dizer, com toda a certeza, que foi o melhor da minha vida. O banheiro luxuoso contava com uma banheira gigante com todos os tipos de sais de banho. Aproveitei cada minuto que pude e, quando retornei ao quarto, já estava escuro. O campo de peônias era iluminado pela luz artificial de um poste que ficava próximo.
Enquanto me vestia, ouvi batidas na porta. Era Rose avisando que o jantar já estava servido. Eu não estava entendendo o que de fato acontecia. Por qual motivo eu tinha ido parar novamente no castelo, sendo que ele parecia ter me odiado profundamente antes mesmo de me conhecer? Embora não me importasse com a opinião das pessoas, ainda me lembrava de ter sido chamada de “uma jornalista qualquer”, sem que aquele homem soubesse nada sobre o meu trabalho.
Quando desci as escadas, a mesa estava a postos, mas só havia dois lugares. Sentei-me rapidamente e comecei a comer um pouco do que era servido. Àquela hora da noite, eu costumava me limitar a comer qualquer porcaria que estivesse na geladeira e tomar uma garrafa inteira de vinho sozinha.
— Vejo que já está desfrutando do seu jantar.
Eu estava com a boca cheia de comida quando o duque surgiu vestido numa calça jeans comum e camiseta de um time de basquete local. O cabelo estava molhado.
Que merda é essa?
— Boa noite, Vossa Graça. Achei que fosse ficar no meu hotel. Não esperava voltar ao castelo.
Ele sentou-se e logo o serviram também, com a mesma maestria com que fizeram comigo.
— Achei que trabalharia melhor esta semana se ficasse aqui. Evitando deslocamentos. — Ele não me olhava ao falar.
— Entendi. Penso que eu deveria ter sido informada sobre essa mudança de planos.
Finalmente, olhos como o oceano se puseram em mim.
— Certo. Da próxima vez, consideraremos isso. Agora, se me permitir, preciso comer.
O duque não pareceu se importar com a minha presença. Comeu como um animal enjaulado. Não pelos modos, pois estes eram impecáveis, mas pela quantidade. Ele era um homem alto e muito forte; tinha os braços grandes e as costas também. Entendi como mantinha aquele físico: de fato precisava de muita comida.
Terminei o meu prato e me despedi, subindo diretamente para o quarto.
Quando estava finalmente deitada na cama, liguei para Derick, que demorou quase cinco minutos para atender.
— Você está hospedada no castelo? Como assim? Por quê? — Derick era péssimo em perguntar só uma coisa de cada vez.
— Ele me disse que precisava que eu estivesse concentrada para o trabalho — expliquei.
— Considerando o tipo de trabalho, ele pode estar certo. Conte-me: está gostando?
— Eu o odeio — não pude deixar de falar. Parecia estar preso na minha garganta. — Ele é estúpido e parece me olhar como se eu estivesse com a peste negra. Não vou desistir do trabalho, não gaste sua saliva para falar algo a respeito disso. Vou prosseguir até o fim, só estou dizendo como me senti em relação ao duque.
Derick me desejou sorte e foi dormir, alegando estar acompanhado. Pela voz baixa ao fundo, era difícil determinar se era homem ou mulher.
A noite de sono foi maravilhosa. Acordei com o alarme do telefone tocando incessantemente. Foi como se um peso me puxasse de volta para a cama.
Levantei travando a pior das batalhas. Tomei um banho rápido e escolhi um vestido para usar na entrevista com o Duque Pai. Ainda faltavam muitos minutos quando saí e aproveitei para andar pelo castelo. Havia muitas esculturas e pinturas de artistas famosos por toda parte, além da mobília incrível com um acabamento nunca antes visto.
— Gostando do tour? — Assustei-me ao ouvir uma voz.
O homem cujo rosto não me era estranho surgiu de repente na minha frente, como se tivesse se materializado bem ali.
— Eu sou o Peter.
A mão pairava no ar em busca da minha, mas eu estava assustada com a semelhança dele com o duque.
— Emily Grant. É um prazer, senhor... — Apertei a mão dele educadamente.
— Oh, a jornalista. Não falaram que seria tão bonita. — Ele não se parecia em nada com o irmão. Era sorridente e tinha uma cara de quem não valia absolutamente nada. Do tipo que daria qualquer coisa por uma noite de sexo.
— Bom dia. Vejo que já se conheceram. — O duque surgiu logo atrás, vestido com um terno preto de quatro peças. Parecia mais caro do que todas as roupas que eu tinha no meu humilde closet.
— Ainda bem que sim — o mais jovem se despediu, deixando um beijo na minha mão. Era um galanteador barato e, pela confiança com que fazia tudo, parecia funcionar bem entre as mulheres.
— Me desculpe pelo Peter. Ele pode ser desagradável às vezes. — Ele apontou para o caminho e eu o segui.
— Na verdade, ele foi a pessoa mais gentil que conheci neste país. — A resposta não pareceu ser a esperada, considerando o rosto dele.
— Sempre sutil com as palavras, Srta. Grant. — Ele abriu a porta e pediu que eu entrasse primeiro.
Um homem de pelo menos sessenta anos estava sentado dentro da sala numa calorosa conversa com outras cinco pessoas. Soube que era o pai do duque pela forma como o cercavam.
Do outro lado da sala, havia outro grupo que parecia cuidar da Sra. Augustine. Ela parecia desconfortável com tudo aquilo, e não era para menos.
— Já vamos começar. Lembre-se de ser o mais sensível possível. — O homem acenou com a cabeça e ajustou-se na cadeira antes de começarmos.








