Antioquia

Summary

Tudo bom exige aí rapaziada

Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

Prologue

[Século XIII, Sul da Itália, Região de Sicília, Data Desconhecida]

As tropas do Grão-Mestre Christopher se preparavam para marchar em direção ao Sul, visando chegarem antes do entardecer a Província de Messina, em busca da Comuna de Antillo. Haviam chegado a região fazia vários dias, vindos de longe com sua enorme esquadra e trazendo consigo apenas a convicção de que eram capazes de cumprir a missão que lhes havia sido dada.

A cruz vermelha espantada no manto branco que usavam, evidenciava o fato de serem cavaleiros templários e servirem a Ordem dos Templários, sendo subordinados do Papa e fiéis à crença em Deus, tendo a obrigação de levar a palavra de Cristo e converter os camponeses ao cristianismo, podendo assim, aumentarem o número de fiéis e cavaleiros em suas tropas.


A Ordem havia sido fundada logo após a cruzada de 1096, tendo na época o principal objetivo de proteger os cristãos que peregrinavam de volta a Jerusalém. Com o passar dos anos, a Ordem veio a se tornar uma fundação encarregada de levar o Cristianismo a outras regiões, difundido ainda mais a religião em que eles tanto eram credores.


Os templários eram guerreiros rudes e violentos no campo de batalha, demonstravam piedade apenas quando se prostravam de joelhos em alguma capela, rezando ao Deus que acreditavam. Eram temidos por todos aqueles que eram inimigos de Cristo, levando a fogueira aqueles que blasfemavam ou cometiam perante o rei.


Os cavaleiros templários eram humildes, devotos e obedientes, fazendo ainda voto de castidade. Abandonavam, em sua grande maioria, toda e qualquer ligação com o passado, levavam uma vida austera e sem vínculos familiares. Não temiam morrer em batalha ou sacrificar a própria vida, lutando até o fim e se mantendo crentes na palavra de Deus. Possuíam ainda, uma grande esquadra, tendo cavaleiros que além de guerreiros bravíssimos em solo eram exímios navegadores. Podiam desta forma, atravessar longas distâncias e negociarem com diversas nações, usando as tropas que vinham em solo firme para carregarem os subsídios necessários.


❯───────「✟」───────❮


Naquela manhã, os cavaleiros acordaram cedo e se vestiram devidamente, indo de pouco em pouco se acomodando nos bancos dispostos em volta da enorme mesa que ocupava o salão principal. Seria o último dia deles em solo Italiano e consequente o último dia em que teriam como sede aquela Monastério.


Haviam descoberto o local no primeiro dia de expedição, usando do lugar para se abrigarem. Era um antigo Monastério, localizado em uma área levemente montanhosa e cercado por árvores. Os monges que residiam ali antes pareciam ter preservado o lugar por bastante tempo e passado horas fervorosas dos seus dias ali, entretanto, o modo como sumiram do lugar indicava que deveriam ter sido forçados a fugirem.


Desde aquele dia, os templários tomaram o lugar como seu, nomeando-o como Tempo dos Templários pelo tempo em que ficassem na Itália. Teriam de abandonar o local em alguns dias, mas pelo menos estavam confortáveis e com espaço suficiente para a enorme tropa.


Quando todos estavam finalmente sentados à mesa, o Grão-Mestre ergueu o corpo minimamente, atraindo a atenção de todo os cavaleiros que se encontravam ali e esperavam por um pronunciamento vindo de seu mestre.


_Meus irmãos, após longos dias vossa jornada se encerra hoje. Amanhã pela manhã, retornaremos às nossas terras e poderemos mostrar ao povo o quanto a palavra de Deus é poderosa. Eles irão ver a grandeza de nossos feitos e o número de fiéis que se converteram ao Cristianismo. Por isso, não temam o que vier pela frente e não fraquejem. Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini tuo da gloriam. - Finalizou seu pronunciamento com calma e olhou para cada um dos homens sentados à mesa, esperando que eles entoassem em coro o lema dos Templários.


_Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini tuo da gloriam. - Repetiram fervorosamente, inundando o salão principal com o som de suas vozes e fazendo o eco de espalhar pelos quartos ao fundo.


O Grão-Mestre sorriu aos seus irmãos e sinalizou para que eles voltassem a se alimentar, desviando o olhar ao escutar a voz de seu Senescal lhe chamar.


_Meu mestre, temo que às terras ao Sul tenham sido atacadas durante à noite ou tomadas por algum dos povos inimigos. Não recebemos nenhum sinal do Comandante responsável pela região e há dias não vejo a presença de fumaça advinda deles. - Sussurrou ao Grão-Mestre, evitando que algum dos outros cavaleiros ouvisse e fizesse alarde diante de tal revelação.


_Tentou se comunicar com o Comandante durante todo esse tempo? - Questionou com calma, largando o talher que segurava e limpando o manto que vestia.


Tal fato era alarmante e poderia pôr em prova a veracidade do poder que os Templários tinham. Não podiam deixar que o Vilarejo fosse tomado, pois ocasionaria a perda de possíveis fiéis que viriam a ter.


_As cartas foram interceptadas e os soldados que colocamos para vigiar a região não retornaram até hoje - respondeu o Marechal, erguendo-se de sua cadeira ao lado esquerdo do Grão-Mestre.


_Isto é alarmante, meu Mestre. Perderemos a chance de converter um vilarejo à nossa fé, assim como eles poderão vir a serem mortos ou até escravizados por saqueadores. - Pontuou o Senescal preocupado, erguendo-se da mesa e arrumando sua postura.


_Devo organizar as tropas, Grão-Mestre? - Perguntou o Marechal e arrumou a espada na bainha ao se levantar, esperando pela resposta ou ordem vinda do mestre.


_Prepare os homens em seus postos e peça para eles que alimentem os cavalos, Marechal Hwang. Partiremos quando o Sol alcançar o ponto mais alto do céu, exatamente ao meio-dia. - respondeu pondo fim a conversa e esperando não deixar claro aos outros cavaleiros a situação em que se encontravam.


O Senescal e o Marechal, após a fala do Grão-Mestre, se afastaram da mesa e saíram para preparar as armas, esperando que os outros cavaleiros os seguissem para iniciaram a organização das tropas.


❯───────「✟」───────❮

Mais tarde, quando o Sol tocou o ponto mais alto do céu, as tropas estavam perfeitamente posicionadas. A linha de frente era formada por 10 fileiras horizontais, cada qual com dez cavaleiros montados a cavalo e empunhando lanças, enquanto que os dois da ponta da primeira fileira carregavam bandeiras com o símbolo dos Templários. Mais atrás, estavam o Grão-Mestre, o Senescal e o Marechal, montados em cavalos brancos e sendo escoltados por dois grupos menores, cada qual posicionado em um dos lados e sendo guiados por um Turcoplier. Por fim, vinham fileiras semelhantes a linha da frente, tendo a única exceção de que os cavaleiros não estavam montados a cavalo e eram guiados por dois Sub-Marechais.


Iniciaram a longa marcha em direção ao Sul, não poupando esforços para que pudessem chegar dentro do prazo estipulado. Os caminhos eram íngremes e tortuosos, dificultando a trajetória e os forçando a pararem várias vezes para verificarem os cavalos. Ao se afastaram da região montanhosa, avistaram campos longos e retos, dando-lhe vantagem para que pudessem marchar mais rápido e reporem o tempo perdido.


O sol estava quente, fazendo os cavaleiros sentirem a pele arder pelo calor e a sede toma-lo, porém não havia uma gota d'água sequer nos cantis que levavam. Estavam no meio de campos incessantemente secos e não avistavam nenhum vilarejo ao Sul, fazendo-os conferirem às bússolas diversas vezes.


Continuaram a marchar pelos campos, se deparando com cenas horríveis de corpos mortos e deteriorados largados sobre o gramado ressecado. Mais à frente, um corpo lhes chamou a atenção por estar vestido com um manto branco. Ao se aproximarem, um dos Turcoplier empurrou o corpo com a ponta da espada, deixando o desenho da cruz vermelha estampada nas costas visível para todos os outros cavaleiros.


_Um dos nossos mensageiros - o Senescal Changbin sussurrou tentando manter a calma, por mais que desconfiasse do real paradeiro dos irmãos que haviam sido mandados para o vilarejo.


O Grão-Mestre respirou profundamente e mantendo a postura séria diante os outros cavaleiros. Não poderia fraquejar e parecer afetado perante seus irmãos, deveria ser um líder forte e centrado, nunca se afetado tão facilmente. Com serenidade, ergueu a mão em um gesto para que todos se calassem e se virou para eles.


_Sei que a tristeza e o medo assolam seus corações, meus irmãos. Não sabemos os inimigos que enfrentaremos e nem conhecemos suas táticas, entretanto, diferente deles, temos Deus ao nosso lado e Ele nos protegerá. Nossas almas são protegidas por armaduras de fé enquanto que nossos corpos são protegidos por armaduras de aço, não devemos temer nossos medos ou os outros soldados. - Desembainhou a espada e a ergueu por sobre a cabeça, banhando a arma com os raios solares e tornando a peça brilhante.


Os irmãos cavaleiros acompanharam o Mestre, erguendo suas espadas e os mastros com bandeiras. Entoaram seu lema em coro e se ajoelharam em volta do corpo do falecido irmão cavaleiro, rezando e fazendo preces para ele.


Seguiram viagem após aquilo, mantendo-se a postos e preparados para o caso de alguma emboscada inimiga. Estavam atentos a todos os sons e aos mínimos movimentos a sua volta, fazendo com que percebessem rapidamente quando os muros altos e robustos da Comuna de Antillo surgisse em frente aos seus olhos.


O Grão-Mestre sinalizou para que seus irmãos marchassem de modo lento, arriando, logo em seguida, as rédeas de seu cavalo e esperando que ele parasse. O Senescal Seo e o Marechal Hwang o acompanharam em sua ação, permitindo que os outros cavaleiros ouvissem o relinchar dos cavalos e parassem um a um.


_Devo guiar os nossos irmãos cavaleiros, meu mestre? - O Marechal questionou ao Grão-Mestre Christopher, recebendo um acenar positivo em resposta.


O Hwang segurou as rédeas de seu cavalo, guiando por entre o caminho que os cavaleiros abriam para que passassem, sendo acompanhado por eles. Entrarem pelo portão principal da comuna, marchando para dentro pequeno vilarejo. O silêncio total se instaurava, deixando os irmãos ainda mais atentos.


_Façam silêncio e mantenham a formação - O Marechal sussurrou, escutando a ordem ser repassada pelos Sub-Marechais e logo um sinal de concordância ser feita por eles.


O Hwang desembainhou a espada, sorrindo satisfeito ao ver que sua ordem havia sido acatada. Todos sabiam que em alguma situação de perigo ou em tempos de guerra, o Marechal era a autoridade máxima em campo. Não havia um dos irmãos cavaleiros que ousasse contestar às ordens do Marechal Hwang, conheciam a força e a habilidade esplendorosa do rapaz, mesmo que ele fosse extremamente jovem.


O rapaz havia nascido em uma comuna no leste asiático e ajudava seus pais a cuidarem do plantio, dos animais e da colheita. Sua família era escrava de nobres, vivendo a base do que lhes sobrava e sendo obrigados a pagarem duros impostos, nunca pondo fim a dívida que os pais do pobre garoto haviam contraído.


Hyunjin desde cedo aspirava em se tornar um dos Cavaleiros Templários, aprendendo a manusear uma espada com o pai quando tinham tempo e decorando o lema dos Templários, mesmo que tivesse dificuldade em pronunciar as palavras que estavam em uma língua diferente da sua.


Aos dez anos, a comuna onde morava com sua família sofreu a invasão dos povos mongóis, que visavam atravessar aquela região e chegarem à Rússia, não poupando destruição e caos por onde passavam. Poucos sobreviveram à invasão, e os que sobreviveram, foram forçados a fugirem para terras distantes.


O Hwang perdeu os pais naquele dia e sem ter para onde ir, permitiu que a família de nobres a quem servia o levasse para longe dali. Veio a descobrir mais tarde, que o motivo de tão ação estava ligada ao fato de eles terem perdido o filho durante aquela invasão. Hyunjin nunca soube por qual razão eles haviam escolhido logo a si para se tornar o novo filho deles, entretanto nunca veio a contestar a escolha deles.


Em pouco tempo aprendeu a ler e a escrever em vários idiomas, tendo aulas particulares de etiqueta, postura e equitação, além de aulas sobre como manejar uma espada corretamente. Tinha total incentivo de seus novos pais para que se unisse a Ordem, não demorando para que o Bispo do feudo onde moravam, admitisse sua entrada para os templários.


Hyunjin teve de se abster de carne às quartas-feiras, jurar viver em castidade e pobreza, e prometer obediência ao mestre do templo. Logo, sua iniciação ocorreu, sendo realizada em uma cerimônia religiosa com um padre pertencente a Ordem dos Templários.


Naquele dia, o Hwang abandonou a vida nobre que havia conseguido, indo morar com os irmãos templários e se esforçando para nunca quebrar as regras, afinal conhecia todas elas graças a todo o estudo que tivera sobre o tema antes. Treinou dia após dia, sendo fiel ao cristianismo e obediente ao seu mestre, não demorando a assumir um dos cargos mais altos e se tornar Marechal das tropas do Grão-Mestre Christopher.


Os cavaleiros continuaram a se mover, mantendo silêncio e chegando a praça principal da comuna, se deparando com o estado deplorável do local. As casas estavam destruídas e com marcas que queimaduras, havia corpos mutilados espalhados pelo chão e pequenos pontos onde ainda o fogo se propagava. Alguns camponeses olhavam pelas janelas das casas que ainda estavam intactas, mas logo se escondiam ao verem os cavaleiros armados, estavam assustados e temiam ser atacados novamente.


_Sub-Marechal Joseph, comunique ao Grão-Mestre Christopher e ao Senescal Seo o atual estado da Comuna de Antillo. Peça-lhes que mandem mais cavalheiros para ajudarem nas buscas. - Sinalizou para o Sub-Marechal, tendo seu pedido acatado e logo vendo o homem se afastar em cavalgadas rápidas.


O Hwang rapidamente começou a comunicar o que cada um de seus irmãos cavaleiros deveriam fazer, dividindo-os entre grupos de exploração e grupos de vigília. Os inimigos ainda poderiam estar por perto, ou ainda podiam estar armando alguma emboscada.


Levou poucos minutos para o Grão-Mestre e o Senescal chegarem, tendo a visão aterradora do estado da comuna e de seus moradores, percebendo a grandeza do poder dos inimigos que haviam atacado aquele povo.


Os camponeses ao ouvirem o relinchar de um cavalo voltaram a olhar pelas janelas, se surpreendendo ao verem um Grão-Mestre Templário parado na praça central junto de seus cavaleiros. Aos poucos, começaram a sair de suas casas, tendo coragem ao verem que não se tratava de um inimigo, mas sim do herói que a tanto esperavam.


_Caros camponeses, sei do medo que sentem após terem suas terras atacadas e destruída, entretanto não temeis o inimigo. Nós viemos salvá-los e conduzi-los a mando de onipotente Deus, que não deixa que seus filhos partam em vão. Ele guiará cada um de voz e retirará toda insegurança e medo presente em seus corações, salvando-os, catequizando-os e purificando-os. Deixeis que ele ajude vocês, bastante apenas serem fiéis a palavra dele. - Ao final de sua frase, os cavaleiros com as bandeiras templárias presas a mastros, se aproximaram do Grão-Mestre e às ergueram, fazendo o local ser preenchido por palmas e soluços de emoção dos camponeses, que sussurravam e agradeciam por suas preces terem sido ouvidas.


Um a um eles se aproximavam, fazendo perguntas ao Mestre dos Templários e buscando respostas para elas. Estavam curiosos sobre tudo e queriam saber mais sobre a religião que chegava a suas terras. Christopher respondia a todos com calma e carinho, esperando o momento certo para ordenar seus cavaleiros à iniciarem as buscas por camponeses que poderiam estar presos nos destroços ou feridos.


Em poucos minutos, as tropas se espalharam pela Comuna, começando a exploração. O líder das tropas de exploração seria o Marechal Hwang, pois o Grão-Mestre e o Senescal iriam procurar pelo Comandante da Comuna, em busca de respostas concretas sobre quem poderia ser o causador de tamanha devastação à Comuna.