Deixando-os de lado, me virei e fitei o exército do falso rei dos homens, eles vinham do norte e seu desejo era destruir a arca e todos que entrassem no seu caminho e eu me coloquei no caminho deles, estava disposto a matar um por um se fosse preciso. Andando em direção ao inimigo, Avancei para o norte em direção ao exército do suposto rei. O sol naquele dia brilhava como nunca, uma movimentação intensa dentro da mata afugentava os animais, pássaros voavam para todos os lados. Ao avista-los entre as árvores, parei a observá-los, notei que os guerreiros mudaram sua postura levemente, adotando uma formação de defesa. Foi oque pensei, porém enganei-me.
Como um predador a espreitar sua presa, lá estavam eles totalmente confiantes de sua estratégia de combate.
Não inibido com sua formação, visualizei minha lança na aljava, consciente que teria de usá-la a qualquer instante, continuei em frente, e a cada metro minha velocidade aumentava, a medida em que corria alcancei uma velocidade que poderia ser comparada á um felino à perseguir sua presa.
Quando estava a cerca de uns cem metros da entrada do Vale, ouvir um som vindo do interior do vale, o mesmo se assemelhava á uma corda se rompendo. Então na direção da vanguarda um brilho sugira entre as folhas, de início não entendi o que estava acontecendo, mas não tinha tempo para pensar. Em um piscar de olhos, o tempo parou para mim, com um olhar fixo e apurado, como de um falcão á fitar uma lebre, instintivamente projetei meu corpo para esquerda fazendo um giro de trezentos e sessenta graus, agarrando uma lança com a mão direita, que fora lançada por uma catapulta contra mim, projetandu-a de volta em direção do Vale completando um movimento circular no qual acertei um arqueiro que estava em uma árvore, escondido a espreitar. A lança atravessou a árvore como se fosse uma folha seca, empalando o arqueiro fazendo dali o seu túmulo. A visão do arqueiro empalado pela lança foi tão sombria que fez os guerreiros recuarem por um momento, pois a insanidade de um poder tão destrutivo nunca presenciaram antes, porém foram impulsionado a continuar com sua missão de destruir a arca por sua natureza destrutiva de Cain, por compartilhar de sua mesma linhagem.
- Avancem!! - exclamou um soldado da linha de frente e então todos com gritos que traziam consigo presença de morte, encorajando-os a avançarem, diziam. - Não temam! Ele é somente um e nós somos muitos.
Então vendo que avançavam, a maioria dos guerreiros já estavam em uma área com poucas árvores , que lembrava um pasto. Retirei a lança da aljava que carregava há anos para usar somente naquela ocasião, apontando-a para o sol, sentir meu poder fluir como as chamas de um vulcão em erupção, então flexionei as pernas e saltei mais ou menos uns três metros a frente, minha lança absorvera o poder do sol, eu estava preparado para por fim aquele ataque dos descendentes de Cain quando, uma lembrança tomou minha mente.
"Queimará na terra, como no céu."
Fazia 100 anos que eu tinha ouvido essa frase e foi na beira de um lago de água salgada, formado por um desvio da água do mar, devido uma mudança na planagem daquele local, uma cratera se formou perto da praia e dali migrava água salgada. Em uma de minhas passagens, certa tarde e vi um homem pegando água dali, há tanto tempo eu não via nenhum humano sempre os evitava, pois se descobrissem minha verdadeira natureza iriam me adorar como um deus e isso seria minha ruína. Mas naquele homem notei algo a mais, um nível de inteligência superior aos demais, então o observei durante o dia. Notei que tinha construído uma máquina de bambus e folhas que transformava água salgada em doce e assim poderia beber dela, também utilizava o sal do mar com outros temperos para manter as caças frescas e saborosas, seu conhecimento e manipulação de metais e outros minerais também me deixou interessado, ele havia criado lanças de cobre para caçar.
Numa noite, enquanto eu o observava, o vi dançar e cantar palavras do hebraico antigo e aquilo parecia com canções que os malakins cantavam no céu. Malakins são uma classe de anjos que detém um grande conhecimento da terra e eles ajudam os humanos e falam com eles através de canções, mas o que ele cantava era uma mágica e ao ouvir aquilo eu adormeci.
Quando acordei na manhã seguinte eu estava amarrado a uma rocha por cordas que pareciam sipós.
- Quem é você? - perguntou-me o velho astuto, a qual eu observava atentamente. assumindo uma posição defensiva, empunhado uma lança que usava para caçar.
- Eu sou aquele cuja existência é semelhante a um astro! - falei arrogantemente
enquanto arrebentava aquelas cordas como se fossem um fio de barbante. - Quem sou não importa, mas sim o motivo de eu está aqui.
- Seria você uma divindade? - perguntou enquanto retomava sua postura normal e percebia que eu não era uma ameaça para ele.
- Não, sou apenas um guerreiro pronto para cumprir sua missão. - respondi com uma voz mais calma.
Após dias conversando e dividindo conhecimentos um com o outro, expliquei o que eu iria fazer e então ele me pediu alguns dias e me disse que iria me preparar um presente. Se passaram três semanas desde então e no vigésimo sexto dia ele retornou a caverna que estávamos quando nos conhecemos, e trazia consigo uma lança numa aljava, o sol que estava no ponto mais alto do céu banhava aquela lança com seu brilho, a mesma que agora estava em minhas mãos refletiu um casal de águias que voavam no céu e então notei uns escritos no corpo da lança.
- O que esse inscrito significa? - perguntei enquanto admirava aquela arma, seu brilho dourado imitava o sol.
- Essas são runas mágicas que o criador me concedeu, após proferir essas palavras, você terá total controle sobre essa lança.
- E o que está escrito ?
- "Queimará na terra, como no céu." - respondeu, me instruindo a usá-la da forma correta.
Então segurei com força e arremecei a lança em direção ao chão, enquanto a lança cortava os ventos e seu intenso brilho reluzia nos rostos dos incrédulos homens, eu proferi as runas. A luz que a lança emitia aumentou e a energia que saia dela era tão forte e intensa que o ar em volta da mesma esquentara e ao atingir o chão o impacto levantou uma poeira que dava início na lança e seguia o deslocamento de ar fazendo todos ali a parar, a explosão de poder fez uma fenda se abrir impedindo os soldados passarem para o outro lado e enquanto eles tentavam entender o que tinha acontecido, eu despenquei em direção a eles e parando à frente deles, falei.
- Todos! Todos vocês perecerão!
E então erguendo as mãos para o céu invoquei mais uma vez o meu poder e como uma espada que fatia o vento em direção a seu alvo, eu desci minha mão até o chão e um corte foi feito na realidade se abriu.
A membrana
Um mundo sem cor, onde espíritos e seres sobrenaturais podiam transitar em liberdade, essa é a membrana da realidade, um tecido que varia de fino e grosso a medida em que o local deixa de ser puro. Ao entrar na membrana, o ser a transita-la pode vagar de um ponto a outro em menos de segundos.
Ao abrir uma brecha no tecido da realidade, eu a empurrei para cima dos soldados e enquanto eu os levava para o monte mais alto o rosto de pavor e incompreensão deles ressoavam por toda a membrana e quando paramos no alto do monte todos se ajoelharam, derrepente aquela neve que cobria todo aquele monte começou a ficar vermelha e percebi que os soldados choravam sangue, esse foi o preço por ter visto algo de tamanha grandeza. Então agarrei o comandando pelo pescoço e liberei o calor por todo o meu corpo, enquanto eu o encarei nos olhos vi suas roupas queimarem e sua carne aos poucos mudando de forma e seu sangue esguichar ao mesmo tempo que evaporava. "Assim na terra como no céu" - Falei em voz baixa.
Derrepente todo aquele monte começou a derreter e o calor tomou conta dos polos terrestre, tempestades com raio e trovões também se formaram, era chegada a hora da limpeza e o mundo foi inundado por culpa dos tolos e incrédulos, meu trabalho tinha acabado e já era hora de voltar para casa.