Purple | Yoonmin

Summary

Yoongi nunca conheceu sua alma gêmea, mas ao mesmo tempo nunca sentiu falta dela. Até que ele conhece Jimin numa doceria chamada Young Forever. E a partir do momento que Yoongi coloca os seus olhos nos do outro, e vê a cor roxa em suas írises, se torna impossível não sentir algo intenso pelo confeiteiro.

Status
Complete
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
13+

Capítulo 1

Yoongi estava com fome. Trabalhou durante horas no estúdio de fotografia em que era dono e nem tinha dado tempo dele fazer uma refeição completa, pois havia se alimentado pouco no almoço.


Por isso que nesse instante, andava dirigindo seu carro pelas ruas de Daegu próximo ao seu local de trabalho procurando um lugar para lanchar, até que alguns minutos depois, acabou enxergando um estabelecimento pequeno e ao mesmo tempo bonito, que chamou completamente a sua atenção. Concluiu que era novo, pois nunca havia visto antes a doceria que carregava o nome: Young Forever.


Yoongi diminuiu a velocidade do carro.


Huum… Acho que vou entrar aqui

. Ele pensou, olhando para a frente da doceria através dos seus óculos escuros, e ouviu o estômago roncar por já sentir o cheiro que vinha do estabelecimento, como se estivesse o puxando como imã para entrar.


Yoongi encostou o veículo próximo à calçada. Em seguida, saiu dele após desligar o motor, caminhou em direção a porta dupla de vidro e entrou.

A doceria era bonita, espaçosa e colorida em tons de azul, amarelo e branco, que se destacavam nos objetos decorativos. O cheiro impregnado no local e os diversos doces apetitosos expostos nas prateleiras atraiu novamente seu olfato e, por consequência, seu estômago fez um barulho outra vez.


As orelhas do Min esquentaram, já que havia clientes sentados em algumas mesas que ficavam próximas da parede, e algum deles poderia ter escutado.


Uma mulher baixa e loira que estava anteriormente atendendo um casal se aproximou dele.


— Olá! Seja bem vindo, senhor — ela o cumprimentou de forma simpática com um sorriso nos lábios rosados.


— Obrigado! E não precisa me chamar de senhor, pode me chamar de Yoongi… me faz sentir um velho me chamando assim — disse, sorrindo pequeno, deixando a moça um pouco sem jeito.


— Ah! Tudo bem... Yoongi. É melhor se sentar, enquanto isso vou buscar o cardápio para você.


Ela levou o homem até uma mesa coberta por um tecido florido de cores amarelas, e logo após, foi em direção ao balcão. Após pegar o cardápio, entregou-o para o Min e esperou ele analisar os alimentos que Young Forever oferecia, e no fim, escolheu um pedaço de bolo de tangerina, que era a novidade da loja de doces segundo ela, e um chá para acompanhar.


Yoongi nunca havia experimentado um bolo desse sabor, mas a partir do momento que colocou um pedaço em sua boca pequena, e mastigou até descer por sua garganta, seus olhos se fecharam e um gemido de satisfação saiu entre seus lábios. O sabor era delicioso e acabou se viciando instantaneamente.


Quando terminou sua refeição, pagou e comprou mais pedaços do bolo para levar para casa, deixando uma boa gorjeta para Cristina devido ao bom atendimento dela.


Enquanto voltava para o estúdio fotográfico, Yoongi prometeu a si mesmo sempre voltar ali durante às tardes. E foi o que ele fez.


Tornou-se uma rotina ir à doceria, e Cristina sempre o atendia de forma animada e simpática, como nesse exato momento.


— Aqui está, Yoongi. — Ela serviu o cliente, colocando o prato com o bolo e o chá dele na mesa. — Bom apetite.


— Obrigado! — O Min agradeceu, admirando sua comida com fome, e logo que Cristina se afastou, Yoongi começou a degustar seu atual doce favorito.


Depois de reparar que não tinha mais nenhum cliente para servir, Cristina decidiu ir até onde seu patrão estava para falar sobre o homem que se apaixonou por seu bolo de tangerina — ela não perdia a oportunidade de conversar sobre a satisfação dos clientes com as delícias que ele fazia, o que sempre deixava-o feliz —, e entrou na cozinha, vendo seu chefe confeitar uma torta.


— Patrão!


— O que quer, Cristina? — ele indagou, ainda de olho no processo de cobertura, concentrado no que fazia.


— Sabia que tem um homem muito lindo, apaixonado por um de seus melhores bolos!? — Cristina falou animada, encostando o quadril no balcão e cruzando os braços magros abaixo dos seios pequenos.


— Qual deles? — indagou com a sobrancelha erguida e sentindo um misto de curiosidade.


— O de tangerina.


— Sério? — Ele abriu um sorriso largo no rosto, o suficiente para fazer suas pálpebras quase se fecharem completamente. Ficou feliz que conquistou mais um cliente fiel, além de que, esse sabor era muito especial para si, afinal foi sua amada mãe que o ensinou a receita e ele só aperfeiçoou com o tempo. — Isso me deixa nas nuvens, Cristina...


— Por que não vai falar com ele, chefinho? — cantarolou.


— Você acha que eu deveria? — Desviou seus orbes para ela.


— Mas é claro, patrão. Ele mesmo já disse para mim que gostaria de conhecer a pessoa responsável pelos doces, mas o senhor sempre está ocupado.


— Huum!


Ele pensou na possibilidade, e percebendo que não estava tão ocupado assim, poderia ir nesse instante se apresentar ao freguês. Não demoraria tanto com ele e depois voltaria a terminar os afazeres que faltavam. Então, suspirou.


— Okay, Cristina!... Poderia ficar de olho na massa que está no forno enquanto eu vou? — deixou o saco de confeiteiro quase vazio no balcão.


— Claro que sim! — Sorriu.


O confeiteiro tirou a touca da cabeça e o avental do corpo, arrumou as madeixas negras azuladas e logo, saiu em direção à recepção.


Enquanto isso, Yoongi terminava de comer o pedaço de seu bolo favorito, saboreando devagar o alimento e soltando alguns gemidos de satisfação. Na hora que terminou, pegou o guardanapo e limpou a boca, e sentiu a presença de outro alguém por perto. Deixou o guardanapo usado sobre o prato vazio e ergueu o rosto — suas madeixas ruivas se mexeram com o movimento —, e viu a pessoa que encontrava-se próximo de si com um belo sorriso decorado nos lábios.


Yoongi olhou diretamente nas íris do outro e se surpreendeu com a cor roxa dos olhos dele, seu corpo estremeceu por inteiro e seu coração aumentou as palpitações drasticamente. Nunca havia visto alguém com uma cor tão bela nos olhos… Seus lábios se abriram automaticamente e não conseguiu desviar seus olhos dos dele que o enxergava intensamente. Talvez, o outro também tenha se perdido no olhar do Min.


Um silêncio persistiu entre eles, mas depois, o confeiteiro resolveu sair do encantamento que o freguês causou em si e falou:


— Com licença… Eu sou o confeiteiro da Young Forever, e soube da sua preferência por meu bolo de tangerina — iniciou com sua voz doce, que arrepiou os pelinhos da derme do fotógrafo.


O que diabos está acontecendo? Yoongi refletiu, impressionado com o que estava sentindo pela primeira vez .


— Então é você o famoso confeiteiro! — Yoongi sorriu e saiu da cadeira. Estendeu sua mão para cumprimentá-lo, sem desviar o olhar em nenhum momento do outro enquanto a cor roxa dos olhos dele o enfeitiçava cada vez mais de uma maneira estranha. — É um imenso prazer conhecer a pessoa que possui mãos de fadas.



O confeiteiro ficou com as bochechas rubras com o elogio do ruivo. Apertou a mão grande e quente alheia, e uma sensação calorosa e de choque percorreu o corpo de ambos, que os fizeram sentir calafrios na espinha e soltar as mãos devido ao leve susto.



— O p-prazer é todo meu… — o confeiteiro gaguejou com os olhos arregalados e olhou para baixo timidamente, escondendo as mãos nas costas. Estava tão nervoso que não conseguia controlar o que sentia nessa ocasião em que uma atmosfera desconhecida os envolvia.



— Como se chama? — Yoongi perguntou. A curiosidade em conhecê-lo estava se tornando mais forte.



— Park Jimin — pronunciou. Seus orbes arroxeados cintilantes se voltaram para o cliente. — E o seu?



— Min Yoongi — murmurou, admirando os mínimos detalhes do rosto delicado: a boca carnuda, os olhos impressionantes, o nariz fino, as bochechas rubras, os fios lisos e sedosos num tom azul escuro com a franja cobrindo a testa e os lábios carnudos e rosados que são tão perfeitos e desejáveis na visão do Min… Ele era lindo, delicado e sensual... Yoongi sentiu a boca secar e um ardor em sua carne. E logo pigarreou, prosseguindo a conversa. — Quer se sentar comigo?



Jimin arregalou levemente os orbes.



— Desculpe, mas não vou demorar, só queria conhecer o freguês que está vindo quase todos os dias para apreciar meu bolo mais precioso. — Sorriu contido.



— Ah! É uma pena que não pode ficar mais. Adoraria ficar conversando com você — o Min lamentou.



— Outro dia… Se vir aqui novamente, quem sabe podemos ter essa oportunidade — Jimin murmurou, sentindo seu peito subir e descer de forma descompassada. Seu cliente queria falar consigo, somente isso, mas mesmo assim a adrenalina estava dominando seu corpo.



— Eu vou voltar, pode ter certeza — afirmou convicto, sorrindo ladino.



Jimin engoliu em seco.



— Voltarei para a cozinha. — Apontou com o dedo polegar em direção a onde nascem os doces. — Foi um prazer conhecê-lo e fico feliz que é um cliente da minha doceria, Yoongi.



— Tudo bem, Jimin.



— Bom… Falarei para Cristina vim terminar de atendê-lo. — Começou a caminhar em passos lentos para trás como se não quisesse se afastar. — Até logo.



— Até. — Ergueu a mão dando um tchau e abaixou rapidamente.



Jimin deu meia volta e caminhou, quase aos tropeços de volta para a cozinha. Quando ultrapassou a porta, fechou-a e encostou suas costas nela como um apoio, colocando sua mão no coração, esfregando ela ali, tentando fazer fracassadamente, seu coração se acalmar.



Assim como Jimin propôs e Yoongi concordou, ele voltou, e ambos começaram a dialogar melhor do que a primeira vez e por mais tempo.



Toda vez que o fotógrafo ia à doceria, o Park tirava um tempinho de suas ocupações e ia conversar com o Min. E sempre as mesmas sensações que experienciaram da primeira vez quando se viram, voltavam em seus íntimos, lembrando-os o que o outro proporcionava neles mesmos e fazendo-os questionar as razões do que sentiam. Ambos se tornaram próximos, até mesmo trocaram os números de contatos e se falavam por meio de mensagens ou ligações, na maioria das vezes, tarde da noite, se conhecendo pouco a pouco.



Em uma dessas conversas que trocaram por meio de vídeo chamada, Jimin convidou Yoongi para um passeio.



— Vamos Yoon, não seja chato, sim... Vai ser tão bom — Jimin pronunciou manhoso e o ruivo fez um bico nos lábios que o Park adorava por sinal e sempre sentia um comichão na barriga, mesmo que fosse por pequenos detalhes do Min que reparava.



Yoongi olhava para o confeiteiro diretamente nos olhos roxos que o encarava de forma intensa — como sempre —, através da tela do smartphone.



— Faz tempo que não ando de bicicleta, Jimin — retrucou.



— E daí? — Ergueu os ombros de forma breve.



Yoongi ofegou.



— E se eu cair e me machucar? Acho que nem sei mais pedalar uma bicicleta.



— Qualquer coisa eu te ensino, bobinho. — Sorriu abertamente fazendo o fotógrafo sentir o estômago gelar. Park estava deitado de bruços na cama, com o cotovelo apoiado sobre ela, enquanto seu rosto bonito descansava na palma de sua mão, ao mesmo tempo que a outra segurava o aparelho mobile.



— Jura? — indagou.



— Eu juro! — Jimin sussurrou, sentindo o coração se agitar ansioso para o outro aceitar.



Posteriormente, os dois combinaram o horário e o local para se encontrarem no dia seguinte, depois decidiram desligar a chamada para irem dormir, visto que já era tarde e ainda iriam trabalhar de manhã cedo, e no momento que fecharam os olhos, ambos pensaram um no outro com um sorriso nos lábios até que o sono os atingissem.



***



— NÃO SEJA FROUXO, YOONGI… VAMOS, PEDALE — Jimin esbravejou mais a frente do Min e gargalhou, pedalando na sua bicicleta branca com as mãos soltas do guidão como um anjo.



— CALMA! — Yoongi gritou de volta com a respiração acelerada assim como seu coração. — Me espere, não seja tão rápido.



Yoongi vinha mais atrás pedalando lentamente na bicicleta que pediu emprestada a seu vizinho. Estava cansado, parecia que havia andado por vários quilômetros, sendo que só tinha passado pouco mais de meia hora desde que começaram a passear.



Eles situavam-se numa rua tranquila, sem carros; o que era visto diante deles além da estrada eram terras com gramas baixas e verdes e plantações de flores.



— Yoon, se apresse. — Jimin diminuiu a velocidade, pondo as mãos no guidão, e esperou o fotógrafo chegar mais perto. — Você só precisa voltar a se acostumar... Podemos marcar de passearmos mais vezes. Que tal? — sugeriu, levantando sua sobrancelha direita. Parecia que não estava cansado, sua respiração parecia tão calma.



— Quer sair comigo... novamente de bicicleta… mesmo eu sendo um lerdo? — indagou ofegante e com a testa franzida.



— Óbvio que sim, bobinho — Park cantarolou e esticou sua mão até a bochecha dele, beliscando levemente com um sorriso alegre nos beiços.



— Aii! Não faça isso, Jiminie — reclamou ao mesmo tempo que seu coração queimava pela simples ação alheia.



— Fofo — Jimin sussurrou admirando Yoongi. Percebeu que ele ficou envergonhado ao ver que as bochechas dele ficaram bem vermelhas. Em seguida, retornou a olhar para frente.



Eles continuaram pedalando devagar e chegaram minutos depois até o destino que combinaram de ir. Entraram num caminho da floresta e seguiram pela estrada de terra até chegar no mirante, onde poderiam observar o pôr do sol.



— Até que enfim chegamos — Yoongi declarou, deixando a bicicleta encostada numa árvore próxima, assim como Jimin fez.



— Quer beber uma água? — Jimin questionou, pegando sua bolsa térmica da cesta da bicicleta que continha frutas, pedaços de bolo de tangerina e algumas bebidas como água e suco em pequenas garrafas.



— Quero sim.



Jimin entregou a Yoongi que segurou com pressa. Enquanto o ruivo bebia de uma forma um tanto apressada para saciar sua sede, Jimin não desviou o olhar dele e notou a ocasião em que uma gota escapou dos lábios dele e escorreu pelo queixo até a garganta lentamente até sumir entre o decote da camisa que o outro vestia. Eu poderia passar minha língua pelos lugares que a água passou. Jimin pensou e arregalou os olhos quando raciocinou o que surgiu em sua mente, logo desviando o olhar antes que o Min o pegasse no flagra, sentindo uma quentura conhecida no baixo ventre.



Depois, colocaram um pano de piquenique em cima da relva, arrumaram os alimentos sobre o tecido quadriculado vermelho com branco e se sentaram em forma de índio sobre o tecido.



— Eu trouxe o bolo só para você, Yoon. Pode comer quantos pedaços quiser.



— Você não vai comer nada? — Yoongi perguntou, pegando o pedaço de bolo e sem perder tempo, colocou na sua boca, apreciando o sabor gostoso que não enjoaria nunca.



— Somente as frutas que eu trouxe — Jimin alegou simplesmente.



Os dois ficaram ali, admirando a vista de Daegu, ao mesmo tempo que saborearam as delícias que o confeiteiro havia levado e experienciavam seus corações aquecidos por estarem tão perto um do outro.



O Park provocava ele por ser lerdo nas pedaladas e Yoongi debatia dizendo que ele iria quebrar a cara, e em breve, quando pegasse o jeito novamente, quem ficaria para trás seria ele. Jimin dava de ombros e gargalhava, não confiando nas palavras do homem que sabia que queria que fosse nem mais do que um simples amigo.



— Então vamos ver se você consegue ser mais rápido que eu, Min... — pronunciou sarcasticamente e sorriu largo ao ver o bico nos lábios do outro.



Jimin adorava quando ele fazia isso, ansiava tocá-los, mas por enquanto, só mantinha esse desejo para si.



O pôr do sol apareceu pouco tempo depois. As luzes da estrela central do sistema solar os iluminavam enquanto a brisa balançava a franja negra-azulada de Jimin — ocasionando alguns fios caírem diante de seus olhos roxos —, e os cabelos ruivos de Yoongi.



O Min aproveitou e pegou sua câmera fotográfica que havia deixado ao seu lado, para no momento certo, tirar fotos.



Quando os raios solares clarearam o rosto bonito e delicado do outro, o ruivo começou a fotografar. O confeiteiro escutou os flashes da câmera e direcionou seu rosto na direção da câmera. Seus orbes estavam brilhantes e intensos, e sorria alegremente para Yoongi.



Jimin é o ser mais bonito que existe na terra. O Min concluiu em pensamentos, suspirando, e continuou a fotografá-lo enquanto seu coração acelerado parecia querer sair da sua boca mais uma vez por culpa dele.



***



Yoongi localizava-se em seu estúdio fotográfico, mas precisamente em seu escritório, observando as fotos que tirou de Jimin. Não conseguia parar de admirar cada traço do rosto angelical, do sorriso deslumbrante e principalmente dos olhos arroxeados que roubavam tanto a sua atenção. Seus orbes cintilavam e um sorriso enfeitava seus lábios finos enquanto observava uma por uma.



O amigo que trabalhava com o Yoongi entrou na sala e reparou na cara de bobo apaixonado que ele exibia.



— O que você tanto vê aí, hein? — Henrique perguntou e Yoongi se assustou. Estava tão distraído que não escutou seu amigo entrar. — Está com uma cara que é igual quando jovens adolescentes se apaixonam pela primeira vez e não conseguem esconder. — Sorriu mostrando seus dentes alinhados se divertindo com o rosto contorcido do Min de indignação. — Deve ser algo bem interessante, não é?



— Por que não bateu na porta, seu desgraçado? — Yoongi soltou o ar pela boca pesadamente.



— Porque eu sou seu amigo. E independente do momento que eu entrasse, você não estaria fazendo nada demais — enunciou, aproximando-se da mesa. — Ou será que estaria? — provocou e o ruivo sentiu suas orelhas esquentarem.



— Claro que não, idiota! — Rolou os olhos.



— Me mostre o que você estava vendo, Yoongi — pediu, olhando para o amigo curiosamente.



Yoongi bufou.



— Tudo bem, vem aqui — pronunciou, gesticulando a mão.



Henrique sorriu satisfeito e foi para trás da mesa ficar próximo do amigo. Inclinou-se sobre a mesa de vidro, espalmando sua mão nela.



O Min direcionou a tela do notebook para ele e Henrique viu uma foto em que um homem que estava com os olhos quase fechados, as bochechas num tom corado, e seus lábios perfeitos e carnudos esticados em um sorriso.



— Ele é lindo — afirmou admirado. — Quem é? — perguntou ainda observando a fotografia.



— Um amigo.



— Um amigo! — exclamou, crispando a testa. — E desde quando se olha para um amigo de forma apaixonada?



O coração de Yoongi acelerou e seu rosto mudou de coloração se tornando avermelhada.



— Do que você está falando, Henrique? — Riu sem humor.



— Não se faça de bobo, Yoongi... eu reparei em como você observava essas fotografias. E tenho certeza que você gosta dele.



Yoongi sentiu as pulsações do seu coração disparar ainda mais ao escutar o que Henrique disse. No fim, ele não estava totalmente errado.



Henrique queria ver mais fotos e o fotógrafo mostrou outra, uma em que Jimin estava com os olhos totalmente abertos.



— Os olhos dele são tão únicos — Yoongi suspirou. — Nunca tinha visto uma cor assim.



— Nunca viu um olho castanho, Min Yoongi? O meu é de que cor então? — Ele indagou sem entender o que Yoongi quis dizer, assim como o ruivo não entendeu a fala do outro homem.



Castanho?



— Como assim castanhos, Henrique? Você não vê? As írises dele são roxas — alegou e o outro gargalhou, pensando que seu amigo estava brincando.



— 'Tá tirando uma com minha cara, Yoongi?



— Não, é claro que não — negou, balançando o rosto e Henrique fechou o sorriso, percebendo que ele não estava mentindo.



— Yoongi... Os olhos dele são castanhos — pronunciou seriamente. — Quer que eu chame outra pessoa aqui para falar para você a mesma coisa que eu?



Yoongi notou a sinceridade na fala dele e concordou. Henrique saiu do escritório e, sem demora, apareceu com uma funcionária do estúdio. Ela viu as fotos e afirmou para o chefe que os olhos dele são realmente castanhos, para a aflição do fotógrafo.



— Então... Por que estou vendo uma cor diferente? — perguntou sem entender os motivos.



— Talvez seja porque ele seja sua alma gêmea — falou, sentando-se na cadeira de frente para ele.



— Como? — Arregalou os orbes, desacreditado. Sabia que sentia algo forte por Jimin, mas ele ser sua alma gêmea, ainda não havia passado por sua mente.



— É isso mesmo que você ouviu, Yoongi. Ele só pode ser sua alma gêmea... Nunca ouviu falar sobre isso?



— É claro que já… Só que nunca pensei que isso aconteceria comigo. — Abaixou o olhar e reparou em suas mãos, estavam trêmulas. — É difícil acreditar.



— Isso sempre acontece com alguém e pode ser em qualquer momento. É inevitável.



— Mas nunca ouvi falar que quando encontramos a alma gêmea, miramos outra cor que não seja a verdadeira.



— Eu te entendo, meu amigo. Mas pelo que eu sei, isso é raro. Nem todos encontram sua alma gêmea dessa forma, assim como nem sempre a pessoa que encontramos seja a pessoa certa para nós.... Cada um encontra sua alma gêmea de um jeito e acredito que essa foi a sua, Yoongi.



— Céus! — exclamou e pôs as mãos nas têmporas, e a massageou. — O que eu faço agora? Nem sei se ele me vê de outra maneira além da amizade que construímos.



— Aaah.... Então está realmente gostando dele, seu safado. — Henrique sorriu. Estava feliz por ele ter encontrado sua alma gêmea.



— É, eu estou — afirmou e abriu um sorriso nos lábios finos enquanto seus olhos cintilavam ao pensar no homem que tomou de conta de seus pensamentos.



— Deveria contar para ele sem perca de tempo... Aproveite que encontrou a pessoa que pode ser o amor de sua vida e lute por ela.



Yoongi escutou o conselho do amigo e não pensou duas vezes em seguir o que ele lhe disse. E rapidamente, pegou seu celular e abriu o aplicativo de mensagem para falar com o homem que dominava sua mente e coração.



Nessa hora, Jimin estava na Young Forever fazendo um bolo de chocolate, quando recebeu notificações de mensagens do kakaotalk em seu celular. Era do Min e logo as borboletas começaram a voar descontroladamente em seu estômago. Ansioso, abriu a mensagem e leu. Ele queria sair naquela mesma noite para jantarem juntos em um restaurante que desconhecia.



Yoon:


Então... Você aceita?



Jiminie:


Mas é claro que aceito, Yoon



Nunca recusaria um pedido seu



Você sabe.


Yoon:


Eu sei


Vou te mandar o endereço e nos encontramos lá, tudo bem?



Jiminie:


Para mim parece ótimo.



Yoongi enviou o endereço e o horário para se encontrarem. Jimin quis gritar de felicidade. O sorriso não saiu em nenhum instante de seu rosto. Ficou eufórico com o convite do outro homem que mexia com seu âmago de uma maneira que nunca nenhum outro mexeu consigo. Saiu da doceria cedo para escolher o que iria vestir e se arrumar por completo para o encontro. O nervosismo e ansiedade o perseguiu sem lhe dar sossego.



À noite, os dois compareceram no restaurante combinado. Yoongi já estava lá na ocasião em que Jimin chegou. O Park foi levado pelo recepcionista até onde o Min estava, um espaço isolado que ele reservou para ficar sozinho com Jimin.



Yoongi estava sentado, com as pernas trêmulas, olhando para a tela do celular para distrair sua ansiedade, até que ouviu sons de passos que já conhecia. Ergueu a cabeça e viu ele, o homem mais lindo de todo o mundo, usando uma calça preta colada nas pernas firmes, acompanhada de blusa leve de seda na cor azul do mar que combinavam com a tonalidade de suas madeixas com um decote que mostrava seu colo nu, e brincos pequenos que adornavam sua orelha.



Yoongi ficou de boca entreaberta enquanto Jimin ficara com as bochechas rubras pela força do olhar do ruivo em si que ardeu sua pele macia. O confeiteiro deu um sorrisinho tímido pela reação do fotógrafo ao olhá-lo.



Ao sair do arrebatamento, Yoongi ergueu-se e Jimin reparou nele da cabeça aos pés, e sua reação não foi diferente da do outro homem.



Yoongi usava uma blusa vermelha de botões com bordados negros no tecido que combinavam com a pele clarinha que Jimin tanto desejava tocar, uma calça social escura e correntes de prata que enfeitavam seu pescoço branquinho.



Perfeito. Foi isso que a mente do Park sussurrou.



— Jimin... Que bom que chegou. — Ele se aproximou e beijou a bochecha dele, tirando-o do transe.



— Oi, Yoon! Cheguei na hora certa?



— Sim! — Respirou fundo, seu coração errava batidas incontrolavelmente. — Estava ansioso para que aparecesse… Mas se demorasse um pouco continuaria te esperando.



Jimin sorriu e tocou o braço dele para o delírio interno de Yoongi.



— Não iria te deixar esperando, Yoon… Eu também estava querendo muito estar aqui contigo.



— Que bom ouvir isso, Jiminie… — Ele pegou na mão do Park, e suas peles reagiram, causando um calor e arrepio. — Vem, sente-se comigo.



Yoongi levou Jimin até à mesa. Como um cavalheiro, Yoongi arrastou a cadeira para trás e Jimin sentou, agradecendo a ação do ruivo, em seguida, o fotógrafo retornou para onde estava anteriormente.



Os dois agora estavam de frente um para o outro e ficaram em silêncio, como se não soubessem o que fazer, no entanto, esse silêncio não durou muito.



— Confesso que fiquei surpreso por ter me convidado para jantar... Essa é a primeira vez que fazemos isso desde que nos tornamos amigos — Jimin murmurou, sorrindo de forma tão adorável.



— Entendo sua surpresa, mas fazia um tempo que queria jantar com você, só não tinha coragem antes — Yoongi confessou, olhando para os olhos roxos que o admiravam com tanto carinho e um brilho diferente que ainda não identificou.



— Sério? — Jimin indagou, arregalando sutilmente os orbes. Yoongi concordou. — Fico feliz em saber disso, isso significa que você me quer tanto... por perto.



Yoongi sentiu o calor nas suas orelhas e seus lábios exibiram um sorriso pequeno.



— Por que eu não iria querer? Você é uma pessoa incrível e que admiro tanto, Jiminie.



— Obrigado — pronunciou, sentindo seu coração pegar fogo.



— Vamos fazer o pedido? Você deve estar com fome.



— Oh, sim! Ainda não comi nada desde a tarde, Yoon.



Após um tempo, eles fizeram o pedido e se alimentaram com uma comida leve e saborosa, no mesmo tempo em que dialogaram sobre assuntos não tão significativos, e trocaram sorrisos e olhares discretos carregados daquele sentimento.



Depois, Yoongi decidiu iniciar sobre um assunto que tanto queria discutir com ele.



— Jimin... Você acredita em almas gêmeas?



O Park corou e colocou a taça de vinho na mesa após tomar um gole da bebida.



— Sim, Yoon... Inclusive, era meu sonho encontrar a minha outra cara-metade.



Ao escutar a fala do homem, Yoongi sentiu um desconforto no peito. Se Jimin pronunciou isso era porque talvez, ele já encontrou sua alma gêmea, então não poderia ser ele, ou então desistiu, o que poderia garantir alguma chance de poder conquistá-lo.



— Então você... — Engoliu em seco. — Já conheceu?



Jimin abriu um pouco os lábios e pensou no que dizer a ele.



— Por que o interesse em alma gêmeas agora, Yoongi? — perguntou, curioso. Queria saber o porquê do Min de repente indagar sobre elos entre duas pessoas. Será que ele estava interessado em conhecer a sua alma gêmea?



Yoongi respirou fundo antes de alegar:



— Porque eu encontrei a minha.



— Hã? Quem? Quando? — berrou assustado e confuso, notando seu coração diminuir as pulsações.



— Eu já achei minha alma gêmea, Jimin... Desde que… Desde que te vi a primeira vez em que meus olhos viram seus olhos arroxeados, desde que experienciei meu coração explodir no peito, minhas pernas tremeram e perder todo o ar de meus pulmões — declarou, vendo os orbes do outro brilharem com água cristalinas. — E você tem toda culpa em todas essas sensações que senti e que só você, Jiminie, me faz sentir...



— Yoon... Eu...



— Meu coração pertence a ti Jimin, não só esse órgão essencial para nós, para minha mente e minha alma são suas... — Terminou enquanto sorria emocionado para Jimin, esperando que o homem que amava dissesse algo, qualquer coisa, mesmo que quebrasse seu coração.



Só que Jimin não destruiria o coração de Min Yoongi, pelo contrário, faria ele ficar eufórico, pela simples razão de que ele também correspondia aos sentimentos dele, e saber nesse instante que era correspondido só fez ele choramingar de emoção e seu corpo ficar em chamas de paixão e concupiscência.



— Eu também te amo… Te amo desde muito tempo, Yoon... Você sempre apareceu em meus sonhos, você sempre esteve em mim, mesmo antes de te ver pela primeira vez. — Gargalhou, levando sua mão até seus olhos para tirar o excesso de lágrimas de alegria.



Yoongi arregalou os olhos, surpreso, e sentia que se seu coração continuasse martelando do jeito que estava, poderia infartar.



— Então você...



— Antes eu só via uma imagem embaçada em minha mente, e escutava uma voz rouca distante em meus sonhos e fantasias. Mas no momento que escutei sua voz pela primeira vez, tudo fez sentido para mim. — Ele pegou as mãos dele e entrelaçou nas suas, levando até seus lábios carnudos rosados, roçando delicadamente e provocando sessões de calafrios na espinha do ruivo. — Você é o homem dos meus sonhos, o homem que tanto esperei... Me desculpe por não ter contado antes, é só que… eu queria te conhecer mais até achar o momento certo para te falar.



— Céus! — Yoongi exclamou, sentindo suas bochechas umedeceram pelo choro. — Eu sou tão sortudo. O homem que amo, a minha alma gêmea me quer...



Ele se levantou e foi em direção de Jimin que acompanhou sua ação. Ambos se abraçaram e encostaram os lábios um no outro e beijaram-se sem pressa, apreciando o contato que era tão desejado por ambos. Foi apaixonado, desejoso e ardente, e não queriam se largar nunca mais. O ósculo se seguiu durante vários minutos enquanto tentava manter o fôlego para continuarem sentindo o gosto natural dos lábios que inevitavelmente se viciaram como um entorpecente.



Após separarem os lábios inchados e avermelhados, e abrirem as pálpebras devagar, de forma impressionante Yoongi olhou pela primeira vez os olhos dele na sua cor natural. E percebeu que não importava a cor dos olhos que Jimin tivesse, seriam perfeitos de qualquer forma.



E nessa mesma noite, entre quatro paredes, entregando-se aos prazeres da carne para sentirem a conexão dos corpos em uma volúpia ardente, com as írises reluzentes presas um no outro, Yoongi descobriu que podia continuar vendo os orbes de Jimin completamente na coloração que já amava: o purple.