Prólogo
Uma lenda macabra rodeava a pequena cidade de Salem nos anos de 1616, a mulher que tivesse
sete
filhas mulheres a mais nova dentre elas seria uma
bruxa
. Era o que todos diziam, era o que todos acreditavam.
Em uma noite fria de novembro havia uma mulher que estava dando à luz pela sua sétima vez, ela gritava clamando a Deus para que a criança que estava em seu ventre prestes a nascer não fosse uma menina, a mulher já dera à luz a seis outras garotas.
Os trovões ressoavam no céu fora da casa do comerciante, fazendo o quarto bem mobiliado se iluminar com o clarão dos raios, todos na casa estavam aflitos e a tempestade que se aproximava aos poucos apenas dava um ar mais intimidador ao momento.
A mulher sentia aos poucos seu interior se contorcer em uma dor tão forte que parecia que seus ossos estavam se partindo ao meio e que sua pele estava se rasgando aos poucos, a cada segundo que se passava.
–Por favor... senhor! –gritava a mulher com a respiração descontrolada, seu peito e subia e descia rapidamente, ela apertava com toda a força que possuía o lençol branco que aos poucos manchava-se com sangue –Que... não seja uma... menina– o suor escorria por todo seu rosto e misturava-se às lágrimas pesadas que escorriam de seus olhos –Que não... seja uma menina!
A mulher pedia com toda as suas forças que o bebê não fosse uma menina, não queria que seu bebê fosse morto, não queria ter que passar pela dor de perder um filho como sua mãe havia passado.
– Vamos lá senhora! Um pouco mais de força – falou a parteira tentando afastar um pouco mais as pernas da mulher –Está quase lá! –a mulher fez toda a força que conseguiu fazer no momento e a parteira conseguiu ver aos poucos a cabeça do bebê sair, parcialmente banhada de sangue. –A cabeça saiu, mais força senhora! Empurra!– a mulher gritou fazendo mais força, seu grito foi abafado pelo som de um raio, e logo os ombros da mulher relaxaram caindo sem forças ao sentir os ombros do bebê passarem pelo seu canal vaginal, a parteira pegou atrás da cabeça da criança e logo colocou a outra mão nas costas do bebê tirando-o com cuidado. Ele começou a chorar ao ser tirado de seu confortável lar para o mundo real.
–É um menino? Diga que é um menino... por favor... –falou a mulher quase sem voz, pela força que fizera a poucos segundos atrás e pela dor que ainda sentia.
A parteira passou um paninho no rosto da criança tirando o excesso de sangue que havia no mesmo. O bebê era tão lindo, tão delicado, que parecia ser esculpido por Deus, tinha os cabelos castanho escuro e seu rostinho pálido estava vermelho por causa do sangue, ele parecia um anjinho, era tão pequeno que a parteira quando o segurou teve medo de quebrá-lo com apenas um simples toque, ela o enrolou em um manto e logo o bebê parou de chorar.
–É uma
menina
, senhora.
–Deixe-me ver ela... – a mulher falou sentindo seus olhos marejarem e um nó se formar em sua garganta, o ar foi roubado de seus pulmões e ela não conseguia respirar o pavor tomou conta de seus olhos escuros, ela não conseguia acreditar que tivera outra menina parecia que estava amaldiçoada. Se ela não tivesse engravidado novamente ela podia ter evitado perder uma filha, era isso que passava pela sua cabeça, ela estava com medo, medo do que poderia acontecer com a pequena criança, seu marido não iria querer ela, iria matar o pobre bebê. –Ela é tão linda, se parece tanto com o pai dela – falou ao olhar para sua filha, acariciando seu pequeno rostinho. – Tão linda minha filha, se chamará Edith... assim como sua avó. Você será uma guerreira feliz, você terá que ser forte, terá que lutar suas batalhas sozinha meu amor, você será a luz meu anjinho, saiba que eu sempre amarei você com todas as minhas forças até que meu ser deixe este mundo, eu te amo Edith.
Cada palavra que a mulher falava era uma lágrima que rolava de seus olhos, era difícil para ela ter que se despedir de sua filha, assim como não seria fácil se despedir de nenhuma de suas outras filhas, ela não queria dizer adeus, mas precisava. Precisava pelo bem de sua filha, se seu marido descobrisse que o bebê era uma menina e que estava viva ele não reagiria bem e seria capaz de matar a criança e até mesmo sua esposa.
Então a mulher tomou uma decisão por mais dura que fosse.
–
Leve-a
... não deixe que meu marido saiba sobre ela – falou entregando a criança a parteira que logo a segurou em seus braços. –
Você sabe que ela será especial, proteja-a.
E essa decisão futuramente mudaria a história não apenas da pequena garotinha que estava nos braços da parteira, mas como de todo o vilarejo de Salem.
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E esse foi o prólogo espero que tenham gostado, foi apenas um pequeno spoiler do que está por acontecer na vida de Edith.
Muito obrigada por lerem.
Quero tentar estar atualizando uma vez na semana.