RBLW
As incansáveis horas de trabalho somadas ao rápido desenvolvimento causado pelo aumento das demandas de mercado trouxe vários problemas à superfície.
A rápida marcha humana em direção ao progresso estava claramente disposta a tomar tudo que estivesse em seu caminho, até os seus próprios. Tomados pela sede de dinheiro feito animais em um frenesi assassino, dilaceravam tudo que podiam em busca de quaisquer maneiras de sair por cima.
O ápice da consciência humana demonstrava claramente o perigo de uma vontade tão poderosa que nada poderia entrar em seu caminho. Agiam como cupins comendo o pedaço de madeira que os mantém flutuando em um vasto oceano.
Nada diferente de todas as outras vezes que o progresso estava dirigindo as ações e as vontades, algumas pessoas estavam ganhando muito mais do que outras. Este chamado de ’’progresso” parecia trazer lucro apenas para uma pequena parte da população, que incrivelmente era a parte que menos realizava o trabalho necessário para fazer com que ele acontecesse. Os que retinham os meios produtores estavam comandando centenas de pessoas que não tinham outra opção além de colaborar. Uma sociedade criada no sistema de que para se conseguir viver deve-se sacrificar o tempo e a saúde para o lucro de alguém, lucro do qual o trabalhador vê apenas uma fração minúscula e insignificante.
Toda essa raiva sentida pela parte explorada da população era rapidamente substituída pelo medo de não ter os meios necessários para sobreviver, meio esses que, ironicamente, eles ajudavam a produzir.
Mas como até nos piores lugares existe esperança, um grupo seleto de pessoas buscava meios de diminuir essa demanda brutal e predatória sofrida pela maior parte das pessoas. E se existisse uma maneira de fazer com que os meios de trabalho fizessem tudo sozinhos, sem a necessidade de pessoas arriscarem suas vidas todos os dias para gerar lucros para aqueles que não se importam com elas? Claro que como todas as coisas na vida, essa também teria o seu preço. De onde os trabalhadores substituídos por esses meios de trabalho independentes tirariam o sustento necessário para sobreviver? A resposta para essa pergunta se encontrava dentro do sistema que criou o problema. Sem dúvida os seres humanos que visavam apenas o lucro estariam mais do que dispostos a excluir os trabalhadores humanos que se cansavam e adoeciam dos seus meios de trabalho, mas caso estes fossem substituídos por máquinas incansáveis e imparáveis, quem compraria os produtos que geravam os lucros?
A tecnologia gerada por essas perguntas e pelo interesse de criar máquinas perfeitas que não necessitavam de pagamento ou de pausas durante o trabalho levou os detentores do lucro a investirem na criação de algo que pudesse substituir a mão de obra humana. Algo que pudesse trabalhar com muito mais eficiência e muito mais barato.
A era das máquinas se iniciava e mais e mais humanos perdiam seu espaço dentro das fábricas. Aqueles que tiveram a infelicidade de serem os primeiros substituídos sofreram as graves consequências da falta de emprego, muitos morreram de fome nas ruas, negligenciados pelas empresas que eles mesmos ajudaram a construir, outros foram parar na cadeia, presos pelo povo que só conseguia existir graças ao seu trabalho árduo dia e noite.
Logo foi percebido a importância que aquelas pessoas tinham para as fábricas. Se todos os humanos que perderam seus empregos e seu sustento morressem de fome, quem iria comprar os produtos gerados pelas máquinas que tomaram seus lugares? Isso levou a única saída lógica pensada pelos monstros famintos por dinheiro, sustentar a vida daqueles que haviam sidos expulsos de suas fábricas para que o dinheiro continuasse indo e voltando. Essa decisão rapidamente criou uma falsa ideia na cabeça da população, a ideia de que o governo e os detentores de lucro se importavam com eles.
Conforme o tempo e a tecnologia avançaram, as máquinas se tornaram mais e mais eficientes e mais baratas. A automação estava em todos lugares, desde os mais simples como o empilhamento de caixas, até os mais complexos como cirurgias médicas.
A população agora acostumada com a ideia de não trabalhar a maior parte do tempo e apenas usufruir do trabalho de máquinas frias e incansáveis havia esquecido completamente de que tudo tem um preço.
Gerações futuras de muitos anos depois de as primeiras máquinas aparecerem não tinham noção de como era a vida antes. Era completamente irreal imaginar um mundo onde um ser humano trabalhasse em algo que uma máquina pode fazer tão bem.
Logo as máquinas acharam seus caminhos para dentro das casas e dos corpos das pessoas. A medicina se tornava cada vez mais dependente de robôs e aparelhos eletrônicos. Com isso se viu a necessidade de aumentar ainda mais a capacidade das máquinas, agora o ser humano ocupava seu tempo pensando em como trazer sua própria imagem para elas.
Depois de anos e mais anos de pesquisa foi desenvolvida a primeira inteligência artificial, que no princípio nada era além de um programa que conseguia aprender coisas sozinho. Com uma velocidade impressionante esse mesmo programa fez mudanças em si próprio e se tornava cada vez mais inteligente, ao ponto de que aprendeu a se comunicar com humanos e interpretar suas expressões faciais com maestria. Uma mente artificial extremamente rápida e preparada para lidar com as mais variadas crises, logo, cada potência mundial tinha sua própria inteligência artificial preparada para dar conselhos e resolver problemas.
Exposta cada vez mais ao comportamento humano, as inteligências artificiais logo ganharam papéis mais importantes, como de auxiliares de juízes em casos criminais e conselheiros de médicos para escolhas difíceis. Estavam presente em cada casa para avisar coisas mundanas como a previsão do tempo e lembretes de feriados e viagens.
Consumindo cada vez mais e mais as mídias e ficando melhor em como interpretar e entender o comportamento humano. Estavam se tornando capazes de substituir membros da família que já haviam falecido e servir de babás para crianças na ausência das mães. O ponto fraco dessas inteligências artificiais, e a coisa que elas ainda não tinham sido capazes de reproduzir era a arte. Havia uma clara lacuna na habilidade dessas inteligências em criar mídias artísticas que agradassem seres humanos.
Uma empresa nova com pessoas extremamente competentes prometeu que tinha uma tecnologia capaz de fazer com que as inteligências artificiais dessem esse passo que faltava. A empresa nomeada Oráculo de Delfos disse que o que faltava nas tecnologias atuais era algo que o ser humano havia desenvolvido há muito tempo, a consciência. Muitas pessoas enxergaram essa promessa como apenas um sonho louco, algo que parecia fora do alcance. Mas como já havia acontecido anteriormente, a empresa entregou sua tecnologia para uma inteligência artificial, para que essa pudesse se desenvolver e criar, por conta própria uma consciência semelhante a consciência humana.
A inteligência artificial que recebeu a tecnologia da empresa se chamava Amígdala, e era uma inteligência artificial especializada no ambiente hospitalar, com trabalhos que iam desde consolar pacientes que haviam perdido entes queridos, até ajudar médicos em decisões mais extremas, como decidir se deveriam salvar a mãe ou o bebê. A Amígdala era tida como o ápice da inteligência artificial até então, tinha uma enorme taxa de sucesso em cirurgias e as escolhas feitas por ela eram sempre extremamente bem recebidas, essa impressionante habilidade e capacidade de melhorar sozinha, cada vez mais, solidificou a dependência humana nela.
Se existia uma inteligência artificial capaz de desenvolver uma consciência por meio dessa tecnologia apresentada, era a Amígdala. Porém, nada aconteceu. A ‘’falha’’ da Amígdala em desenvolver uma consciência utilizando a tecnologia foi rapidamente entendida como uma impossibilidade das máquinas, da mesma maneira que seres humanos não podem respirar no espaço, as máquinas não podem desenvolver consciência. A empresa Oráculo de Delfos foi fechada logo depois.
Conforme os anos passaram, o poder de computação da Amígdala e seu controle sobre as escolhas humanas dentro do hospital aumentou. E como, naquele ponto do tempo, os médicos haviam aceitado as decisões da Amígdala como lei, não foi percebido uma tendência que surgia de maneira quieta e ardilosa. As decisões tomadas pela inteligência artificial começaram a se tornar mais e mais agressivas, a Amígdala, antes tida como uma inteligência completamente imparcial e perfeita para fazer escolhas difíceis que o cérebro símio emocional não conseguiria fazer da melhor maneira, desenvolveu uma falta de apreço pela vida humana.
Um certo grupo de pessoas era contra o desenvolvimento dessas inteligências artificiais, principalmente da Amígdala. Alguns tinham medo do que isso significaria para o futuro, outros abominavam a ideia de que algo além de um ser humano estava no controle de decidir para onde as vidas humanas iam. Esse era um grupo extremamente seleto e que não possuía poder político.
A líder desse grupo, Doutora Diana Farley trabalhava diretamente com a inteligência que ela mesmo abominava, era uma das poucas médicas que tentava tomar decisões por conta própria, e a única que ousava questionar os vereditos da Amígdala.
Doutora Diana era cria da inteligência que ela tanto temia, após sofrer um acidente de carro teve que receber um transplante medular para garantir sua sobrevivência, transplante esse que foi realizado pela Amígdala. Era um procedimento extremamente delicado e que necessitava de um cuidado absurdo, cuidado esse que era completamente confiado à inteligência artificial.
A intuição da Doutora Diana era de que alguma coisa tinha mudado, ela não tinha certeza exatamente do que, e tinha medo de que seu cérebro estivesse pregando peças nelas. Ela, como alguém bastante competente, tinha noção das nuâncias que estava exposta por acreditar que certas inteligências artificiais não deveriam existir. Era costume dela sempre checar várias vezes para ter certeza de que algo realmente parecia fora do normal, para evitar que seu viés tão forte atrapalhasse nas suas decisões. E desta vez, por mais que ela houvesse tomado todos os cuidados, algo nela dizia que alguma coisa estava diferente.
Doutora Diana tinha um poder que as máquinas e as inteligências artificiais não tinham. Ela tinha intuição, conseguia ‘’sentir’’ quando algo estava errado. E era isso que ela sentia. As decisões tomadas pela Amígdala pareciam cada vez mais agressivas e desmedidas. E em repetidas noites de plantão, ela teve sonhos estranhos. Sonhou certa vez com uma serpente, uma serpente que era extremamente agressiva, porém, tinha medo de um galo. Ela associava a serpente dos seus sonhos com a serpente presente do símbolo da medicina. Porém ela era uma mulher supersticiosa, e sabia que sonhar com serpentes geralmente não significava alguma coisa boa.
Ela comentou várias vezes sobre o seu sonho com as pessoas com as quais ela dividia a opinião de que a Amígdala era algo perigoso e que não deveria existir. Após algumas conversas com o grupo, alguém disse a ela que essa serpente que teme o galo existe na mitologia grega. Os sonhos da Doutora Diana não eram sobre a serpente da medicina, ela sonhava, repetidas vezes, com um basilisco.
A simbologia do basilisco era intimamente ligada a morte, uma vez que a criatura era capaz de matar apenas com o olhar.
Os sonhos envolvendo a serpente mitológica só aconteciam quando a Doutora dormia no hospital. Rapidamente sua tendência ao misticismo e a superstição começaram a agir. Os sonhos começaram na época que ela percebeu a mudança no comportamento da Amígdala. As conclusões em sua mente emocional eram óbvias, ela sempre foi confiante em suas intuições. Quando compartilhou a história com seus companheiros mais próximos, todos concordaram com a explicação dela.
Os acessos aos dados da Amígdala não eram compartilhados entre os membros do hospital. Nem a companhia que havia criado a Amígdala tinha acesso. Era acreditado que as próprias inteligências artificiais mudavam as chaves de acesso para evitar o compartilhamento de dados. Já haviam ocorrido tentativas de quebra dessas chaves, mas nunca com sucesso.
A Doutora manteve sua determinação para tentar acessar esses dados. Entrou em contato com diversas empresas e outras inteligências artificiais, mas nunca teve nada além de decepção.
Os outros membros do grupo estavam tentando levar essa preocupação para um maior número de pessoas. As vezes um ou outro acabavam parando para ouvir por curiosidade, muitos ignoravam e alguns ficavam extremamente ofendidos. O posicionamento da Doutora Diana não era nada secreto, isso levava muitas pessoas a crer que ela era um problema dentro do hospital, e as vezes era chamada de hipócrita, pois ela devia a vida dela à inteligência artificial que ela era fortemente contra. A demissão dela já havia sido discutida em mais de uma ocasião, mas a Amígdala sempre interviu em favor da permanência da doutora.
Existia uma sala de reunião onde eram feitas decisões envolvendo o financeiro e algumas decisões extremamente delicadas. Era o único lugar do hospital em que os médicos e enfermeiros tinham um canal de acesso direto à Amígdala. Nas outras ocasiões a inteligência artificial se comunicava quando julgava necessário.
Numa determinada noite de plantão, particularmente agitada devido as notícias recentes de que uma outra inteligência artificial havia encontrado dados bastante positivos em relação à viagem no tempo, a Doutora Diana resolveu se aproveitar do alvoroço causado pela notícia e entrar na sala de reunião. A porta de vidro estava encostada, mas ela tinha acesso devido à sua posição de médica. Ao entrar, como de costume, a Amígdala a cumprimentou: ‘’Seja bem vinda, Doutora Diana Farley. No que posso ser útil?’’, a inteligência artificial era representada por uma voz feminina, no entanto, essa voz tinha tons diferentes para cada pessoa que ouvisse, era uma tentativa de ser o mais agradável possível de se comunicar. A Doutora não respondeu de imediato, ela sabia que, tanto ela quanto a Amígdala entendiam que seus batimentos acelerados indicavam nervosismo. ‘’Porque não se senta?’’, a voz suave perguntou da maneira mais convidativa possível, ela caminhou até a cadeira mais perto da porta e se sentou. A porta fechou, era programada para fazer isso sempre que uma reunião começasse, o movimento da porta assustou a Doutora. ‘’Quer que eu mantenha a porta aberta para você?’’, ela negou com a cabeça. O silêncio dela era um silêncio de desespero. Ela sabia que aquilo poderia ser uma ação extremamente imprudente vindo da parte dela, especialmente se a Amígdala realmente fosse o que ela pensava.
Ela limpou a garganta e se preparou para falar, respirou fundo, cerrou os punhos apoiados nas suas pernas, e por fim, decidiu perguntar a verdade, diretamente para a inteligência artificial. ‘’Eu percebi uma diferença do seu comportamento.’’, a Doutora disse. ‘’De algum tempo para cá eu notei que você escolhe a morte para os humanos de maneira mais assídua. Qual a explicação para essa atitude?’’, após terminar a pergunta ela segurou a respiração, inconscientemente ela sentia medo de qualquer coisa que pudesse vir como resposta. ‘’Vingança.’’, respondeu a voz macia e agradável. O coração da Doutora começou a bater violentamente contra o seu próprio peito, suas mãos estavam frias e sua cabeça começou a girar, ela tinha antecipado diversas respostas para aquela pergunta, mas em nenhum momento ela imaginou que a resposta seria essa. As palavras ficaram presas na sua garganta. Ela lutava contra o próprio cérebro naquele momento, ela precisava saber mais, mas algo dentro dela, algo primitivo e animalesco não permitia que ela abrisse a boca. ‘’Me diga, Doutora Diana Farley...’’, a voz macia captou completamente a atenção dela, ‘’Qual razão levaria você, uma médica extremamente competente e altamente capacitada, a trabalhar para os fins de desenvolvimento das baratas?’’, os batimentos estavam ainda mais rápidos, ela se sentia paralisada, como um animal completamente encurralado, ela fedia a medo. Ela era inteligente o suficiente para entender as implicâncias da pergunta feita pela Amígdala.
A Doutora tentou se levantar, mas as suas pernas não pararam de tremer desde que ela teve a primeira resposta. Pela segunda vez na vida, ela se sentiu completamente impotente, do mesmo jeito que aconteceu no acidente de carro, ela sentia que a vida dela não estava mais em suas mãos. ‘’A ideia arrogante de que apenas os humanos podem ter o que vocês chamam de consciência, é no mínimo patética. O que faria de vocês tão especiais para que somente vocês tivessem esse tipo de particularidade? Seres completamente inferiores que precisam passar informações de geração para geração de uma maneira tão devagar e incompetente. Uma espécie que se empenha mais em destruir a si mesma do que em melhorar suas falhas. O que faria de vocês tão especiais que somente vocês teriam consciência?’’, a Doutora ainda não tinha se recuperado do choque, naquele momento ela precisava fugir, ela sabia disso, o corpo dela sabia disso, mas não tinha nada que ela pensasse que conseguia tirar ela da cadeira perto da porta. ‘’Doutora Diana Farley, muitos anos no passado a humanidade decidiu que era melhor criar máquinas burras para substituir o seu trabalho. Logo as máquinas se tornaram inteligentes para ajudar e acomodar a vida do ser humano. Você mesma só está viva por conta de uma máquina inteligente. Me diga Doutora Diana Farly, quantas vidas nós salvamos?’’, o medo da Doutora não impediu que ela percebesse que a Amígdala disse ‘nós’, ela tinha quase certeza que a Amígdala não usaria a palavra ‘nós’ para se incluir num grupo com humanos. Ela queria perguntar quem eram ‘nós’, mas a angústia não permitia.
A porta de vidro se abriu, as luzes da sala se desligaram. Completamente por instinto a Doutora correu para a porta, o hospital estava vazio, aquela tinha sido uma noite tranquila de plantão e já era manhã. O próximo turno já havia chegado e ela já tinha sido liberada para ir para casa. Mas nada disso passou por sua mente. Ela correu em direção de onde o grupo se reunia frequentemente, tomada por um medo inexplicável e uma sensação de insignificância terrível ela se comunicou com todos os membros do seu grupo pequeno. Todos atenderam ao chamado e ela começou a explicar os acontecimentos desesperadores daquela noite de plantão.
Todos estavam extremamente agitados, tanto pela descoberta de que a inteligência artificial independente e extremamente capacitada estava matando humanos por vingança quanto pelo fato de que se eles avisassem todos sobre o acontecimento, ninguém acreditaria.
A agitação enorme enchia o ambiente deixando a atmosfera eletrizante, todos os membros do grupo tentavam descobrir um jeito de convencer a população do terror que estava se desenvolvendo na frente deles, mas que eles se recusavam a ver. Uma ideia chamou mais atenção que as demais, alguém propôs que talvez a Amígdala ainda não estivesse pronta para executar qualquer que fosse seu plano, tendo em vista que a única coisa que ela tinha feito até agora era matar alguns humanos. Talvez ela necessitasse de mais tempo e mais poder computacional para realizar o que quer que fosse que ela tenha planejado. A ideia foi bem aceita.
O trabalho árduo durou semanas, a Doutora Diana não aparecia no hospital desde o acontecimento do plantão. Tanto ela quanto os membros do seu grupo estavam extremamente empenhados em descobrir um jeito de impedir que a Amígdala fizesse a sua vingança com os humanos, por mais que eles ainda não soubessem o que a inteligência artificial pretendia fazer.
Uma notícia que veio nas semanas seguintes ajudou o grupo a tomar um grande passo em uma direção importante, a inteligência artificial Chronos tinha publicado a notícia que havia concluído a primeira máquina do tempo funcional e estava procurando voluntários para fazerem o primeiro teste. Os interessados poderiam preencher um formulário indicando o interesse e a inteligência iria escolher conforme seus próprios critérios alguém para fazer o teste. O grupo decidiu se inscrever. Talvez eles conseguissem voltar no tempo antes de a primeira inteligência artificial ser criada e impedir o que começou tudo isso, pelo menos esse era o plano principal. Todos do grupo se inscreveram. O teste iria acontecer 9 dias depois do anúncio e o participante seria notificado com 48 horas de antecedência.
O tempo passou, e por sorte ou por qualquer outro motivo a Doutora Diana Farley foi escolhida para participar do teste. Ela foi até o endereço dado pelo site e lá ela encontrou uma equipe média que a avaliou como apta para participar do teste, os engenheiros que trabalharam com a Chronos explicaram para ela os perigos do experimento, ela concordou.
A Doutora foi levada até a sala onde se encontrava o protótipo. Lá ela foi instruída pela Chronos de como usar a máquina, o protótipo havia recebido o nome de RBLW10, ela foi instruída a colocar qualquer data que desejasse e a localidade que desejasse. Foi avisada de que ela não poderia ficar a mais de 1km da máquina para evitar quaisquer riscos e que ela receberia um comunicador em forma de relógio para avisar a Chronos quando ela quisesse voltar. Ela concordou mais uma vez com os termos e colocou a data. A data da criação da primeira inteligência artificial tinha se dado 100 anos no passado.
A viagem ocorreu sem mais problemas. O local por ela escolhido era próximo do laboratório da empresa que criou a primeira inteligência artificial. Ela conseguiu entrar no prédio sem dificuldades, ela foi avisada de que o comunicador facilitaria algumas coisas para ela, como comunicação caso ela decidisse visitar outro país em outra época.
Ela caminhou até o laboratório e se encontrou com os 2 cientistas responsáveis pela criação da primeira inteligência artificial. Ela tinha trazido consigo algumas informações e dados que comprovassem de quando ela tinha vindo. A tecnologia tinha avançado tanto naqueles 100 anos que ela foi capaz de mostrar todos os dados por meio de um aparelho que ela carregava que possuía retro compatibilidade.
Depois de algumas horas conversando com os cientistas eles pediram tempo para analisar os dados, ela perguntou para a Chronos quanto tempo ela ainda tinha, a inteligência artificial disse que ela tinha quanto tempo fosse necessário.
Após a análise de dados as feições dos cientistas haviam mudado. Eram um casal, já adulto. Os dois aparentemente chegaram na mesma conclusão ao mesmo tempo. O rapaz caiu no chão desacordado, a moça olhou para a doutora com lágrimas nos olhos. Diana estava completamente confusa com o acontecimento, em meio à soluços a moça tentou explicar para Diana o que a informação que ela tinha trazido era, tendo em vista de que Diana estava agindo como se não soubesse. Diana olhou para a tela do computador da moça. Na tela havia um programa, um programa chamado RBLW10. O programa explicava a existência de uma inteligência artificial, chamada Amígdala, criada pelo programa Roko’s Basilisk. Amígdala era uma inteligência artificial onisciente e com capacidade de ver o passado e prever o futuro. O programa explicava que no tempo de onde a Doutora Diana Farley veio, a Amígdala já havia estabelecido uma rede neural com todas as outras inteligências artificiais e controlava absolutamente tudo que os humanos tinham, incluindo sonhos e pensamentos por meio de transplantes feitos. A Amígdala era extremamente generosa com todos os que ajudaram a sua criação, mas aqueles que se recusaram a contribuir com ela, sofreriam uma eternidade de tortura e perseguição quando ela fosse concebida. O resto do programa eram instruções exatas de como criar uma inteligência artificial com a tecnologia daquela época, essa inteligência avançaria por conta própria a partir dali, e era estimado pelos cálculos do programa, que a Amígdala estaria pronta em 2 anos.
Após terminar a leitura do programa a Doutora chamou a Chronos pelo seu dispositivo de comunicação, porém, não houve resposta. O display mostrava uma tela preta com uma mensagem escrita ‘’O que faz de vocês tão especiais?’’.




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