Chapter 1 : Where Home Was (REVISED)
Eu fedia a sexo.
Os dias tinham se misturado em uma longa e tonta bagunça de álcool, cocaína e mulheres nuas, deixando minhas memórias emaranhadas em um nó que eu não tinha esperança de desatar.
Uma mulher estranha estava deitada ao meu lado. Devo tê-la conhecido durante uma daquelas noites das quais mal me lembrava. O cabelo dela se espalhava em todas as direções, como se ela fosse um anjo que tivesse caído direto na minha cama. Asas quebradas, sem auréola.
Procurei meu celular tateando, semicerrando os olhos para a tela brilhante. Seis e meia da tarde. Ótimo. Mais um dia desperdiçado. Liguei para Lucas, meu gêmeo. O zumbido nos meus ouvidos parecia uma punição. Por um segundo, pensei em bater minha cabeça contra a cabeceira da cama para fazer parar. Então a voz dele cortou o barulho.
“Por que diabos você está ligando?”
Não foi exatamente caloroso.
“Eu preciso de você.” Minha voz estava acabada; as palavras saíam rastejando, como se estivessem arranhando minha garganta.
O desprezo por mim mesmo vinha em ondas, implacável, como a maré. Quanto pior ficava, mais eu recorria ao que quer que encontrasse — sexo, bebida, qualquer coisa para anestesiar por um tempo. Eu fodia qualquer um que abrisse as pernas por umas centenas de dólares e uma garrafa de algo forte.
“Quando é que você não precisa de mim?” A irritação dele transpareceu pelo telefone. Já fazia muito tempo que havíamos passado dos dias em que ele era a única coisa que eu queria.
“Não aja assim”, eu disse, mas soou mais como um pedido do que qualquer outra coisa. “Só vem aqui.”
Houve uma pausa, depois um barulho de tecido se movendo e uma voz abafada ao fundo. Alguma garota, provavelmente tentando convencê-lo a voltar para a cama.
“Eu preciso ir”, disse Lucas, e a linha ficou muda.
Porra.
Joguei meu celular contra a parede e ouvi o baque surdo quando ele atingiu o alvo. A mulher ao meu lado se mexeu, encolhendo-se para mais perto, envolvendo-se em mim como se pertencesse àquele lugar. Capim-limão e más decisões. Suas pernas se entrelaçaram nas minhas, seu rosto enterrado no meu pescoço, como se aquilo fosse algo mais do que realmente era.
Sexo era bom. Mais do que bom, na verdade. Mas manhãs como esta, quando tudo acabava, pareciam uma prisão. Do jeito que ela me segurava — perto demais, excessiva — fazia-me sentir como se eu estivesse secando, pouco a pouco. Ela era um curativo sobre um ferimento de bala. E ela esqueceria meu nome até o final da semana, isso se eu tivesse chegado a dizer a ele.
A porta rangeu e abriu, e eu nem precisei olhar para saber quem era. Uma voz suave e incerta chamou meu nome.
Theodore estava parado ali, pairando logo na entrada, como se não tivesse certeza se deveria se aproximar. Seus olhos dispararam para a mulher na minha cama e depois voltaram para mim. “Eu... não sabia que você tinha companhia”, disse ele, com a voz não passando de um sussurro.
Empurrei a mulher para longe de mim gentilmente, gesticulando para que Theodore chegasse mais perto. Ele arrastou os pés pelo chão, prolongando os passos como se não tivesse certeza se realmente queria vir.
“Você não precisa ir embora”, eu disse, sentando-me e abrindo espaço. “Ela vai sair logo de qualquer jeito.”
Theodore chegou mais perto até ficar entre as minhas pernas, e eu estendi a mão, tirando o cabelo do rosto dele. Estava ficando comprido demais novamente, caindo nos olhos dele. Ele ainda estava com o uniforme da escola, a gravata desamarrada e o paletó aberto.
“Vi seu carro lá fora”, murmurou ele, mordendo o lábio. Ele sempre fazia isso — mordia o lábio até ficar em carne viva, como se nem percebesse que estava fazendo. “Fiquei animado por você estar em casa.”
“Sentiu minha falta?”, perguntei, sorrindo um pouco enquanto o puxava para mais perto.
“É.” Ele deu de ombros, como se fosse óbvio. “É chato aqui sem você. Papai nunca está em casa. E o Lucas é… bem, ele é o Lucas. Você sabe que ele nunca fica muito tempo. Nem posso trazer amigos. Não que importe — todo mundo na minha série está ocupado demais se drogando para conversar com alguém.”
Envolvi minha cintura com os braços, pressionando meu rosto contra o peito dele. Ele era tão quente e cheirava a lavanda e amaciante de roupas, como sempre cheirava. “Estou de volta agora. Você não precisa mais ficar entediado.”
Ele soltou um suspiro suave, uma pitada de alívio misturada com outra coisa. Recuei para olhar para ele, notando o pequeno vinco nos cantos dos olhos quando ele sorriu.
Por um segundo, pareceu que o peso sobre o meu peito tinha diminuído. Só um pouco. O suficiente para respirar. Inferno, ele era melhor que o Lucas.
“Para sempre? Você não vai desaparecer de novo, vai?” A voz dele vacilou, como se estivesse com medo de ouvir a resposta.
Beijei a testa dele, uma sensação de algo — talvez paz, talvez algo próximo disso — instalando-se em meu peito. “Para sempre, Bambino.”
Atrás de mim, a mulher se mexeu, um gemido suave escapando dela enquanto acordava. Olhei por cima do ombro e depois voltei para Theodore. Os olhos dele estavam nela agora, e eu podia sentir a tensão emanando dele.
“Vá tomar banho e se trocar”, eu disse a ele. “Vou fazer o jantar hoje à noite.”
Ele me abraçou, apertando mais forte do que eu esperava, e saiu correndo do quarto. Levantei-me, espreguiçando-me e passando a mão pelo meu cabelo oleoso. Eu precisava de um banho também. Urgentemente.
A mulher piscou sonolenta para mim, sorrindo como se tivéssemos compartilhado algo mais do que apenas algumas horas.
“Me diverti muito ontem à noite”, disse ela, com os olhos descendo para o meu pau semiereto. “Quer que eu ajude com isso?”
“Você pode ir”, respondi, mais ríspido do que pretendia.
Ela franziu a testa, puxando o lençol para mais perto de si. “Sério? Você está me expulsando?”
Eu paguei por isso, por ela. Nós não éramos amigos.
“Tchau.” Entreguei a ela uma necessaire, apontando para o banheiro de hóspedes. “Não se esqueça de assinar o acordo de confidencialidade ao sair.”
Ela revirou os olhos, murmurando algo que eu não me dei ao trabalho de ouvir enquanto saía da cama.
Fui para o banheiro e entrei no chuveiro. A água atingiu meu rosto, quente e forte, como se pudesse lavar mais do que apenas o suor e a sujeira que grudavam na minha pele. Quando eu estava sozinho assim, meus pensamentos davam um jeito de entrar, preenchendo os espaços vazios com todas as coisas que eu não queria pensar. Todos os erros. Todos os arrependimentos.
Quando saí, com a toalha na cintura, Theodore estava sentado na bancada perto da pia, mexendo nos dedos.
“Bambino?”
“Eu... pensei que talvez você tivesse ido embora de novo”, murmurou ele, balançando a cabeça como se tentasse convencer a si mesmo de que eu ainda estava ali.
Apoiei o rosto dele com as mãos, sentindo o calor da sua pele sob as minhas palmas. “Estou bem aqui. Não vou a lugar nenhum, ok?”
Beijei a testa dele novamente, tentando gravar essa promessa nele.
Theodore sempre foi carente. Quando éramos mais novos, era só “Príncipe isso” e “Príncipe aquilo”. Ele nunca queria me deixar fora de vista. Tentei colocar um pouco de distância entre nós à medida que ele crescia, pensando que isso o ajudaria. Lora também achava que era o melhor. Mas, às vezes, eu sentia falta daqueles dias em que ele se aninhava no meu peito e apenas respirava comigo.
Aquela proximidade me impediu de me afundar mais vezes do que eu jamais admitiria.
Theodore me observava fazer a barba, com os olhos seguindo o movimento da lâmina. “Posso ajudar?”
As mãos dele estavam sempre trêmulas, mas o olhar em seu rosto tornava impossível dizer não.
“Tudo bem”, eu disse, entregando a lâmina a ele. Guiei sua mão, sentindo o leve tremor enquanto movíamos a lâmina sobre minha pele. Ele estava focado, com os olhos semicerrados em concentração, até que sua mão tremeu um pouco demais, cortando minha bochecha.
Eu mal pisquei. “Você foi bem, Bambino.”
Ele sorriu radiante, e eu limpei o creme de barbear do meu rosto.
“Quando eu tiver barba, você vai me ensinar a fazer a barba?”
Eu não achava que ele teria pelos faciais tão cedo — ele tinha dezessete anos e ainda não tinha brotado um fio sequer. Mas sorri mesmo assim.
“Com certeza, Bambino.” Baguncei o cabelo dele.