A PRÁTICA LEVA À PERFEIÇÃO

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Resumo

— Você acha que eu não consigo fingir que estou a fim de você? — ele pergunta num sussurro. Ele estende a mão e desliza o dedo pelo meu rosto, e sinto um arrepio com o toque. — Você acha que eu não consigo convencer todo mundo de que tenho sentimentos por você? — Os olhos dele estão mais escuros do que nunca, e qualquer sinal de sorriso desapareceu. A única palavra que consigo pensar agora para descrevê-lo é "sedutor". Já li muitos romances ótimos (e outros tantos nem tão bons assim), e ainda não encontrei um sinônimo melhor para essa palavra em particular. ~~~~~~~~~~~~ Abigail Watson sempre seguiu as regras. Ela também se esforça constantemente para ser a melhor em tudo o que faz. Então, quando seu namorado, Declan, decide transformar o tempo que deram em um término definitivo, ela começa a duvidar seriamente de suas habilidades como namorada. Seu novo colega de apartamento, Ric, diz a Abby que ela não é o problema, mas como ela pode acreditar *nele* quando ele é um dos caras mais irritantes que ela já conheceu? No entanto, quando ela precisa de um namorado de mentirinha para salvar as aparências diante de Declan, Ric pode ser o único homem a quem ela pode recorrer... A Prática Leva à Perfeição traz para você um pouco de forced proximity, enemies to lovers, uma pitada de fake dating, quiz de pub, frustrações com colega de apartamento... E, claro, um ex irritante, porque todo mundo tem pelo menos um desses, não é???

Status
Completo
Capítulos
35
Classificação
5.0 59 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Expectativa e realidade . . .


Para mim, essas palavras são praticamente opostas. Na maioria das vezes, a expectativa não passa de uma fantasia pura; a realidade é aquele balde de água fria jogado sem dó em cima dessa fantasia. Pelo menos, é essa a minha experiência. Mas, pensando bem, parece que eu sou uma pessoa extremamente azarada.


Somando isso ao meu otimismo exagerado, acabo me decepcionando com a realidade com muita frequência . . . E, mesmo assim, nunca aprendo a lição.


É por isso que agora estou rastejando na escuridão debaixo da cama do Declan.


"Já encontrou, Abby?", pergunta Declan, impaciente, de algum lugar acima de mim. Aquilo parece uma missão inútil; a bagunça debaixo da cama dele é terrível, como se ele varresse tudo para lá às pressas toda vez que uma garota vem visitá-lo.


E provavelmente eu não sou a única garota, percebo agora, com as lágrimas escorrendo mais rápido. Ah, claro, esse é o outro motivo que está dificultando um pouco a minha busca. O fato de que minha visão está seriamente comprometida no momento, por causa da quantidade excessiva de lágrimas escorrendo dos meus olhos.


"Ainda estou procurando!", engulo o choro e empurro cuidadosamente um tênis fedorento para o lado, limpando o rosto com uma das mãos e tentando fazer minha voz soar leve e tranquilizadora. "Tenho certeza de que vou achar em um minuto."


"Pode se apressar?" O pânico começa a tomar conta da voz dele. Dadas as circunstâncias, não posso nem culpá-lo.


Acho que é seguro dizer que as minhas expectativas positivas para hoje foram, definitivamente, destruídas.


Tudo começou com o almoço da firma. Eu estava muito empolgada com isso. A empresa sempre paga, e eu nunca vou recusar uma refeição de graça. Vamos ser sinceros: todo mundo sabe que o TGI Friday é um pouco caro. E, como eu ia encontrar o Dec para beber à noite, isso significava que eu poderia encher a cara de carboidratos pagando pouco e preparar o estômago para os meus planos de "exercício de cama" mais tarde.


Meu estômago traidor ainda roncava de fome só de pensar naquelas batatas recheadas, mesmo quando a recepcionista nos disse, toda sem graça, que não havia reserva em nosso nome.


E que, infelizmente, eles não tinham espaço para acomodar nosso grupo um pouco maior em cima da hora.


Sinceramente, tive vontade de chorar naquela hora. Foi quase igual à vez em que eu estava fazendo dieta, decidi que precisava de uma barra de chocolate mais do que precisava perder peso, e descobri que a máquina de venda automática estava quebrada. Por pouco não tive um colapso nervoso naquela ocasião.


Caso não tenha ficado claro, eu levo comida muito a sério.


Acabamos indo no Wagamamas, que era legal, mas não era o que eu estava esperando comer.


Expectativas 0 - Realidade 1


Depois, um dos meus colegas começou a discutir com quem claramente tinha esquecido de fazer a reserva no TGI. As pessoas estavam com "fome de raiva" e os nervos estavam à flor da pele. Ficou barulhento. Os clientes das outras mesas estavam olhando, e estava ficando muito constrangedor até mesmo estar perto daquela cena; então, inventei uma desculpa, dizendo que tinha uma reunião esquecida, e escapei.


Eu só tinha conseguido dar algumas garfadas no meu katsu curry antes da confusão começar, e eu ainda estava morrendo de fome.


Ainda assim, pensei, voltando para o escritório apenas com um pacote de batatas Kettle e uma barra de Milky Way para me sustentar, pelo menos eu veria o Dec em poucas horas.


Declan Breslin era meu namorado. Mais ou menos.


Ok . . . Acho que preciso explicar tudo aqui. Ele tinha sido meu namorado por dez meses. Nossos encontros eram sempre divertidos. Tínhamos uma química fabulosa, dentro e fora da cama. Fomos para Ibiza juntos passar um fim de semana longo. Dissemos "eu te amo" um ao outro. Até chegamos a falar, brevemente — embora bêbados —, sobre um futuro juntos.


Então, foi um choque quando, dois meses atrás, ele sugeriu gentilmente que "dêssemos um tempo".


"É só que . . . ficou intenso rápido demais", ele disse baixinho, fazendo carinho na minha mão como se eu fosse um gatinho assustado que poderia arranhá-lo a qualquer momento. "Acho que precisamos dar um passo atrás; só para ter certeza de que é isso mesmo que nós dois queremos."


"Mas é isso que eu quero", protestei, pega de surpresa. "Eu quero estar com você."


Ele assentiu com compreensão. "Eu sei. E acho que quero estar com você também. Mas . . . Olha, a ausência faz o amor aumentar e tudo mais; só preciso respirar um pouco antes de me comprometer totalmente com alguém ou com algo."


Eu não entendia. Eu não conseguia entender. Ele queria ou não queria estar comigo? Meus sentimentos não tinham mudado; será que ele não me amava mais? Mas ele conseguiu me convencer de que era o melhor e que, se passássemos alguns meses separados, voltaríamos muito mais fortes depois.


Então, nas últimas oito semanas, tentei ser o mais paciente possível. Sempre me orgulhei de fazer tudo com o melhor das minhas capacidades, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Por isso, decidi abraçar esse novo papel e interpretá-lo da melhor forma possível. Eu seria a "não-ex-não-exatamente-namorada" mais fantástica que já existiu.


Eu praticamente me sentava em cima das próprias mãos para me impedir de mandar mensagens para ele o tempo todo. Sempre que a vontade apertava, eu mandava mensagem para uma amiga para combinar de sair e garantir que me marcassem nas redes sociais tendo a "Melhor Noite de Todas". Eu vasculhava a internet atrás dos melhores memes engraçados que eu pudesse enviar para ele, em vez daquelas mensagens mais diretas que eu preferiria ter mandado.


Você sabe do tipo de mensagem que eu estou falando, né?


"Você já está pronto para conversar?"


"Você realmente se importa comigo?"


"Esse tempo vai acabar algum dia?"


Mas eu me recusava a parecer carente. Dei todo o espaço que ele queria. Na verdade, eu fui tão boa em fingir que, no fim das contas, foi o Declan quem me mandou mais mensagens. Acho que consegui enganá-lo direitinho.


O que, pensando bem, pode ter sido pior para mim.


Quando ele pediu para nos encontrarmos para beber hoje à noite, "para colocar o papo em dia", eu fiquei tão animada. Finalmente era o momento. O momento da verdade. Eu conseguia visualizar tudo na minha cabeça . . .


"Eu estava errado em pensar que precisava de espaço", ele me diria, com seus olhos cinza-ardósia brilhando de emoção. "Esses últimos dois meses foram os piores da minha vida." Ele seguraria minhas mãos de forma suplicante. "Por favor, por favor, me diga que seus sentimentos não mudaram. Você é o meu futuro. Você é o meu tudo."


Sim, eu sei que estava sendo bem delirante. Vamos culpar aquela otimista chata que vive presa dentro de mim. (Não consigo me livrar dela. Por mais que eu tente.)


Mas, nos meus sonhos mais loucos, eu nunca acreditaria que, poucas horas depois, eu estaria chorando debaixo da cama com meu ex-namorado pelado — e agora, oficialmente ex mesmo — algemado na cabeceira acima de mim.


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