Capítulo 1
ISLA MAE
6 anos atrás
“Podemos, *por favor*, dar uma escapada lá para baixo?”
Cruzei os braços apertados contra a cintura e mordi o interior da bochecha. Minha determinação ia embora a cada batida grave que subia do andar de baixo.
“Não sei”, ponderei, mudando o peso de um pé para o outro enquanto alguém lá embaixo gritava algo sobre virar shots.
Meus pais estavam fora da cidade para o Congresso Anual de Ecologia e Gestão de Incêndios na Califórnia, deixando-me aos cuidados do meu irmão mais velho, a algumas centenas de quilômetros de distância, em Laurel Peak, Colorado.
Aos quinze anos, eu dificilmente precisava de uma babá. Meus pais sabiam disso, mas não queriam me deixar sozinha em casa, então pediram a Garrett que voltasse mais cedo da faculdade para as férias de Natal.
Antes de meus pais saírem, minha mãe beijou minha testa e me avisou para me comportar com Garrett, e nós duas caímos na risada.
Embora ele fosse seis anos mais velho, eu teria mais dificuldade em garantir que *ele* se comportasse naquele fim de semana. Ele estudava quase sete horas longe, em Fort Collins, e eu sabia que ele estava ansioso para reencontrar seus amigos de Laurel Peak.
Eu não esperava, no entanto, que ele fosse dar uma festa daquelas na primeira noite de volta para casa.
Quase assim que a caminhonete Ford do meu pai desapareceu na curva da estrada sinuosa da montanha, Garrett se virou para mim e disse que planejava convidar alguns amigos para passar lá naquela noite. Ele disse que eu poderia convidar Skylar e Eliana também, desde que prometêssemos ficar no meu quarto assim que os amigos dele chegassem.
Então, mandei mensagem para minhas melhores amigas.
Pegamos um jantar para viagem no Lookout Grill, a comédia romântica mais recente de uma Redbox e máscaras faciais na farmácia local. Estávamos na metade do filme picante e das máscaras de pepino quando a música começou.
Cada vez que a campainha tocava na hora seguinte, a música aumentava. Risadas e gritos. Batidas graves. Outra campainha. Uma música nova.
Não demorou muito para Skylar e Eliana abandonarem os vinte minutos finais do nosso filme e abrirem a porta do meu quarto.
“Ai meu Deus, eu *amo* essa música”, Eliana gemeu, jogando a cabeça para trás em agonia. “Por favor, Isla! Você nunca quis festejar com os amigos do seu irmão?”
Eu bufei. “Não. E o Garrett foi bem claro que não quer a gente por perto hoje.”
Eliana fez biquinho, mas Skylar continuou passando um brilho labial pegajoso nos lábios diante do espelho.
“Bem, ele deveria ter pensado nisso antes de convidar metade de Laurel Peak hoje”, Skylar disse, guardando o brilho labial e ajeitando seus cachos pretos apertados. “Tipo, ele realmente achou que conseguiríamos dormir com esse barulho?”
Olhei na direção do corredor, onde luzes multicoloridas projetavam sombras nas paredes vindas do andar de baixo. “Ele me disse que viriam poucas pessoas.”
“Ah, eu não estou reclamando.” Skylar sorriu, saindo de perto do espelho para nos encarar. Ela estava linda. Sua pele cor de caramelo brilhava apesar da iluminação forte do meu quarto, e ela tinha trocado a calça de pijama por um jeans preto bem justo que exibia cada centímetro de suas pernas longas.
Skylar irradiava confiança. Ela sempre foi assim, mesmo quando éramos apenas crianças no parquinho. Nossas mães eram melhores amigas e nos colocavam juntas para brincar desde que aprendemos a abrir os olhos. Às vezes, eu me perguntava se Skylar e eu seríamos amigas se não fosse pelas nossas mães.
“Vocês estão prontas para a nossa primeira festa de verdade?”, ela provocou, e meu coração disparou.
“Espera!”, Eliana riu, empurrando-se para o banheiro para aplicar um pouco do brilho labial de Skylar em sua própria boca. Ela passou uma escova em suas ondas ruivas, alisando os nós do rabo de cavalo que fizera antes.
Eu gemi e esfreguei a testa. “Se o Garrett pegar a gente, ele vai ficar puto.”
“Ele não vai pegar a gente”, Skylar insistiu. “Tem tipo, uma caralhada de gente lá embaixo.”
“Aff”, resmunguei novamente, abraçando meu estômago que dava voltas um pouco mais forte antes de soltar um suspiro profundo.
Passei a maior parte da minha adolescência seguindo as regras. Tirava notas perfeitas. Fazia voluntariado no abrigo de animais e cuidava dos filhos dos nossos vizinhos na maioria dos fins de semana. Eu merecia ir a uma festa.
Mesmo que fosse uma festa de universitários de vinte e um anos. Com álcool, sem dúvida.
*São amigos do meu irmão*, eu disse a mim mesma. *Nada de ruim vai acontecer. E, se acontecer, eu simplesmente arrasto Eliana e Skylar de volta para o meu quarto e tranco a porta. Problema resolvido.*
Com isso, engoli meu nervosismo.
“Tudo bem. Mas também vou pegar um pouco desse brilho labial.”
Meia hora depois, as três estavam no topo da escada olhando para a confusão.
“Isso é *muito* legal”, Eliana sussurrou, com os olhos arregalados.
No saguão abaixo, alguém tinha montado uma mesa de beer pong, e meia dúzia de rapazes e moças estavam em volta. Alguns jogavam. Outros assistiam. Todos estavam com uma bebida na mão.
“Isso é *muito* contra as regras dos meus pais”, eu resmunguei, mordendo o interior da bochecha novamente. Se a noite continuasse assim, eu ia acabar fazendo um buraco nela.
Skylar, que usava um sorriso de encantamento, me cutucou com o cotovelo. “Não é nossa festa, não é nosso problema. Vamos!”
Ela liderou o caminho descendo as escadas, e Eliana a seguiu, deixando-me por último.
Respirei fundo, puxando a bainha do minivestido de manga comprida que Skylar tirou do meu armário. Embora eu usasse uma meia-calça quase opaca por baixo, o vestido parecia curto demais de repente. E, no entanto, enquanto eu descia as escadas e mais pessoas apareciam, percebi que meu traje cobria *muito* mais do que a maioria. Na verdade, com meu cabelo loiro preso em um rabo de cavalo baixo, eu parecia mais pronta para um brunch com as senhoras da biblioteca do que para uma festa.
Resistindo à vontade de voltar para o andar de cima, juntei-me às minhas amigas lá embaixo e observei o mar de estranhos ao nosso redor. Não reconheci ninguém nas redondezas e disse a mim mesma que aquilo era um bom sinal.
“Lembrem-se...” comecei, mas Eliana me interrompeu.
“Ficar longe do Garrett”, ela disse arrastado, seu sorriso radiante nunca vacilando. “A gente sabe.”
“Vamos, Isla”, Skylar passou o braço pelo meu e me puxou na direção da cozinha. “Você precisa de um drinque.”
*Um drinque. Tipo. Álcool.*
Uma nova onda de nervosismo percorreu meu estômago, e eu lutei para forçar um sorriso nos lábios. “Ok...”
As três percorreram minha casa com facilidade, tendo passado a maior parte de nossas vidas correndo por seus corredores, mas eu nunca a tinha visto com tantas pessoas. Jovens universitários enchiam cada cômodo, bebendo, dançando, conversando e rindo. *Se beijando.*
Senti que estávamos deslocadas, mas ninguém parecia notar. Eles não nos deram atenção enquanto atravessávamos a multidão, chegando à cozinha e pegando a primeira bebida alcoólica que encontramos.
“*Vodka*”, Skylar murmurou, girando a tampa de uma garrafa transparente que dizia ‘Absolut’.
Enquanto a festa acontecia ao nosso redor, observamos fascinadas enquanto Skylar despejava cuidadosamente o líquido transparente em três copos descartáveis vermelhos. Quando cada uma estava com o seu, levei o meu ao nariz e aspirei.
“Eca!”, fiz careta, quase derramando a vodka nas minhas botas de camurça. “Tem cheiro de álcool de limpeza!”
Eliana levou o seu próprio copo ao nariz, seu rosto se contorcendo em igual desprezo. Apenas Skylar parecia não se importar com o fedor.
“Acho que não é para ter um gosto bom”, ela relatou com naturalidade. “Pelo que ouvi, é melhor beber tudo de uma vez.”
Meu nariz se enrugou com o pensamento, mas eu também não conseguia imaginar ninguém querendo prolongar a tortura de beber aquilo. Se eu tivesse que virar de uma vez, eu viraria.
Além disso, Skylar não colocou muito. Apenas meio copo.
“A gente só bebe o mais rápido possível?”, Eliana perguntou, com a incerteza estampada em seu rosto cheio de sardas.
Skylar assentiu, embora eu não estivesse convencida de que até *ela* sabia a maneira correta de beber. “Talvez ajude se a gente tapar o nariz?”
Eu duvidei, mas minha garganta parecia fechada demais de nervosismo para protestar. Simplesmente respirei fundo e encarei minhas amigas enquanto, simultaneamente, levamos as bordas de plástico aos lábios e...
*Meu Deus!* Consegui dar dois goles antes de cuspir o resto do conteúdo do copo na bancada. Minha garganta ardia, e minha boca salivava pelo sabor terrivelmente ruim.
Eliana e Skylar não estavam muito melhor. Elas engasgaram, tossiram e xingaram, e, pela primeira vez naquela noite, nós três chamamos atenção indesejada.
Duas garotas usando suéteres curtos chiques e leggings de couro sintético nos olhavam com uma mistura de preocupação e diversão. Elas baixaram o tom de voz, mas não se deram ao trabalho de esconder as risadas enquanto Eliana fazia uma careta grotesca atrás da outra.
Ciente demais de que estávamos causando uma cena, peguei minhas amigas pelos braços e as tirei da cozinha. A cada passo que dava, um calor subia pelo meu pescoço. Para minhas bochechas e minhas orelhas. Vergonha? Ou os efeitos imediatos do fogo líquido que eu tinha acabado de despejar na garganta?
Quando conseguimos voltar ao saguão onde a mesa de beer pong estava montada, estávamos rindo.
“Ai meu Deus”, Skylar riu, jogando a cabeça para trás. “Isso foi horrível. Não acredito que as pessoas bebem isso por prazer.”
“Sabe, talvez a gente devesse ter misturado com alguma coisa?”, Eliana se perguntou, suas bochechas em um tom rosa brilhante.
Skylar balançou a cabeça. “Não. Em The Vampire Diaries, eles bebem direto da garrafa.”
Parei de ouvir a conversa assim que meus olhos bateram em uma figura familiar do outro lado do saguão. Mesmo de costas na minha direção, eu o reconheci.
Eu o reconheceria em qualquer lugar.
Ele estava maior do que da última vez que o vi. Mais alto e mais forte, talvez, com ombros enormes que forçavam as costuras de sua Henley de malha. Ele tinha cortado o cabelo loiro escuro e, quando virou a cabeça para o lado, pude ver a sombra de barba por fazer alinhando seu maxilar.
*Mais velho. Diferente.* Mas o mesmo.
Heath McCord.
O melhor amigo do meu irmão. O garoto que me conhecia desde que eu andava de fraldas enquanto ele brincava de arminha com o Garrett. Aquele que observei da minha casa na árvore, livro na mão, enquanto eles faziam guerra de balão de água e treinavam hóquei no verão. Aquele que puxava minha trança como um incômodo, mas me acompanhava até a escola com os amigos do meu irmão quando eu tinha problemas com o valentão da turma.
Claro, quando os meninos se formaram no ensino médio e foram para a faculdade, parei de ver Heath com frequência. Apenas nas férias de primavera e verão, e nunca por muito tempo. Apenas de passagem.
Eu não conseguia identificar o dia exato em que minha percepção sobre Heath mudou. Talvez tenha acontecido quando ele foi para a faculdade e parei de vê-lo todos os dias. Talvez tivesse mais a ver com minha puberdade *muito* tardia, que abriu meus olhos para garotos e romance.
Mas *Deus*... Meu estômago deu mil nós ao vê-lo no saguão dos meus pais mais uma vez.
“Aquele é o Heath McCord?”, Skylar disse, alto demais. “Droga. Ele sempre foi gato, mas está tipo, *irresistível*.”
“Você acha?”, fingi indiferença, mas senti o calor subir pelo pescoço.
“Ih, você precisa marcar um oftalmologista?”, ela rebateu com uma risada. Ela parecia assustadoramente uma hiena que tinha acabado de avistar uma carcaça no chão. “Aquele homem é *gostoso* com G maiúsculo.”
Dei de ombros. “Não sei... acho que o conheço há tempo demais. Ele é como um irmão.”
Não era uma mentira *completa*.
Do outro lado do saguão, Heath inclinou a cabeça para trás para beber o conteúdo de sua garrafa de cerveja. Seus lábios se fecharam em torno do gargalo estreito, e sua garganta se moveu a cada gole. Eu não conseguia explicar a onda de calor que subitamente se concentrou entre minhas coxas com aquela visão inocente.
Então, a jovem ao lado dele riu, um som sexy, quase rouco, e se inclinou para ele. Como se fosse por instinto, Heath deslizou a mão pelas costas dela, e sua palma pousou no bumbum dela, envolto na saia. Dedos grandes se apertaram contra o tecido, afundando nas curvas dela. O tecido da saia subiu, apenas o suficiente para revelar que ela parecia não estar usando calcinha.
*Que porra é essa?*
O rubor nas minhas bochechas intensificou-se, e imediatamente me forcei a virar, de volta na direção da cozinha. “Acho que preciso beber outra coisa. Não estou me sentindo bem.”
Os olhos de Eliana arregalaram. “Você não está?!”
“Acho que só preciso de um pouco mais”, menti. Eu queria cair fora dali. “Além disso, deveríamos evitar o Heath também. Ele é tão capaz de nos expulsar quanto o Garrett.”
Skylar franziu o nariz com isso, depois soltou um suspiro longo e dramático. “Você provavelmente tem razão. Tudo bem, nada de conversar com seu irmão ou com os amigos dele. Mas eu estou *morrendo* de vontade de dançar. Vamos pegar mais uma bebida e depois vamos para a pista de dança, Isles.”
“Você quer dizer a minha sala de estar?”, brinquei, guiando-as de volta para a garrafa de vodka e rezando para que o fogo líquido pudesse matar os pensamentos estranhos sobre Heath que fervilhavam na minha cabeça.